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terça-feira, 10 de abril de 2018

coisas... orçamentais e outras...!



Nesta edição, relembramos o próximo evento IPP, e damos a conhecer a última análise da execução orçamental no jornal Observador e os últimos artigos publicados no jornal Público.


Uma estratégia orçamental sustentável para Portugal 

Relembramos que é já amanhã às 18h no Auditório 2 do ISEG que decorrerá a sessão de lançamento do livro Uma estratégia orçamental sustentável para Portugal, da autoria de Paulo Trigo Pereira, Ricardo Cabral, Luís Teles Morais, e Joana Andrade Vicente.

> Consulte mais informações aqui.
 

Parceria IPP - Público

 
No âmbito da parceria IPP com o jornal Público (espaço semanal de opinião às segundas-feiras), damos a conhecer os últimos artigos:

. "Fogacho empreendedor?", por Pedro Manuel Costa (associado IPP), na edição de 2 de abril, sobre o estado atual do ecossistema tecnológico português, que já mereceu entretanto uma resposta por parte do CEO da Startup Portugal.

. "A sociedade civil europeia pede um caminho de crescimento sustentável, inclusivo e amigo o ambiente para a UE", por Luís Teles Morais (diretor executivo IPP) e Sabrina Schulz (Third Generation Environmentalism), na edição de 26 de março, sobre o sentido que se tem dado ao crescimento económico na Europa (no âmbito do projeto Dialogue on Europe).


. "A polémica do professor Passos Coelho e o estado da Ciência em Portugal", por Sofia Serra da Silva (investigadora associada IPP), na edição de 19 de março, sobre a contestação dos investigadores e docentes com o convite de Passos para o ISCSP. Destacamos o grande interesse que este artigo despoletou, tendo atingido cerca de 500 partilhas.

> Consulte mais publicações aqui.


Execução orçamental fevereiro


Na análise de fevereiro, Joana Vicente reforça que o défice de 2017 é o mais baixo da democracia (0,9%) apenas se não se contabilizarem os custos com a recapitalização da CGD (passando aí para 3%).

É do lado da receita (aumento de 4,7%) que permanece o maior contributo para a consolidação das contas, dado o aumento do emprego e crescimento económico, mantendo-se a tendência de maior crescimento dos impostos indiretos.

Em 2018 as despesas com pessoal serão um grande desafio, com a incorporação total da reposição dos salários e o descongelamento das carreiras - tendo em mente que já em 2017 esta rubrica derrapou.

O aumento registado no investimento (5%) continua a não ser suficiente, não devendo ser considerado meramente como uma variável de ajustamento.

Na área da saúde regista-se um novo aumento da dívida não financeira dos Hospitais EPE, mas deposita-se esperança na nova Estrutura de Missão para a Sustentabilidade Orçamental da Saúde, que permite fazer a ponte entre o Ministério das Finanças e o Ministério da Saúde.

> Consulte a notícia aqui.


Aniversário IPP

É já amanhã que o IPP celebra o seu 5º aniversário como associação sem fins lucrativos. Têm sido cinco anos de consolidação da imagem como think tank de referência em Portugal, capaz de uma intervenção forte no debate público, para melhorar a qualidade da definição e implementação das políticas públicas.

Este processo tem sido apenas possível graças ao apoio incondicional dos subscritores e associados do IPP, que possibilitam que o mesmo possa ser considerado uma referência nacional na análise e avaliação de políticas públicas nacionais e europeias, contribuindo cada vez mais com respostas eficazes e democráticas das políticas públicas no contexto desafiante e incerto que Portugal enfrenta.

> Caso ainda não seja associado do IPP e queira passar a contribuir de uma forma mais ativa, pode encontrar mais informações aqui.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

e assim estamos... buracos para cima, buracos para baixo, orçamento ao fundo...?

Os défices de 2015 acentuam riscos do OE de 2016

28 Janeiro 2016
 


"A análise da execução orçamental de 2015 mostra que qualquer crise ou derrapagem que faça rapidamente subir os juros põe tudo – e não só o Orçamento de 2016 – em risco. 

O valor do défice das administrações públicas em 2015, em contabilidade pública, deverá ficar 500 milhões de euros abaixo do previsto, excluindo os efeitos do Banif. Esta foi a notícia amplamente difundida na passada segunda-feira, 25 de janeiro, com a divulgação dos dados da execução orçamental final de 2015.

