sábado, 27 de junho de 2015

a actualidade do dia-a-dia, nas escolhas do editor...!

POR Martim Silva  Editor-Executivo




 
As Escolhas do Editor

Uma semana, sete dias, sete escolhas de leituras imperdíveis para este sábado. Na praia ou onde quer que esteja com o seu dispositivo digital:

1. Como a pobreza afeta o crescimento do cérebro
"Era conhecido que as crianças sujeitas ao chamado 'risco ambiental' - lares desestruturados, contexto socioeconómico desfavorável, franca intervenção do adulto - podiam apresentar sinais de atraso cognitivo. Sabia-se também que as deficiências nutricionais se faziam sentir nos resultados escolares e nos comportamentos. O que não se sabia era que a pobreza tem efeitos diretos no cérebro desde a primeira infância, senão desde o útero materno". Assim começa o texto da Luciana Leiderfarb publicado esta segunda-feira no Diário, e que teve como ponto de partida um estudo publicado na "Nature Neuroscience". Um verdadeiro murro no estômago.

2. Desportivo de Fátima à espera das boas graças de Alá
O Fátima não é um grande clube mas é um clube que nos últimos anos conseguiu chegar e jogar várias épocas na segunda liga nacional de futebol. Mas entretanto, como tantas vezes acontece, caiu em desgraça. Maus negócios, despesas sem relação com as receitas, gestão ruinosa. Resultado: o clube desceu aos campeonatos distritais. Mas a história que contámos no Expresso Diário não é essa. É uma história de descida aos infernos. Mas é também uma história de busca da redenção. O clube tem um novo presidente. Ele chama-se António Pereira. Ele é padre. Ele foi o primeiro sacerdote a jogar futebol federado em Portugal. "Isto é um pesadelo, mas acredito que com uma nova equipa e trabalho dedicado, voltemos a subir depressa ao campeonato nacional de seniores", afirma o padre ao Expresso. Uma questão de fé? O texto é da Isabel Paulo e as fotos, imperdíveis, têm a assinatura do Tiago Miranda.

3. Um dicionário que pelo(s) visto(s) fazia falta
As cartas de amor são ridículas e, pior, podem estar ridiculamente erradas. A nosso pedido, Manuel Monteiro, autor do "Dicionário de Erros Frequentes da Língua", escreveu um bilhete de amor. Leia o bilhete, tente encontrar os erros (não é fácil) e vá até ao final do artigo para conferir a forma correta de escrever o tal bilhete de amor. Tenho saudades tuas? Ou será tenho saudades de ti? De qualquer forma, espreite o tema escrito pela Christiana Martins.

4. Menos seis mil empregos, menos crédito, menos lucros, mais prejuízos
Este título é uma espécie de galeria de horrores. A galeria de horrores do que foi a banca portuguesa (enfim, do que foi a banca mundial) nos últimos seis ou sete anos, desde a crise desencadeada com a falência do americano Lehman Brothers. A Isabel Vicente e a Sónia Lourenço arregaçaram as mangas e foram olhar para o que mudou no setor financeiro no nosso país. Ficámos com isso a saber que de 2008 a 2014 foram eliminados em média mais de mil postos de trabalho por ano. Com prejuízos em vez de lucros, a banca emagreceu. Cortou no crédito, vendeu ativos, reforçou o capital, muitas vezes com a ajuda do Estado.

5. "Um passeio entre amigos"
Sob uma chuva torrencial, há precisamente 40 anos, um marinheiro português arriava pela última vez a bandeira que marcava a presença colonial no Índico. Moçambique tornou-se independente, a maioria dos portugueses retornou à metrópole e o alto-comissário, almirante Vítor Crespo, trouxe consigo o estandarte nacional que o Expresso encontrou no Museu Militar de Lisboa. Mas antes disso, houve negociações, abraços, tensões raciais e êxodos que marcaram para sempre a história dos dois países. Leia o texto que resulta da investigação de José Pedro Castanheira e Iryna Shev. Quer já tenha ido a Moçambique, quer nunca tenha lá posto os pés. Afinal, é um bocadinho da nossa história recente comum que é aqui contada.

6. "E agora, para algo completamente diferente..."
John Cleese é um dos seis membros dos Monty Python, possivelmente o mais revolucionário grupo de humoristas dos tempos modernos, lançou uma autobriografia cuja versão em português chega agora às livrarias, com prefácio de Ricardo Araújo Pereira e intitulada "Ora, como eu dizia...". O texto da Katya Delimbeuf conta alguns dos episódios da vida de Cleese. Ficamos a saber que o próprio se considerava um "xoninhas" nos tempos de escola. Que o seu nome era John Cheese e foi mudado quando foi para a tropa por causa do bullying constante. Que tem alta pancada com lemures. E que gostava de passar a ser "Jack Cheese, o artista anteriormente conhecido como John Cleese".

7. Um russo à frente da Filarmónica de Berlim
A Luciana Leiderfarb é por aqui na redação do Expresso a especialista em música clássica (a par do Henrique Monteiro, claro). Esta semana escreveu um texto que é sobre musica clássica. Mas que é muito mais do que um texto sobre música clássica. É a fantástica e surpreendente história de uma orquestra, a Filarmónica de Berlim, que é a mais temida do mundo (já foi dirigida por Karajan) e que escolheu o seu novo responsável pelo voto direto de 128 músicos que a compõem. O processo de eleição assemelha-se ao conclave dos bispos para escolha do chefe da Igreja Católica. Não passe sem ler esta reportagem.

Por hoje é tudo,
Tenha um grande fim de semana