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terça-feira, 24 de novembro de 2015

legislação [educação]... parque escolar e delegação de competências... via boletim do cirep...!

Boletim Informativo n.º 175 — 23/11/2015

Publicado em Diário da República

Acordo n.º 17/2015 - Diário da República n.º 226/2015, Série II de 2015-11-18
Ministério da Educação e Ciência e Município de Monchique 
Acordo de colaboração e requalificação da Escola Básica Manuel do Nascimento - Monchique.
Despacho n.º 13447-E/2015 - Diário da República n.º 228/2015, 2º Suplemento, Série II de 2015-11-20
Ministério da Educação e Ciência - Gabinete da Ministra 
Delegação de competências na Chefe do Gabinete da Ministra da Educação e Ciência, mestre Margarida Paula Marques Baeta Cortez.
Despacho n.º 13447-F/2015 - Diário da República n.º 228/2015, 2º Suplemento, Série II de 2015-11-20
Ministério da Educação e Ciência - Gabinete da Ministra 
Delegação de competências no Secretário de Estado do Ensino Superior e da Ciência, Prof. Doutor José Ferreira Gomes.
Despacho n.º 13447-G/2015 - Diário da República n.º 228/2015, 2º Suplemento, Série II de 2015-11-20
Ministério da Educação e Ciência - Gabinete da Ministra 
Delegação de competências no Secretário de Estado do Desenvolvimento Educativo e da Administração Escolar, Senhor Eng.º José Alberto de Morais Pereira Santos.
Despacho n.º 13447-H/2015 - Diário da República n.º 228/2015, 2º Suplemento, Série II de 2015-11-20
Ministério da Educação e Ciência - Gabinete da Ministra 
Delegação de competências na Secretária de Estado do Ensino Básico e Secundário, Senhora Dr.ª Amélia Maria Botelho de Carvalho Loureiro.

Diplomas para Publicação em Diário da República

Gabinete da Ministra da Educação e Ciência
— Despacho – Designa para exercer as funções de Chefe do Gabinete da Ministra da Educação e Ciência a mestre Margarida Paula Marques Baeta Cortez.

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

terça-feira, 24 de junho de 2014

afinal há [mesmo ?] muito dinheiro... dos 'conseguimentos' financeiros da [sempiterna ?] parque escolar...!

Índice do Diário da República n.º 119, Série II de 2014-06-24


Parte C - Governo e Administração Direta e Indireta do Estado

Ministérios das Finanças e da Educação e Ciência - Gabinetes do Ministro da Educação e Ciência e do Secretário de Estado Adjunto e do Orçamento

Autoriza a Parque Escolar, E.P.E. a proceder à repartição de encargos relativos ao contrato de Fornecimento e montagem de Monoblocos pré-fabricados na Escola Secundária de Loulé


Ministérios das Finanças e da Educação e Ciência - Gabinetes do Ministro da Educação e Ciência e da Secretária de Estado do Tesouro

Aprova a declaração de suficiência orçamental e de cativação de verbas relativa ao contrato 13/3025/CA/C - Obra de Modernização da Escola Básica e Secundária de Vale de Cambra, pela Parque Escolar, E. P. E.


Ministérios das Finanças e da Educação e Ciência - Gabinetes do Ministro da Educação e Ciência e da Secretária de Estado do Tesouro

Aprova a declaração de suficiência orçamental e de cativação de verbas relativa ao contrato 13/3013/CA/C - Prolongamento do Período de Aluguer dos Monoblocos Instalados na Escola Secundária de Campo Maior, pela Parque Escolar, E. P. E.


Ministérios das Finanças e da Educação e Ciência - Gabinetes do Ministro da Educação e Ciência e da Secretária de Estado do Tesouro

Aprova a declaração de suficiência orçamental e de cativação de verbas relativa ao contrato 13/3082/CA/C - Prestação de Serviços de Desmontagem e Transporte dos Monoblocos Instalados na Escola Secundária de Mem Martins, pela Parque Escolar, E. P. E.


