sexta-feira, 26 de junho de 2015

a actualidade do dia-a-dia, numa visão pessoal do jornalista...!

Bom dia, já leu o Expresso Curto Bom dia, este é o seu Expresso Curto
Ricardo Costa
Por Ricardo Costa
Diretor
 
26 de Junho de 2015
 

Grecia, a caminho do fim ou no fim do caminho? 


É bem provável que o Expresso Curto da próxima segunda-feira comece pela Grécia e que nessa altura já possamos dizer se os mercados estão eufóricos ou em depressão profunda. Mas como hoje ainda é sexta, estamos na véspera de reunião decisiva. É verdade que a expressão “reunião decisiva” já foi usada umas duzentas vezes nos últimos meses, mas desta vez parece que estamos mesmo no fim do caminho. Ou então a caminho do fim… 

No totobola bruxelense as apostas pendem agora claramente para o desempate. Não vale a pena dizer a favor de quem, porque nestas coisas da diplomacia europeia têm todos que ganhar e têm todos que perder, quanto mais não seja para terem margem para os discursos internos. Sim, porque tudo o que ficar decidido (façam figas nesta parte) na reunião extraordinária de sábado ainda terá que ir a votos nalguns parlamentos nacionais.
O calendário é apertado (pode consultá-lo aqui) e as contas não são fáceis para Alexis Tsipras, com ameaças de dissidência na sua coligação habituada a uma retórica anti-austeridade, e também para Angela Merkel, com vozes contra na sua CDU. Esta madrugada, visivelmente cansado, Juncker mostrou que estava irritado com a estratégia de negociação grega.

Mas como nem só de Euro vive a Europa, convém lembrar que há dois temas muito quentes e igualmente urgentes: como lidar com as migrações, sobretudo as que atravessam o Mediterrâneo e sobre as quais não está a ser fácil um entendimento, e como negociar as exigências do Reino Unido, numa altura em que a expressão Brexit toma o lugar do Grexit.

Na frente doméstica, a SIC entrevistou ontem António Costa (terça feira é a vez de Passos). A entrevista foi longa, mas tem aqui um bom resumo da Cristina Figueiredo, no Expresso Online, com o título “O emprego é a causa das causas”. Na conversa com Clara de Sousa, António Costa frisou que para a criação de emprego é inevitável o relançamento da economia e que este passa por "devolver rendimentos às famílias". Detendo-se na explicação da medida mais controversa do seu programa eleitoral - a baixa da TSU para trabalhadores e empregadores - garantiu que um Governo PS não mexerá na idade da reforma (além da evolução já prevista na lei) e não cortará pensões em pagamento.

O resumo da própia SIC, que pode ver aqui em vídeo, tem quatro pontos fortes: 1) Sócrates, com o líder do PS a manter a mesma ideia: é preciso ter coração e nervos de aço e deixar à justiça o que é da justiça; 2) TSU, para clarificar que nenhum trabalhador poderá recusar a eventual descida da taxa, prometida pelo PS; 3) Idade da reforma, para explicar que vai manter o modelo que que assenta na atualização automática via evolução da esperança de vida; 4) TAP, para defender que o contrato ontem assinado não é definitivo e que o PS mantém a ideia de que o Estado deve fica com 51% do capital da transportadora, 


OUTRAS NOTÍCIAS
Hoje é dia de muito calor. Há muitos distritos em alerta no interior e no sul, mas a atenção máxima está dirigida para Beja, onde os termómetros podem chegar aos 42 graus.

No meio de tanto calor, o trânsito e os transportes públicos em Lisboa vão estar muito complicados porque hoje é mais um dia de greve no metro.

Com a subida da receita do IRS (os números foram divulgados ontem), o Diário Económico escreve em manchete que o governo prepara a devolução, em 2016, de 40% da receita da sobretaxa de IRS.

Miguel Pais do Amaral ameaça processar Humberto Pedrosa, o novo dono da TAP. A notícia faz manchete do Público e está na primeira página do Negócios. Pais do Amaral acusa Pedrosa de ter esquecido um acordo que já tinha assinado consigo para concorrer à TAP.

A lei do aborto volta a aquecer o Parlamento. Ontem, o Expresso Diário explicou que as taxas moderadoras, que PSD e CDS querem introduzir na lei, podem chegar aos 63 euros. O artigo explica bem tudo o que está em causa.

Ontem à noite houve um concorrido jantar de oficiais militares, em protesto contra as alterações à condição dos militares. O ex-Presidente da República, general Ramalho Eanes, enviou uma mensagem para ser lida no jantar.

