quarta-feira, 15 de julho de 2015

a actualidade do dia-a-dia, numa visão pessoal do jornalista...!

Bom dia, já leu o Expresso Curto Bom dia, este é o seu Expresso Curto
Nicolau Santos
Por Nicolau Santos
Diretor-Adjunto
 
15 de Julho de 2015
 

As certezas de uns e a descrença de outros 


"A senhora jornalista acha garantido que o PS vai ganhar?" Com esta pergunta, Pedro Passos Coelho marcou a entrevista que ontem concedeu à SIC e a Clara de Sousa, demonstrando que está confiante na possibilidade da coligação que lidera vencer as legislativas de Outubro. De início dissertou bastante sobre o caso grego, sustentando que Portugal e a Irlanda sempre se mostraram muito compreensivos para com Atenas, que dispõe de condições para o pagamento dos empréstimos que nem Lisboa nem Dublin usufruem. Depois disse que, nesta matéria, o PS "não tem sido linear". E quanto ao programa eleitoral dos socialistas "não nos parece realista". Voltou a garantir que devolve a sobretaxa do IRS e os salários dos funcionários públicos em quatro anos (ou seja, só em 2019 estará tudo reposto, e mesmo assim "se as condições o permitirem").

Quanto ao corte de 600 milhões nas pensões, diz que é um problema deste e dos próximos governos, pelo que é importante haver um consenso alargado para o resolver. Garantiu que já foram criados 175 mil postos de trabalho entre janeiro de 2013 e abril de 2015 e admitiu que "os anos que vivemos foram de grande dificuldade". Mas "conseguimos fechar o programa de ajustamento e dispensar a troika". Em resumo, "procurei criar condições para ter uma solução credível para que o mandato fosse cumprido e o memorando encerrado". E recusou-se a falar de cenários pós-eleitorais ou sobre a escolha do candidato presidencial do PSD.

Uma coisa é certa: nessa altura, Passos vai ter muito com que se entreter. O mais recente candidato é Alberto João Jardim que, mesmo não ganhando, seguramente anima a campanha, até porque defende um regime presidencialista e a proibição da greve em setores-chave da economia. Já tem mais de duas mil assinaturas (quer chegar às 10 mil) e mais de 6 mil likes na sua página no Facebook...

Hoje é um dia-chave para a Grécia, aquele em que os parlamentares gregos vão ter de votar um novo e violento pacote de austeridade para o país sair do garrote financeiro em que se encontra. Ontem, o primeiro-ministro, Alexis Tsipras, deu uma entrevista a um canal de televisão grego onde afirma preto no branco: "assinei um um acordo em que não acredito". Dá logo confiança para quem espera que ele seja aplicado. E é possível que sejam os partidos da oposição ao Governo do Syriza a votar mais unanimemente o draconiano pacote de austeridade. Para já, o ex-ministro Yanis Varoufakis é taxativo: "Não vou aceitar isto. Não contem comigo".

Ontem também se soube que durante as reuniões do fim-de-semana, os membros do Eurogrupo já dispunham de um relatório explosivo do Fundo Monetário Internacional, onde se sublinha que a dívida pública grega é insustentável, sendo indispensável aliviá-la e reestruturá-la. Os técnicos do FMI antecipam três cenários: um período de carência de três décadas para a dívida aos fundos europeus e a extensão dramática das maturidades, transferências anuais para o Orçamento do Estado helénico ou então um corte direto da dívida.

Na prática, o FMI está a dizer à Europa que o euro não funciona, escreve Josh Barro no New York Times.

Para quem pensa, contudo, que a situação grega está resolvida, bem pode tirar o cavalinho da chuva. O ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schauble, já veio dizer que encontrar uma solução de financiamento temporário vai ser difícil, sugerindo que deve ser o próprio Governo de Atenas a encontrar soluções.

E por falar em dinheiro, ontem o presidente da CMVM, Carlos Tavares, foi à Assembleia da República propor uma solução para quem investiu em papel comercial de empresas do Grupo Espírito Santo, trocando-o por dívida subordinada do Novo Banco. Como seria de esperar, o Banco de Portugal reagiu ao fim da noite, dizendo que a proposta é inviável – e que só seria viável se dela não resultassem danos patrimoniais para o Novo Banco, o que considera não ser o caso. Nesta matéria, Banco de Portugal e Governo andam juntos: recusarão todas as soluções que possam de algum modo afetar o valor patrimonial do Novo Banco.


OUTRAS NOTÍCIAS
Nas ruas de Teerão houve festa rija para festejar o acordo sobre o programa nuclear concluído em Viena com as grandes potências mundiais. Mas o jogo não acabou. O primeiro-ministro israelita já disse tratar-se de «um erro histórico», nomeadamente porque a verificação das instalações nucleares iranianas só será feita a pedido do Irão. E o Liberation assinala que tudo foi negociado até ao último átomo.

No Zimbabwé, Grace Mugabe pode vir a suceder ao seu marido, Robert Mugabe, na presidência do apís, admite o Guardian.

