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terça-feira, 7 de abril de 2015

coisas da educação... a economia do 'canudo'...?

"Perante estes factos, como é que o senhor doutor se atreve a dizer que o ensino superior tem um grande valor?"

"Uns dizem que o 'canudo' é lixo, outros que vale 1,7 milhões de euros. Quem tem razão?" Luís Cabral, professor da Universidade de Nova Iorque e da AESE, analisa se vale a pena tirar um curso no ensino superior.

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16:11 Segunda feira, 6 de abril de 2015
'Perante estes factos, como é que o senhor doutor se atreve a dizer que o ensino superior tem um grande valor?'
 FOTO ANA BAIÃO


Há algum tempo (aquando das manifestações da 'geração rasca') escrevi sobre o valor do ensino superior. Entre os comentários então recebidos encontravam-se vários e-mails de pais desiludidos com o enorme esforço para pagar a educação dos filhos, tendo como único resultado um lugar no desemprego. "Perante estes factos, como é que o sr. dr. se atreve a dizer que o ensino superior tem um grande valor?"

Recentemente, um estudo promovido pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) estima que um profissional com um curso superior ganha mais 1,7 milhões de euros, durante a vida profissional, do que um profissional com apenas o 9º ano. Tanto quanto consegui perceber, o cálculo baseia-se no valor médio acumulado dos rendimentos ao longo da carreira, quer para os licenciados quer para os não-licenciados.

Dificilmente poderíamos encontrar duas perspectivas mais contraditórias. Uns dizem que o 'canudo' é lixo, outros que vale 1,7 milhões de euros. Quem tem razão?

Segundo cálculos do professor Pedro Portugal (estudo publicado no Boletim Económico do Banco de Portugal em 2004), o salário médio dos licenciados em 2003 variava entre 893 euros (20-29 anos) e 1915 euros (50-59 anos). Se somarmos os valores dos 20 aos 65 anos, e mesmo ignorando o desconto intertemporal, obtemos um total de 768 mil euros. Fazendo as mesmas contas para os trabalhadores com o 9º ano obtemos 394 mil euros, aproximadamente metade. Isto implica uma diferença ao longo da vida de trabalho da ordem dos 374 mil euros. Bem sei que isto são contas para 2003, mas daqui até 1,7 milhões vai uma diferença muito grande. Talvez um motivo para a diferença seja que o estudo do Banco de Portugal é baseado em salários depois de imposto, mas mesmo assim os meus cálculos dariam menos de 1,7 milhões.

Normalmente, o 'prémio' da educação é medido em percentagem, o que evita muitas destas confusões. Em 2003, estimava-se que os licenciados ganhavam aproximadamente o dobro (100 por cento mais) do que os que tinham o 9º ano e quase três vezes mais do que os que tinham a 4ª classe.

Não creio que estes rácios tenham mudado muito numa década. No entanto, há razões para pensar que este valor sobrestima o ganho económico por ter um curso superior: um dos problemas mais complicados na estimação estatística é controlar para efeitos de selecção. Por exemplo, comparar notas das escolas não é a melhor forma de estabelecer rankings: algumas escolas têm notas muito altas não por serem boas escolas mas sim por atraírem bons alunos. O mesmo problema se verifica na medição do prémio da educação: o facto de os licenciados ganharem mais do que os não-licenciados não significa que passar do grupo dos não-licenciados para o grupo dos licenciados implique um aumento de 100 por cento do salário.

O estudo de Pedro Portugal, a que fiz referência acima, estima que, controlando para uma série de variáveis (por exemplo, se o pai é ou não licenciado), o prémio da licenciatura rondava os 60 por cento em 2003. 60 por cento é muito menos do que 100 por cento, o que sugere que o efeito da auto-selecção é muito importante; mas 60 por cento é muito, muito mais do que zero, o que sugere que o investimento num curso superior é economicamente rentável.