Importa, antes de mais, esclarecer que o défice em contas nacionais é que conta para Bruxelas (e não só). Assim, isto não significa que a principal meta do Orçamento do Estado (OE) para 2015 tenha sido não só atingida como ultrapassada. Como é sabido, esta era de 2,7% do PIB (Produto Interno Bruto).

Mais interessante é que, no Orçamento, previa-se que o défice “de caixa” (o que ficou 500 milhões de euros abaixo) viesse a ser de 2,9% do PIB. Isto é, superior ao défice em contas nacionais – ao arrepio do que tem sempre acontecido, e não é crível que aconteça agora.

Este desvio (desta vez, no bom sentido) não pode ser separado do comportamento positivo da despesa com “juros e outros encargos”. 
 
Em qualquer caso, este desvio (desta vez, no bom sentido) não pode ser separado do comportamento positivo da despesa com “juros e outros encargos”. Se olharmos para o saldo primário (ou seja, excluindo os juros), verificamos que está basicamente dentro do previsto (pequeno desvio negativo de 18 milhões).

Nos últimos dois meses, com os dados da DGO (Direção-Geral do Orçamento) relativos a outubro e a novembro, tentámos prever o que seria o desvio no défice de 2015, em função do comportamento da execução orçamental. Este mês, o exercício que fazemos é diferente.

O que temos são já os valores finais, embora provisórios, do ano para cada rubrica. Podemos assim observar diretamente os desvios por comparação com os valores do OE. As nossas estimativas revelaram-se próximas dos desvios agora observados em todas as rubricas exceto nas receitas fiscais, devido ao desempenho muito forte do IRC, cuja magnitude tivemos dificuldade em antecipar.

Em qualquer caso, a avaliação que interessa é a que fazem as instituições europeias. Por exemplo, a saída ou não do Procedimento por Défice Excessivo, que chegou a parecer possível em outubro, mas acabou por sair gorada devido ao Banif, é feita com base no défice em contabilidade nacional, cujo valor final só deverá ser dado a conhecer pelo INE (Instituto Nacional de Estatística) em março ou abril. Entretanto, temos, por exemplo, as previsões do Governo que, no esboço do Orçamento do Estado para 2016, estima que o défice das administrações públicas em 2015 se tenha fixado em 4,2% do PIB.


Comparação entre as nossas estimativas em outubro e os desvios verificados para as principais rubricas da execução orçamental


figura 1


Afinal, é no médio prazo que estamos todos mortos?
A Comissão Europeia publicou, recentemente, o “Fiscal Sustainability Report 2015”, onde analisa a “sustentabilidade orçamental” dos países da União Europeia a três níveis: curto prazo (um ano), médio prazo (dez anos) e longo prazo.
 
Tanto no curto como no longo prazo, Portugal está no grupo dos mais fortes.
 
No curto prazo, pela conjugação das taxas de juro muito baixas e uma economia a entrar em velocidade de cruzeiro com uma situação orçamental aparentemente em vias de estar controlada. No longo prazo, considera-se que o país está bem preparado, citando-se como exemplo, curiosamente, as reformas feitas no sistema de pensões.

Seja como for, o que o relatório destaca é a vulnerabilidade das nossas contas públicas ao desempenho da atividade económica e dos mercados financeiros, e, por outro lado, a margem de manobra muito reduzida que existe para a intervenção do Estado na economia. Ambos os problemas são consequência da acumulação de desequilíbrios que resultou no fardo da enorme dívida pública de Portugal, e da elevada fatura com os respetivos juros que lhe está associada, mesmo com taxas favoráveis (que o relatório estima na ordem dos 4,9% do PIB em 2015).

É devido a este quadro negro que os autores do relatório, na linha do que também aqui temos defendido, consideram que, a médio prazo, a sustentabilidade das finanças públicas é muito frágil. Por exemplo, a redução da dívida pública projetada para os próximos dez anos depende da manutenção de um excedente estrutural primário de 1,9% do PIB durante o período em causa.

A Comissão Europeia não gostou do “esboço de orçamento”, que contempla uma redução do défice estrutural em apenas 0,2 pontos percentuais, aquém dos 0,6 exigidos por Bruxelas.
 
