terça-feira, 6 de outubro de 2015

a actualidade do dia-a-dia, numa visão pessoal do jornalista...! [já agora tomem nota de que esta entrada é uma capicua '15551']

Bom dia, já leu o Expresso Curto Bom dia, este é o seu Expresso Curto
João Vieira Pereira
Por João Vieira Pereira
Diretor-Adjunto
 
6 de Outubro de 2015
 

Rio no Governo e Marcelo onde quiser 


Aviso: O prazo de validade deste Curto pode ser de poucas horas

As voltas que a política dá. Às 7 da manhã do dia 6 de Outubro de 2015 esta é a realidade. No final do dia logo se vê.

Marcelo Rebelo de Sousa está com um pé na porta de Belém. O ainda não candidato à Presidência da República anunciou ontem, tal como o Expresso escreveu na sexta-feira passada, que já decidiu o que vai fazer. Só que preferiu não anunciar que é candidato a Belém em directo na TVI. Por isso vamos ter de esperar mais uns dias para que seja desvendado aquele que é provavelmente o segredo mais mal guardado do mundo. Até parece que só Marcelo ainda não sabe que é candidato. Mesmo as sondagens já o dão, praticamente, em Belém.

Mas se Marcelo avança para a presidência para onde vai Rui Rio? O Expresso Diário conta que a sua candidatura a Belém perdeu gás e que agora já se fala no seu nome para ocupar um ministério no novo Governo. A Administração Interna seria o mais provável.

E já agora que o tema é cadeiras, ministros e ministeriáveis eis o que se sabe sobre o próximo Governo. Temos seis saídas certas: Paula Teixeira da Cruz, António Pires de Lima, Nuno Crato, Anabela Rodrigues, Miguel Poiares Maduro e Rui Machete. E duas incógnitas: Maria Luís Albuquerque e Paulo Macedo.

PSD e CDS devem fechar rapidamente o acordo de Governo (que dizem ser o mais rápido da história) e ainda hoje, às 18 horas, Passos será recebido por Cavaco Silva. Governo só depois de dia 14, após se conhecer o figurino final do parlamento.

Até lá o Orçamento do Estado para 2016 já tem de estar desenhado. É que Bruxelas quer que até dia 15 lhe seja entregue um primeiro projecto do documento. É caso para dizer que será um documento para Eurocrata ver.

As atenções estão todas viradas para perceber como vai ser possível governar em minoria. Fernando Medina, sucessor de António Costa em Lisboa, começou a unir pontos. Nas comemorações do 105º aniversário da República, (sim, ontem foi 5 de Outubro), afirmou que “os últimos anos foram de crispação e de ruptura. Mas os próximos não o poderão ser mais”. Haja juízo.

Mas se uma ligação entre Passos e Costa falhar, há sempre… os ‘seguristas’. Segundo o Observador são 15 os deputados apoiantes de Seguro e que defendem que o PS tem de negociar o próximo orçamento.

Olhemos então à esquerda. Costa, que ‘manifestamente’ perdeu as eleições e que ‘manifestamente’ não se demitiu, ‘manifestamente’ está a sentir a oposição interna a começar a apertar. Assim irá anunciar na Comissão Política Nacional do PS, esta terça-feira, a convocação de um congresso para definir a liderança e estratégia do partido. Há candidatos a candidatos, mas todos estarão à espera de Francisco Assis. Como explica Cristina Figueiredo, Assis está a ser pressionado pelos críticos de Costa a avançar.

Ainda mais à esquerda, Catarina Martins, a grande vencedora das eleições, veio outra vez afirmar que está disponível para discutir uma solução de governo. Só não explicou como é que alguém que tem ideias tão estremas como a saída de Portugal do euro, ou que defende a nacionalização imediata das grandes empresas, consegue fazer uma ponte que seja com o PS. Roubo, para o caso, a frase de João Miguel Tavares: “Alguém acredita que o programa económico desenhado por Mário Centeno veste melhor a Catarina Martins do que a Passos e Portas?”

Para fechar as eleições. Uma primeira nota para Bolsa. Parece que os mercados gostaram dos resultados eleitorais. Ou melhor, gostaram da ausência de surpresas. Para já, os investidores estão a reavaliar em alta os “ativos financeiros portugueses em função de um menor risco político e a comprar mais ações portuguesas”. A ver vamos. É que mais instável do que as últimas 36 horas da política portuguesa, só mesmo os mercados.

