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sábado, 4 de agosto de 2018

nestas noites tórridas do ano da 'graça' de mmxviii...







in expresso...


comentário:
mais uma 'estória' da carochinha, em que muito mais haveria para contar...
infelizmente eu sei do que falo pois, muito antes da famigerada parque escolar intervir, a escola poderia ser considerada como a melhor apetrechada em tic, no país e as coisas não foram 'estimadas', depois, para mal dos nossos 'pecados' (por mim falo).
e disse.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

coisas da educação [que não são novidade para mim, há muito...]... no com regras... uma entrevista...!

Os alunos do Agrupamento de Escolas de Carcavelos usam os telemóveis nas aulas – Entrevista exclusiva!

by Alexandre Henriques

 No passado dia 24 de setembro, foi notícia a permissão sobre o uso do telemóvel durante as aulas no Agrupamento de Escolas de Carcavelos. O ComRegras quis saber mais sobre esta iniciativa e por isso fizemos algumas perguntas ao Diretor Adelino Calado que amavelmente nos respondeu.

Entrevista ao Diretor Adelino Calado do Agrupamento de Escolas de Carcavelos

Arupamento CarcavelosRecentemente o vosso agrupamento foi notícia por permitirem a utilização do telemóvel como ferramenta de trabalho em contexto de sala de aula.

 

 

 

 

 

 


  1. O estatuto do aluno remete quatro alíneas, q), r), s) e t), no seu artigo 10.º “Deveres dos Alunos”, promovendo a não utilização do telemóvel. A vossa decisão de integrar o telemóvel tem fundamento legal?
Julgo que não existe nenhuma ilegalidade, como poderá ser analisado face ao que o Estatuto do Aluno determina, e ao que o Regulamento Interno do Agrupamento prescreve:
 Estatuto do Aluno (artigo 10º)
q) Não transportar quaisquer materiais, equipamentos tecnológicos, instrumentos ou engenhos passíveis de, objetivamente, perturbarem o normal funcionamento das atividades letivas, ou poderem causar danos físicos ou psicológicos aos alunos ou a qualquer outro membro da comunidade educativa;
r) Não utilizar quaisquer equipamentos tecnológicos, designadamente, telemóveis, equipamentos, programas ou aplicações informáticas, nos locais onde decorram aulas ou outras atividades formativas ou reuniões de órgãos ou estruturas da escola em que participe, exceto quando a utilização de qualquer dos meios acima referidos esteja diretamente relacionada com as atividades a desenvolver e seja expressamente autorizada pelo professor ou pelo responsável pela direção ou supervisão dos trabalhos ou atividades em curso;
s) Não captar sons ou imagens, designadamente, de atividades letivas e não letivas, sem autorização prévia dos professores, dos responsáveis pela direção da escola ou supervisão dos trabalhos ou atividades em curso, bem como, quando for o caso, de qualquer membro da comunidade escolar ou educativa cuja imagem possa, ainda que involuntariamente, ficar registada;
t) Não difundir, na escola ou fora dela, nomeadamente, via Internet ou através de outros meios de comunicação, sons ou imagens captados nos momentos letivos e não letivos, sem autorização do diretor da escola;
REGULAMENTO INTERNO DO AGRUPAMENTO
    Artigo 80.º - Equipamentos tecnológicos (telemóvel, tablet ou outro)
Quando expressamente autorizado pelo professor/Direção/supervisor, o aluno tem direito a usar equipamentos tecnológicos, de forma pedagógica e responsável, em contexto de sala de aula ou de outras atividades formativas, sempre que estes forem considerados como mais um instrumento de trabalho, em situações como:
  1. usar como relógio;
  2. usar como agenda;
  3. utilizar como calculadora;
  4. consultar a internet e utilizar outras aplicações a propósito de conteúdos programáticos abordados em aula.
  1. Em que condições é que o telemóvel pode ser utilizado?
Quando expressamente autorizado pelo professor/Direção/supervisor, o aluno tem direito a usar equipamentos tecnológicos, de forma pedagógica e responsável, em contexto de sala de aula ou de outras atividades formativas, sempre que estes forem considerados como mais um instrumento de trabalho
  1. A sua utilização é transversal a todas as turmas, ou está limitada a algumas?
A resposta anterior esclarece este ponto.
4. Ao ver a notícia, muitos professores devem ter pensado que é impossível os alunos não aproveitarem para enviar sms, jogar e afins. Isso acontece(u)?
Curiosamente, ou talvez não, estamos a 18 de outubro, e apenas se registou uma situação numa turma de 8º ano ! Convém recordar que a escola Sede tem 66 turmas e cerca de 1900 aluno do 5º ao 12º ano.
Claro que a penalização desta situação foi entendida como uma falta muito grave.
  1. Foi estabelecida alguma consequência para o caso da utilização indevida do telemóvel para dissuadir o uso indevido do telemóvel?
Sendo considerada uma falta muito grave, o aluno que comete a infracção é de imediato confrontado com a situação, o respectivo encarregado de educação é chamado à Escola e a suspensão das actividades letivas é aplicada no momento.
  1. Que balanço faz desta medida?
Sendo ainda prematuro avançarmos com conclusões muito completas, poderemos afirmar que o objectivo central que perseguimos está a seguir o curso que desejamos. Ou seja, proporcionar uma maior autonomia aos jovens e ao mesmo tempo consciencializar todos para a exploração adequada de um instrumento que apresenta muitas potencialidades.
  1. A escola aos poucos e poucos vai ficando cada vez mais tecnológica. Como imagina a escola do futuro? Ler mais deste artigo