Ministérios das Finanças e da Educação e Ciência - Gabinetes do Ministro da Educação e Ciência e da Secretária de Estado do Tesouro

Aprova a declaração de suficiência orçamental e de cativação de verbas relativa ao contrato 14/3090/CA/C - Prolongamento do Período de Aluguer dos Monoblocos Instalados na Escola Secundária de D. Egas Moniz, em Resende, pela Parque Escolar, E.P.E.


Ministérios das Finanças e da Educação e Ciência - Gabinetes do Ministro da Educação e Ciência e da Secretária de Estado do Tesouro

Aprova a declaração de suficiência orçamental e de cativação de verbas relativa ao contrato 13/3032/CA/C - Obra de Modernização da Junção da Escola Secundária D. Egas Moniz com a Escola Básica de Resende, pela Parque Escolar, E.P.E.


Ministérios das Finanças e da Educação e Ciência - Gabinetes do Ministro da Educação e Ciência e da Secretária de Estado do Tesouro

Aprova a declaração de suficiência orçamental e de cativação de verbas relativa ao contrato 14/3087/CA/C - Prolongamento do Período de Aluguer dos Monoblocos Instalados na Escola Secundária Dr. Manuel Fernandes, em Abrantes, pela Parque Escolar, E.P.E.


Ministérios das Finanças e da Educação e Ciência - Gabinetes do Ministro da Educação e Ciência e da Secretária de Estado do Tesouro

Aprova a declaração de suficiência orçamental e de cativação de verbas relativa ao contrato 13/3066/CA/C - Prolongamento do Período de Aluguer dos Monoblocos Instalados na Escola de João de Barros, no Seixal, pela Parque Escolar, E. P. E.


Ministérios das Finanças e da Educação e Ciência - Gabinetes do Ministro da Educação e Ciência e da Secretária de Estado do Tesouro

Aprova a declaração de suficiência orçamental e de cativação de verbas relativa ao contrato 13/3059/CA/C - Prolongamento do Período de Aluguer dos Monoblocos Instalados na Escola Secundária de D. Dinis, em Santo Tirso, pela Parque Escolar, E. P. E.


Ministérios das Finanças e da Educação e Ciência - Gabinetes do Ministro da Educação e Ciência e da Secretária de Estado do Tesouro

Aprova a declaração de suficiência orçamental e de cativação de verbas relativa ao contrato 13/3069/CA/C - Prolongamento do Período de Aluguer dos Monoblocos instalados na Escola Secundária de D. João V, na Damaia, pela Parque Escolar, E. P. E.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

afinal há dinheiro [muito dinheiro ?]... e ei-la que volta em força... a parque escolar...!

Índice do Diário da República n.º 118, Série II de 2014-06-23


Parte C - Governo e Administração Direta e Indireta do Estado

Ministérios das Finanças e da Educação e Ciência - Gabinetes do Ministro da Educação e Ciência e da Secretária de Estado do Tesouro

Aprova a declaração de suficiência orçamental e de cativação de verbas relativa ao contrato 13/3031/CA/C - Prolongamento do Período de Aluguer dos Monoblocos Instalados na Escola Secundária de Moura, pela Parque Escolar, E.P.E.


Ministérios das Finanças e da Educação e Ciência - Gabinetes do Ministro da Educação e Ciência e da Secretária de Estado do Tesouro

Aprova a declaração de suficiência orçamental e de cativação de verbas relativa ao contrato 13/3014/CA/C - Prolongamento do Período de Aluguer dos Monoblocos Instalados na Escola Secundária Hernâni Cidade, no Redondo, pela Parque Escolar, E.P.E.