Isto significa que, mesmo descontando os juros e algum efeito da estagnação/recessão económica, o setor público tem, em média, de ser excedentário naquele montante. No próprio relatório admite-se que isto seja “excessivamente ambicioso”, até porque, nos últimos 35 anos, apenas um quarto de todos os saldos estruturais primários registados em todos os países da UE28 alcançou tal meta.

Isto dá-nos ideia das condições muito restritivas que enquadraram o Orçamento do Estado para 2015 e, muito mais, para este ano. Ficámos a saber a 27 de janeiro, que a Comissão Europeia não gostou do “esboço de orçamento”, que contempla uma redução do défice estrutural em apenas 0,2 pontos percentuais, aquém dos 0,6 exigidos por Bruxelas.

Já hoje, dia 28, soubemos mais: as dúvidas da Comissão vão muito para além de meros “detalhes sobre implementação de medidas”, tendo fortes reservas quanto aos cálculos subjacentes ao “esboço”. Por um lado, pelos efeitos das medidas propostas, por outro lado, por se ter tentado incluir as referentes à “reposição de rendimentos” como extraordinárias: recorde-se que nos saldos estruturais não contam receitas e despesas consideradas “extraordinárias”, como se aplica por exemplo ao caso do Banif.

Conceda-se, no entanto, que a exigência da Comissão significa obrigar Portugal a comprometer-se com um excedente estrutural primário da ordem dos 3,8%: o dobro daquele que a Comissão já considera ambicioso no seu próprio relatório. Em 2015, apesar do “melhor resultado na execução orçamental em democracia”, o saldo estrutural primário em 2015 terá ficado nos 3,1% do PIB.

Em contabilidade pública, 500 milhões abaixo da meta. E na que conta?
Como já referimos, a contabilidade pública assume uma ótica de caixa, isto é, entradas e saídas de dinheiro. O que conta para Bruxelas é o défice em contas nacionais, calculado pelo INE/Eurostat, que assume uma ótica “patrimonial” ou económica, registando-se os direitos e obrigações no momento em que são contraídos.

Não é crível que assim aconteça, dada a dinâmica dos juros e das dívidas a fornecedores, mas o mais provável, tendo em conta as tendências que se confirmaram e intensificaram no final do ano, é que venha a ter um impacto negativo ligeiro. Assim sendo, o défice, sem Banif, deverá ficar mesmo de 2,9% a 3%, apesar de em termos de caixa ter saído melhor do que o previsto em 500 milhões de euros.

Até setembro, os dados continham um ajustamento fortemente negativo ao défice, de contabilidade pública para nacional (1,5% do PIB, de acordo com o Conselho das Finanças Públicas). Isto acontece, entre outros motivos, devido aos timings dos pagamentos de juros (que passam a ser devidos mas não são pagos logo), por um lado, e de recebimentos de impostos (que são imputáveis aos contribuintes mas não se recebem logo). No final do ano, a maior parte deste saldo deve normalizar, mas ainda assim o impacto deve ser ligeiramente negativo.

Receita fiscal: o IRC surpreende, a sobretaxa não
A receita fiscal é o único grupo considerado em que as nossas previsões falharam. Isto deve-se sobretudo à receita de IRC, que ficou mesmo muito longe, para melhor, da sua meta orçamental: quase 560 milhões de euros (12% da meta).

É graças a isto que a receita fiscal acaba, no seu todo, por ficar acima. Isto é, ainda assim, minorado pelas tendências dos principais impostos (IVA e IRS), que acabaram por, no conjunto, resultar pior do que nas nossas estimativas. A receita de IVA desiludiu ligeiramente em dezembro, face ao que seria de esperar pela sua tendência no ano.

Assim, o que se arrecadou a mais em IVA não chegou para compensar o que se arrecadou a menos em IRS, impossibilitando a devolução da sobretaxa. Esta dependia de um desempenho muito favorável para a receita conjunta de IVA e IRS (circunferência verde no gráfico abaixo), e que, por isso, nunca aqui considerámos crível.

O adeus da sobretaxa: o desvio positivo no IVA não cobriu o desvio negativo no IRS

figura 2

No cômputo geral, a receita fiscal ficou (em termos de caixa) quase exatamente em cima da meta anual. A análise destes dados dá ainda pistas para duas potenciais fontes de discussão em 2016.