sexta-feira, 24 de abril de 2015

coisas da educação [cascais]... entrevista ao director da minha (ex) escola... no com regras...!


no com regras...



"O Agrupamento de Escolas de Carcavelos, foi notícia num passado recente, sobre a aplicação de um projeto que visa a progressão do aluno como forma de combate ao insucesso e indisciplina. Este é um assunto que não é consensual na comunidade educativa, por essa razão o ComRegras quis ouvir o Diretor Adelino Calado para que possamos conhecer melhor o seu trabalho.

Como caracteriza o meio sócio-económico em que a escola está inserida?

O Agrupamento de Escolas de Carcavelos está inserido numa área em que predomina um meio médio alto, do ponto de vista sócio-económico. No entanto, é importante salientar que na área de influência das Escolas do Agrupamento, e falamos num raio de cerca de 2/3 km, existem três grandes Escolas Privadas com mais de 2000 alunos cada. Na prática o ensino privado recebe cerca de três quartos dos alunos da zona.

Antes da implementação do atual modelo de avaliação e aprendizagem, como caracterizava a vossa escola ao nível do aproveitamento e disciplina?

O aproveitamento das Escolas do Agrupamento era manifestamente baixo, sendo as dificuldades de aprendizagem um dos maiores problemas reflectido nas avaliações externas.

Disciplinarmente era uma Escola com muitos problemas, sendo que a maioria das ocorrências, cerca de 92%, se passavam com alunos repetentes.

Qualquer mudança tão significativa leva normalmente algum tempo a implementar e surgem sempre algumas resistências. Pode contar-nos como decorreu o processo de implementação do atual modelo?

Claro que qualquer alteração ao instituído, ao tradicional, ao dito “normal” é muito difícil.

Assim, a proposta de implementação de um projecto, lançado em 2003, tinha como objectivo temporal 12 anos!

Lançar um projecto na área da educação a doze anos é algo em que poucos acreditavam. Foi necessário muita teimosia e alguma coragem para iniciar o projecto.

As resistências apareceram de todos os quadrantes, docentes, encarregados de educação e alunos tendo em conta que o primeiro grande” momento” dizia respeito à forma de tentar encontrar soluções para os alunos que não conseguiam realizar as aprendizagens que todos queriam que os mesmos realizassem. A maior dificuldade foi procurar fazer com se aceitasse a diferença de momentos de aprendizagem entre os diferentes alunos.

Aceitar que nem todos apreendem as mesmas coisas nos mesmos momentos foi, e ainda hoje é, bastante difícil de aceitar.

A não retenção como medida fundamental foi a primeira grande decisão assumida pelo Conselho Pedagógico que veio despoletar todo o processo sequente.

A avaliação das aprendizagens, o encontrar de soluções alternativas ao processo e percurso escolar de cada aluno, foram elementos de um processo moroso, com grandes avanços e alguns recuos, muita formação interna, grande dedicação e muita motivação para o sucesso de todos.

Em que consiste o vosso modelo?

Na realidade o “nosso modelo” nada tem de “modelo”, apenas reflecte o que toda a literatura e legislação aponta no que se refere a aprendizagem e educação.

