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quinta-feira, 20 de dezembro de 2018
domingo, 22 de abril de 2018
domingo, 26 de novembro de 2017
hoje há poesia...
No século XVII, época do Barroco, os artistas eram dados a estes jogos.
Às vezes até se ficavam pelos trocadilhos, não curando dos assuntos.
Mas este tem assunto bem recheado de saber.
Soneto, obra-prima do trocadilho, escrito no século XVII por Frei António das Chagas (António Fonseca Soares).
CONTA E TEMPO
Deus pede estrita conta de meu tempo.
E eu vou, do meu tempo, dar-lhe conta.
Mas, como dar, sem tempo, tanta conta,
Eu, que gastei, sem conta, tanto tempo?
Para dar minha conta feita a tempo,
O tempo me foi dado, e não fiz conta.
Não quis, sobrando tempo, fazer conta.
Hoje, quero fazer conta, e não há tempo.
Oh, vós, que tendes tempo sem ter conta,
Não gasteis vosso tempo em passatempo.
Cuidai, enquanto é tempo, em fazer conta!
Pois, aqueles que, sem conta, gastam tempo,
Quando o tempo chegar, de prestar conta,
Chorarão, como eu, o não ter tempo...
Às vezes até se ficavam pelos trocadilhos, não curando dos assuntos.
Mas este tem assunto bem recheado de saber.
Soneto, obra-prima do trocadilho, escrito no século XVII por Frei António das Chagas (António Fonseca Soares).
CONTA E TEMPO
Deus pede estrita conta de meu tempo.
E eu vou, do meu tempo, dar-lhe conta.
Mas, como dar, sem tempo, tanta conta,
Eu, que gastei, sem conta, tanto tempo?
Para dar minha conta feita a tempo,
O tempo me foi dado, e não fiz conta.
Não quis, sobrando tempo, fazer conta.
Hoje, quero fazer conta, e não há tempo.
Oh, vós, que tendes tempo sem ter conta,
Não gasteis vosso tempo em passatempo.
Cuidai, enquanto é tempo, em fazer conta!
Pois, aqueles que, sem conta, gastam tempo,
Quando o tempo chegar, de prestar conta,
Chorarão, como eu, o não ter tempo...
comentário:
foi-me enviado em mensagem por uma amiga e achei por bem publicar, primeiro porque não conhecia, segundo porque o tema é reflexivo, prestando-se à introspecção e, claro, pelos trocadilhos...
domingo, 7 de maio de 2017
em todas as estações e a uma qualquer mãe, passado, presente ou futuro...
a minha parca vida tem sido regido por algumas coincidências, umas boas e outras não tão agradáveis quanto isso, mas enfim...
como já tinha anunciado em entrada anterior veio parar-me às mãos poesia do ary dos santos assim como um desenho, supostamente da sua autoria e lendo um dos sonetos 'sonata de outono' lembrei-me que era uma boa altura para homenagear as mulheres-mães...
esta é uma coincidência daquelas que auguram bons presságios, ingrid bergman fez o seu último papel no filme 'a sonata de outono' numa grandiosa actuação para um dos mestres do cinema que merece o meu respeito e admiração, não só pelos variados e excelentes filmes que realizou e em que demonstrou conhecer a mulher como nenhum outro (quem conheça a sua filmografia sabe do estou a falar), claro que me estou a referir a ingmar bergman...
dado que sempre gostei do ary dos santos porque não pegar no outono da vida e dar-lhe, talvez, um outro sentido imagético à intemporalidade da maternidade e às mães que todos tivémos... infelizmente a minha (tal como o pai) já se foi mas paira por aí a cuidar da sua prole para que não asneirem em demasia já que a vida é curta de mais para perdermos tempo em demasia com minhoquices, o que tem sido a minha sina (e a de uma das minhas irmãs) nestes últimos, quase, três anos.
ninguém esquece uma mãe, muito menos a sua...!
e disse...
terça-feira, 25 de abril de 2017
segunda-feira, 14 de março de 2016
sexta-feira, 13 de novembro de 2015
informações [educação]... educação e tecnologias digitais, empreendedorismo [formação] e livros [actividades]... no boletim do cirep...!
