terça-feira, 22 de março de 2016

a actualidade do dia-a-dia, numa visão pessoal do jornalista [1]...!

Bom dia. A Europa outra vez em sobressalto
Terrorismo, caixa negra com pronúncia do norte, primavera em Havana, o polvo brasileiro em Lisboa ou a confiança dos mercados em Portugal. As notícias de uma manhã que já não vai ser igual às outras. Por Nuno Saraiva
Terça-feira, 22 de MARÇO | 08:45
DN

1. Europa aterrorizada
Eram 8 da manhã em Bruxelas, 7 horas em Lisboa. O coração da Europa voltou a sobressaltar-se com duas explosões na zona das partidas do aeroporto da capital belga, junto ao balcão da American Airlines. Por agora pouco se sabe além do pânico e do número indeterminado de mortos e feridos. Os voos de e para Bruxelas foram todos cancelados e as ligações ferroviárias ao aeroporto foram também interrompidas. Tudo isto acontece poucos dias depois da captura do principal suspeito de ser o cérebro dos atentados de Paris e de as autoridades belgas terem divulgado o retrato de um cúmplice de Salah Abdeslam, que planeava agir em Bruxelas, que continua à solta. A televisão britânica Sky News foi a primeira a dar a notícia e, tal como o DN, está a acompanhar em permanência todos os desenvolvimentos que chegam de Bruxelas. O último, mesmo antes de lhe dizer Bom Dia, foi outra explosão numa estação de metro em Bruxelas, bem perto da Comissão Europeia.
2. Primavera em Havana
O momento era histórico. Pela primeira vez em 88 anos, um presidente dos Estados Unidos entrou no Palácio da Revolução, em Havana, e reuniu-se com um Castro. Raul, de seu nome, é o Presidente que sucedeu ao irmão Fidel. Barack Obama atreveu-se a anunciar o fim do embargo que dura há 54 anos, mas, tal como Durão Barroso que um dia disse que seria primeiro-ministro, só não sabe é quando. Para a posteridade ficam os apertos de mão e sorrisos da praxe, as imagens da família Obama a passear pelas ruas de Havana, a troca de palavras entre os dois chefes de Estado e as promessas de investimento americano, e a hipocrisia de Raúl Castro quando confrontado com a existência de presos políticos em Cuba. Vale a pena ler o que pensa José Fernandes Fafe, embaixador português em Cuba entre 1975 e 1977, e a leitura política do Bernardo Pires de Lima.
3. Lava Jato em Lisboa
Outro Raul, Schmidt Felippe Jr., foi detido em Lisboa um dia depois da chegada a Portugal de um dos promutores públicos que investiga o escândalo de corrupção no Brasil. Ele é suspeito do suborno de ex-administradores da Petrobras e por ter dupla nacionalidade, portuguesa e brasileira, viveu escondido em Portugal nos últimos seis meses com a mulher e a filha para tentar escapar a uma eventual extradição caso viesse a ser capturado. As autoridades brasileiras suspeitam de que dispões de 140 milhões de euros em contas bancárias e é proprietário de dois apartamentos de luxo em Portugal. Lá no Brasil prossegue a guerra política e jurídica para a destituição de Dilma Roussef e impedir a tomada de posse de Lula da Silva como ministro do governo de Brasília. Sobre a complexa situação política no Brasil importa ler o que escrevem o escritor Luis Fernando Verissimo, num exclusivo DN/Folha de São Paulo, e também o Sérgio Figueiredo e o Ferreira Fernandes.
4. A caixa negra de Rui Moreira
O presidente da câmara do Porto confessa que não ficou tranquilo com o que ouviu da boca do primeiro-ministro sobre o futuro TAP. Estava perplexo antes da conversa e diz que assim continua. Rui Moreira escreve no livro "TAP - Caixa Negra" que ainda não entendeu a justificação do atual Governo para privatizar a empresa. Evoca duas razões: "o facto de o Estado permanecer exposto à dívida da companhia" e o não ter ainda compreendido "o que readquiriu o país em termos estratégicos". No capítulo final do livro, Rui Moreira afirma que, se a ideia do Governo em reverter parcialmente a privatização, passava por "poder controlar melhor as opções estratégicas da TAP, não se entende que não tenha uma palavra a dizer sobre a operação comercial da empresa, nas suas rotas e operações, a menos que "concorde com o caminho que está a ser seguido". Na conclusão deste livro, escrito em coautoria com Nuno Nogueira Santos, Rui Moreira admite que não sabe o que irá acontecer à TAP, qualificada como "a última das empresas coloniais", mas arrisca um vaticínio. Afirma que receia que "estejamos a assistir ao fim da TAP", que venha a comprovar-se que "as opções da empresa são erradas" e que, no final, sejam os contribuintes a pagar "o seu gigantesco passivo" e acabemos "mais pobres, sem glória e sem companhia de bandeira". Na TSF pode ler a pré-publicação do livro que hoje é apresentado no Porto por António Lobo Xavier e amanhã em Lisboa por Miguel Sousa Tavares.