E finalmente um último apontamento para o blogue de Pedro Magalhães onde em cinco gráficos analisa os resultados das eleições com as seguintes conclusões:
- Afinal, a participação eleitoral oficial não aumentou
- PSD+PS+CDS têm a menor votação desde 1985
- PSD+CDS têm 38,6%. Pior só em 2005, com Santana Lopes
- PS tem 32,4%, menos do que em 1983 (depois dos governos AD), menos do que em 2002 (depois do “pântano”), menos do que em 2009 (depois do 1º governo Sócrates)
-­ O BE tem 10,2%. Bom resultado, mas pouco acima de 2009. 


O QUE DIZEM OS NÚMEROS
4,5%- é o valor estimado para o défice público em Espanha. Aqui ao lado o governo enfrenta os mesmos problemas que Passos Coelho: a Comissão Europeia simplesmente não acredita nos números do défice. Diz que não vão ser atingidos este ano, nem no próximo. Os mesmos avisos e o mesmo discurso. Só os números são diferentes. 4,5% de défice em 2015 contra os 4,2% previstos por Mariano Rajoy. Em 2016 a diferença é maior. Bruxelas diz 3,5%, Espanha 2,8%.

20,8 mil milhões de dólares é quanto a BP irá pagar de indemnização às autoridades federais norte americanas no seguimento do desastre do Deepwater Horizon, aquele que foi o maior derrame de petróleo nos EUA. Esta é a maior indemnização acordada entre o departamento de justiça norte americano e uma só sociedade.


OUTRAS NOTÍCIAS
Na Síria, a intervenção Russa continua a causar mau estar generalizado. Depois de terem sido acusados de bombardearem outros alvos para além do autoproclamando Estado Islâmico e de terem provocado inúmeras vítimas civis, os aviões russos invadiram o espaço aéreo turco. Uma atitude denunciada e condenada pela Nato: ”As acções da Rússia não estão a contribuir para a segurança e estabilidade da região. Peço à Rússia que respeite totalmente o espaço aéreo da Nato e evite a escalada de tensões com a aliança”, afirmou Jens Stoltenberg, secretário-geral da Nato.

O que fazem 12 ministros de outros tantos países do Pacífico numa sala? Assinam um dos maiores acordos de comércio de que há memória. Juntos estes 12 países – EUA, México, Canadá, Peru, Chile, Austrália, Nova Zelândia, Singapura, Brunei, Malásia, Vietname e Japão-, respondem por 40% do PIB mundial. Uma vitória da administração Obama que consegue fechar as negociações que decorriam desde 2008. A eliminação de mais de 18 mil taxas sobre os mais diversos produtos é apenas um dos aspectos de um acordo que constitui um ataque às pretensões económicas chinesas na região. Mas também coloca uma pressão gigante sobre a Europa e as negociações para o acordo de comércio com os EUA. Leia aqui (Guardian) ou aqui (El País) tudo o que precisa saber, (e acredite que precisa mesmo), sobre o Trans-Pacific Partnership (TPP).

Lembra-se da greve na TAP por causa da privatização? Pois os nossos sindicatos são afinal muito brandos e cordiais quando comparados com os franceses. Na Air France, depois de ter sido anunciado pela gestão que a empresa ia despedir 2900 trabalhadores, cerca de 100 manifestantes interromperam uma reunião da administração e resolveram aliviar os executivos das suas roupas. As imagens são impressionantes e, apesar de todos os sindicatos terem condenado os acontecimentos, esta não é a primeira vez que em França há actos de violência contra gestores. Como disse o director da consultora de recursos humanos BTI ao jornal Libeération: “Isto acontece em muitos sítios, mas do que conheço, fazer os chefes reféns é uma coisa tipicamente francesa. É a natureza do diálogo social no nosso país”. Estes gauleses só podem estar loucos.

O tesouro britânico anunciou que vai vender até Março do próximo ano a restante participação que ainda detém no banco liderado por António Horta Osório. De uma participação inicial superior a 40%, o estado tem agora cerca de 12%. As vendas anteriores renderam, em lucro para o Estado, mais de 1,2 mil milhões de libras. Qualquer comparação com o processo do BPN ou o BES é pura ficção! A venda projectada de 2 mil milhões de acções do Lloyds é vista como a maior privatização nos últimos 20 anos e será feita ao público em geral, com um desconto de 5% sobre o preço do mercado.