Boletim Informativo n.º 173 - 13/11/2015
Informações Gerais
A Educação à luz do digital: o olhar da investigação
O projeto TEA: Tablets no Ensino e na Aprendizagem, uma iniciativa da Fundação Calouste Gulbenkian em parceria com a Fundação Portuguesa das Comunicações, organiza um painel intitulado “A Educação à luz do digital: o olhar da investigação”.
O objetivo das sessões com o título genérico "A Educação à luz do digital", que têm vindo a decorrer ao longo deste ano letivo, é estimular a discussão em torno da adoção de tecnologias digitais e, mais particularmente, de tecnologias móveis. É seu propósito contribuir para ajudar a refletir sobre os desafios que a introdução das tecnologias digitais/móveis na educação, e a sua utilização por parte de professores e alunos, coloca a quem tem por incumbência decidir, a diferentes níveis de abrangência, sobre a educação em Portugal.
A entrada é livre, mas sujeita a inscrição prévia até ao dia 20 de novembro de 2015.
Empreendedorismo em contexto educativo com crianças dos 3 aos 12 anos
A Unidade de Formação ao Longo da Vida (UFLV), do Instituto Politécnico de Beja (IPBeja), divulga a ação de formação contínua em “Empreendedorismo em contexto educativo com crianças dos 3 aos 12 anos”, acreditada com despacho do Conselho Científico-Pedagógico da Formação Contínua, que decorrerá no IPBeja.
A referida ação terá início a 20 de novembro e destina-se a educadores de infância e professores dos 1.º e 2.º ciclos do ensino básico.
As candidaturas devem ser realizadas no portal do IPBeja.
O projeto TEA: Tablets no Ensino e na Aprendizagem, uma iniciativa da Fundação Calouste Gulbenkian em parceria com a Fundação Portuguesa das Comunicações, organiza um painel intitulado “A Educação à luz do digital: o olhar da investigação”.
O objetivo das sessões com o título genérico "A Educação à luz do digital", que têm vindo a decorrer ao longo deste ano letivo, é estimular a discussão em torno da adoção de tecnologias digitais e, mais particularmente, de tecnologias móveis. É seu propósito contribuir para ajudar a refletir sobre os desafios que a introdução das tecnologias digitais/móveis na educação, e a sua utilização por parte de professores e alunos, coloca a quem tem por incumbência decidir, a diferentes níveis de abrangência, sobre a educação em Portugal.
A entrada é livre, mas sujeita a inscrição prévia até ao dia 20 de novembro de 2015.
Empreendedorismo em contexto educativo com crianças dos 3 aos 12 anos
A Unidade de Formação ao Longo da Vida (UFLV), do Instituto Politécnico de Beja (IPBeja), divulga a ação de formação contínua em “Empreendedorismo em contexto educativo com crianças dos 3 aos 12 anos”, acreditada com despacho do Conselho Científico-Pedagógico da Formação Contínua, que decorrerá no IPBeja.
A referida ação terá início a 20 de novembro e destina-se a educadores de infância e professores dos 1.º e 2.º ciclos do ensino básico.
As candidaturas devem ser realizadas no portal do IPBeja.
Dias do Desassossego
A Fundação José Saramago e a Casa Fernando Pessoa escolheram duas semanas para celebrar a voz dos livros em diversos lugares da cidade de Lisboa e em boa companhia.
De 16 a 30 de novembro, são os livros que estão no centro das atenções: lançam perguntas, rebatem ideias, provocam, inquietam. As duas casas de autor apresentam, para a 3.ª edição dos Dias do Desassossego, um programa que cruza música, cinema, mesas-redondas, ações de animação e promoção da leitura, poesia dita, passeios na cidade - guiado, sempre, pela literatura.