Ministérios das Finanças e da Educação e Ciência - Gabinetes do Ministro da Educação e Ciência e da Secretária de Estado do Tesouro

Aprova a declaração de suficiência orçamental e de cativação de verbas relativa ao contrato 13/3067/CA/C - Prolongamento do Período de Aluguer dos Monoblocos instalados na Escola Secundária de Luís Freitas Branco, em Paço de Arcos, pela Parque Escolar, E.P.E


Ministérios das Finanças e da Educação e Ciência - Gabinetes do Ministro da Educação e Ciência e da Secretária de Estado do Tesouro

Aprova a declaração de suficiência orçamental e de cativação de verbas relativa ao contrato 13/3060/CA/C - Prolongamento do Período de Aluguer dos Monoblocos Instalados na Escola Secundária de Ponte de Lima, pela Parque Escolar, E.P.E.


Ministérios das Finanças e da Educação e Ciência - Gabinetes do Ministro da Educação e Ciência e da Secretária de Estado do Tesouro

Aprova a declaração de suficiência orçamental e de cativação de verbas relativa ao contrato 13/3068/CA/C - Prolongamento do Período de Aluguer dos Monoblocos instalados na Escola Secundária de Seomara da Costa Primo, na Amadora, pela Parque Escolar, E.P.E.


Ministérios das Finanças e da Educação e Ciência - Gabinetes do Ministro da Educação e Ciência e da Secretária de Estado do Tesouro

Aprova a declaração de suficiência orçamental e de cativação de verbas relativa ao contrato 13/3029/CA/C - Prolongamento do Período de Aluguer dos Monoblocos Instalados na Escola Secundária João de Deus, em Faro, pela Parque Escolar, E.P.E.


Ministérios das Finanças e da Educação e Ciência - Gabinetes do Ministro da Educação e Ciência e da Secretária de Estado do Tesouro

Aprova a declaração de suficiência orçamental e de cativação de verbas relativa ao contrato 14/3091/CA/C - Prolongamento do Período de Aluguer dos Monoblocos instalados na Escola Secundária de Padrão da Légua, pela Parque Escolar, E.P.E


Ministérios das Finanças e da Educação e Ciência - Gabinetes do Ministro da Educação e Ciência e da Secretária de Estado do Tesouro

Aprova a declaração de suficiência orçamental e de cativação de verbas relativa ao contrato 13/3063/CA/C - Aluguer dos Monoblocos Instalados na Escola Secundária de Loulé, pela Parque Escolar, E.P.E


Ministérios das Finanças e da Educação e Ciência - Gabinetes do Ministro da Educação e Ciência e da Secretária de Estado do Tesouro

Aprova a declaração de suficiência orçamental e de cativação de verbas relativa ao contrato 13/3064/CA/C - Aluguer dos Monoblocos Instalados na Escola Secundária de Silves, pela Parque Escolar, E.P.E.


Ministérios das Finanças e da Educação e Ciência - Gabinetes do Ministro da Educação e Ciência e da Secretária de Estado do Tesouro

Aprova a declaração de suficiência orçamental e de cativação de verbas relativa ao contrato 13/3050/CA/C - Prestação de serviços e desmontagem e transporte dos Monoblocos Instalados na Escola Secundária de Frei Gonçalo Azevedo, em São Domingos de Rana, pela Parque Escolar, E.P.E


Ministérios das Finanças e da Educação e Ciência - Gabinetes do Ministro da Educação e Ciência e da Secretária de Estado do Tesouro

Aprova a declaração de suficiência orçamental e de cativação de verbas relativa ao contrato 13/3058/CA/C - Período de Aluguer dos Monoblocos Instalados na Escola Secundária de Trofa, pela Parque Escolar, E.P.E.


Ministérios das Finanças e da Educação e Ciência - Gabinetes do Ministro da Educação e Ciência e da Secretária de Estado do Tesouro

Aprova a declaração de suficiência orçamental e de cativação de verbas relativa ao contrato 13/3065/CA/C - Prolongamento do período de Aluguer dos Monoblocos Instalados na Escola de Monte da Caparica e respetiva desmontagem e transporte, pela Parque Escolar, E.P.E


Ministérios das Finanças e da Educação e Ciência - Gabinetes do Ministro da Educação e Ciência e da Secretária de Estado do Tesouro

Aprova a declaração de suficiência orçamental e de cativação de verbas relativa ao contrato 13/3035/CA/C - Obra de modernização da Escola Secundária de Padrão da Légua, pela Parque Escolar, E.P.E.

domingo, 27 de abril de 2014

coisas da (a)normalidade educativa... 'as obras nas escolas'... no dn...!