Ontem foi dia de Nobel da medicina: foi atribuído a três investigadores que lideram a descoberta de novos medicamentos para combater doenças causadas por parasitas: Youyou Tu, William C Campbell e Satoshi Omora. Hoje é dia de se conhecer o Nobel da física.

Se para si a combinação de espaço, fotografia e aventura é uma coisa do outro mundo, então não pode perder as mais de 8400 fotografias em alta resolução que a Nasa divulgou. Tiradas pelos astronautas das missões Apollo durante as suas viagens à Lua, estão agora disponíveis para todos. Pode vê-las na rede social flickr

O Twitter tem, oficialmente, um novo líder. Jack Dorsey (38 anos) já liderava interinamente a empresa desde que Dick Costolo se tinha demitido, em junho. Dorsey, o super CEO, vai acumular a liderança do Twitter com a da Square, uma empresa de pagamentos que ele próprio fundou em 2009. O principal objectivo de Dorsey é ganhar a confiança dos investidores. A acção está a transaccionar no mercado nos 27 dólares, ligeiramente acima dos 26 doláres com que se estreou na bolsa de nova Iorque no final de 2013. A tarefa não vai ser fácil, pode ler aqui os desafios que tem pela frente (link só para assinantes do Financial Times) 

A Unilever é o maior fabricante mundial de gelados. Posição que a Nestlé quer tentar roubar. Para isso a empresa anunciou que está a negociar uma parceria com a R&R Ice Crea, uma multinacional inglesa desconhecida do grande público que fabrica gelados para outras marcas em todo o mundo. A concretizar-se a joint venture poderá nascer mais um gigante mundial.


O QUE EU ANDO A LER
Brandon Stanton começou a fotografar em 2010. Comprou a máquina fotográfica depois de ganhar uma aposta arriscada a favor dos Jets (equipa de futebol americano). Na altura vivia em Chicago e era “obcecado por dinheiro”, como descreve no seu primeiro livro: Humans of New York. A carreira curta, mas eficiente, como corretor no mercado de obrigações terminou abruptamente depois de uma série de apostas arriscadas. Aliás, apostar estava no seu sangue. Mas nenhuma foi tão arriscada como a de se tornar fotógrafo. É que fotografar era algo que ele próprio admite que nem sabia fazer. 

Chegou a Nova Iorque para ficar uma semana depois de andar a fotografar ruas e edifícios de Pittsburgh e Filadélfia. No final de cada dia publicava online as melhores fotografias. Ficou um mês. No primeiro dia em Manhattan, depois de ficar admirado com os milhares de pessoas que andavam na rua, criou o blog Humans of New York (HONY). No final de Agosto de 2010 tinha seis centenas de fotografias publicadas. Mudou-se de Chicago para Nova Iorque para lançar o seu projecto. Uma ideia louca: fazer um mapa interactivo de Nova Iorque com 10 mil fotografias de pessoas que habitassem na cidade. Quem utilizasse o mapa podia ver e conhecer os seus vizinhos.

O projecto não teve muito sucesso. Mas quando um amigo o convenceu a criar uma página no Facebook do HONY é que se deu a explosão. A adesão foi ainda maior quando o fotógrafo passou a associar a cada fotografia que tirava uma frase ou uma pequena história da personagem. A utilização de outras redes sociais como o tumblr e o instagram fizeram o resto. Hoje a sua página de Facebook tem 15,5 milhões de seguidores.

Em 2013 surgiu o primeiro livro. Humans of New York galgou rapidamente para primeiro lugar do ranking do New York Times e, de hoje a oito dias (dia 13 de Outubro), é colocado à venda o seu novo livro Humans of New York Stories

Mas o motivo que me leva a escrever aqui neste curto sobre Brandon Stanton é o seu novo projecto. Dê uma vista de olhos à sua página de FB para descobrir as novas histórias e fotografias de refugiados obtidas no seu périplo por alguns países da Europa. 

Este curto termina aqui. Amanhã o mesmo regressa com Bernardo Ferrão e a melhor análise política com pronúncia do norte.

Tenha uma óptima terça-feira