sexta-feira, 12 de junho de 2015

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Bom dia, já leu o Expresso Curto Bom dia, este é o seu Expresso Curto
Mafalda Anjos
Por Mafalda Anjos
Editora da E
 
12 de Junho de 2015
 

MAYDAY! Tap e Twitter, aterragem de emergência 

Se um dia destes voar na TAP e tiver o presidente da empresa a servir-lhe um aperitivo, não estranhe. É assim o novo dono da companhia aérea portuguesa, o americano nascido no Brasil que tem por hábito falar com os passageiros sempre que vai a bordo. A empresa que custa muito a quem compra e dá quase nada a quem vende, como explicamos no Expresso Diário, será entregue ao consórcio liderado por David Neeleman, isto se o PS não vier com um golpe de asa e recuar no negócio. Tecnicamente é possível, mas iria custar(-nos) muito dinheiro, além de (mais) descrédito internacional. Para conhecer melhor David Neeleman e o sócio português Humberto Barbosa, espreite os perfis que publicámos online.

Certo é que o encaixe para o Estado são, como diria Jorge Jesus, “peaners”: com apenas dois anos do seu salário o técnico comprava a empresa. Embora os portugueses estejam divididos acerca da privatização, o negócio parecia ser, como explica Ricardo Costa, a única solução. Há muito tempo que a empresa já voava baixinho e esta é uma espécie de aterragem de emergência. Depois de chegada a este estado, a alternativa era despenhar-se.

Quente continua também o tema José Sócrates, depois de terem vindo a público as transcrições do último interrogatório a que foi sujeito no DCIAP, quando foi confrontado com o facto de a aprovação do plano de ordenamento PROTAL ter coincidido com transferências de 12 milhões de euros na Suíça pelo empresário luso-angolano Helder Bataglia, um dos donos de Vale de Lobo. O advogado João Araújo já reagiu, acusando o procurador Rosário Teixeira de ter lançado uma “calúnia insensata e irresponsável”, e dizendo ao Público que a partir de hoje, da sua parte “o segredo de justiça acabou”.

Destaque para o DN e a TSF, que visitaram Sócrates na prisão. A impressão com que ficaram de 25 minutos de visita foi a de que está mais magro, mas continua a comportar-se como um político profissional. “Tem uma mensagem para passar, tem uma narrativa bem estudada e só responde ao que quer”, escreve o jornal. Em declarações por escrito, o ex-primeiro ministro atira: “o poder que exerceram [o juiz e o procurador] não foi o do direito, mas o da força”.

Sobre o ex-primeiro ministro, Henrique Raposo escreveu ontem que não tem dúvidas em dizer que não precisa da justiça para condenar José Sócrates. Antes de ser um caso legal, é um caso moral. “Aquilo que já sabemos chega e sobra para uma condenação moral do indivíduo em questão”, defende o colunista do Expresso. Concorde ou não, vale a pena ler os seus argumentos.

Acerca da Grécia, assunto praticamente obrigatório nos Curtos das últimas semanas, soube-se ontem que o FMI decidiu bater com a porta e abandonar as negociações, por entender que era grande o hiato que os separava dos gregos na procura de uma solução para a crise no país. O Guardian explica tudo, citando Clint Eastwood em “Dirty Harry”, o que engrandece qualquer texto. A mim só me ocorre outra tirada cinéfila, de David Cronenberg no remake clássico “A Mosca” em 1986: “Tenham medo. Tenham muito medo”. 


OUTRAS NOTÍCIAS
Difícil também está a aterragem de Vitória no Estádio da Luz. Não a águia, bem entendido, mas o Rui. O Benfica anunciou ontem não um contrato mas um acordo de princípios com Rui Vitória para assumir as funções de técnico. Se o negócio se concretizar, as discussões de bola entre os seis milhões de treinadores de bancada vão ficar muito mais eruditas. É provável que em breve, além das táticas 4-4-2 ou 3-5-2, os vejamos a argumentar com Sun Tzu e “A arte da guerra”, o clássico chinês de estratégia que inspira o novo treinador encarnado.

Hoje uma efeméride toma conta dos jornais nacionais, ou não tivesse sido ela determinante para as nossas vidas. Foi exatamente há 30 nos que Mário Soares assinou o acordo de adesão à CEE.

Lá fora, no mundo dos negócios deu que falar a demissão do presidente do Twitter. Dick Costolo sai de cena depois da rede social ficar aquém dos objetivos de aumentar a base de utilizadores e receitas publicitárias. As ações chegaram a disparar 8% no trading after hours. Tudo isto acontece no dia em que a empresa decidiu também acabar com o limite de 140 caracteres nas mensagens privadas, mudança que estará operacional a partir de Julho. Que outros coelhos tirará da cartola um novo presidente para tornar o Twitter irresistível, será esperar para ver. 