Aliás se olharmos com alguma atenção para a Lei de Bases do Sistema Educativo – Lei 49/2005 de 30 de agosto:


“…O sistema educativo é o conjunto de meios pelo qual se concretiza o direito à educação, que se exprime pela garantia de uma permanente acção formativa orientada para favorecer o desenvolvimento global da personalidade, o progresso social e a democratização da sociedade…”

Constatamos que esse foi o mote para todo o desenvolvimento do nosso trabalho.

De facto não acreditamos que a retenção é a melhor forma de recuperar alunos, ou de lhes proporcionar as condições necessárias para o desenvolvimento da sua personalidade e das suas capacidades, nem tão pouco garantia para o sucesso individual de cada jovem.

Procuramos diagnosticar, a cada momento, as aprendizagens face aos conteúdos e competências que se pretendem desenvolver, utilizando vários instrumentos de avaliação (consensualizámos a utilização de 13 instrumentos), tentando perceber quais as dificuldades sentidas por cada aluno. Esta informação constitui elemento base para a definição de todas as estratégias de recuperação, e de planeamento do futuro.

A utilização de todas as modalidades de formação – CEF – PCAs – Vocacionais – Profissionais, para além do ensino regular tem sido exploradas sempre com uma orientação e acompanhamento dos Serviços de Psicologia e Orientação da Escola, e das várias parcerias que estabelecemos.

Sei que abdicaram dos toques de entrada e que os alunos são obrigados a preencher um relatório sempre que chegam atrasados. Essa medida não aumentou a burocracia dentro da escola? Qual o destino dos relatórios?

Uma das áreas em que entendemos ter que interferir decisivamente tem a ver com a “autonomia” e a “responsabilidade”, que julgamos que os alunos não têm.

O acabar com os sinais sonoros de aviso leva a uma maior atenção de todos face à responsabilidade que lhes é incutida no sentido de não se atrasarem. E tem resultado.

Quanto aos atrasos e aos relatórios, mais do que trabalho acrescido eles têm-se revelado como elementos fundamentais no aumentar do “tempo letivo” inicial que estava a ser muito prejudicado pela entrada fora de tempo de vários alunos.

Os relatórios são preenchidos pelos alunos, e lidos ao telefone pelos mesmos, aos seus EE na presença dos elementos do gabinete de acompanhamento disciplinar. É no âmbito deste gabinete “GAD” que esses documentos são tratados e comunicados aos Diretores de Turma respectivos, sem mais tarefas burocráticas.

Consegue quantificar a diminuição nos atrasos?

Cerca de 12% dos 2570 alunos chegavam atrasados – neste momento esse valor desceu para cerca de 0,7% !

Ao consentir a passagem administrativa nos anos intermédios, é natural que se pense em facilitismo. Como é que conseguiram manter os alunos responsáveis e aplicados?

De facto a Escola “não consente”, a Escola “obriga” os alunos a acompanhar os seus colegas, independentemente das classificações obtidas, se o Conselho de Turma considerar que essa é a medida mais adequada para aquele aluno.

Tradicionalmente consideramos que chumbar um aluno tal corresponde a um “castigo”, daí a sua frase de “…consente a passagem…” e se fale em “…facilitismo.”

No entanto será interessante analisar um pouco melhor e logo verificamos que ao transitar um aluno irá ter um ano muito mais trabalhoso, pois tem que para além do trabalho comum a todos os colegas, que proceder à recuperação do que ficou por apreender. Quanto ao aluno que “chumba”, no ano seguinte o que de facto se passa é que vai ter menos trabalho, “já deu o que vai ouvir outra vez”, é mais velho que os restantes colegas de turma, enfim passa a ser um “líder”, normalmente da indisciplina.

Com a implementação do modelo, houve alterações ao nível disciplinar?

Claro que este foi um dos problemas que levaram também ao olhar para a indisciplina. Quando iniciámos o projecto, os problemas disciplinares que ocorriam correspondiam a cerca de 90% de casos com alunos repetentes ! Ora a não existência de repetentes veio eliminar essas situações. Assim, os problemas disciplinares atuais revelam-se no “…não está sossegado na aula…”, “…levantou-se sem autorização…”, “… avisado para não conversar, não acatou a instrução…”, enfim problemas menores, o que nos leva a afirmar que a disciplina melhorou. Este ano ainda não houve lugar a nenhum processo disciplinar, com cerca de 2500 alunos.

A que se devem essas alterações?

Julgo que em grande medida, a maior aproximação com a família, e a não existência de repetentes, são os pontos fundamentais, aliados à maior autonomia e responsabilidade assacada aos alunos.

