quinta-feira, 24 de março de 2016

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Bom dia, já leu o Expresso Curto Bom dia, este é o seu Expresso Curto

Miguel Cadete
Por Miguel Cadete
Diretor-Adjunto
24 de Março de 2016
Europa atrapalha e Obama já não dança em Bruxelas

Passaram 48 horas desde os atos terroristas de Bruxelas mas podiam ter passado 15 anos, como passaram, desde o 11 de Setembro.

Esta é uma realidade insuportável e que continua a ser inaceitável. Mas dois dias depois das explosões que abalaram a Bélgica, a poeira começa a assentar e começa a ser possível compreender uma ínfima parte das coisas.

A história dá sempre uma ajuda. E, provavelmente, a primeira lição a retirar é que “isto” não é assim tão novo. No Quartz foi publicado um gráfico que mostra que entre os anos 1970 e 1990, o terrorismo teve consequências bastante mais nefastas na Europa Ocidental do que os ataques produzidos pela Jihad islâmica nos últimos anos.

Se bem se lembram, esses foram os anos do IRA, da ETA e das Brigadas Vermelhas. Só em 1979 tiveram lugar mais de mil ataques terroristas na Europa Ocidental.

Em 1988, a queda do avião Lockerbie, na Escócia, levou a que a estatística do número de mortos nesse ano subisse até aos 440. Incomparável com o que sucedeu nos últimos dez anos. Nesse caso, o atentado foi atribuído à Líbia de Khadafi.

Porém é notório que entre 1970 e 1994, o número de atentados e o registo de vítimas mortais é bastante superior aos que resultaram dos ataques em Madrid, Londres, Paris e Bruxelas.

Daí há a retirar pelo menos duas conclusões: os jiadistas mataram menos do que os grupos terroristas radicais europeus e o conflito global destes dias é sobremaneira agudizado pelo contexto mediático, onde se incluem a cobertura noticiosa dos órgãos de comunicação social e, claro, as redes sociais.

Não parecem por isso fazer tanto sentido as análises como a que se encontra na capa do “Público” mas frequentes noutras publicações (como na “Economist” ou no “New York Times”) onde é colocada a interrogação “e se o terrorismo passar a integrar o nosso quotidiano?”. Na verdade, ele já integrou, há não muito tempo.

Outra conclusão que se retira do número de atentado e mortos provocados pelos atentados terrorista na Europa durante os anos 1970 e 1980, é a de ser possível exterminar o terrorismo. Os principais responsáveis por esses atos estão hoje praticamente inativos.

Mas não é esse o caminho se está hoje a tomar, quando aumenta o número de atentados na Europa e a sua frequência. Levando em conta a imprensa britânica hoje publicada, torna-se claro que sucederam falhas graves nos sistemas de segurança.

O “Times” é por ventura o jornal mais violento a sublinhar esses erros que podem ter sido fatais. A Turquia terá extraditado para a Holanda um dos operacionais de Bruxelas, Ibrahim el-Bakraoui, que se suicidou no aeroporto.

Uma notícia que parte de declarações do presidente da Turquia, Erdogan, que reclama ter notificado as autoridades europeias da perigosidade deste guerrilheiro do Daesh quando expulso do seu país.

A indignação que percorre a imprensa inglesa estende-se ao “El País” e ao presidente da Comissão Europeia. Na manchete do diário de Madrid pode ler-se “Juncker culpa os Governos da passividade ante o terrorismo”.

Em conferência de imprensa, Juncker sublinhou a tese de que as medidas que haviam sido previamente acertadas pelos membros da União Europeia não foram, na realidade, adotadas: “se todos os governos tivessem seguido as propostas da Comissão, não teríamos chegado a estes momentos trágicos”, disse.

Mais claras não podiam ser as lágrimas amargas de Federica Mogherini, alta representante para a Política Externa da EU, que, na sequência dos atentados e numa ocasião pública na Jordânia, não teve outra resposta senão o pranto perante o que havia sucedido. Uma demonstração de impotência ímpar.

