sexta-feira, 18 de setembro de 2015

a actualidade do dia-a-dia, numa visão pessoal do jornalista...!

Bom dia, já leu o Expresso Curto Bom dia, este é o seu Expresso Curto
Miguel Cadete
Por Miguel Cadete
Diretor-Adjunto
 
18 de Setembro de 2015
 

Passos ganhou o debate mas hoje há sondagem 


À semelhança do debate televisivo de há uma semana, desta vez os comentadores também foram unânimes, salvo uma honrosa exceção. Na contenda radiofónica, Passos Coelho terá limado os erros anteriores – isto é, deixou de falar em Sócrates – e terá demonstrado um savoir faire de primeiro-ministro que não assistiu a António Costa. E por isso ganhou.

Muito debatida terá sido a incapacidade do candidato por Lisboa do PS para justificar a poupança de mil milhões de euros devida à introdução das condições de recurso nas prestações não contributivas das prestações sociais. (Psssst, se também não souber o que isto é, veja aqui) Passos percebeu a falha e atacou por aí.

A Segurança Social voltou a estar no cerne do debate, desta vez alargado a mais temas, tratados com maior qualidade, apesar do primeiro-ministro também não ter querido explicitar como vai cortar os 600 milhões de euros em pensões prometidos a Bruxelas.

Ricardo Costa gravou um vídeo a explicar que daqui resulta um problema para o PS, que de ora em diante não poderá atirar à cara do governo o corte de 600 milhões. E Pedro Santos Guerreiro demonstrou a razão por que nestas coisas vale a pena falar baixinho. Ainda sobre o tema que desde a manhã de ontem monopolizou o noticiário da nação, vale a pena saber se tudo o que de relevante Costa e Passos disseram passa no detetor de mentiras. Foi o que Ana Sofia Santos e João Silvestre fizeram. Costa viria a explicar mais tarde, via Facebook, os famigerados mil milhões, e Passos, que durante o debate propôs discutir a questão da Segurança Social com o PS sem obter resposta, deu a entender que mesmo perdendo não se demitiria da liderança do PSD. Faltou acrescentar que, nesse cenário, tudo depende da diferença entre as duas maiores listas. O que é uma derrota, para a coligação ou para o PS, poderá muito bem ser um dos temas dos próximos dias.

Seja como for, não deixa de ser curioso perceber que, depois de dois debates transmitidos em uníssono pelas maiores televisões e rádios do país, o tema preferido e privilegiado pelos dois candidatos a chefe do Governo seja aquele em que tenham mais dúvidas. “Medidas, nem vê-las”, disse Manuela Ferreira Leite. Os portugueses, e estes debates foram de longe os que contaram com maior audiência nos últimos anos, também terão ficado cheios de incertezas. A questão está lá e não vai desaparecer, até porque a demografia não a deixa desmentir.

Servem então os debates para alguma coisa? Serão mesmo decisivos? Aqueles com maior bom senso, como António Vitorino, ou maior atrevimento, caso de Bagão Félix, juraram na SIC Notícias que na noite de 4 de outubro se saberá a resposta para tal pergunta. Mas há uma coisa que ficou clara: este novo modelo de debates, que certamente poderá ser melhorado (maior duração?, moderadores e adversários mais adaptados a esta fórmula?) mostrou ser um enorme avanço relativamente ao praticado em atos eleitorais anteriores. As audiências, que facilmente se estima terem ultrapassado os quatro milhões de espectadores só nestas duas contendas, não enganam. E se essa pode ser considerada uma vitória da democracia (com todos os seus defeitos), ela deve-se à comunicação social (que muitos mais defeitos ainda deve ter) que foi quem mais lutou por esta mudança.

Também por isso não restam dúvidas de que esta pré-campanha eleitoral foi muito mais agitada. O PS vinha fustigado por sondagens pouco animadoras, recuperou com o debate na TV mas deixou que a coligação “repusesse o nulo” ontem nas ondas de rádio. Acontece que hoje há sondagem do Expresso e da SIC. Os nossos leitores devem por isso estar atentos às notificações WhatsApp que ainda nesta manhã irão certamente surgir. Os novos subscritores devem fazer incluir na sua lista de contactos o número 963 291 397 e aguardar pacientemente pelo desenrolar dos acontecimentos. A partir de domingo chega a campanha eleitoral propriamente dita.