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quarta-feira, 11 de novembro de 2015
de mário pinto de andrade...
CANÇÃO DE SALABU
Nosso filho caçula
Mandaram-no pra S. Tomé
Não tinha documentos
Aiué!
Nosso filho chorou
Mamã enlouqueceu
Aiué!
Mandaram-no pra S. Tomé
Nosso filho partiu
Partiu no porão deles
Aiué!
Mandaram-no pra S. Tomé
Cortaram-lhe os cabelos
Não puderam amarrá-lo
Aiué!
Mandaram-no pra S. Tomé
Nosso filho está a pensar
Na sua terra, na sua casa
Mandaram-no trabalhar
Estão a mirá-lo, a mirá-lo
—Mamã, ele há-de voltar
Ah! A nossa sorte há-de virar
Aiué!
Mandaram-no pra S. Tomé
Nosso filho não voltou
A morte levou-o
Aiué!
daqui.
de agostinho neto...
Aspiração
Ainda o meu canto dolente
e a minha tristeza
no Congo na Geórgia no Amazonas
Ainda
o meu sonho de batuque em noites de luar
Ainda os meus braços
ainda os meus olhos
ainda os meus gritos
Ainda o dorso vergastado
o coração abandonado
e a alma entregue à fé
ainda a dúvida
E sobre os meus cantos
os meus sonhos
os meus olhos
os meus gritos
sobre o meu mundo isolado
o tempo parado
Ainda o meu espírito
ainda o quissange
a marimba
a viola
o saxofone
ainda os meus ritmos de ritual orgíaco
Ainda a minha vida
oferecida à Vida
ainda o meu Desejo
Ainda o meu sonho
o meu grito
o meu braço
a sustentar o meu Querer
E nas sanzalas
nas casas
nos subúrbios das cidades
para lá das linhas
nos recantos escuros das casas ricas
onde os negros murmuram:ainda
O meu Desejo
transformando em Força
inspirando as consciências desesperadas.
e a minha tristeza
no Congo na Geórgia no Amazonas
Ainda
o meu sonho de batuque em noites de luar
Ainda os meus braços
ainda os meus olhos
ainda os meus gritos
Ainda o dorso vergastado
o coração abandonado
e a alma entregue à fé
ainda a dúvida
E sobre os meus cantos
os meus sonhos
os meus olhos
os meus gritos
sobre o meu mundo isolado
o tempo parado
Ainda o meu espírito
ainda o quissange
a marimba
a viola
o saxofone
ainda os meus ritmos de ritual orgíaco
Ainda a minha vida
oferecida à Vida
ainda o meu Desejo
Ainda o meu sonho
o meu grito
o meu braço
a sustentar o meu Querer
E nas sanzalas
nas casas
nos subúrbios das cidades
para lá das linhas
nos recantos escuros das casas ricas
onde os negros murmuram:ainda
O meu Desejo
transformando em Força
inspirando as consciências desesperadas.
1949
daqui.
quarta-feira, 7 de outubro de 2015
informações [educação]... ciência [projecto] e poesia... no boletim do cirep...!
Boletim Informativo n.º154 - 07/10/2015
Informações Gerais
13ª Edição - Projeto Ciência na Escola
Nesta edição, subordinada ao tema “Ciência e tecnologia ao serviço de um mundo melhor”, o prémio tem cinco escalões a concurso.
Ciência e tecnologia ao serviço de um mundo melhor
A Fundação Ilídio Pinho, o Ministério da Educação e Ciência e o
Ministério da Economia celebraram um Protocolo com vista à instituição
de um prémio anual, o Prémio “Ciência na Escola” - Fundação Ilídio
Pinho.
