Num
dos maiores museus de escultura ao ar livre, o Parque dos Poetas em
Oeiras, onde cada poeta de língua portuguesa tem assento pela mão de um
escultor, ALDA LARA (1930-1962) nascida em Benguela, terra de acácias
rubras e calemas e que na dualidade entre a medicina e as letras, se
transformou numa militante activa da angolanidade em prol da
independência e da igualdade, representa Angola e o arquitecto e artista
plástico luso Angolano JÚLIO QUARESMA, natural de Saurimo, foi o
convidado para dar forma escultórica a esse sentido de angolanidade.
Bordalo II
Um artista português em Sacramento
Entre
o americano Shepard Fairey e Tom Bob, a dupla alemã Herakut, a
espanhola Miss Van e o italiano Pixel Pancho, o artista português
Bordalo II é o único português a participar na edição deste ano do
festival da arte pública Wide Open Walls, que decorre em agosto, em
Sacramento, na Califórnia.
o diktat das nomenclaturas, as quase sucessões dinásticas, os cofres do estado vazios... é lógico, está na altura de dar o salto e deixar o exército a tomar conta da maka...
aquilo que me preocupa mais é não haver, ao que me consta ou pelo que percebo da situação em geral, um candidato de relevo para contrariar esta máfia angolana que está muito bem instalada, o que seria maningue fixe.
luaty beirão (?) não estou a ver...
josé eduardo agualusa (?) não é um político activo (nem lhe interessa) mas tem notoriedade e não estou a dizer que não seja um homem de causas, longe disso...
o líder da unita (?)....
talvez o rafael marques congregasse alguns apoios...?
a ver veremos, pois é um assunto a acompanhar com muito interesse.
isto só pode ser uma manobra da contra-informação reaccionária angolana e portuguesa, pois a menina isabel ia ter uma manifestação própria e cortam-lhe as vazas...!
O
presidente do Movimento Popular de Libertação de Angola e chefe de
Estado angolano há 36 anos, José Eduardo dos Santos, anunciou hoje que
deixa a vida política ativa em 2018, ano em que completará 76 anos.
"Ontem, ao fim do dia, eu estava a
escrever esta crónica. Era sobre Aznavour que cantava em Lisboa. Eu
escrevia sobre um rapaz baptizado Shahnourh, filho de arménios, que
virou Charles e símbolo de França, porque nasceu num porto, num
cruzamento do mundo, em Paris. E dali parti para a canção de há quarenta
anos, Le Métèque, que não era dele, era de Georges Moustaki. A canção
do meteco, do grego metoikos, como os atenienses chamavam aos que não
eram da cidade, que viviam nela mas tinham vindo de longe. Meteco como
Moustaki, filho de Alexandria, e que desaguou em França para a inundar
de belas canções. Meteco como Aznavour.
Esta
crónica deveria ir por aí fora, com Yves Montand (de facto, Ivo Livi),
com Serge Reggiani (nascido na italiana Reggio Emília), Brel (nascido na
impronunciável belga Schaerbeek). Era uma crónica sobre os grandes da
canção francesa quando ela foi grande. Os grandes, afinal, metecos. E,
afinal, ensino isso a Atenas, os melhores dos cidadãos, porque trazem à
cidade o mundo.
Ontem, ao fim do dia,
eu estava a escrever essa crónica. Telefonaram-me: "Morreu o Joaquim."
Morreu Joaquim Pinto de Andrade. No meio da crónica. Da sua crónica. Vão
dizer: ele era angolano. E era-o. Ninguém conheci, dos pais da
nacionalidade angolana, que pudesse dizer o mesmo que ele: não feri o
meu país. Ele foi a coragem serena que lhe valeu prisões durante a
Angola colonial, ele foi a fraternidade angolana quando o país se
dilacerou em guerras civis, ele foi a honestidade quando Angola se
ofuscou de falsa riqueza. Ele foi o angolano perfeito em tempos
terríveis. E eu sei porquê: ele era um meteco. Um cidadão do mundo.
Eu
era um adolescente e o Joaquim Pinto de Andrade era um padre exilado,
colocado sob vigilância em Vila Nova de Gaia. No Verão, o pobre diabo da
PIDE, de fato escuro, seguia-nos até aos areais da praia e tentava
ouvir-nos as conversas. O Joaquim falava de Camilo ou de Ramalho, dos
"portugueses de língua tersa", que ele aprendera quando era menino em
Ambaca. O português PIDE perceberia a admiração daquele "terrorista"
(então, presidente de honra do MPLA) por escritores portugueses? O
Joaquim falava de Roma, onde estudara, e encarreirava-me para escritores
de liberdade: Ignazio Silone, Italo Calvino Falava-me de Paris, onde
estivera no primeiro congresso de escritores e artistas africanos (com o
seu irmão Mário) e metia, no meio da conversa, a necessidade de ouvir
Brel.
Há quase 40 anos, em
Setembro de 1969, eu saí de Portugal com uma carta de Joaquim Pinto de
Andrade no bolso. Isso, escondido. Nos olhos eu levava a vontade de ver
que o homem a quem mais devo me emprestou."
Ainda o meu canto dolente e a minha tristeza no Congo na Geórgia no Amazonas Ainda o meu sonho de batuque em noites de luar Ainda os meus braços ainda os meus olhos ainda os meus gritos Ainda o dorso vergastado o coração abandonado e a alma entregue à fé ainda a dúvida E sobre os meus cantos os meus sonhos os meus olhos os meus gritos sobre o meu mundo isolado o tempo parado Ainda o meu espírito ainda o quissange a marimba a viola o saxofone ainda os meus ritmos de ritual orgíaco Ainda a minha vida oferecida à Vida ainda o meu Desejo Ainda o meu sonho o meu grito o meu braço a sustentar o meu Querer E nas sanzalas nas casas nos subúrbios das cidades para lá das linhas nos recantos escuros das casas ricas onde os negros murmuram:ainda O meu Desejo transformando em Força inspirando as consciências desesperadas.