OUTRAS NOTÍCIAS
O Sporting volta a perder por 3 – 1 com equipas russas. Desta vez, Jorge Jesus disse na véspera que o objetivo era chegar à final da Liga Europa. Mas, tal como no jogo com o CSKA, não utilizou frente ao Lokomotiv de Moscovo a equipa A. Fez cinco alterações, uma das quais se revelou trágica: Naldo saiu do eixo da defesa e sentou-se no banco para dar o lugar a Tobias Figueiredo. Ora, Tobias esteve nos três golos. Carrillo nem sequer foi convocado. O Belenenses foi empatar à Polónia, onde jogou contra o Lodz. E o Braga venceu, também fora de casa, o Liberec.

Hungria decreta estado de emergência na fronteira com a Croácia. O mesmo já havia sucedido em duas províncias limítrofes com a Sérvia. O estado de emergência dura seis meses e, legalmente, permite um controlo das fronteiras muito mais intenso. A Croácia também já está com problemas a lidar com uma nova rota dos refugiados, desta vez oriunda da Sérvia como testemunha o repórter do Guardian.

Domingo, na Grécia, voltam as eleições. São as terceiras este ano. E as quintas legislativas desde 2009. O Syriza de Alexis Tsipras luta para manter o seu eleitorado, depois de ter sido obrigado a mais um resgate sete meses depois de chegar ao poder. A abstenção e os indecisos, dizem as sondagens, são os seus maiores inimigos. O Syriza segue na frente com uma vantagem mínima sobre a Nova Democracia mas não se vislumbra uma maioria de qualquer partido. Nem mesmo com o bónus de 50 deputados que é oferecido ao vencedor. As sondagens mostram também que os eleitores preferem um governo de coligação.

Um dia depois de ter sido lançado o iOS9, o sistema operativo dos iPhones, a lista das aplicações mais descarregadas começou a contar com apps que bloqueiam publicidade. Purity e Peace são dois exemplos de aplicações que impedem que a publicidade seja vista em smartphones. Mais uma dor de cabeça para as empresas de comunicação social que tinham aí encontrado um modelo de negócio já de si frágil.

Doentes chegam em pior estado aos hospitais. É a manchete do jornal “i”, que cita um estudo da Ordem dos Enfermeiros. Há doentes que vão às urgências de 15 em 15 dias. E uma idosa, em dois anos, recorreu aos serviços de saúde 123 vezes.

Casinos vão vigiar os que apostam mais de dois mil euros. A medida visa evitar o branqueamento de capitais e o financiamento do terrorismo, diz o “Diário de Notícias”. Os apostadores passarão a ser identificados à porta dos casinos, caso comprem fichas num valor superior ou mesmo se ganharem, ainda que em várias jogadas, um montante maior que o fixado. A lei resulta de uma diretiva europeia que terá transposta até 2017.

Já o “Público” traz nas gordas que “a dúvida sobre quem manda na TAP pode ser um entrave à privatização”. Apesar de a Autoridade da Concorrência ter dado luz verde à privatização, diz que não é Humberto Pedrosa, da Barraqueiro, quem manda.


FRASES
“Marcelo seria um excelente candidato a Belém”. Luís Montenegro, líder da bancada do PSD

“O Partido Trabalhista irá fazer campanha para que o Reino Unido se mantenha na Europa”. Jeremy Corbyn, recém-eleito líder do Labour

“Olhem para a cara dela! Alguém vai votar naquilo? Imaginam que aquilo pode ser a cara do próximo Presidente?” Donald Trump, durante o debate entre os candidatos a candidatos a Presidente dos EUA pelo Partido Republicano, referindo-se a Carly Fiorina

“Todas as mulheres deste país ouviram muito bem o que o senhor Trump disse”. Carly Fiorina

“As brincadeiras são divertidas. A homofobia não”. Elton John depois de ter descoberto que foi enganado por dois cómicos russos que se fizeram passar por Vladimir Putin, numa conversa telefónica transmitida pela rádio

“Carrillo? Foram só decisões de ordem técnica”. Jorge Jesus a tentar explicar porque o jogador peruano não foi convocado para o jogo da Liga Europa