O prémio visa motivar todos os alunos, da Educação Pré-Escolar, dos
1.º, 2.º e 3.º Ciclos do Ensino Básico e Ensino Secundário, das
diferentes vias de educação e formação, para a aprendizagem das ciências
e para a escolha de áreas tecnológicas.
Nesta edição, subordinada ao tema “Ciência e tecnologia ao serviço de um mundo melhor”, o prémio tem cinco escalões a concurso.
O Concurso de Ideias encontra-se aberto até 30 de novembro de 2015.
No próximo dia 14 de outubro, realiza-se no Teatro Thalia, em
Lisboa, uma sessão cultural organizada pela Secretaria-Geral do
Ministério da Educação e Ciência.
O programa é composto por uma sessão de poesia pela voz de José
Henrique Neto, com leitura de poemas de Jorge de Sousa Noronha,
ilustrados com gravuras de Margarida Lourenço e por um recital
dinamizado pelo Agrupamento de Escolas de Cister (Alcobaça) em parceria
com a Academia de Música de Alcobaça e a intervenção do Curso
Profissional de Instrumentistas de Jazz e Curso Profissional de Sopro e
Percussão.
O evento requer marcação prévia.
quarta-feira, 22 de julho de 2015
poesia... 'faz por ti'... de joão negreiros...!
Faz por ti
Faz o Sol por ti antes que arda.
Faz a chuva por ti antes que chores.
Faz a Lua por ti antes do dia.
Faz um sonho por ti antes do pequeno-almoço.
Faz um filho por ti com alguém.
Faz um negócio por ti por dinheiro.
Faz um vestido, não por ti, mas pelo teu corpo.
Faz um caminho por ti antes que te doam as pernas pela falta de uso.
Faz um festival da canção, afasta a mesa da sala, usa uma escova como microfone, faz as canções todas do mundo por ti e as brilhantinas todas do mundo por ti.
Faz uma corrida por alguém e corta por ti a meta.
Corta por ti uma laranja e sorve o sumo por uma pessoa só se tiveres muita sede.
Faz por ti um facho… e alumia quem te segue.
Faz por ti com rigor mesmo rodeado de indolentes.
Faz por ti com calma mesmo assolado por patrões.
Faz por ti a coragem e serás assustador sempre que for preciso.
Faz por ti a sabedoria e saberás sempre que estiveres calado.
Não faças pouco de ti.
Não faças pouco dos outros.
Faz por ti como o dia quando acordas.
João Negreiros
com a devida vénia, via facebook como 'oferenda' de parabéns neste dia particularmente bonito...
com a devida vénia, via facebook como 'oferenda' de parabéns neste dia particularmente bonito...
terça-feira, 7 de julho de 2015
sábado, 25 de abril de 2015
quarta-feira, 15 de abril de 2015
informações [educação]... inglês no 1º ciclo [conferência], poesia e escrita... no boletim do cirep...!
Boletim Informativo n.º 61 – 15/04/2015
| Informações Gerais |
|
Conferência Internacional Ensino Bilingue Precoce/Clil em Inglês no 1.º CEB A Direção-Geral de Educação, em colaboração com o British Council Portugal, vai realizar uma conferência internacional intitulada Ensino bilingue precoce/CLIL em Inglês no 1.º CEB - Uma realidade em construção em Portugal, na Escola Secundária Eça de Queirós (Lisboa), no dia 18 de abril de 2015, com os seguintes objetivos: - Apresentar a avaliação externa do Projeto Ensino Bilingue Precoce no 1.º Ciclo do Ensino Básico/Bilingual Schools Project; - Apresentar este projeto, enquanto experiência-piloto, ao nível da formação, monitorização e currículo no 1.º CEB; - Sensibilizar a comunidade educativa para a existência e potencialidades das ofertas de ensino bilingue e CLIL – perspetivas internacional, europeia e nacional. Ai flores, ai flores do verde pino A poesia e a escrita dominam o espaço da antiga Igreja de S. Julião. Durante a visita escutam-se trovas de D. Dinis, rei-poeta que fez de Lisboa um importante centro literário. Recordam-se os escritos de Fernando Pessoa, sobre a cidade e a vida. Percorre-se a muralha que “atravessa” a história da língua portuguesa. Convida-se cada participante a ser leitor, ouvinte e criador.
nota: estas informações são uma transcrição directa do boletim, logo respeitam o ao... infelizmente...!