"As escolas portuguesas sofreram uma série de obras de melhoramento essencialmente durante o Governo de José Sócrates, através da Parque Escolar. Foi uma boa medida. Pecou pelos excessos. Sabe-se agora que, além do essencial e necessário, houve casos de muitas extravagâncias, desde design de autor a assinaturas de arquitetos, que encareceram os projetos. E também várias falhas, erros de construção, pelas quais ninguém é responsabilizado (há apenas investigações em curso). Mesmo assim, globalmente, as infraestruturas melhoraram, e isso é positivo.

O que não é aceitável é que haja situações, que se arrastam há anos, de escolas que oferecem agora piores condições aos alunos do que antes das obras. A suspensão da maioria (para não dizer quase totalidade) das intervenções em curso por culpa da crise e da falta de dinheiro deixou mais de cinco mil alunos a ter aulas em contentores sem ar condicionado ou aquecimento.

Dos Governos esperam-se ações para melhorar a oferta dos seus serviços. Por isso os projetos têm de ser pensados na sua totalidade e apenas podem ser toleradas muito poucas exceções. O exemplo máximo do que não pode ser feito é o do Metro do Mondego: destrui-se a linha existente para fazer uma nova e agora não existe nem uma nem outra, com graves consequências para a população.

As obras públicas em Portugal têm tido um denominador comum: a derrapagem nos prazos e dos orçamentos. A modernização do parque escolar, que tinha tudo para ser um sucesso e apresentado como um exemplo, ameaça ficar também marcado pelos casos de fracasso. 


E isso é a pior imagem que um Governo pode dar à população."

terça-feira, 17 de abril de 2012

parque escolar...opinião... a última festa [mais umas achegas]... de rui moreira...!

"Quando o Governo de José Sócrates anunciou o projeto Parque Escolar, defendi que a remodelação das nossas escolas era um bom investimento público porque, ao contrário de outros, poderia resultar num claro benefício para a economia. Para além de poder reanimar o sector da construção civil, já então em crise muito profunda, a oferta a alunos e docentes de instalações com maior funcionalidade poderia ajudar à superação do atraso educativo português face aos padrões europeus.

A verdade, porém, é que logo que se conheceu o projeto em mais detalhe, se levantaram dúvidas sobre a sua implementação e se questionou, por isso, a relação entre custo e benefício. Uma boa ideia não resulta necessariamente num bom investimento e, neste caso, optara-se por escolher a dedo alguns dos arquitetos do regime e os concursos públicos foram feitos de forma a beneficiar algumas grandes empresas de construção civil em vez de se optar por adjudicações parcelares que teriam um maior impacto no sector. 
Houve, além disso, uma escolha pouco judiciosa e muitas vezes faraónica de materiais e de equipamentos sem tomar em conta a incorporação nacional, olvidaram-se as questões da sustentabilidade, e nomeadamente a importantíssima questão da eficiência energética. Por razões estéticas, recusaram-se, por exemplo, propostas de utilização de painéis solares que poderiam resultar em redução de custos e até numa receita para as escolas, na medida em que estão encerradas nos meses de verão, e poderiam então abastecer a rede elétrica.

No inverno passado, visitei uma escola nos arredores do Porto, em que pude constatar que as soluções arquitetónicas que tinham sido adotadas eram esplêndidas do ponto de vista estético. Contudo o luxo contrastava com as condições objetivas de funcionamento. Lá dentro, estava um frio de morrer porque, segundo me informaram, os sistemas de climatização exigiam níveis de consumo de energia que não eram sustentáveis pelo orçamento da escola. 