Não surpreende então que o inexistente sistema de defesa europeu volte a ser colocado na mesa.

Em França, o “Le Figaro” pegunta se “a Europa pode defender-se?”. E aponta um número assinalável de lacunas: ausência de tratamento dos dados de passageiros aéreos, falta de conexão entre os serviços de informação de Schengen e os registos criminais, irrelevância do Frontex, falta de controlo de documentação falsa são apenas o início do rol.

Será por isso que os ministros da Justiça da União Europeia reúnem hoje mesmo, de urgência, em Bruxelas, para alinhar medidas e discutir a resposta que deve ser dada?

Depois de Madrid, Londres, Paris e Bruxelas, parece inevitável que outros ataques se sigam num futuro mais ou menos próximo. Roma, Berlim, Amesterdão ou mesmo Lisboa poderiam ser alvos fáceis ou simbólicos.

Porém, vale a pena deter a atenção noutro gráfico, desta vez publicado pela CNN, que demonstra que os dois atentados de Paris e o de Bruxelas, reivindicados pelo Daesh, podem ser bem diversos dos de Madrid e Londres, reivindicados pela Al Qaeda.

Por uma simples razão, Bélgica e França lideram incontestavelmente o número de jiadistas que habitam o seu território. Em França moram perto de 1200 operacionais do Daesh, muito à frente da Alemanha e Reino Unido com cerca de 500.

Mas em número relativo, quem vai à frente é a Bélgica com cerca de 1400 jiadistas por cada milhão de habitantes, seguindo-se a Dinamarca, França e Áustria. As diferenças para o resto da Europa são notórias.

Contextos muito diferentes. Mas ainda há mais casos a mudarem de figura. Aquele que anteriormente era conhecido como o “grande polícia do mundo” parece por estes dias desinteressar-se da Europa.

No início da semana, Barack Obama espalhou o seu charme em Havana e ontem dançou o tango em Buenos Aires. Veja aqui a (não tão) brilhante performance do Presidente dos Estados Unidos da América.

Primeiro hesitou, depois avançou pela América do Sul, onde a esquerda folclórica já teve melhores dias, determinado a conquistar o objetivo. A NATO: que é feito dela?

O Expresso está em Bruxelas. Hugo Franco e João Santos Duarte reportam desde terça-feira o que encontram em bairros como Molenbeek e Forest, que nunca sonhávamos ter de vir a conhecer. E reportam muito bem.

Foram tomar uma bica ao café que Salah Abdeslam, o jiadista preso há menos de uma semana e que esteve envolvido nos atentados de Paris, costumava frequentar. Pois bem: o estabelecimento é propriedade de portugueses que asseguram que Salah era bom moço e gente pacata.

“Nunca deu problemas” e gostava de jogar ao bingo. Como está próximo o homem que, tudo indica, espoletou os ataques em Bruxelas. A esse propósito vale bem a pena ler a coluna de Henrique Monteiro no Expresso Diário de ontem: “eles são humanos e praticam o mal”.

Eu diria que estranhamente compaginável com a coluna de Daniel Oliveira: “As vítimas daqui e de lá”, também no Expresso Diário. Mas onde um vê vítimas, o outro vê o bem. E para o outro, onde estão os algozes é que é a morada do mal.

E se, voltando ao princípio deste Expresso Curto, pudéssemos esquecer a sua religião dos operacionais de Bruxelas como provavelmente já esquecemos a filiação política dos terroristas da ETA e do IRA?


OUTRAS NOTÍCIAS
Novo Banco posto à venda a 31 de março. É a manchete do “Diário de Notícias” que avança a intenção de Stock da Cunha e Sérgio Monteiro viajarem para Nova Iorque para um roadshow que começa já na quinta-feira. Seguem para Boston e Londres. Objetivo: vender uma pequena parte do capital do Novo Banco fora do retalho. A parte de leão ficará para mais tarde.