Acha que o vosso modelo pode ser aplicado em escolas com elevados níveis de indisciplina?

Quando iniciámos o projecto, em 2003/2004, a Escola Sede tinha cerca de 480 alunos e teve trinta e tal processos disciplinares !

Julgo que o primeiro passo é mesmo o envolvimento das famílias, só assim é possível tratar os problemas disciplinares.

Não é um bocadinho utópico pensar que os alunos com elevados índices de indisciplina vão ficar mais responsáveis, assíduos e pontuais ao saberem que dificilmente ficam retidos?

De facto a pergunta elaborada como está, descontextualizada tem toda a razão de ser, e reflecte bem a nossa forma de estar e viver o ensino e a aprendizagem, que tradicionalmente considera que a retenção é um “castigo” !

Mas como tudo na vida, o acreditar que é possível é elemento fundamental para a alteração de processos e acima de tudo de mentalidades.

Claro que o trabalho de envolvimento de todos os elementos do processo é imprescindível, e são funcionários, professores e família que desenvolvem e acompanham todas as facetas dos alunos que têm que em conjunto encontrar as motivações necessárias à alteração de atitudes e comportamentos.
Muito obrigado Sr. Diretor pela sua disponibilidade."


aqui.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

coisas da (des)educação (?)... agora vamos aos epifenómenos educativos...!


no i 'online'...


"Vem aí a revolução no ensino, e a mudança, como não podia deixar de ser, está a dar os primeiros passos na Finlândia – o país que, apesar de tudo, continua a ser “o exemplo a seguir” na Europa e no mundo. O ensino por disciplinas é coisa do passado. Agora chegou a altura de aprender por “tópicos”, e o modelo já tem um nome: o ensino de “fenómenos”. A experiência--piloto começou a ser introduzida há dois anos em algumas escolas da capital finlandesa. A responsável pela educação para jovens e adultos em Helsínquia põe a fasquia alta. “Vai ser uma grande transformação na educação da Finlândia, que estamos apenas a começar”, contou ao jornal britânico “The Independent” Liisa Pohjolainen. A questão, explica Pasi Silander, responsável pelo desenvolvimento da cidade, é que o país precisa de “um novo tipo de educação”. 

A ideia é cortar com o modelo tradicional, em que os alunos saltam de uma disciplina para a outra ao longo do dia de aulas sem que os conhecimentos sejam relacionados. Em vez de aprenderem Biologia e depois Português para acabarem a tarde com Matemática, os alunos passam a aprender pelos tais “fenómenos”. Adelino Calado, director das Escolas de Carcavelos, em Cascais, exemplifica o processo: “O professor pergunta aos alunos o que é preciso para construir uma casa.E eles respondem que é preciso fazer cálculos. Ora isso envolve Matemática. E depois, o que será preciso? Conhecimentos de Física, e por aí adiante.” No final do exercício terão sido abordadas uma série de áreas do saber e o professor serviu de “orientador” da aprendizagem dos alunos. 

Desafio maior: mudar mentalidades Mas Carcavelos? Porquê? A pergunta é legítima, mas tem uma resposta simples. É que no próximo ano três escolas do agrupamento a que Adelino Calado preside vão embarcar num “modelo semelhante” ao que o governo finlandês espera já ter sido alargado a todo o país até 2020: “Já há muitos teóricos a defender a tese de que o ensino deve ser feito por áreas de saber”, explica o director. “O problema é que estas mudanças obrigam a mexer na cabeça das pessoas, e mudar mentalidades é o maior desafio de todos”, diz Adelino Calado. Mudar culturas, mas mudar também a forma como a sociedade olha para a classe docente. “É preciso que o Ministério da Educação e os pais acreditem que os professores têm a capacidade de orientar os alunos, porque enquanto não se acreditar nada feito”, defende. 

A evolução implica adaptação, sobretudo por parte dos professores. Em Helsínquia os docentes estiveram em contacto com especialistas de diferentes áreas para reforçar conhecimentos que depois ajudaram a pôr em prática o novo modelo de ensino. “É difícil levar os professores a começar e dar o primeiro passo, mas os que adoptaram a nova abordagem dizem que não conseguem voltar atrás”, destaca Pasi Silander, o responsável pelo de-senvolvimento da capital finlandesa. 