Não fiquei, por tudo isso, surpreendido quando tive conhecimento das conclusões do relatório do Tribunal de Contas em que se assinala, por exemplo, que face aos objetivos iniciais, se verificou um aumento no investimento estimado em, pelo menos, 218,5% (mais do triplo) não obstante abranger apenas 64% (26% abaixo) do número de escolas que se pretendiam modernizar. Ou seja, para fazer menos do que era prometido, gastou-se muito mais dinheiro do que era necessário e, como também é evidente no relatório, este foi muito mal distribuído. Se olharmos ao custo por metro quadrado da reabilitação das escolas, chegamos a um valor que concorre com o preço de construção de uma moradia de luxo na Foz. 

Já me surpreende que, perante esta evidência, se tente explicar aquilo que não tem justificação. A propósito, Maria de Lurdes Rodrigues chegou ao ponto de dizer, no Parlamento, que se tratou de uma grande festa. Incomoda-me que uma das maiores responsáveis por essa festa não seja capaz de admitir os erros da rapioca que caucionou, e que tenha o descaramento de dizer o que disse. Aflige-me que o Partido Socialista ainda não tenha compreendido, ou teime em não admitir publicamente que a festa socrática custou aos contribuintes portugueses mais de 80 000 milhões de euros em endividamento em seis anos, sem que isso tenha resultado numa modernização real do país. 

Numa altura em que o país se vê forçado a mudar de vida, a Parque Escolar é um exemplo de um tempo histórico em que muitos objetivos consensuais foram atraiçoados pelo despesismo, pelo clientelismo e pela irresponsabilidade. Não admira, por isso, o sentido das sondagens revelem que os partidos do Governo voltariam hoje a ter a maioria, se houvesse eleições. Os portugueses estão a sentir na sua bolsa a maior das crises de que há memória mas não esquecem a história recente. Como me dizia um velho amigo, que sempre defendeu os ideais de esquerda, as audiências parlamentares às antigas ministras da educação de José Sócrates foram uma extraordinária benesse para este Governo..."

sexta-feira, 6 de abril de 2012

parque escolar... uma reflexão sobre uma obra já realizada em tomar... vale a pena ler [a transcrição]...!

"(artigo suscitado por coisas da vida, por outras deste blogue, e por uma reportagem da RTP de 3 de abril sobre a intervenção da Parque Escolar na escola secundária Jácome Ratton de Tomar — antiga escola industrial a cujo digno espólio não parece corresponder a dignidade do encaixe num espaço museológico…)

1. Preâmbulo

Poderão dizer: agora está em voga dizer cobras e lagartos da Parque Escolar, e cá temos mais um…

De maneira que começo por pedir desculpa, e licencinha, circunstanciar em murmúrios e sussurrar umas justificações atabalhoadas: sou professor de lyceo, dou aulas de uma matéria obscura num estabelecimento refeito pela Parque Escolar; mas também sou arquiteto, reformado embora da arquitetura há poucos anos. Balanço: perto de 40 anos de ensino e 30 de arquitetura.

Isto dá-me o privilégio de ter o meu caixote montado na escola: de vez em quando trepo e, lá de cima (do caixote), profiro anátemas a toda a volta, conseguindo com isso que a direção e alguns dos colegas considerem que tenho mau génio, o que é bom para todos: mantém os níveis; liberta humores nefastos; em simultâneo, dá apetite e é digestivo.

Aquilo que se segue é, então, a replicação na internet da peroração no intervalo, do cimo do caixote, no lyceo melhorado.

2. Desenvolvimento

Chegou então, ao lyceo, o desenvolvimento: um estabelecimento envelhecido, com algumas necessidades de restauro e outras de modernização, viu chegar os peritos.