E temos a polémica que vem de ontem. O ministro Mota Soares diz que foram criados 175 mil empregos desde janeiro de 2013 até abril de 2015, dados corroborados na entrevista de Passos Coelho, embora não tenha explicado porque escolheu essa data e não a da entrada em funções do Governo em junho de 2011. E logo lhe veio responder o abrasivo deputado socialista João Galamba, dizendo que foram apenas 120 mil, dos quais cerca de 75% são contratos de emprego e inserção. E nos quatro anos da legislatura, Galamba diz que foram destruídos 320 mil postos de trabalho.

Também temos polémica na TVI. "A censura está de regresso a Portugal", diz o ex-ministro Augusto Santos Silva, depois do seu espaço de comentário ter sido cancelado, alegadamente devido à entrevista ao primeiro-ministro. Mas Santos Silva já se vinha queixando das sucessivas mudanças de horário.

Mais polémica, agora no futebol. William Carvalho veio lesionado do campeonato europeu de sub-21 e vai parar 10 semanas. Os médicos da Federação Portuguesa de Futebol estão na mira do Sporting.

Quem vai mesmo mudar de ares é o defesa-direito, Maxi Pereira. Até agora no Benfica, vai de malas, bagagens e uma batelada de dinheiro para o Dragão. Isto é só para fazer pirraça aos da Luz ou o Futebol Clube do Porto precisava mesmo de pagar tanto por um defesa trintão?

Igualmente a mudar de ares está a mulher de Iker Casillas, o guarda-redes do Real Madrid, que ontem seguiu para o estágio na Holanda com a equipa do FC Porto. Sara Carbonero, jornalista televisiva, pediu uma licença sem vencimento por um ano, traz o filho e vem viver para a Cidade Invicta.

Por estes dias, temos andado a ver Plutão como se estivesse mesmo ao pé de nós. E tudo porque a sonda New Horizons anda por lá a tirar fotografias, a enviar imagens e até já telefonou para casa.

Todos os anos a poluição custa 101 mil milhões de euros a França, revela o Le Monde.

Uma gravação mostra como o narcotraficante El Chapo fugiu da prisão de alta segurança em que se encontrava na cidade no México. E já avisou que vai fazer Donald Trump pagar o que disse sobre os emigrantes mexicanos.

E a ampliação do Museu do Chiado abre hoje com a coleção SEC, sem diretor, que entretanto se demitiu em profunda discordância com o secretário de Estado da Cultura.


FRASES
“Era aceitar o acordo ou sair do euro. Voltar à dracma seria fatal." Alexis Tsipras, primeiro-ministro grego, sobre decisão de engolir o pacote de austeridade que o Eurogrupo lhe impôs

“Isto não é um acordo com base na confiança, é um acordo com base na verificação." Barack Obama sobre o acordo relativo ao programa nuclear iraniano

"É um erro de proporções históricas. O Irão ganhou o jackpot, um bónus de milares de milhões que vai permitir-lhe manter as agressões e o terrorismo." Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro israelita, respondendo a Barack Obama

"A América regressa ao Médio Oriente, mas agora pela porta da diplomacia e não da guerra." Roula Khalaf, analista.

"Temos 40 mil milhões para apoiar empresas de energia." Ernest Moniz, físico nuclear, luso descendente e secretário de Estado da Energia dos Estados Unidos.


O QUE EU ANDO A LER E A OUVIR
É sempre um enorme prazer ler Umberto Eco. A sua erudição traduzida para os não eruditos, a sua paixão por enredos histórico-policiais e o seu humor inteligente tornam cada livro do autor de «O Nome da Rosa» uma deslumbrante aventura literária. Este seu «Número Zero» não estará talvez no topo dos seus melhores livros. Mas o facto de versar sobre o lançamento de um jornal, que fará vários números zero mas nunca irá para as bancas, torna-o muito divertido e particularmente interessante para quem trabalha em jornalismo e adora a profissão. Estão lá todos os tiques, todos os truques, todas as personagens que convivem numa redação, os bons malandros e os que não são assim tão bons, a ética e a falta dela, os que trabalham as matérias nobres e os que fazem os horóscopos, os que se empenham e os que só querem o salário. Enfim, se gosta de jornais, jornalistas e jornalismo não deixe de ler «Número Zero», de Umberto Eco.

No carro e em casa ando a ouvir, já há dois meses, Soul Dance, de Cláudia Franco. Declaração de interesses: a Cláudia faz o favor de cantar com a banda de jazz com quem eu, pontualmente, digo poesia. Mas isso não obsta a que Cláudia Franco seja uma das melhores e mais límpidas vozes do novo jazz português. Este CD, que reúne grandes standards, vale como um todo, mas permito-me referir algumas faixas: Night and Day, The Man I Love, The Boy Next Door (com uma interpretação fabulosa da Cláudia) e É preciso Dizer Adeus (com outra fabulosa interpretação da Cláudia). Se ainda não ouviu, vale a pena descobrir – e comprar.

E pronto, está servido este Expresso Curto. Como foi por mim, que não bebo café, pode ser que não esteja muito bem tirado. Mas amanhã estará cá – depois de fazer meia hora de surf - o Martim Silva. Durante o dia acompanhe-nos segundo a segundo no Expresso Online e às 18 horas, como sempre, no Expresso Diário.

Tenha um óptimo dia!