A forma como a “reformatação” dos professores foi feita teve particular importância. O presidente do Instituto Superior de Ciências Educativas, Luís Picado, explica que houve “o necessário envolvimento e formação para participarem num projecto de generalização progressiva” e, dessa forma, os docentes sentem que “são parte da evolução e que esta se processa porque faz sentido, visando reforçar a posição da Finlândia nos rankings educativos”. 

É pouco provável – para não dizer impossível – que Portugal venha a embarcar de forma alargada no mesmo modelo. “Estamos no porto, de costas para o mar, e nem sequer nos damos conta de que o barco já partiu”, ilustra Joaquim Azevedo. O responsável pela primeira comissão especializada permanente Políticas Públicas e Desenvolvimento do Sistema Educativo, do Conselho Nacional de Educação, é crítico em relação à ausência de pensamento sobre o ensino. “A escola pública está a tornar-se uma escola ocupacional, à privada cabe ensinar e é grave que os dirigentes políticos estejam tão pouco conscientes do que se está a passar”, aponta. 

Joaquim Azevedo considera contudo que a mudança em curso na Finlândia não é assim tão radical. E Luís Picado concorda. O especialista em ciências educativas destaca que “as disciplinas tradicionais vão continuar, mas com maior multidisciplinaridade no ensino e em complemento com as áreas de competências transversais (temas), que serão trabalhadas em harmonia com as disciplinas”. 

O modelo traz ainda assim vantagens aos alunos. “É altamente provável que os alunos vão exponenciar uma visão integrada e de compreensão do sentido das aprendizagens, que se tornarão mais significativas e ligadas aos desafios sociais”, acrescenta Luís Picado. Desde logo porque aquilo que aprendem na sala de aula – tenha essa “sala” a forma que tiver – estará muito mais ligado à realidade concreta, precisamente, dizem os responsáveis finlandeses, para pôr termo à pergunta: “Para que é que estou a aprender isto?”"

terça-feira, 3 de março de 2015

coisas da educação (?)... o agrupamento de escolas de carcavelos na berlinda [3]...!


na visão 'online'...


"Numa escola onde não há toques, e mal se veem relógios, esperava-se antes a lengalenga do tempo pergunta ao tempo... O certo é que à hora certa os alunos saem para o recreio e no fim do intervalo regressam pacificamente à sala de aula. Há apenas um relógio de sol no chão, junto aos campos de jogos, ao ar livre, onde os miúdos trocam bolas, uns entre os outros. Mas aquele é só um pormenor. Muitos mais havemos de encontrar enquanto percorremos o edifício e os espaços em volta.

"Professor, não pude vir às aulas porque andei em torneio, preciso de apresentar justificação?" Estamos em pleno recreio do meio da manhã quando o rapaz, do alto dos seus 16 anos, se aproxima do diretor. Este sorri: "Claro que precisas." Não é caso único: além do campeão de ténis, que anda sempre em jogos, por ali também há nadadores da seleção e ainda o campeão de esgrima. "Somos também escola de referência para o desporto náutico", conta um orgulhoso Adelino Calado, 61 anos, diretor há uma década, a lembrar que o agrupamento tem até a seu cargo uma escola de atividades náuticas vela, windsurf e canoagem... num corredor de água na Baía de Cascais, entre a zona dos pescadores e o Clube Naval. Do rol de todas aquelas mais-valias, há ainda um galeão ancorado em Cascais que é igualmente usado por eles: "Chama-se Estou para Ver e lá dentro podem dar-se aulas de todas as disciplinas", segue o diretor. A isto soma-se um pavilhão desportivo bem equipado (tem quatro camas elásticas, coisa impensável para a maioria), partilhado com clubes ali da zona, que o usam entre as 18 e as 23 horas. E, num futuro breve, uma piscina, outro bem a dividir com a comunidade: o projeto está já inscrito no Plano Diretor Municipal e será mais um em gestão partilhada, o segredo para tanto dinamismo.

Ainda andamos neste passeio de reconhecimento quando esbarramos com uma rapariga de dossiê na mão, no qual se lê "7.º A". Morena, longos cabelos frisados, calças de ganga e T-shirt branca, Raquel, 12 anos, é a delegada de turma, e por isso é ela que transporta o livro de ponto. "Eu já era responsável, transportar o livro é só mais uma tarefa", diz, meio tímida, para depois confessar que vai dividir a empreitada com o subdelegado. "É como não haver toque de entrada. Ao início é um bocadinho estranho mas na verdade é preferível assim. Tornava-se muito irritante..."