Os peritos são arquitetos, engenheiros, etc.; o pessoal do costume. Numa das primeiras operações de sondagem do terreno acertaram numa conduta de gás, que deitou cheiros nefandos, o que considerei mau prenúncio! Dá azar, pensei com os meus botões…

Falaram, claro, com a direção. Mas mais ninguém. Percebem disto! — achei eu. Não precisam de fazer perguntas a professores de Física ou de Biologia, de Desenho ou de Línguas. Sabem.
Passou um par de anos: a escola está praticamente acabada. O resultado é, de modo geral, positivo: comunica-se entre espaços através de escadas, corredores e portas. Algumas paredes ostentam janelas, que facilitam a insolação. As salas têm carteiras onde os alunos se sentam, com um ar recente, de estreia. Continua a não chover lá dentro, o que poupa os cadernos e os livros.

Temos escola.

Então porquê o meu ar empinado, em bicos dos pés? No caixote?

Porque — é assim (como passou a dizer-se há uns tempitos): a boa arquitetura pressupõe uma boa relação entre a forma e a função. Ora na minha escolinha (como também se passou a dizer há uns tempitos), nem sempre as coisas são tão claras:

– em virtude de termos a latitude e a proximidade do mar que temos, o nosso clima não é outra coisa senão o que era antes das obras; aquilo que, com poucos custos, se regulava facilmente com a abertura e o fecho judiciosos de janelas e estores, somando-lhe algum aquecimento pontual, passou a estar dependente de um sistema de climatização que foi caro, e é caro de manter — mas, sobretudo, não funciona: está caprichoso, arrefece de mais, aquece de mais, é barulhento (dá outra substância às aulas), e invencível; bom, mesmo bom, é quando está desligado — o que prova não sei bem o quê;

– tipicamente, temos descargas diretas, nos pátios, de cachorros colocados sobre os percursos prováveis das pessoas e de tubos de queda das águas pluviais, numa metáfora naturalista que não nos poupa as canelas e as solas (NOTA: parece ter deixado de chover em Portugal, o que melhorou muito este aspeto da construção);

– aqueles pavilhões que mantêm as janelas quadragenárias (o lyceo é de final dos anos 60), têm um sistema comprovado a funcionar; todos os outros ostentam umas bisarmas com painéis fixos de vidro de perto de 4 m2, e grandes janelas de batente, com vidro único de perto de 2m de altura, que permitem duas modalidades — fechada e aberta, sem regulação ou fixação intermédia; são desenhos, evidentemente, pensados para o Norte da Europa, o que lhes dá um certo perfume de exotismo;

– as fachadas exteriores ostentam um florestal revestimento de bandas de ripado de madeira de qualidade, que já andaram meio encavalitadas ao sabor das variações térmicas e higrométricas da zona, e que hão de acabar prostradas por uns (poucos) anos desses humores do clima; como aparecem em simultâneo com salas de grandes janelões, fica a impressão de terem sido montadas na direção errada: aquilo que serviria, na horizontal, para moderar o excesso de insolação foi, por distração de alguém, grudado às paredes, na vertical; tanto melhor: enquanto há Sol lá fora (toda a manhã, por exemplo), entra-se nas salas, correm-se as cortinas para baixo e acende-se tudo o que é luz, num permanente exemplo do que é a adaptabilidade e o engenho do ser humano; o Sol incomoda? — tapa-se: todo!

– um auditório catita, com 200 magníficos lugares, é um perfeito paralelepípedo, com todas as vantagens acústicas que tal proporciona (reverberações descontroladas, ecos vários, ressonâncias surpreendentes, potenciando a experiência acústica); está localizado a Poente da biblioteca, com uma parede comum; como são espaços de cultura e de comunicação, não lembrou a ninguém que precisariam de ser isolados, de forma que não o são; por cima, há salas de aula, que também são espaços de cultura e comunicação, e tal, e couves; uma claraboia cujo obscurecimento total não foi previsto sobrepõe-se à zona de projeção, o que torna claros todos os assuntos; as portas — de madeira clara, bonita —, pesadas e de construção elaborada, abrem para dentro, fornecendo intimidade a situações eventuais de pânico; abrem, placidamente, segundo um esquema hierarquizado de um pano antes (o previsto na conceção), o outro, depois, após bom entendimento do esquema de encaixe — senão, os encaixes partem-se, ou os gonzos, ou tudo;

