terça-feira, 26 de maio de 2015

a actualidade do dia-a-dia, numa visão pessoal do jornalista...!

Bom dia, já leu o Expresso Curto Bom dia, este é o seu Expresso Curto
João Vieira Pereira
Por João Vieira Pereira
Diretor-Adjunto
 
26 de Maio de 2015
 

Tsipras quer dançar, e a velha Europa diz que... 

É uma tragédia. É grega. Mas pode estar a chegar ao fim. Outra vez. Ou não. Todas as semanas, às vezes no mesmo dia, chegam informações contraditórias sobre a evolução da situação grega. A última é positiva. Tsipras parece ter chegado a acordo com o seu partido sobre o rumo a dar às negociações, ganhando à ala mais radical. Um acordo pode ser alcançado até ao final da semana. As negociações recomeçam hoje em Bruxelas.

Para dançar o tango são precisos dois. Se Tsipras já tem a rosa na boca, a velha Europa ainda está a decidir se dança, a cor do vestido e o tamanho dos sapatos. E, se dançar, qual o ritmo que vai imprimir à Grécia. Varoufakis, o herói que se tornou vilão, já veio dizer que quer uma melodia suave. "O nosso governo não pode – nem vai – aceitar uma cura que, nos últimos cinco anos, provou ser pior que a doença", escreve num artigo que pode ler aqui. Mas diz que a Grécia está pronta para fazer as reformas necessárias e ataca a imprensa internacional por criar uma imagem que não é verdadeira sobre a vontade grega.

Para terminar, o ministro do Interior, Nikos Voutsis, veio dizer, sobre o pagamento de 1,6 mil milhões de euros que a Grécia tem que fazer ao FMI no início de junho, que "O dinheiro não vai ser dado.... não está lá para ser dado". Ou seja, a Grécia até quer pagar, mas precisa que lhe emprestem dinheiro para o fazer.

Em Espanha ainda o rescaldo das recentes eleições autonómicas e municipais. Depois do 24M (como já são conhecidas estas eleições), as acusações e críticas ao PP, que supostamente enfrenta uma crise geracional. Algo refutado por Mariano Rajoy, que considera que os maus resultados foram causados pela crise, pela falta de recursos dos governos autonómicos e pelos casos de corrupção. Se tiver curiosidade de consultar os resultados aconselho a página do El País.

Uma das estrelas das eleições do passado domingo foi Ada Colau. Liderou a o movimento Barcelona en Comú e ganhou por 17 mil votos. O plano que tem para a cidade é assumido como "ambicioso mas fazível". Vale a pena conferir o "plano de choque para os primeiros meses de mandato" onde estão medidas como multar bancos que tenham casas vazias, novas taxas para as empresas de eletricidade, reduzir salários e eliminar os carros oficiais.

O líder do Podemos terá elegido como prioridade estabelecer acordos para fazer a vida negra ao PP. Para já começam as conversas com o PSOE (ainda se lembra que este partido existe?). Sobre o 24M não perca a análise de Jorge Almeida Fernandes no Público.

Ficamos a saber que "boas qualidades de temperamento" e uma "superior inteligência e caráter forte e bom" fazem um candidato presidencial. Pelo menos para Ramalho Eanes, que foi ao Porto manifestar o seu apoio a Sampaio da Nóvoa.

E vão três! Depois de Soares e Sampaio, já são três os ex-presidentes a apoiar publicamente Nóvoa, que apresentou ontem no Porto a sua carta de princípios. Uma plateia cheia no Rivoli ouviu o candidato deixar cinco grandes compromissos

A polémica proposta para a cobertura jornalística das eleições mudou. Os partidos que não têm assento parlamentar podem ficar de fora dos debates televisivos. Bernardo Ferrão e Filipe Santos Costa dão-lhe os pormenores da nova proposta


OUTRAS NOTÍCIAS
Morais Sarmento não teve papas na língua e arrasou ontem à noite aos microfones da Rádio Renascença a recondução de Carlos Costa à frente do Banco de Portugal. Para Sarmento, " se Pedro Passos Coelho quer dar uma medalha a Carlos Costa, dá-lhe no 10 de junho".

Alemanha e Franca chegaram a um acordo para avançar na integração europeia sem que seja necessário rever os tratados europeus. Um ataque direto a David Cameron, que quer a renegociação do Tratado de Lisboa.