Aprender a várias velocidades

Já passou a meia hora da pausa do meio da manhã. Aos poucos, os garotos vão desaparecendo em direção às suas salas. Entre aqueles 1600 alunos que frequentam a básica e secundária do 5.º ao 12.º ano encontra-se ainda um caldo de culturas, qualquer coisa como 35 nacionalidades: canadianos, venezuelanos, cubanos, além de europeus do Leste e africanos de língua oficial portuguesa. Só hão de voltar a aparecer perto da hora de almoço. Os pequeninos primeiro, claro, dez minutos antes para não serem ultrapassados pelos mais crescidos enquanto carregam os almoços da semana no refeitório e isso faz-se com o cartão de aluno numas máquinas colocadas sob as televisões. Uma transmite a TV Educativa, um projeto comum a 55 escolas do País. A outra é de serviço interno: mostra trabalhos feitos por alunos daescola e dá informações úteis o que, num início de ano letivo conturbado como este, pode ser de grande valor, dada a falta de professores e funcionários. Contra isso, Adelino Calado sabe que só resulta a flexibilidade. "Se abro o bar, fecho a papelaria ", exemplifica, sabedor (e a experiência prova-o) de que a solução para os problemas da sua escola assenta na maioria das vezes num trio feito de negociação, compromisso e parceria.

Há uma década, o cenário era bem diferente. Daí dizer-se que há lugares onde as pessoas fazem a diferença e ali nota-se bem, seja no à-vontade ou na determinação das palavras do diretor Adelino Calado, alguém que acumulou o curso de Educação Física com uma carreira de alta competição na modalidade de andebol, no Benfica, mas que às vezes também é pescador, além de ainda se ter formado em artes. Há décadas naquela escola, lembra-se bem que em 1977/78 chegou a ter 4 mil alunos. Em 2004, eram pouco mas de 400. "Tinha de dar a volta a isto, e não precisei de nenhuma autonomia extraordinária. Utilizo apenas as possibilidades que a lei permite", sublinha.

Há uma primeira grande mudança que se tornou o seu emblema: "Não acreditamos na retenção no ensino básico. Chumbar um aluno não é a melhor maneira de o recuperar ", insiste. No início, recorda-se, foi complicado impor uma tese assim. Todos o acusaram de facilitismo, sobretudo quando havia alunos a transitar de ano com negativas às mãos-cheias. "Experimentámos vários modelos (por exemplo, avaliar por ciclo de ensino), mas aqui o que funciona são turmas especiais nas quais juntamos quem tem grandes falhas na aprendizagem." É o caso de uma turma de 5.º ano que só tem 18 alunos, além dos dois com Necessidades Educativas Especiais. "Têm dois professores de português, três de matemática... A nossa aposta é na diferenciação, cada um aprende à sua velocidade", defende.

A avaliação é toda feita de forma diferente, com a ajuda de critérios que não números porque, como salienta o diretor, não dividimos os alunos em fatias para os avaliar. "Acreditamos no que o professor diz quando decide atribuir uma nota. Em lado algum a legislação diz que tem de ser uma ponderação dos vários instrumentos. Aqui na escola é simples: o professor tem de ensinar, orientar a aprendizagem, criar um juízo de valor sobre o aluno e, no final, atribuir uma nota." Claro que pelo meio é preciso usar fichas de avaliação, trabalhos individuais e de grupo. Uma vez por período, há também um teste comum a todos de uma mesma disciplina, sempre à mesma hora, que serve para perceber se, em cada nível, estão ou não onde se quer que estejam. E mensalmente seguem relatórios para a direção.

"Assim, percebo logo se há uma turma a precisar de um reforço", acrescenta o diretor. "A nossa preocupação é saber se aprenderam a matéria, não são as médias." Mas não esconde que, sem nunca ter pensado muito nisso e estava para lá do 600.º lugar, em 2003..., no ano passado já ficou entre as 25 primeiras escolas públicas do País, além de ser a melhor do concelho. "Ah, e ainda fomos contemplados no ano passado com o melhor aluno de matemática, um miúdo do 6.º ano que ganhou as Olimpíadas nacionais. " Adelino Calado não esconde o que o move: "A nossa preocupação é que terminem o seu percurso escolar com sucesso, seja na faculdade seja no mercado de trabalho. E até no secundário, quando já há reprovações, se notam resultados melhores. "A nossa taxa média de retenção é 3%; a média do País é 25 por cento."