Na Síria, o Estado Islâmico voltou a entrar em Kobane, a cidade símbolo da resistência curda ao avanço jihadista. Os extremistas entraramdisfarçados de combatentes curdos e levaram a cabo vários ataques suicidas. A operação foi lida pelos especialistas como uma manobra de diversão, porque há manobras militares decisivas noutros pontos da fronteira sírio-turca.

Bill Gates anunciou ontem que vai duplicar o seu investimento pessoal em energias renováveis, qualquer coisa como dois mil milhões de dólares. A ideia de Gates é de contribuir para acelerar a tecnologia numa área que pode mesmo mudar o mundo.

Os violentos protestos dos taxistas franceses contra o Uber fizeram uma refém inesperada. A cantora Courtney Love relatou tudo no twitter ecomparou Paris a Bagdad. O Guardian faz um bom relato dessa jornada épica, em direto no twiiter e no Instagram, da polémica cantora, viúva de Court Cobain.

Não é só o Uber que agita o mundo. O Airbnb, o popular serviço de aluguer direto de casas – já tão em voga em Portugal – conseguiu ontem um chorudo financiamento de 1,5 mil milhões de dólares, que atira diretamente o valor da empresa para 24 mil milhões.

Já que estamos a falar de uma nova economia e de uma nova linguagem, o Guardian tem um excelente artigo onde explica que o recurso aos populares emojis nos está a levar de novo para uma linguagem próxima dos hieróglifos egípcios e que isso tem muitas consequências.

Para terminar estas notícias, os mais que merecidos parabéns a Telma Monteiro, a nova campeã da Europa de judo na categoria de menos 57 kg. Num combate de 1 minuto e 49 segundos, a judoca portuguesa deu a Portugal a nona medalha nos primeiros jogos europeus, em Baku, no Azerbaijão.


FRASES
"O PS não é um partido radical que não cumpre as leis ou contratos". António Costa, na SIC, sobre o que pode eventualmente fazer na privatização da TAP.

"Não sei de nada, não recebi carta nenhuma". Humberto Pedrosa, ao Público, a comentar a queixa que Miguel Pais do Amaral fez contra si, por alegadamente ter abandonado um consórcio que liderava para tentar comprar a TAP

"Vou conversar com a minha família e ver a melhor opção". Maxi Pereira, em A Bola, num momento em que o defesa do Benfica parece mesmo a caminho do F. C. Porto


O QUE EU ANDO A LER
O último comboio para a zona verde, de Paul Theroux, o relato de uma fabulosa viagem da Cidade do Cabo até Angola, feita em 2011 de mochila às costas. Porque estive uns dias fora de Portugal, li a edição brasileira, mas o livro está editado em Portugal na Quetzal (e pode ser comprado aqui).Paul Theroux é considerado o melhor dos escritores de viagem contemporâneos, a par do falecido Bruce Chatwin, com quem Theroux assinou a meias o Regresso à Patagónia.

O que Chatwin tinha de imaginação (e delírio), Theroux tem de precisão, num estilo enxuto que cruza o jornalismo, a literatura, e etnologia e a antropologia. Esta viagem solitária por África de um septuagenário não faz inveja a ninguém, porque o escritor viajante faz questão de só andar em transportes públicos decrépitos e de parar nos lugares mais desoladores da África do Sul, da Namíbia e de Angola.

Se o despojamento e a falta de condições não são de invejar, a capacidade de viajar assim, por terras onde não se avista um turista, a não ser os que aparecem e desaparecem em safaris de luxo, é absolutamente extraordinária. É isso que faz de O último comboio para a zona verde um grande livro de viagens, a “continuação” do aclamado Dark Star Safari, que já tinha levado Theroux do Cairo ao Cabo, sempre por terra.

Já sabe que da Grécia só deve haver novidades amanhã. Mas pelo sim pelo não, vá espreitando o Expresso Online e, ao fim do dia tem o Expresso Diário (aqui) para arrumar ideias, com as opiniões exclusivas e variadas de Nicolau Santos, José Gomes Ferreira, Daniel Oliveira, Henrique Raposo e Henrique Monteiro.

Como vê no Expresso as vozes são quase tantas como as do Eurogrupo, com a diferença de aqui que não falhamos prazos e remamos todos para o mesmo lado. E assim, amanhã, lá teremos mais um Expresso na banca.

Bom dia e boas leituras