sexta-feira, 9 de outubro de 2015

a começar o dia... mais tranquilo...!




"Depois de vários rumores sobre a sua desistência, o candidato a Belém garante que reúne “as condições necessárias ao sucesso”.

A sala estava cheia de jornalistas, mas a curta declaração de António Sampaio da Nóvoa não deu lugar a uma conferência de imprensa. Foi apenas uma comunicação de três páginas com um objectivo óbvio: desmentir os vários rumores postos a circular (por adversários, dizem alguns apoiantes de Nóvoa) de que se preparava para desistir da candidatura presidencial que apresentou há cinco meses.

Nóvoa começou por explicar que foi por “respeito institucional” que só agora decidiu comentar os resultados das legislativas, e após a comunicação de Cavaco Silva. “Eu teria agido de modo diferente”, garantiu, à medida que apresentava a sua diferente leitura da intervenção que um Presidente da República deve fazer, perante um resultado eleitoral como o do passado domingo: “Numa democracia parlamentar nenhum partido representado na Assembleia da República deve ser colocado, ou deve colocar-se, imediatamente, à margem das soluções de governação. Não há partidos, nem cidadãos, de primeira ou de segunda. Todos os votos têm a mesma legitimidade.”

Para Sampaio da Nóvoa, os resultados das legislativas mostram que “os portugueses manifestaram a vontade de, prudentemente, virar a página da austeridade” e um “desejo de continuidade na relação com a Europa, ainda que com o reforço da nossa autonomia”.

Com esta leitura, Nóvoa vai ao encontro ao principal debate que existe dentro dos partidos, a propósito das soluções governativas, mantendo todas as hipóteses em aberto. “Tendo em conta os resultados das eleições legislativas, ficou mais claro do que nunca a urgência desta candidatura”, afirmou. "Faz falta um Presidente da República que seja capaz de representar todos os portugueses, que não esteja refém de interesses particulares ou de lógicas partidárias".

“Nos últimos dias tenho vindo a receber palavras de incentivo de todo o país, de independentes e de militantes e simpatizantes de todos os partidos”, avançou.

Mas a questão que pairou sobre a sua candidatura nos últimos dias – a decisão do PS de não apoiar ninguém à primeira volta – não ficou sem resposta.  “Porque agora é que é mesmo necessária uma candidatura independente, um Presidente que interprete, com isenção a vontade popular.” O antigo reitor acrescentou que não esperou pelo apoio de nenhum partido para lançar a sua candidatura. “Não estou dependente de nada, nem de ninguém, apenas dos portugueses.”

Ao lado de Sampaio da Nóvoa estão, desde o início, os três antigos Presidentes Ramalho Eanes, Jorge Sampaio e Mário Soares, cujo “exemplo” o candidato diz seguir.

E clarificando o seu posicionamento político, defendeu: “A minha fronteira não é entre esquerda e direita, é entre aqueles que estão ao serviço da República e aqueles que dela se querem servir.”


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