A aposta seguinte, visto que muitos alunos eram pouco autónomos e responsáveis, foi abolir o toque da campainha. Muitos recearam que os miúdos se sentissem perdidos. "Os mais pequenos talvez, na primeira semana", assume ainda o diretor. "Os outros habituaram-se logo." Além disso, chegar atrasado torna-se uma grande complicação: no primeiro ciclo, os pais têm de levar os alunos até à sala. Os mais velhos têm de ir à biblioteca buscar o papel para fazer o relatório, depois vão ao gabinete do aluno, que é na outra ponta da escola, ligar aos pais e ler o que escreveram, e ainda seguem para o gabinete do diretor para carimbar a explicação. É verdade que às vezes lhe chegaram justificações do género "caiu um ovni à frente do carro", mas por regra acabaram os atrasos. "Em média, na maioria das escolas, os alunos demoram oito a dez minutos a sentarem-se na sala. Aqui, sem toque, isso faz-se em metade do tempo." E há ainda o livro de ponto, já o dissemos, que também deixou de ser sagrado: desde que são os alunos a transportá-los, nunca mais desapareceu nenhum, nem sequer uma folha. "Sentem que isso os faz importantes, e assim liberto os professores para tarefas maiores", comenta o diretor.

Claro que há outros fatores a entusiasmar tanta gente com a escola de Carcavelos, como as boas parcerias para o curso de turismo, na vertente profissional e esse orgulho vê-se nas fardas engomadas na perfeição e também na forma como algumas das alunas desse curso, as mais velhas, encaram o papel de protetoras. Veja-se Marisa e Rita, de 18 e 17 anos, madrinhas do 5.º E, a serem rodeadas por meia dúzia dos seus protegidos, no último intervalo da manhã. "Então, namorados e namoradas?!", brincam elas. A risota é geral mas por todo o lado sente-se o mesmo ambiente acolhedor. Para isso, outra medida: abolir as aulas à quarta e à sexta à tarde, permitindo uma pausa a meio da semana e antecipar o fim de semana. "Eram os dias que estavam no topo das ocorrências de indisciplina e isso acabou. Hoje, chegam-me professores surpresos porque nunca tinham dado aulas sem gritar", segue o diretor. Queixas, ali, só ao contrário: pais a queixarem-se porque os filhos não entraram. Adelino Calado não esconde o sorriso: "Não cabem mais..."

Como fazer uma escola inovadora

SEM TOQUE DE CAMPAINHA

À hora marcada pelos relógios, alunos e professores dirigem-se para a aula ou saem. A responsabilidade fez o resto. Acabaram-se os atrasos.

ATÉ AO FINAL DO 9.º ANO NÃO HÁ CHUMBOS

Acredita-se que a retenção não é melhor maneira de recuperar miúdos.

TURMAS ESPECIAIS

Quem tem dificuldades passa a estar numa sala em que há mais do que um professor por disciplina SÓ UM TESTE POR PERÍODO Mas há também fichas individuais e trabalhos de grupo, o que obriga os alunos a acompanharem a matéria diariamente.

LIVRO DE PONTO

Os alunos é que o transportam e são responsáveis pela forma como deixam as salas depois de as usarem.

TARDES DE 4.ª E 6.ª LIVRES

Não há aulas à quarta e à sexta-feira à tarde, alturas em que havia mais indisciplina."


segunda-feira, 2 de março de 2015

coisas da educação (?)... o agrupamento de escolas de carcavelos na berlinda [2]...!


no sol...

"...
Em 2003, 40% dos alunos chumbavam e 90% dos problemas disciplinares eram com repetentes. Hoje, a taxa de retenção é de 3%
Avaliação conteúdo a conteúdo

O projecto educativo foi repensado em 2003, quando o director Adelino Calado chegou à escola e se deparou com uma taxa de retenção de 40% e com cerca de 40 a 50 processos disciplinares por ano, 92% envolvendo alunos repetentes. «Não acreditamos que a retenção seja a melhor solução para ensinar os alunos», explica ao SOL Adelino Calado, convicto de que transitar de ano é que pode ser visto pelos alunos como um «castigo», pois acarreta mais trabalho para acompanhar a turma. Depois de várias experiências de uma grande aposta na formação e trabalho dos professores, a taxa de retenção é agora de 3%.
Mas a chave do sucesso está na avaliação conteúdo a conteúdo, considera o director deste agrupamento com mais de 2.600 alunos. Quando o professor termina uma matéria, verifica se os alunos assimilaram os conhecimentos. Pode fazê-lo através de um teste, trabalho, ou perguntas na aula.

