quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

a actualidade do dia-a-dia, numa visão pessoal do jornalista [1]...!

Bom dia: os planos A, B, C
Costa sabia ao que ia. Negociar com Bruxelas vai implicar mais cedências do lado português. O Bloco e o PCP vão deixar?, escreve André Macedo
Quinta-feira, 28 de JANEIRO | 08:57
DN

1. O tempo para negociar
Assunção Cristas lançou fortíssimas críticas ao governo por causa do Orçamento do Estado. Terá razão a nova líder do CDS-PP? Duvidas sobre os números propostos por António Costa e Mário Centeno existem e já foram identificados. Talvez haja otimismo a mais ou prudência a menos nas contas. Seja como for este é o período para negociar e o primeiro-ministro faz bem em fazê-lo com ambição, desvalorizando a tensão à sua volta. É bom recordar que, apesar da retórica, Costa já passou do plano A para o plano B (menos défice) em menos de um mês e vai ter de passar para o plano C de modo a convencer Bruxelas. A medida exata desse calibrar de medidas é que ditará se mantém ou não apoio da esquerda no Parlamento. Veremos. Para já, temos a oportunidade der ver o que significa negociar, ao contrário do que fez Passos Coelho durante demasiado tempo.
2. E o emprego e o investimento?
O problema de Bruxelas é sempre o mesmo: olha para o défice público nominal e também para o estrutural, mas esquece-se de enfrentar os problemas que impedem a economia portuguesa de avançar: a falta de investimento e o desemprego. São estas duas variáveis que Mário Centeno quer influenciar para que o ajustamento ainda necessário no Estado, nas empresas e nas famílias seja feito com a economia a puxar e não a travar. Vale a pena ler o texto que os jornalistas Luís Reis Ribeiro e Rui Pedro Antunes preparam sobre o assunto. Leia também o que escreveu a repórter Mónica Silvares no Diário Económico e ficará surpreendido. Digamos, para simplificar, o seguinte: é a política, estúpido. Isto, apesar de, no Expresso, o subdirector João Viera Pereira ter quase só certezas sobre o assunto: os números de Costa & Centeno são um delírio.
3. Propinas a subir
Numa altura em que o Governo parece empenhado apenas em reverter e devolver, uma notícia quebra a monotonia: as propinas no ensino superior vão subir. A justificação será a inflação, se houver, que ditará o extravagante salto de cinco euros. Paradoxalmente, por causa da subida do salário mínimo, a propina mínima será a que vai dar o salto maior: passa para os 689 euros, mais 32,5 do que hoje.
4. Ulrich contra Isabel
O BPI voltou aos lucros em 2015 (236 milhões de euros). O que compara com os prejuízos de 164 milhões registados no ano anterior. Bom sinal para a economia portuguesa, diz Fernando Ulrich, CEO do banco, sublinhado a retoma da atividade doméstica, que voltou finalmente aos proveitos. Na mesa de Ulrich estão agora dois pontos complexos: como resolver o problema do banco em Angola, depois de recusada a proposta de Isabel dos Santos, que propusera ficar com a maioria do capital do BFA, de modo a acomodar as exigências do BCE, que quer os ativos africanos de todos os bancos a salvo da influência africana. O outro ponto na agenda do banqueiro é o Novo Banco, novamente na linha de tiro do BPI.
5. A Suécia cada vez mais dura
O drama dos refugiados na União Europeia continua. Apenas um dia após a Dinamarca aprovar a lei que permite confiscar bens de refugiados de valor superior a 1340 euros, uma medida quase inacreditável, a Suécia anuncia que irá expulsar até 80 mil pessoas que pediram asilo ao país no ano passado. Vai livrar-se delas através de uma interminável e dolorosa ponte aérea. Não vão ser charters de chineses, mas de refugiados. Para onde irão? Para os inevitáveis campos de refugiados.
6. As vítimas do petróleo
Vem aí o primeiro resgate por causa da queda do preço do petróleo: O FMI está a fazer as malas, segue para o Azerbeijão com um empréstimo de quatro mil milhões de dólares para segurar uma economia em queda por causa do ouro negro. Nos EUA, as falência provocadas pela queda do preço do crude também estão a provocar uma razia entre as empresas mais frágeis e há já quem fale de um preocupante motivo de contágio: as empresas não pagam aos bancos o que devem, os bancos perdem milhões e a economia sofre o impacto na pele. Chama-se efeito dominó.
E ainda:
Na Ásia: Está a Coreia do Norte a preparar-se para lançar um míssil de longo alcance? Pouco mais de duas semanas depois de ter anunciado possuir a bomba de hidrogénio, o país mais fechado do mundo estará prestes a testar um novo míssil, segundo os media japoneses e coreanos. Só o tempo dirá se os relatos são verdadeiros, mas certo é que a tensão na região continua a crescer.
Nas Américas: O Canadá pondera mudar a letra do hino nacional para que deixe de ser machista. Em causa está um verso que, numa tradução literal, fala no "verdadeiro amor patriótico [que] em todos os teus filhos ordena". Um deputado apresentou ao Parlamento uma projeto-lei para alterar a referência aos "filhos" para "que em todos nós ordena". Já é a décima vez que se tenta fazer mudança semelhante - um número elevado especialmente se tivermos em conta que o "O Canada" é o hino nacional canadiano apenas desde 1980, quando este país da Commonwealth decidiu deixar de utilizar o "God Save the Queen"
Nos brinquedos A Lego está a fazer história ao apresentar um boneco numa cadeira de rodas. Trata-se de uma figura jovem com uma expressão feliz, nitidamente tentando passar a ideia de que o facto de precisar deslocar-se num aparelho não impede o indivíduo de ter uma vida preenchida.
Na ciência: E já que falamos em momentos históricos, pela primeira vez na história um sistema de inteligência artificial conseguiu derrotar um campeão num jogo de estratégia. O Go é um jogo chinês que tem um número de jogadas possíveis superior ao número de átomos que existem no universo e o sistema AlphaGo, da Google, aprendeu a jogá-lo tão bem que derrotou o tricampeão europeu da modalidade por uns expressivos 5-0! A singularidade parece estar mesmo cada vez mais perto...
Na revista Sábado: hoje nas bancas, conta quem é a mulher na sombra de Marcelo rebelo de Sousa.



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