“Fui feita para estar grávida”. Carolina Patrocínio anuncia que vai voltar a ser mãe


O QUE EU ANDO A VER, LER E OUVIR
Ontem vi o novo filme de Woody Allen, “Homem Irracional”. O senhor Allen está de volta aos seus bons velhos tempos. Pelo menos aqueles em que eu seguia de perto a sua carreira, circa “Manhattan” e “Annie Hall”. Porém, o drama agora é dramalhão, até porque desapareceram quase por completo as anedotas e as piadinhas. Mas os tiques, uns velhos e outros novos, mantêm-se. A boa escolha de atores também. “Homem Irracional” começa com um professor (Joaquin Phoenix) que ensina Kant, Kierkegaard e Husserl, lê Dostoievski e escreve sobre Heidegger. Pelo meio envolve-se com uma aluna (Emma Stone) e acaba tornando-se um assassino. Só para se salvar. Ele julga ter encontrado a sua liberdade, fazendo-se útil à sociedade, ao assassinar um juiz duvidoso. Sim, Hannah Arendt também é citada. Mas “Homem Irracional” está para “Match Point” como “Manhattan” para “Annie Hall”. A bola de ténis que não passa a tela aqui é trocada por uma lanterna de bolso ganha numa roleta de feira. A “sorte e o acaso” acabam por ser a solução encontrada para o imperativo categórico num filme que, diz o Francisco Ferreira amanhã na Revista do Expresso, tem o seu quê de Hitchcock. Sim, o filme é sombrio. E é bom, até porque está a gerar alguma controvérsia. Mas das antigas e omnipresentes piadas e anedotas de Woody Allen só encontrei uma: a dureza existencialista e a angústia da personagem principal tem um contraponto delicioso na banda sonora de Ramsey Lewis, um pianista de jazz capaz de soar pop q.b. Nada poderia contrastar mais com a figura de looser e rock star de Joaquin Phoenix que enche o ecrã do princípio ao fim.

Hoje começa o festival CaixAlfama. Não vale a pena apresentar o evento depois das bem sucedidas primeiras duas edições: é lá que se encontram as novas fadistas como Ana Moura que acaba de chegar de Los Angeles onde gravou o novo álbum, o sucessor de “Desfado”. Mas também Cuca Roseta e Raquel Tavares estão no cartaz. Para quem gosta de ser surpreendido, aconselho uma voltinha pelas vielas até se encontrar um dos concertos dos guitarristas que por lá atuam. Recomendo vivamente Ângelo Freire. Mas quem ousar descer aos lugares mais recônditos do fado, aqueles que nos parecem saídos das profundezas da casa da Severa, aí vale a pena embrenhar-se no mapa que assinala os vários lugares de fadistice espalhados por Alfama, hoje e amanhã, e procurar pelo palco de Nuno de Aguiar ou Artur Batalha.

Amanhã, todos os leitores do Expresso podem contar cm a oferta do primeiro volume da coleção “Obra Essencial de Fernando Pessoa”. Ao todo são nove livros distribuídos gratuitamente onde se podem descobrir “todas as suas faces” no dizer de Henrique Monteiro. Para aquecimento, atirei-me ao livro de um dos colaboradores desta coleção, António Feijó. “Uma Adoração Pastoril Pelo Diabo” já foi distinguido, por Miguel Tamen, outro dos colaboradores desta coleção, como um dos cinco melhores ensaios sobre Pessoa alguma vez escritos. Vou só no início, e já levei uma sova. Alguns dos pressupostos consensualmente aceites sobre Fernando Pessoa são colocados em causa, nomeadamente a sua pretensa falta de seriedade em alguns escritos. A tese de Gaspar Simões é vergastada para absolver toda a obra de Pessoa, incluindo, por exemplo, a sua correspondência, colocada no mais alto patamar. Feijó também está em ótima posição, e não perde a oportunidade, para cotejar Fernando Pessoa com alguns dos mais distintos poetas da língua inglesa, contextualizando a sua produção de uma forma que, não sendo um especialista, não me lembro de ter visto. A coleção do Expresso começa amanhã com “Mensagem” e outros poemas de pendor esotérico. A não perder.

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Tenha um bom fim-de-semana!