«O objectivo da avaliação conteúdo a conteúdo é perceber se o aluno aprendeu aquela parte da matéria. Se não o fez, decide-se como actuar, por exemplo através de apoios personalizados», explica o director. Em cada turma de 30 alunos, cinco ou seis têm aulas de apoio, o que implica trabalhar pelo menos mais duas horas por semana. Depois, uma vez por trimestre há uma avaliação comum aos alunos do mesmo ano e disciplina para preparar a avaliação externa: o exame nacional.

Neste agrupamento, há ainda turmas especiais, onde se juntam alunos com dificuldades comuns. É o caso dos 16 alunos com dificuldades que não ficaram retidos no ano passado no 4º. ano e que integram agora um grupo especial do 5.º, onde vários professores podem partilhar a sala de aula. Se for necessário, podem até ser criados percursos curriculares alternativos, como prevê a lei e como acontece com duas turmas do 9.º ano. O director lança a questão: «Será que temos todos de aprender tudo ao mesmo tempo?».

A intervenção é precoce e ao mínimo sinal de dificuldade, explica o mentor do projecto, dando mais um exemplo: «Detectámos que os alunos do 5.º ano não sabiam fazer bem cambalhotas. Levámos os professores da sede de agrupamento às escolas do 1.º Ciclo para os formar».

Adelino Calado sublinha que a sua escola nem tem contrato de autonomia e que todas as alterações que constam no projecto educativo são enquadradas na lei."


aqui.

coisas da educação (?)... o agrupamento de escolas de carcavelos na berlinda [1]...!


no expresso...

sábado, 6 de setembro de 2014

coisas da educação [lá pela escola]... 'projecto 'inovador' torna agrupamento de escolas de carcavelos num dos melhores de cascais'...!


no i 'online'...


"Há uma década que o Agrupamento Escolas de Carcavelos, em Cascais, adotou um modelo de avaliação e aprendizagem que assenta numa maior autonomia dos alunos, refletindo-se nos resultados escolares, que o tornaram este no "segundo melhor agrupamento" do concelho.

Adelino Calado, diretor do agrupamento, admitiu ter tido a "irreverência" de mudar o sistema de ensino das escolas em Carcavelos, do ensino básico ao secundário, através de um projeto que, segundo disse hoje à agência Lusa, pretendeu, sobretudo, "dar mais autonomia e responsabilidade aos alunos" e "ensiná-los a aprender".

Não há toques para assinalar a entrada na aula, mostrando que a pontualidade deve ser responsabilidade principal do aluno.

"Se chegarem atrasados têm que preencher um relatório com o motivo do atraso e telefonar aos pais a contar-lhes o que se passou, tudo à frente do professor. A verdade é que deixámos de ter atrasos e não temos problemas disciplinar", contou o diretor.

Assinar o livro de ponto e fechar a porta da sala de aula são outras das responsabilidades incutidas aos alunos. Outra das políticas da escola é que não há repetentes no ensino básico.

"Não acreditamos que a retenção dos alunos seja a melhor forma de lhes dar sucesso. Só há repetentes se houver mesmo necessidade disso e a decisão tem de ser unânime pelos 13 professores que compõe o conselho de turma", sustentou Adelino Calado.

O modo de avaliação, segundo o diretor do agrupamento, é também "inovador".

"Todos os conteúdos lecionados são avaliados diariamente. Só há um teste por período, no mesmo dia, em todas as turmas de todas as escolas, à mesma hora. Além disso, aqui não há percentagens, há os olhos do professor, ou seja, o professor é que, com a sua consciência, avalia o aluno", afirmou.

Adelino Calado admitiu que este novo modelo de ensino "não foi fácil" de ser implementado, mas dez anos passados assegura que os resultados "são muito melhores".

Segundo contou, em 2003 o agrupamento de Carcavelos era o pior do concelho de Cascais, no que respeita a resultados escolares. Hoje em dia, com 2.500 alunos, é o segundo melhor.

"Nós não estamos preocupados com o 'ranking', o sucesso é a transição dos alunos e, nisso, temos hoje uma taxa de sucesso de 97 por cento", referiu.
Estes resultados foram hoje apresentados na Escola Básica e Secundária de Carcavelos a cerca de uma centena de professores do agrupamento que se preparam para o arranque do ano letivo, no dia 15 de setembro."

 
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