Chegamos, então, ao extremo oposto do debate, a teoria de que o 'canudo' é lixo. Como conciliar esta opinião, que tantos jovens sentem na pele, com as estimativas dos vários estudos económicos? Aqui, a observação mais importante é que, por trás dos valores médios, encontramos uma enorme variabilidade, tanto no que respeita ao curso, como à universidade ou ao tempo. Por exemplo, em 2003 os engenheiros ganhavam cerca do dobro dos licenciados em artes decorativas. Suspeito que a diferença entre universidades públicas e privadas seja também grande (exceptuando porventura a Universidade Católica).
A evolução ao longo do tempo parece-me particularmente relevante. Há 30 anos, menos de 10 por cento dos jovens entravam para a universidade; hoje em dia, a percentagem é superior a 30 por cento. Quando o número de alunos aumenta três ou quatro vezes no espaço de uma geração, é provável que o valor médio do curso diminua. O professor Pedro Carneiro estima que, nos Estados Unidos, este efeito é significativo; também será em Portugal, onde o crescimento do ensino superior se deu a ritmo particularmente acelerado, especialmente em algumas licenciaturas.

O problema das gerações jovens, especialmente as que estudaram em universidades menos conceituadas e em cursos menos procurados, é que entraram com expectativas baseadas em valores enviesados e desactualizados; e chegaram ao mercado de trabalho no pior momento possível. No entanto, é importante que a situação conjuntural não nos faça perder uma importante conquista das últimas décadas: a expansão fenomenal do acesso ao ensino superior. Na maior parte dos casos, o curso superior é um investimento economicamente rentável; e isto para não falar no valor global da educação, que vai muito para lá da rentabilidade económica."

no expresso diário... aqui.


quinta-feira, 8 de março de 2012

avaliação de desempenho docente... agora despedem-se os professores ['por dá cá aquela palha']... lá pelos 'states'...! esta 'moda' vai [já 'está' prevista] cá chegar... e [mais] 'depressa' do que pensamos...!

"“It is wrong to call a great teacher a failing teacher because a few kids got 3-4 questions wrong one year rather than 2-3 questions wrong the year before,” Phillips wrote. 

Wysocki found herself fired because, though her evaluations were high, her students did not score as highly as the complex value-added formula had predicted they would. She argued that this could have happened because more than half of her students’ test scores from the year earlier may have been inflated; the school they attended is now under investigation for cheating.

She was fired anyway, and now teaches in Fairfax County, one of the country’s best public school systems. Good move, D.C."

domingo, 4 de março de 2012

avaliação de desempenho docente [para além do 'normal' da utilização dos testes 'à americana' e do uso [indiscrimado] do valor (económico-financeiro-de ganhos pessoais) acrescentado... alguns pontos de reflexão...! também a fazer por cá [para além dos 'rankings' das escolas com base (exclusiva) nos resultados dos exames]... ou não será...?

"These kinds of analyses provide other insights for teacher evaluation, since there is a large body of evidence over many decades concerning how specific teaching practices influence student learning gains.  For example, there is considerable evidence that effective teachers:
* Understand subject matter deeply and flexibly
* Connect what is to be learned to students’ prior knowledge and experience
* Create effective scaffolds and supports for learning
* Use instructional strategies that help students draw connections, apply what they are learning, practice new skills, and monitor their own learning
* Assess student learning continuously and adapt teaching to student needs
* Provide clear standards, constant feedback, and opportunities for revising work
* Develop and effectively manage a collaborative classroom in which all students have membership.
These aspects of effective teaching, supported by research, have been incorporated into professional standards for teaching that offer some useful approaches to teacher evaluation."

aqui.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

avaliação do desempenho docente... valor acrescentado...? modelos...? como...?

não deixa de ser estranho que por cá... depois da 'palhaçada' da primeira versão da add [onde os resultados dos alunos eram para contar...]... nada de muito substantivo e substancial se 'discuta' por cá...!

há bases de trabalho [dados e estudos...?] que possibilitem orientar o desenvolvimento de posturas de desempenho profissional em linha com parâmetros de qualidade, valor acrescentado... e outros [directamente e/ou indirectamente] relacionados com a actividade docente...?

não vejo muitas preocupações quanto a este assunto [de somenos...?]...

"The proper question about bias is more broad: Do the models adequately account for all the relevant factors that are outside of teachers’ control?