– a dita biblioteca tem um amplo espaço de estar perto da entrada; apesar de ter fofos cadeirões a condizer com os vãos (com dimensões nórdicas, o que deixa rabos nacionais a considerável distância do fundo e suscita variados movimentos ginásticos em busca do conforto), não tem prateleiras que cheguem para as encomendas: umas, porque são extensas de mais, não são utilizadas, porque a ameaça de grandes flechas causadas pelo peso dos livros inibe a experiência de as preencher; outras, porque são altas de mais, são o exato contrário de todas as políticas seguidas em bibliotecas escolares, que querem os livros à mão dos leitores; no todo, seja como for, são poucas, porque são periféricas, e não há paredes suficientes sem vãos; os cadeirões situam-se junto aos janelões (repare-se nos «ões», «ões», a certificar a generosidade da oferta); sobre estes, atravessam os prateleirões, a uma altura tão metafórica como a dos tubos de águas pluviais que há pouco mencionei: a elevação da cultura, pois decerto; só não levam livrões por causa da tal flecha; falando de pluviais: quando chove muito, o piso de baixo da biblioteca (onde há mais livros, por sinal) fica imediatamente inundado: isto permitirá a liquidação periódica de alguns espécimes caídos em desuso, assim haja o cuidado de os expor nas prateleiras inferiores, e esperar que chova; não posso deixar esquecida a boa imagem que os conjuntos cadeirões/janelas, colados à rua, dão de uma biblioteca escolar — miúdos aos molhos, esparramados nos sofás, com um ar vago, em silêncio, sem sequer uma revista nas mãos: estão meditando;

– muitas salas de aulas estão sobremobiladas; são grandes as mesas? são pequenas as salas? há meninos a mais? enfim: estão sobremobiladas em mesas; já o não estão em cabides, em prateleiras, em arrumações variadas, porque isso não foi pensado em termos globais; o que foi pensado em termos globais foi a instalação de quadros interativos, que ainda não se encontram em funcionamento e que constituem uma base de trabalho cara e discutível; acrescentou-se uma chapa três de quadros brancos de acrílico para canetas de feltro, que derrapam (que medo, senhores!) e propõem aos utentes uma chapa não menos três de uma paleta de quatro cores: Benfica, Sporting, Belenenses e Académica (esta, porventura a mais utilizada); os quadros antigos foram substituídos (deitados fora?); os paus de giz, a que alguns professores eram alérgicos, foram trocados por canetas apropriadas, a cujo pó alguns professores são alérgicos; percebe-se a vantagem da perda do giz — um riscador com uma dúzia de cores, vendido em grandes caixas de 100 paus, sem quebra de qualidade ao longo da longa utilização, podendo ser usados em variadas posições (deitado traça uma mancha), a que os quadros ofereciam um atrito confortável, extremamente barato — por um sistema caríssimo, limitado nas cores, na consistência do traço, na duração, na variedade e qualidade de utilização, desconfortável pelas tentativas de fuga aos nossos desígnios e suscitando alergias novas: ao pó, e ao zingarelho, numa problemática troca de alergias; o custo da operação poderá ser 4 a 10 vezes superior, se juntarmos ao preço das canetas os apagadores que se partem, e cujo «pano» há que substituir com alguma frequência, e a reforma dos quadros (que, entretanto, não durarão o mesmo que os de pedra natural ou artificial); há os quadros interativos; pois há, mas não são a mesma coisa: quem o diga que experimente deixar de usar lápis e papel, e passe a escrever sempre em «tablet»…

