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sexta-feira, 28 de setembro de 2012

crónica... onde é que isto acabará?... [num beco sem saída...pelos vistos...!]... de luciano amaral... no cm...!

"João Pereira Coutinho já notou aqui que os países do euro em dificuldades seguem um guião, que começa na crise financeira e acaba na crise política. Nada mais certo.

O sistema político grego esfrangalhou-se, com o colapso dos grandes partidos, em particular o Socialista, e a ascensão dos radicais, sobretudo de esquerda. A Itália é governada há quase um ano por uma espécie de ditador, certamente benévolo, mas lá posto por algo de parecido a um golpe de Estado da UE. Em Espanha é o próprio país que ameaça esfrangalhar-se, com a Catalunha a apontar para a independência, e o País Basco logo atrás.

E Portugal? Em Portugal, vimos a autoridade do Governo maioritário desfazer-se perante uma combinação de deliquescência própria, pressão da rua e de algumas elites. Isto enquanto há sondagens a mostrar que a esquerda radical vale mais do que o partido principal do Governo e a dizer que 90% dos portugueses estão "desiludidos com a democracia". A grande crise do euro não é económica, mas política, e ameaça levar--nos para paragens muito estranhas. Está na hora de pensarmos em tudo para sairmos dela."

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

crónica [mais... comentário]... do desemprego para todos... de luciano amaral... no cm...!

"Um dos danos colaterais da política de austeridade foi confundir medidas desesperadas com grandes virtudes políticas. Exemplo disso é a justificação dos cortes salariais da Função Pública com a sua suposta maior protecção contra o desemprego. O desespero para equilibrar o Orçamento não é uma reforma do sector público. Na realidade, muitos funcionários tiveram os cortes e correm o risco do desemprego. Isto porque muitos andam há décadas entre recibos verdes e contratos a prazo. A saga dos professores ditos "contratados" ilustra o ponto: são dezenas de milhar a ficar desempregados a partir de Setembro. A sua situação é igual ou pior do que a dos desempregados do privado.

A grande divisão no mercado laboral não é entre público e privado, mas entre quem tem contratos de longo prazo e quem os tem a termo, seja no público ou no privado. Divisão que também é geracional, já que são os mais jovens (embora muitos a chegar aos 50 anos) também os mais ‘precários'. A tão louvada ‘juventude' é quem mais arrisca ser dispensada à primeira por empresas e pelo ‘Estado social'. Não admira que se ponham a milhas daqui."

sexta-feira, 13 de julho de 2012

apontamentos... [portugal é] um caso de estudo... segundo luciano amaral...no cm...!

"A política portuguesa é um caso de estudo. Veja- -se a questão do acórdão do Tribunal Constitucional sobre o corte dos subsídios de férias e Natal.
 
A esquerda exultou, considerando a decisão uma "vitória", uma espécie de novo 25 de Abril. A direita achou-o uma coisa horrível, um bloqueio à governação, chegando mesmo a destacar o chefe de bancada do CDS para vir zurzir os juízes. E no entanto, a decisão do tribunal deu ao Governo o pretexto de que precisava para introduzir "medidas adicionais".

Depois das tenebrosas notícias sobre a execução orçamental e da sucessão de "casos Relvas", o Governo estaria por esta hora a enfrentar a sua primeira crise, a ter de explicar porque seriam precisos mais cortes e impostos. O Tribunal Constitucional poupou-lhe a tarefa, fazendo ainda o resto desaparecer da paisagem. 

Recapitulando: a esquerda celebra uma vitória que traz mais austeridade, a direita chora uma derrota que ajudou o Governo a vir à tona. Isto daria vontade de rir se não tivesse certa lógica: é que a vitória da esquerda é das boas, sem responsabilidade. Quanto ao Governo, ficou revigorado. Pelo menos para o Verão."