Aqui ao lado, na vizinha Espanha, o rei revogou o título de duquesa de Palma à sua irmã Cristina, na sequência do escândalo do caso Nóos em que se viu envolvida com o seu marido Iñaki Urdangarin. O decreto real será publicado oficialmente hoje, mas o El Pais já o divulga online.

Morreu o grande Ornette Coleman, o saxofonista irreverente que revolucionou o Jazz e colocou a liberdade e o improviso noutro patamar. A morte teve a pouca originalidade de o levar, escreve o Público.

E agora pergunto-lhe: sabe o que é um Yuccie? Esta semana, lá pelas bandas dos Estados Unidos, de onde vêm sempre estes conceitos para arrumar pessoas em prateleiras, não se falou de outra coisa. A culpa foi da Mashable, que lançou um artigo que se tornou viral onde lançou a terminologia. Um Yuccie, abreviação de “young urban criative” é uma combinação de um hipster cool e criativo com um materialista e ambicioso yuppie. Representa os jovens educados que querem dar-se bem na vida sem abdicar da criatividade e estilo alternativo e independente. Se acha que pode pertencer a esta tribo emergente, faça o teste. Eu fiz, e aparentemente sou “um bocadinho yuccie”. Só não tenho é tatoos nem piercings suficientes (ou melhor, nenhuns). 

Outro tema que conheço bem, por quadrupla experiência própria: partos, no meu caso todos normais. Uma exceção face ao que se passa nos hospitais privados, onde 66% dos bebés nascem de cesariana, apesar dos riscos acrescidos para a mãe e para a criança. A SIC foi perceber porquê e contou tudo numa grande reportagem que está disponível nesta infografia interativa que vale a pena espreitar. 

Para terminar, uma notícia que, se não fosse trágica, era cómica. Um russo morreu ao tentar, no momento em que estava a ser detido pela polícia, comer um tablet, não se sabe se da Apple ou sistema Android. Nota mental: mesmo que as notícias o irritem muito, coisa que nos tempos que correm acontece a todos nós, engolir o tablet não é opção.


FRASES
“Ciente de que as suspeitas do Ministério Público tendem a, depois de lançadas ao vento, ficar a jazer, à espera de novas suspeitas que as recauchutem ou substituam e mantenham o circo a funcionar, José Sócrates não deixará que, desta vez, isso aconteça”, escreve o advogado João Araújo no comunicado que enviou ao Expresso

“Não é preciso ter coragem, é preciso ter cara de pau para anunciar esta medida ao país”, disse a deputada Mariana Mortágua sobre o primeiro-ministro, a propósito da privatização da TAP

“Neste país condena-se as pessoas por convicção- Há muitos inocentes nas cadeias. As prisões portuguesas estão cheias de Isaltinos e Sócrates”, disse o ex-autarca de Oeiras numa sessão de autógrafos no concelho


O QUE EU ANDO A LER
A próxima capa da Bloomberg Businessweek é um “double issue” memorável. Desde logo pelo design: a capa é uma folha em branco com o que para o comum dos mortais parece uma série de hieróglifos sem sentido, mas que para um techie são obviamente códigos de programação. O título, ao fundo da capa, é sugestivo: “se não consegue ler aquilo, leia isto”. Lá dentro, um grande ensaio sobre código e a sua importância nos dias de hoje, por Paul Ford, escritor e programador. O mundo hoje, nas suas mais variadas vertentes da vida, dos media ao comércio eletrónico, pertence a quem sabe programar, e quem não sabe vai ficar para trás. O que a revista se propõe a fazer é explicar as bases e desmistificar o conceito para pessoas “normais” e executivos que ainda o consideram misterioso e intimidatório. “O código tem sido a minha vida, e também tem sido a sua. É tempo de perceber como tudo isso funciona. Todos os meses, o código muda o mundo de alguma forma interessante, maravilhosa ou inesperada.”, diz Paul. O artigo é longo e demora pelo menos uma hora a ler, mas garanto-lhe que vale a pena, por isso guarde este link para o seu fim de semana.

Outra recomendação de leitura é o tema de capa da revista E do Expresso, amanhã nas bancas. Fomos descobrir os novos caminhos por onde se procura a cura para o cancro. Tratamentos promissores estão a ser testados com sucesso, e a dar esperança a médicos e comunidade científica.

Por aqui, é hora de dizer adeus, no meu caso mais emocionado do que o costume. Este é o último Expresso Curto, já que em breve me avistará por outras bandas - a partir de dia 22 vou assumir funções na direção da revista Visão. A grande equipa do Expresso com quem tanto aprendi e a quem agradeço estes sete intensos e inesquecíveis anos está como de costume online aqui com todas as notícias do dia, e amanhã nas bancas com a edição semanal. Segunda-feira há novo Curto com o mestre da pena Pedro Santos Guerreiro. 

Até um dia destes!