– temos boas salas de desenho, de facto — salas; estão equipadas a esmo com uns estiradores agradáveis à vista que não se adaptam bem a todos os trabalhos e tamanhos de alunos e começam a desconjuntar-se (posso um dia escrever um tratado sobre estiradores inadequados pela altura, pela relação com a cadeira, pela articulação, pelo processo de fixação da prancheta à estrutura, pela adaptação às irregularidades da base, pela consistência no fabrico, pelo sorriso e pelo penteado…), além de não servirem para trabalhar de pé e de estarem deficientemente iluminados, o que me leva a pensar que mais valia ter simples e robustas mesas de tamanho semelhante, iluminadas como deve ser: não estou a criticar os índices lumínicos que — como me explicou, condescendente, um zeloso funcionário da Parque Escolar com quem tive esta conversa — são adequados (basta descer a cortina da janela e acender a luz, fica logo tudo bom): é a forma como a luz se apresenta a quem a utiliza para traçar, para pintar, para cortar, para medir; essa forma é tanto mais adequada quanto mais forte for a luz, e dirigida de frente para o traçado; e nunca se passa nada disso, porque a luz é fornecida por armaduras de teto, e à frente de um esquadro há sempre três ou quatro sombras em competição pela perda de qualidade da visualização do boneco; predominam, de resto, as madeiras claras, agradáveis à vista e ao tato; boas de grafitar, por outro lado, e ocupando bancadas que deveriam ser de sujos: águas, diluentes, tintas líquidas, «sprays», etc.; nas paredes, em contrapartida, há poucas áreas de afixação por alfinetes;

– um espaço de ar livre coberto (isso mesmo) «abriga» campos desportivos; com chuva e vento, conjunto comum no nosso país, ficam inaproveitáveis: a chuva entra na mesma, por um engradado de peças lá no alto, a toda a volta, mas os pavimentos, sem vento ou insolação direta, não secam quando pára a borrasca;

– poderia continuar nesta toada muito mais tempo, mas não me apetece: posso já tirar algumas conclusões, e a enumeração começa a ser fastidiosa.

3. Conclusão
A forma e a função, portanto: é sobretudo isso a arquitetura. A arquitetura não é coisa de artistas, a fazer umas flores e umas formas giras, centrados tanto na composição como no umbigo. Pode ser coisa de artistas, no entanto; para que não seja mal entendido, vou dar um exemplo: na pousada da Flor da Rosa, no Crato, existe uma parede a separar a piscina do castelo; parece tontice, separar o hóspede, a banhos, daquilo que, porventura, o levou à Flor da Rosa. Não é: a parede tem um longo rasgão, longitudinal: o que a parede esconde, o rasgão revela, e emoldura. Afinal, fica a revelação. O João Luís Carrilho da Graça, arquiteto de serviço, liga à forma, e à função, e tem uma tirada artística. Mas que é uma tirada eminentemente funcional, também. Tem qualidades plásticas, e serve a função. As duas coisas não ficam separadas, e não é giro: é bonito, é adequado, e é muito boa arquitetura.

A minha escola tem coisas giras e, em geral, má arquitetura. Gosto só de falar do que entendo, e disto entendo: sou professor, tanto como arquiteto. Sinto-me confortável a falar da minha escola e da Parque Escolar na minha escola: o trabalho foi negligente, pretensioso, provinciano, caro; com a passagem dos anos, ficará ainda mais caro: afinal, o furo na conduta do gás foi mau presságio; afinal, os técnicos não percebiam daquilo, fizeram mau trabalho, facilitaram, foram descuidados… estamparam-se!

Uma colega que tem os laboratórios renovados, modernizados (e, penso, está satisfeita com isso) diz o seguinte: «preferia a escola antiga»…

António Mouzinho
(professor em atividade; arquiteto nem tanto)"

daqui.

segunda-feira, 19 de março de 2012

esc... da apresentação do projecto de arquitectura... da entreplanos...!



esc... do projecto de arquitectura... 'dispositivo de protecção solar'...!


esc... do projecto de arquitectura... salas de aula e laboratório [tipos]...!



esc... do projecto de arquitectura... perspectiva 'nocturna'...!


esc... do projecto de arquitectura... perspectivas de contexto nos 'pátios'...!











esc... do projecto de arquitectura... perspectivas gerais de conjunto...!