quinta-feira, 23 de junho de 2016

dos exames nacionais... coisas que convém ir (re)lembrando...!

Como estudar para os exames (e sobreviver para contar)

23 jun, 2016 - 07:30 • Cristina Nascimento
 
Das noitadas de estudo à gestão da ansiedade. Um guia para a época de exames nacionais.
 

A época de exames nacionais está aí. Alunos do 12º ano, do 9º ou até os mais novos do 2º ou 4º ano enfrentam o stresse de serem postos à prova.
Com a ajuda de Manuela Matos Monteiro, professora de Psicologia e autora de vários livros sobre como estudar para os exames, a Renascença preparou um guia de sobrevivência para estes momentos da vida escolar dos alunos.
Noitadas de estudo não… Organização, organização, organização
“Esta fase é o fim da linha. A preparação para os exames começa no início do ano, através de métodos de estudo, acompanhamento regular das aulas, reflexões sobre as próprias dificuldades que os alunos têm ao fazer os seus testes regulares”, explica Manuela Matos Monteiro.
Este é o tempo da organização. “Há uma tendência natural para focalizar muito o tempo disponível no primeiro exame”, diz. E “isso é mau porque depois o intervalo entre o primeiro exame e as provas seguintes é curto”. Conclusão: “Há que organizar o tempo disponível, distribuindo-o pelas diferentes disciplinas.”
Cada um dos dias deve também ser alvo de organização, aconselha. “Deve haver uma regularidade, por exemplo, ao nível do horário de trabalho, o que implica uma regularidade ao nível do próprio sono”, defende.
Esta professora é contra, por exemplo, as noitadas de estudo. “Vai provocar que eles, no dia seguinte, acordem muito tarde e começa a desregulação das refeições: saltam o pequeno-almoço ou tomam o pequeno-almoço e não almoçam. Depois saltam o lanche ou lancham e saltam o jantar… Enfim, é uma desregulação de todo um funcionamento que é absolutamente necessário ser equilibrado e harmonioso.”
Além das refeições, Manuela Matos Monteiro lembra que seguir o ritmo das noitadas de estudo vai também impedir que, na véspera do exame, o aluno consiga deitar-se a horas propícias a descansar o suficiente e acordar cedo no dia da prova.
Críticas? Para depois
Não são apenas os alunos que se ressentem na época dos exames. “A família também está ansiosa, inquieta e angustiada, mas tem de haver um pouco de controlo por parte das famílias relativamente a este período crucial”, diz.
O mais importante é “assegurar a tranquilidade do aluno”. “Mesmo que haja motivo para críticas, para recriminar o jovem por não ter estudado o que devia durante o ano, nesta altura o que se deve dizer é: 'O que está feito está feito, tu vais conseguir'”. A ideia é “passar uma mensagem de confiança, de reforço positivo”, acrescenta.
A professora aconselha a que se “deixe passar os exames", se faç o balanço das avaliações finais e depois, numa conversa, se faça uma apreciação dos resultados e se perceba a razão de resultados negativos ou aquém do que seria possível atingir”.
A especialista considera mesmo que a época dos exames pode ser determinante na relação pais-filhos no futuro e adverte para os perigos de uma atitude negativa ou de revelação de inquietude.
“Se, num momento em que eles estão mais ansiosos e mais angustiados, os pais cobram, criticam ou transmitem inquietação (‘Tu nem imaginas como ando nervoso por causa dos teus exames'), obviamente o que fica na cabeça daquele jovem é que, no dia em que, noutras circunstâncias, tiver um problema, não vai querer partilhar com o pai e com a mãe porque ficam muito nervosos e muito incomodados”, explica.
Atenção à ansiedade. Se necessário, vá ao médico de família
E a ansiedade pode deitar tudo a perder, mesmo para um aluno que esteja bem preparado? Manuela Matos Monteiro acredita que nalguns casos sim. “Há jovens, assim como adultos, que têm uma reacção muito negativa às situações de stresse, ficam num estado de ansiedade tal que os conduz a situações de verdadeira angústia, medo e pânico, que podem na situação de exame bloquear as capacidades do aluno”, descreve.
O que fazer para ajudar? “Criar bons ambientes relaxados e quando se vê o jovem ficar mais tenso tentar apaziguar esta tensão. Por exemplo, convidar para tomar um chá e aproveitar para criar empatia, revelar que quando foram estudantes também houve alturas de dificuldades e que as conseguiram ultrapassar e que também o aluno agora o conseguirá fazer”, sugere Manuela Matos Monteiro.
No entanto, se os níveis de ansiedade começarem a ganhar dimensões maiores, esta professora aconselha recorrer ao médico de família. “Muitas vezes a própria conversa do jovem com o médico resolve grande parte do problema. O médico pode prescrever algumas vitaminas e, por vezes, isso chega a ter um efeito de placebo e ser o suficiente para tranquilizar o aluno”, diz.
Manuela Matos Monteiro considera que a ansiedade e o stresse são normais e necessários. “A ansiedade é necessária para espevitar e para permitir que, naquele momento, todas as energias estejam concentradas na resolução daquele problema que é o exame”, garante.
Mas há que ter atenção à dimensão do problema. “Se atingir níveis em que há quase uma paralisação, não param de chorar, têm náuseas, vómitos, uma série de manifestações orgânicas que já são de um patamar preocupante, é bom que a situação seja depois analisada para que esta pessoa não tenha este tipo de estado grande sofrimento sempre que seja posta à prova”, alerta.
Aprender… a estudar
Apesar dos efeitos negativos que a ansiedade pode trazer em momentos de avaliação, Manuela Matos Monteiro não acredita que este seja o factor mais relevante quando os alunos portugueses não conseguem ter boa prestação escolar.
“Tenho uma excelente imagem do ensino em Portugal, mas há um certo défice naquilo que eu chamaria as técnicas de estudo: como estudar, como organizar o material, como fazer um horário de trabalho, a melhor forma de responder a um teste ”, analisa.
Manuela Matos Monteiro defende o ensino destas técnicas desde cedo, a partir do primeiro ano de escolaridade e continuar sempre ao longo da vida. Em casa, os pais também podem ter um papel fundamental em aspectos que aparentemente são menores mas fundamentais. Mais uma vez, a organização é essencial.
“A criança ou o jovem antes de ir para cama deve ter a mochila com tudo pronto para o para o dia a seguir, não é de manhã, a correr, andar a meter as coisas na mochila”, explica. Esta especialista defende também uma negociação com o aluno para intercalar tempo de estudo com tempo de lazer.
Pais não são os "segundos professores"
Os pais devem acompanhar os estudos, mas não lhes cabe “o papel de segundos professores”.
“Pode-se ajudar pontualmente, verificar se os trabalhos estão feitos, comunicar à professora se se verificar uma persistente dificuldade nalguma matéria, ajudar na revisão da matéria, quando solicitado pelo educando, mas os pais não podem ser uma muleta”, defende.
Três conselhos
Já no que diz respeita as condições de trabalho em casa, Manuela Matos Monteiro deixa uma lista de conselhos práticos:
  • Estudar com a televisão ligada, mesmo que sem som, nunca;
  • Ter o material escolar reunido e bem organizado para evitar que andem sempre a levantar-se à procura do material;
  • Estudar numa mesa, num espaço de concentração, bem iluminado e ergonómico.

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