domingo, 26 de novembro de 2017

hoje há poesia...



No século XVII, época do Barroco, os artistas eram dados a estes jogos.

Às vezes até se ficavam pelos trocadilhos, não curando dos assuntos.

Mas este tem assunto bem recheado de saber.

Soneto, obra-prima do trocadilho, escrito no século XVII por Frei António das Chagas (António Fonseca Soares).


CONTA E TEMPO

Deus pede estrita conta de meu tempo.
E eu vou, do meu tempo, dar-lhe conta.
Mas, como dar, sem tempo, tanta conta,
Eu, que gastei, sem conta, tanto tempo?

Para dar minha conta feita a tempo,
O tempo me foi dado, e não fiz conta.
Não quis, sobrando tempo, fazer conta.
Hoje, quero fazer conta, e não há tempo.

Oh, vós, que tendes tempo sem ter conta,
Não gasteis vosso tempo em passatempo.
Cuidai, enquanto é tempo, em fazer conta!

Pois, aqueles que, sem conta, gastam tempo,
Quando o tempo chegar, de prestar conta,
Chorarão, como eu, o não ter tempo...
 
 
comentário:
foi-me enviado em mensagem por uma amiga e achei por bem publicar, primeiro porque não conhecia, segundo porque o tema é reflexivo, prestando-se à introspecção e, claro, pelos trocadilhos...