Petróleo e tabaco: a acompanhar com atenção em 2016
Primeiro, mesmo com a acentuada tendência de queda dos preços dos combustíveis, a receita de ISP (Imposto sobre os Produtos Petrolíferos) ficou apenas 72 milhões de euros (3,2%) abaixo do esperado. Isto compara com uma queda dos preços de venda, entre o início e o fim de 2015 de 5,9% no gasóleo e 2% na gasolina 95, de acordo com dados da DGEP (Direção-Geral de Estudos e Previsão).

A estas acresce a forte queda anterior: entre 15 de outubro de 2014, data em que a proposta de OE foi enviada ao Parlamento, e o final do ano, os preços de venda caíram 10,6% no gasóleo e 13,4% na gasolina. Note-se que estes preços incluem os impostos, que têm uma componente fixa, pelo que o preço antes de impostos terá caído mais ainda.
Ora, embora fosse necessária uma análise mais fina, isto levanta sérias dúvidas quanto à “neutralidade fiscal” sugerida pelo Governo para justificar a mexida neste imposto. Ou seja, a receita com este imposto poderá aumentar, mesmo com a queda do preço do petróleo. Se isto em abstrato é positivo para a consolidação orçamental, claro está que esse aumento não é certamente neutral do ponto de vista económico: resulta num aumento da taxa média de imposto.

A receita com o imposto sobre o tabaco ficou bastante abaixo do previsto (menos 263 milhões de euros, 17,5%) quando no OE se esperava um aumento de 7,5%.
 
Eventuais ganhos devidos à queda do preço do petróleo serão assim, nalguma medida, “nacionalizados”. Reconhecemos, porém, que este aumento do imposto, pela moderação dos incentivos a um maior consumo de combustível, poderá trazer efeitos positivos do ponto de vista ambiental e da estabilidade macroeconómica.

Segundo, confirmando a tendência que vem desde o início do ano, a receita com o imposto sobre o tabaco ficou bastante abaixo do previsto (menos 263 milhões de euros, 17,5%) quando no OE se esperava um aumento de 7,5% (!), motivado pelas alterações na lei que entraram em vigor em janeiro.

Já referimos na análise anterior que isto poderá provavelmente ser explicado por um forte aumento da evasão fiscal. Eventualmente, ter-se-á também sobrestimado a receita que poderia advir de meios alternativos, como os cigarros eletrónicos, em que a sua taxação se traduziu em importantes aumentos dos preços ao consumidor. O “esboço de orçamento” para 2016 prevê um efeito positivo na receita decorrente de um novo aumento neste imposto, o que, tendo em conta esta experiência recente, se poderá revelar muito difícil.

Gastos com pessoal e poupança social
A suborçamentação dos gastos com pessoal do Estado, já bem evidente nos últimos meses, atingiu 576 milhões de euros, confirmando que a perspetiva de redução de 8,8% desta despesa no OE para 2015 era excessivamente ambiciosa, tal como já tinha sido no OE para 2014.

Isto foi parcialmente compensado nos gastos com pessoal dos Serviços e Fundos Autónomos (entidades da administração central dotadas, em geral, de autonomia administrativa e financeira, como os Hospitais EPE). Aqui, registaram-se poupanças na ordem de 296 milhões de euros (quase 5% do valor orçamentado).

O saldo da Segurança Social (depois de transferências correntes da Administração Central) é superior ao previsto no OE para 2015 em 186 milhões. As contribuições para a Segurança Social (a sua principal fonte de receita), apesar do aumento de 2,8% face a 2014, ficaram 304 milhões de euros abaixo do previsto no OE.

Do lado da despesa, as poupanças mais significativas registaram-se ao nível das prestações de desemprego (303 milhões) e das pensões de velhice (140 milhões) – poupanças que parecem exceder largamente o efeito positivo da recuperação económica, o que é aliás corroborado pelo crescimento do número de desempregados sem acesso a subsídio.

Serão os juros a luz e as trevas das finanças públicas?
A despesa com juros assume-se hoje, efetivamente, como o principal “nervo” das finanças públicas. Das rubricas que contam, pelo seu tamanho, esta é certamente a mais volátil do Orçamento. Por muita vontade política que possa haver num ou noutro sentido, as restantes, maiores – salários e prestações sociais – são, como se diz na gíria económica, “sticky”: não pegajosas, claro, mas mais resistentes à mudança.