Tom Hayes é um nome que não lhe deve dizer nada. Mas o jovem matemático de 35 anos é, para a justiça britânica, o responsável pela manipulação da taxa Libor, taxa que se aplica às operações entre bancos mas que acaba por se refletir no valor das hipotecas e empréstimos. Hayes é um dos vários acusados e o primeiro chegar a tribunal. Como defesa argumenta que aquilo que fazia era prática geral e que, sendo do conhecimento do seu chefe, achava que não estava a fazer nada de mal. Aqui pode ler tudo sobre o caso Libor.

Foi durante anos a imagem de um autarca exemplar. Agora enfrenta novas acusações. Macário Correia está indiciado por prevaricação no âmbito de uma investigação sobre licenciamento urbanístico. Terá aprovado uma moradia em reserva ecológica. No passado, enquanto autarca de Tavira, já tinha sido condenado a perda do mandato.

Afinal a Altice não consegue comprar tudo. Desta vez parece que quem vai ficar com a Time Warner Cable é a Charter.

Na próxima quinta e sexta feira realiza-se o grande evento anual da Google. A imprensa internacional começa a fazer apostas sobre o que vai ser apresentado em S. Francisco. Conheça aqui as novidades mais esperadas.

Carlos disse adeus a Cristiano. O treinador do Real Madrid não aguentou o facto de não ter ganho nada. Quem vem a seguir? O Expresso deixa-lhe uma dica.


O QUE DIZEM OS NÚMEROS
1016 euros é o valor médio da avaliação bancária de cada metro quadrado de uma habitação em Portugal. Um crescimento de 0,5% em relação ao mês de março. Só que a estatística não é como o algodão. Engana e muito. Lisboa tem o valor mais alto, 1237 euros de valor por m2 para os apartamentos. 819 euros por m2 é o valor mais baixo da avaliação bancária, registado para as moradias do centro do país.

450 milhões de euros é quanto pagámos mais de impostos nos primeiros 4 meses do ano. O IRS até está a cair em relação ao ano passado, mas o IVA mais do que compensa (está a crescer quase 10%, contra os 4% esperados). Perante o bom desempenho do IVA, as Finanças atiram as culpas para a recuperação económica e o combate à fraude. Esquecem-se que as devoluções do IVA estão, este ano, a um ritmo bem mais lento. Contas feitas, o défice está em queda.


FRASES
"Qualquer alteração a uma matéria dos sistemas públicos da Segurança Social deve ser discutida com um amplo consenso político e também com o maior partido da oposição", Pedro Mota Soares, ministro da Solidariedade, Emprego e Segurança Social a contradizer a ministra das Finanças em matéria de corte de pensões.

"Serei prudente e rigoroso no uso dos poderes presidenciais, mas não farei da omissão o meu estilo, da ausência um método, do silêncio um resguardo", Sampaio da Nóvoa.


O QUE EU ANDO A LER
Há coisas que por mais saibamos vale sempre a pena recordar. E aprender mais um pouco. Tenho quase a certeza que quando o jornalista Nuno Aguiar resolveu escrever o seu livro " Os números da nossa vida" não estava a pensar em mim como um potencial leitor. Enganou-se.

O livro é um manual didático sobre diversos conceitos de economia que fazem hoje muitas conversas de café. Escrito com uma linguagem acessível a todos, mata-nos a curiosidade sobre grandes temas da economia. O emprego, as contas públicas, a dívida pública, o dinheiro, a banca. Acredite, mesmo que pensa que já sabe tudo sobre estes palavrões vai gostar de ler este livro editado pela Esfera dos Livros.

Agora para algo completamente diferente. Existe um conceito que o livro de Nuno Aguiar não aborda: a economia da partilha. Não é recente, mas é totalmente nova na maneira como a entendemos hoje. E pode ser descrita como um sistema económico e social construído através da partilha de recursos. Ou, numa tradução mais corriqueira: o que é meu também pode ser teu, por um preço. Este conceito sempre existiu, mas foi a tecnologia que permitiu reduzir drasticamente os custos das transação fazendo florescer negócios como o Airbnb, Uber, ou mesmo o TaskRabbit, um autêntico mercado de oferta e procura de trabalho por tarefas e perto de si.

Mas a economia da partilha em 2011, altura em que o conceito começou a criar fama, já pouco tem a ver com o que se passa em 2015. É a velocidade da economia na era tecnológica. E as críticas começam a surgir, deixando no ar que serviços como o Uber exploram de forma desumana os seus trabalhadores. Deixo aqui exemplos de artigos de 2011, de 2013 (um da Atlantic e outro da The Economist) e outros deste mês (do WSJ e do Financial Times). Descubra as diferenças.

Tenha uma ótima terça-feira.