Lava Jato: Odebrecht meteu a boca no trombone. As autoridades apreenderam documentos em casa de diretor-presidente da construtora brasileira, Benedicto Barbosa Silva, que revelam subornos a 200 políticos. Ninguém sai bem pois há um total de 18 partidos políticos envolvidos.

A lista de nomes já foi tornada pública mas o juiz Sérgio Moro pediu recato e voltou a vedar o acesso ao rol. Entre os nomes citados contam-se os de Sérgio Cabral (PMDB), José Serra (PSDB), Lindbergh Farias (PT), Aécio Neves (PSDB), Humberto Costa (PT), Eduardo Campos (PSB), Paulinho da Força (SD) e Rosinha Garotinho (PR).

Marcelo ao lado de Costa contra Passos. O Presidente da República deu o seu parecer positivo à intervenção das autoridades políticas na condução dos negócios da banca. Em causa está a manchete do Expresso de Sábado em que se noticiava a luz verde dada pelo primeiro-ministro à entrada de Isabel Santos no capital do BCP.

Passos protestou mas Marcelo pô-lo na ordem. “A intervenção é natural” e “justificada”. E ainda lhe deu um ralhete: “o desejável seria um consenso nacional nesta matéria”.

Casas compradas sem recurso à banca. É a manchete do “Público” que, com base em dados de 2015, nota que dois terços das casas compradas passaram ao lado dos bancos. “Dos 12,4 mil milhões de euros aplicados no ano passado na compra de habitação, apenas quatro milhões foram financiados pelos bancos”. Tudo o resto foi financiado com capitais dos próprios compradores.

O padre que gostava de Porsches. Está no “Jornal de Notícias” e no “Correio da Manhã”, a notícia de que um padre da Casa do Gaiato é suspeito de utilizar os dinheiros da instituição para adquirir veículos de alta cilindrada. Arsénio Isidro foi constituído arguido pela Polícia Judiciária por peculato e gestão danosa. Foi visto a conduzir um Panamera.

Expresso sai amanhã. Devido ao feriado de sexta-feira, a edição do Expresso é antecipada um dia, o que faz com que o semanário chegue às bancas já amanhã. E com o jornal chega também a nova coleção de fascículos oferecida a todos os leitores. A obra pioneira “Os Descobrimentos Portugueses”, de Jaime Cortesão, foi dividida em oito volumes que serão distribuídos sem qualquer custo com as próximas edições em papel do Expresso.



FRASES
“O que nos limita mais são os favores que ficamos a dever”. Daniel Bessa ao “Jornal de Negócios”

“Toda a gente compreende que o país está um bocadinho farto de instabilidade eleitoral”. Ferro Rodrigues ao “Público”

“O que se passou vai continuar. Os ataques vão escalar”. Luís Amado ao “Diário de Notícias”

“Renato Sanches não é maldoso”. João Mário a “A Bola”

“A minha maior prioridade é derrotar o Estado Islâmico”. Barack Obama durante a visita à Argentina


O QUE EU ANDO A LER
Em Portugal não existe a tradição da publicação de livros de memórias, nem tão pouco de biografias. Porém “Álvaro Cunhal – uma Biografia Política” de José Pacheco Pereira é a excepção que desmente o que atrás ficou dito.

No nosso panorama editorial recente só encontra paralelo no trabalho que José Pedro Castanheira, grande repórter do Expresso, tem vindo a desenvolver com Jorge Sampaio.

Quanto à biografia de Cunhal, indiscutivelmente uma das figuras mais importantes do século XX em Portugal (juntamente com a sua némesis, Salazar, e Mário Soares) já vai no quarto volume, publicado em dezembro passado. Percorre os anos que vão desde a fuga de Peniche até 1968, ano da Primavera de Praga e da queda de Salazar.

Mostra, logo nas primeiras páginas, a capacidade de Cunhal para reorganizar o partido depois de ter passado aqueles que poderiam ter sido os melhores anos da sua vida na prisão. Contra o que quer que fosse, e apesar da condição de clandestino, mas com cada vez maior apoio da União Soviética, consegue tornar o partido numa temível força política.