This is a bigger issue, and it pertains to teachers of high- and low-poverty students in all schools and districts, urban and rural, large and small. Now, it’s certainly true that many of the conditions that influence performance, such as parental involvement, oral language development, early childhood education, family stress, etc., are associated with income, but the relationship is imperfect. And, many other important factors are only weakly or unrelated (especially given the limitations of the lunch program variable). Child development is cumulative and multifaceted.

So, the answer to this more central question – whether a growth model accounts for non-teacher factors – is inherently a matter of degree. When using properly-interpreted estimates from the best models with multiple years of data (not the case in many places using these estimates for decisions), it’s fair to say that a large proportion of the non-teacher-based variation in performance can be accounted for.
There will, however, always be bias, sometimes substantial, affecting many individual teachers, as there would be with any performance measurement. Whether or not the bias is “tolerable” depends on one’s point of view, as well as how the estimates are used (the latter is especially important among cautious value-added supporters like myself). Furthermore, as I’ve argued many times, the bigger problem in many cases, one that can be partially addressed but is being largely ignored, is random error."

aqui.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

avaliação de desempenho [valor acrescentado] docente... disponibilização pública dos dados... só pelos 'states'...! por cá ficamos à espera desta 'transparência'...? se é que é de transparência que se trata...!

"It seems as though New York City newspapers are going to receive the value-added scores of the city’s public school teachers, and publish them in an online database, as was the case in Los Angeles.*

In my opinion, the publication will not only serve no useful purpose educationally, but it is also a grossly unfair infringement on the privacy of teachers. I have also argued previously that putting the estimates online may serve to bias future results by exacerbating the non-random assignment of students to teachers (parents requesting [or not requesting] specific teachers based on published ratings), though it’s worth noting that the city is now using a different model.

That said, I don’t think there’s any way to avoid publication, given that about a dozen newspapers will receive the data, and it’s unlikely that every one of them will decline to do so. So, in addition to expressing my firm opposition, I would offer what I consider to be an absolutely necessary suggestion: If newspapers are going to publish the estimates, they need to publish the error margins too."

aqui.

a propósito da avaliação de desempenho [valor acrescentado] docente.. mais umas achegas... via 'states'...!

depois de ter deixado para consulta... aqui, um trabalho de raj chetty sobre o valor acrescentado na educação... ficam mais uns parágrafos sobre a coisa...!

vale a pena dar uma vista de olhos... no original...!

"Should we be surprised? Great teachers consistently report that they are motivated largely by the pleasure they derive from the job, not bonuses. Unfortunately, the joy of teaching has taken some serious hits in recent years. Policies that focus on reading and math tests increasingly narrow curricula, neglecting important subjects and making instruction more rigid in core subjects. Emphasis on student test scores as a means of evaluating teacher performance, often with serious consequences for those teachers' careers, punishes teachers who take on the very at-risk students we want them to work with. Those policies also fail to promote or reward team teaching and collaboration, factors shown to improve teacher effectiveness and morale."

daqui. 

nada de [muito] novo... também por esta frente ocidental...!

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

avaliação do desempenho docente... pelos estados unidos, como de costume...!

"When supporters of value-added and other growth models talk about low-stakes applications, they tend to assert that the data will inspire and motivate teachers who are completely unaware that they’re not raising test scores. In other words, confronted with the value-added evidence that their performance is subpar (at least as far as tests are an indication), teachers will rethink their approach. I don’t find this very compelling. Value-added data will not help teachers – even those who believe in its utility – unless they know why their students’ performance appears to be comparatively low. It’s rather like telling a baseball player they’re not getting hits, or telling a chef that the food is bad – it’s not constructive."

aqui.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

a avaliação de desempenho... à luz de um trabalho de economistas...!

trabalho recente que tem vindo a dar polémica [penso eu que esperada] nos estados unidos, que usam e abusam dos testes estandardizados...
será que por cá vamos caminhar no mesmo sentido 'geral'...?
como se já não bastasse a pouca 'vergonha' que é a nossa 'radd'...!


este trabalho pode ser lido [com muita calma]... aqui.