domingo, 17 de maio de 2015

eu apostaria numa tripla... não vá o diabo tecê-las...!



no observador...

de Marlene Carriço

"Uma aula de 100 minutos de português à segunda-feira, outra de 100 minutos à quarta, colada a uma aula de compensação de 50 minutos nesse mesmo dia ao final da tarde, e mais uma aula de 50 minutos à sexta, à qual se soma outra de compensação, também de 50 minutos, de três em três semanas. Têm sido assim as semanas da turma do 6.º I da Escola Básica Dr. Costa Matos, em Gaia, desde janeiro. E este é apenas um dos exemplos que ilustra a sobrecarga que muitos dos alunos, afetados pelos problemas das colocações no início do ano letivo, têm sentido. A matéria foi dada, resta esperar pelos resultados dos exames de português e matemática da próxima semana para saber se foi apreendida.
“Teve que ser assim por causa da matéria. E está dada, em alguns casos mais a correr, sem profundidade, mas está dada. Estes alunos vão em pé de igualdade para os exames nacionais” da próxima semana, acredita a professora Manuela Freitas, que chegou àquela escola de Gaia só em finais de outubro.
Mas a que custo? “Eles estão um bocadinho cansados do português”, confessa a docente que está a dar aulas de compensação a três turmas diferentes de sexto ano e que considera que “não havia outra alternativa”.
Iva Monteiro também só chegou à Escola Básica 1/2/3 com jardim de infância Pedro de Santarém, do Agrupamento de Benfica, em Lisboa, a 28 de outubro, depois de ter sido colocada uma primeira vez numa escola no Algarve. Até essa altura, as suas duas turmas de 6.º ano não tinham tido aulas de matemática. E foi preciso compensar o tempo perdido. Por isso mesmo, a partir do início do segundo período, passaram a ter mais um bloco de aulas de 90 minutos por semana. Numa das turmas o bloco foi seguido, na outra – mais problemática – repartiu-se o bloco por dois dias diferentes.
“Na minha opinião, foi uma sobrecarga para os alunos. Consegui recuperar a matéria perdida, consegui acompanhar os colegas em termos de ponto de situação, agora não acredito que isso tenha os mesmos resultados”, antecipa a docente, acrescentando: “Eles estão cansados. Eles e eu.”
Há um dia da semana em que uma das turmas tem dois blocos, ambos de 90 minutos, de matemática: um de manhã e outro à tarde. “É um excesso de carga horária” sublinha a professora, e deixa a dúvida: “Não sei se o aproveitamento teria sido o mesmo se estes alunos não tivessem perdido aquelas aulas no início do ano.” Daí “ser difícil responder se eles estão em pé de igualdade com os outros alunos”. A questão é que “entre esta [opção] e nenhuma, prefiro esta”, remata a professora de matemática, confessando-se cansada.
Saltando de uma escola em território de intervenção prioritário (TEIP) para outra, também do mesmo Agrupamento de Benfica, mas de 1.º ciclo, encontra-se o mesmo problema. Só a 23 de outubro Rita Correia chegou à EB1 com Jardim de Infância Arqº Ribeiro Telles para começar a dar aulas à turma de 4.º ano, que será posta à prova na próxima semana, a matemática e a português.
“O início foi complicado, pois os alunos – muitos deles com problemas de comportamento – estiveram muito tempo sem aulas. Foi difícil imprimir ritmo”, começa por enquadrar a docente do 1.º ciclo. E, nesta escola, as aulas de compensação arrancaram logo em novembro. Não implicaram mais horas na escola, mas sim uma redefinição do horário de modo a dedicar mais horas ao português e à matemática, até aos exames.
A hora e meia de apoio semanal passou a ser unicamente para português e matemática e tirou-se mais 3h30, por semana, a estudo do meio e expressões para conseguir recuperar matéria perdida às duas disciplinas que serão examinadas.
“Se resultou? Só mesmo depois dos exames é que poderemos tirar conclusões. Nesta altura não lhe consigo dizer”, apressa-se a responder Rita Correia. E mais uma vez frisa: “Ss crianças começaram a acusar cansaço”.
“As aulas da parte da tarde são das 14h00 às 16h00 e os miúdos às 15h00 já estão mais cansados e com dificuldade em concentrar-se”, resume a docente."


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