A margem para os decisores tomarem decisões de política orçamental a partir de alterações com impacto nos salários e prestações sociais é assim, por definição, escassa. Muito mais escassa ainda, como vimos, para decisores que trabalham sobre um Orçamento vulnerável à despesa com juros. A sua dimensão, em conjugação com as regras europeias cujas provisões mais exigentes não lhe são sensíveis, assim o impõe.

Qualquer crise que faça rapidamente subir os juros põe tudo – não só o Orçamento – em risco. 
 
Aliás, a própria preferência pelo saldo estrutural em detrimento do saldo estrutural primário incorporada nas regras europeias é reveladora de uma certa inconsistência. Por um lado, recorre-se ao saldo estrutural – apesar de todas as suas graves limitações – para eliminar os efeitos da volatilidade da “economia real” (ciclos económicos), porque se entende que a sua evolução é incerta e imprevisível e, por isso, os governos não podem ser nem beneficiados, nem prejudicados por ela.

No entanto, a preferência por este indicador leva a que não se eliminem os efeitos da volatilidade dos mercados financeiros sobre os juros, o que poderia ser feito recorrendo ao saldo estrutural primário, implicitamente atribuindo aos estados a responsabilidade por esta volatilidade, e não só pelo seu grau de exposição, que esse, sim, depende do nível de dívida pública.

Assim, a evolução dos mercados financeiros e o seu impacto na despesa pública em juros pode tanto constituir uma agradável surpresa, como em 2015, como ser, efetivamente, uma ameaça constante, pois qualquer crise que faça rapidamente subir os juros põe tudo – não só o Orçamento – em risco."



no observador...

domingo, 1 de novembro de 2015

coisas da educação... os manuais escolares, para não variar...!



da edição impressa do público, onde li o artigo completo...



Quem já tentou usar manuais escolares de irmãos, amigos ou bancos de trocas sabe que as novas edições são muito parecidas. Mas exactamente quanto e em quê?




"Prepare-se: este é um texto monótono. Vamos comparar, página a página, duas edições de Diálogos 5, o manual de Português do 5.º ano, de Fernanda Costa e Luísa Mendonça, editados pela Porto Editora em 2011 e em 2015.

Numa análise macro, o cotejar mostra que os dois manuais têm 70% de páginas iguais ou quase iguais; 9% de páginas parcialmente iguais e 22% de páginas novas. Numa leitura mais fina, o retrato pode desdobrar-se assim: há 28 páginas iguais com a mesma numeração (13%); 103 páginas iguais com numeração diferente (46%); 22 páginas quase iguais (10%) e 20 páginas parcialmente iguais (9%).

No total, o manual novo tem apenas 50 páginas com conteúdos totalmente novos (22%). O livro “velho” tem 256 páginas e o novo 240. Nesta análise, retirámos o índice, as sugestões de leitura iniciais e os separadores de capítulos.

As grandes diferenças (50 páginas) resultam sobretudo da introdução de novos textos na edição de 2015. Um exemplo: no capítulo Texto Poético desapareceram os três poemas de Luísa Ducla Soares que existiam no “velho” e apareceram oito poemas novos de… Luísa Ducla Soares.


Dos 22 textos novos da edição deste ano, 17 são dos mesmos autores do manual de 2011. Chega-se às 50 páginas porque os exercícios de leitura, oralidade e gramática remetem para os textos. Se os textos mudam, os exercícios mudam também.

Há nas escolas portuguesas 118 mil crianças no 5.º ano. Se tiver de comprar todos os manuais pedidos pelas escolas, cada família gasta por filho no 5.º ano 175 euros só em manuais, ou seja, estamos a falar de um negócio editorial de mais de 20 milhões de euros por ano para apenas um dos 12 anos de escolaridade obrigatória.

Páginas “quase iguais”

Por páginas “quase iguais” considerámos páginas com diferenças mínimas. Identificámos 22: 35/35 ("velho/novo); 46/42; 61/47; 70/56; 76/59; 84/66; 91/78; 92/94; 95/97; 119/117; 128/122; 137/132; 140/128; 141/129; 152/142; 180/172; 181/173; 220/208, o conjunto 234/222+235/223+236/224; e páginas 240/228.