Termina, menos de uma década depois da aparatosa fuga de Peniche, com a cisão das esquerdas e do próprio comunismo própria do final da década de sessenta, que vem retirar espaço ao PCP e à União Soviética.

Quando o comunismo internacional deixa de ser o que era, Cunhal, irá baloiçar entre a heterodoxia da luta armada, com a criação da ARA (ver texto de José Pedro Castanheira na Revista do Expresso de 12 de março), e o maior ortodoxismo e submissão aos soviéticos.

Como mais uma vez comprovou a publicação dos ficheiros portugueses do Arquivo Mitrokhin nessa mesma edição da Revista do Expresso (12 de março), Álvaro Cunhal e Octávio Pato, o elo de ligação entre o KGB e o PCP, colocaram claramente em causa a segurança do país, quando o mundo se dividia entre a NATO e o Pacto de Varsóvia e ofereceram à Rússia arquivos onde constava informação sensível não só da PIDE mas também de outros serviços de informação, ou mesmo das Forças Armadas portuguesas.

Nunca se pode achar que o terrorismo é coisa distante.

Por hoje é tudo. Às 18h conte com mais uma edição do Expresso Diário. Até lá, toda a informação será atualizada no Expresso Online. O Expresso em papel sai já amanhã, devido ao feriado da Páscoa.

Bom fim de semana ou, se for caso disso, boas férias!


via mensagem do expresso...

e ainda outros destaques:

A tirania do medo

Pedro Rolo Duarte
Todas as guerras em que as partes em confronto não têm as mesmas armas são, por natureza, injustas. Todas as guerras em que as partes em confronto têm princípios diferentes sobre a forma de combater, e sobre ideias simples como "não matarás à traição", estão por natureza perdidas por quem, apesar de tudo, mantém módicos de ética em combate. A guerra também tem regras. Ou tinha. Estamos a assistir à instauração e normalização de um novo tipo de combate (ou velho, mas afastado da Europa desde os tempos da ETA, das Brigadas Vermelhas e de outras organizações do mesmo tipo) numa guerra sem tréguas: o que utiliza a democracia para, subvertendo-a, indo directamente ao seu coração ideológico, aproveitar-se das brechas que são a essência da liberdade, e matar indiscriminadamente, sem qualquer espécie de lógica que não seja cultivar o terror do medo. | Continuar a ler...


via mensagem do sapo 24 ...




Hora de fecho

As principais notícias do dia
Boa tarde!
O Estado Islâmico voltou a matar esta semana, em Bruxelas, em nome de Deus e das palavras do profeta. Mas o livro sagrado permite bombistas suicidas e ataques a inocentes?

Défice público terá sido de 4,4% em 2015. Segundo o INE, a resolução do Banif "custou" 2.463 milhões de euros, o que representa 1,4% do PIB e está acima do previsto. Sem Banif, o défice seria de 3%. Défice Público
INE adiou para 31 de março a primeira notificação do défice de 2015 por não estar disponível toda a informação. Adiamento deve-se à finalização com o Banco de Portugal de dados da dívida pública. 


via mensagem do observador...







1. Roadshow para vender Novo Banco arranca em Nova Iorque
É já daqui a uma semana, na quinta-feira 31 de março, que Stock da Cunha e Sérgio Monteiro vão estar em Nova Iorque para a primeira ronda de contactos tendo em vista a venda de parte minoritária do capital do Novo Banco, fora do retalho. Depois de Nova Iorque, o CEO do Novo Banco e o ex-secretário de Estado que encabeça o fundo de resolução na parte que diz respeito à venda da instituição vão a Londres, regressam a Nova Iorque e fazem ainda uma etapa a 7 de abril em Boston, cidade onde se fecha este primeiro movimento de um dos gigantes da banca portuguesa.



via mensagem do dn...