5. Portugal tem crédito dos mercados
Portugal está no grupo dos 20 países da UE que neste ano conseguem respeitar o limite de 3% do PIB no défice. É pelo menos o que dizem os analistas consultados pela agência financeira Bloomberg, que apontam para um valor médio de 2,9%. A Standard & Poors também acredita que Portugal está fora da zona de perigo orçamental (2,7% do PIB). Se isso se verificar, será a primeira vez desde 1995, que Portugal cumpre a regra-mãe previsto no Pacto de Estabilidade, ainda que o governo mostre dificuldades em respeitar outras exigências, como o ajustamento estrutural superior a 0,5 pontos percentuais do PIB potencial (Comissão e Conselho Europeu querem 0,6 neste ano, mas o governo só promete 0,2 a 0,3 pontos de ajustamento) ou uma redução significativa da dívida pública, que continua perto de 130% do PIB. A ver vamos se há razões para respirar de algum alívio.
Também é notícia
Nos EUA prossegue a corrida à Casa Branca e hoje é dia de primárias em alguns estados. Nos dois principais partidos, os candidatos estão empenhadíssimos nas suas campanhas, sem tempo para mais nada... exceto... O republicano Donald Trump, conta o Washington Post, fez esta madrugada uma paragem junto a um prédio em obras na Pennsylvania Avenue, em Washignton - a poucos metros da Casa Branca - para descrever aos espantados jornalistas que vai ali nascer um superluxuoso hotel, que ele está a construir para a sua cadeia hoteleira. Há que ter noção das prioridades...
Também dos Estados Unidos surge um navio que parece estar virado de cabeça para baixo. Mas é o último grito em tecnologia anti-radar aplicada à marinha de guerra. As formas do USS Zumwalt são aquelas para que seja "invisível" aos radares inimigos. Trata-se do maior destroyer da marinha americana e, com um preço de quatro mil milhões de euros, o mais caro. Saiu ontem para o mar na fase final dos testes e foi fotografado.
A moda dos fitness trackers parece mesmo ter vindo para ficar, mas há quem não se convença em usar um desses gadgets que ajudam a ficar em forma porque não gostam do seu aspeto. Eis que entra a Swarosvski. Conta o ABC que a conhecida marca de cristais criou a coleção Activity Tracking Jewelry que promete transformar estes objetos tecnológicos em acessórios de moda para todos os que se fascinam por coisinhas reluzentes...
É verdade que hoje em dia não há quase nada que não se consiga comprar pela internet - e não estamos a pensar na Darknet, aquele mundo informático obscuro onde acontece um pouco de tudo, desde a pirataria de filmes à pornografia infantil. Na maior loja online do mundo, a Amazon, é possível encontrar (e comprar) muitas coisas surpreendentes, das caveiras verdadeiras à urina de coiote, passando pelo papel higiénico luminoso! O Huffington Post fez o levantamento e elegeu as "15 coisas mais surpreendentes" à venda na Amazon.
Hoje é ainda o dia em que...
Termina a visita de Barack Obama a Cuba, com um discurso no Grande Teatro de Havana, perante mil pessoas. A Organização Mundial de Saúde faz balanço do trabalho da organização relativo ao combate do vírus Zika. É lançado, em Serralves, o livro "TAP Caixa Negra", do presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, e do jornalista Nuno Nogueira Santos sobre aquilo que chamam a "estratégia de abandono do aeroporto do Porto". A apresentação será feita por António Lobo Xavier. O ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, discursa em Berlim sobre o quadro financeiro europeu (12.00 em Lisboa).
Com Ricardo Simões Ferreira


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