De que diferenças estamos a falar? Sete exemplos apenas, escolhidos por representarem o padrão de páginas que, numa análise mais superficial, poderiam ter sido incluídas na categoria “páginas iguais”. Em caso de dúvida, demos “vantagem” ao manual novo.

Comecemos pelas páginas 13/13: neste caso, é tudo absolutamente igual menos o símbolo “M” relativo às novas metas curriculares aprovadas pelo Governo em 2011. O “M” aparece no manual novo dentro de um pequeno quadrado cor de laranja ao lado do título de uma fábula. Texto, ilustração e grafismo são 100% iguais.

A seguir, nas páginas 35/35, o estudante “vem” do texto Uma boa nova, de António Torrado, na página par, e vai agora responder a algumas perguntas. O exercício tem cinco questões, dez alíneas, cinco opções e um desdobramento da última pergunta. Até aqui, estas duas páginas “quase iguais” são na verdade iguais, à excepção de um pormenor: no manual “velho” o texto de Torrado é identificado como alínea “a.” e no manual novo é identificado como “1”. O resultado prático é que, no “velho”, a contagem dos exercícios vai de 1 a 5 e no novo vai de 2 a 6. A segunda diferença surge no exercício de gramática e também não altera o conteúdo. As crianças ainda estão a trabalhar sobre o texto de Torrado. Os dois manuais têm duas perguntas (no “velho”, pela razão exposta, são as perguntas 6 e 7; no novo, são as 7 e 8), que são subdivididas em partes iguais e com o mesmo conteúdo. Onde está afinal a diferença? Na última linha. No “velho” manual lê-se:

7. Quando o pai anunciou que arranjara trabalho, a mulher quis saber “Se o novo emprego lhe agradava, quanto ia ganhar, qual a dimensão da empresa [...].”

7.1. Transforma a passagem transcrita em 7, escrevendo no discurso direto [sic] as perguntas que a mulher fez ao marido tal como ela as disse. Nós começamos:

A mãe Margarida perguntou ao marido:
Já no novo a pergunta foi alterada para:"
 
 
 
para ler o resto do artigo siga a ligação do título desta notícia...





terça-feira, 11 de novembro de 2014

mas afinal estamos numa república das bananas...?


no observador...

"“Há algumas coisas que temos que melhorar na nossa legislação. Em certas áreas a Legionella não é uma análise obrigatória. Muitas das vezes algumas das entidades fazem, como a EPAL ou os SMAS, mas não é algo que seja estritamente obrigatório”, disse este domingo o ministro da Saúde, Paulo Macedo."

pode ler a notícia... aqui.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

curiosidades da educação ['benchmarking']... reflexões sobre a 'testologia' nos estados unidos...!

By Jackie Kraemer

"Unlike the top-performing countries on the 2012 PISA, the United States stands out for the amount of external testing it requires for all students. As the chart below shows, the United States is the only country among this set to require annual testing in primary and middle schools in reading and mathematics. A more typical pattern among the top-performers is a required gateway exam, or an exam that allows a student to move on to the next phase of education, at the end of primary school, the end of lower secondary school and the end of upper secondary school. This is true of Canada (Ontario), China (Shanghai), Estonia, Poland and Singapore. In some of these cases, the secondary school exams are used to determine placement in the next level of schooling such as in Singapore and Shanghai where the lower school-leaving exam determines placement in upper secondary school. And in Poland, Shanghai and Singapore the upper secondary academic exam functions as an admission exam for university. This differs from the United States where annual tests are used primarily for school and teacher accountability purposes. In his edweek.org blog, NCEE President Marc Tucker has written extensively about the challenges associated with this type of accountability scheme. In addition to administering census testing at only three or fewer points in a student’s school career, the top-performers typically test a broader range of subjects than English and mathematics, the subjects tested annually in the United States.

How tests are used is also different among the high performers. South Korea and Japan test only for diagnostic purposes in the primary schools, and South Korea continues to test for diagnostic purposes through 10th grade. It is at the secondary level that they introduce the high stakes exams for students, with Japanese students required to take an entrance exam for upper secondary school and students in both countries required to take tests at the end of upper secondary school that will determine what kind of higher education institution they can enter. These tests are recognized as very high pressure for students and both countries are trying to address that issue. In both Korea and Japan, some students enter a vocational training system at the upper secondary level and take tests to qualify for vocational credentials rather than the tests for entry into university.

Hong Kong and Finland have no required testing until the end of upper secondary school. Taiwan is a bit of a hybrid, with no required testing in primary school, but a Basic Competency Test at the end of lower secondary (along with three required tests a year in each of three subjects during lower secondary) that determines admission to upper secondary school.

Below are three charts showing the required testing in the United States and the ten top-performing countries on PISA at the primary and secondary levels, as well as a chart of exams required for those who wish to enter higher education.


As the United States embarks on implementing tests to measure students’ mastery of the Common Core State Standards, it would be wise to keep in mind these very different models of not only test schedules, but format and purpose. The tests in the top-performing countries come at key gateways when students advance from one school to another and have a purpose that is clearly understood by students, parents and teachers. While we do not advocate using tests to track students into particular vocational or academic pathways, placing stakes on the exams for students certainly impacts how hard they work in school."
 
 

quarta-feira, 25 de junho de 2014

coisas da educação... "It’s “Big Data vs. Standardized Tests"...!

"It’s Not “Big Data vs. Teachers” — It’s “Big Data vs. Standardized Tests”

People often think that big data for education is a new thing. And it’s true that using big data the way Knewton does sounds almost like science fiction — our engine passively “norms” content at scale, uses normed content to determine students’ conceptual proficiencies to the percentile, and makes granular content recommendations for each student based on the combined anonymized data of all the other students in our network.

But there is an older, bricks-and-mortar type of big data for education: standardized tests.

People always ask me whether I think standardized tests actually measure anything. I used to give nerdy statistical answers about scoring validity and such. Eventually I realized that all they want to hear is that standardized tests are useless, possibly corrupt.

Standardized tests are increasingly unpopular, and not without reason. But when used properly they do, or at least should, serve important purposes. There are two main kinds of standardized tests: admissions and state assessment. Admissions tests like the SAT were built to predict academic performance in college and graduate school. Grades and transcripts also do this, but academic standards and programs differ so greatly from school to school and region to region that a central standard measure is extremely useful. State assessments help demonstrate whether students are graduating from high school with basic literacy and math skills. They exist because society, which pays for every child to have free K-12 education, has a right to know that kids are actually learning.

To fill its only purpose (and to have a shot at being fair), a standardized test must yield totally consistent scores across administrations. If Maria takes the SAT in May, takes the summer off (and, let’s assume, doesn’t gain or lose any knowledge), and then takes the SAT again in September — she should get the exact same score both times (plus or minus the margin of error).

It is a nearly impossible technical challenge to build a test so well that it yields totally consistent scores across multiple examinations. Try holding a dinner party and giving every guest a 50-question test on any topic. Then invite them back the following week and give them another test on the same topic, but with different questions. Spare your friends the ordeal and trust me: most of them won’t receive similar scores. Yet the big U.S. test makers have figured out how to do exactly this, except they can do it repeatedly, at much larger scale, and with examinees about whom they know almost nothing.1

The reality is that standardized tests are effective predictors of academic success in college or graduate school.2 That’s a fact of statistics, whether anyone likes it or not. It’s also just an average, and anyone could be an exception one way or the other. Standardized test scores, in my opinion, are more reliable at the top end of the scale than they are lower down. High scores generally indicate that someone is quite capable; but low scores may not mean very much at all. For these reasons, among others, standardized tests should be just part of the admissions process, and should never be the most important part.

The problem isn’t with the tests themselves, or their goals."


para ler o resto da entrada... aqui.

sábado, 10 de março de 2012

parque escolar... vou dar início a uma série de informações sobre a actividade deste 'polvo'...

como já referi... aqui [e não é mais que coincidência temporal]... a minha escola sede está em obras [entrou agora na fase 2] e pretendo fazer uma análise ao projecto e às condições que o mesmo [vai] proporciona(r) a quem lá trabalha...!

a melhor maneira de realizar tal tarefa será [talvez] a de começar pelo princípio... divulgando alguns dos documentos orientadores da acção da parque escolar, para se perceber a filosofia intrínseca...!

e ir esmiuçando algumas das questões que se prendem com o espaço físico, o conforto, a estética, a técnica e as tecnologias e [principalmente] com a organização e gestão do espaço de sala de aula [entre outras coisas]...!