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terça-feira, 24 de março de 2015
o 'pensamento do dia' [necessariamente]...
A Bicicleta pela Lua Dentro - Mãe, Mãe
A bicicleta pela lua dentro - mãe, mãe -
ouvi dizer toda a neve.
As árvores crescem nos satélites.
Que hei-de fazer senão sonhar
ao contrário quando novembro empunha -
mãe, mãe - as tellhas dos seus frutos?
As nuvens, aviões, mercúrio.
Novembro - mãe - com as suas praças
descascadas.
A neve sobre os frutos - filho, filho.
Janeiro com outono sonha então.
Canta nesse espanto - meu filho - os satélites
sonham pela lua dentro na sua bicicleta.
Ouvi dizer novembro.
As praças estão resplendentes.
As grandes letras descascadas: é novo o alfabeto.
Aviões passam no teu nome -
minha mãe, minha máquina -
mercúrio (ouvi dizer) está cheio de neve.
Avança, memória, com a tua bicicleta.
Sonhando, as árvores crescem ao contrário.
Apresento-te novembro: avião
limpo como um alfabeto. E as praças
dão a sua neve descascada.
Mãe, mãe — como janeiro resplende
nos satélites. Filho — é a tua memória.
E as letras estão em ti, abertas
pela neve dentro. Como árvores, aviões
sonham ao contrário.
As estátuas, de polvos na cabeça,
florescem com mercúrio.
Mãe — é o teu enxofre do mês de novembro,
é a neve avançando na sua bicicleta.
O alfabeto, a lua.
Começo a lembrar-me: eu peguei na paisagem.
Era pesada, ao colo, cheia de neve.
la dizendo o teu nome de janeiro.
Enxofre — mãe — era o teu nome.
As letras cresciam em torno da terra,
as telhas vergavam ao peso
do que me lembro. Começo a lembrar-me:
era o atum negro do teu nome,
nos meus braços como neve de janeiro.
Novembro — meu filho — quando se atira a flecha,
e as praças se descascam,
e os satélites avançam,
e na lua floresce o enxofre. Pegaste na paisagem
(eu vi): era pesada.
O meu nome, o alfabeto, enchia-a de laranjas.
Laranjas de pedra - mãe. Resplendentes,
estátuas negras no teu nome,
no meu colo.
Era a neve que nunca mais acabava.
Começo a lembrar-me: a bicicleta
vergava ao peso desse grande atum negro.
A praça descascava-se.
E eis o teu nome resplendente com as letras
ao contrário, sonhando
dentro de mim sem nunca mais acabar.
Eu vi. Os aviões abriam-se quando a lua
batia pelo ar fora.
Falávamos baixo. Os teus braços estavam cheios
do meu nome negro, e nunca mais
acabava de nevar.
Era novembro.
Janeiro: começo a lembrar-me. O mercúrio
crescendo com toda a força em volta
da terra. Mãe - se morreste, porque fazes
tanta força com os pés contra o teu nome,
no meu colo?
Eu ia lembrar-me: os satélites todos
resplendentes na praça. Era a neve.
Era o tempo descascado
sonhando com tanto peso no meu colo.
Ó mãe, atum negro —
ao contrário, ao contrário, com tanta força.
Era tudo uma máquina com as letras
lá dentro. E eu vinha cantando
com a minha paisagem negra pela neve.
E isso não acabava nunca mais pelo tempo
fora. Começo a lembrar-me.
Esqueci-te as barbatanas, teus olhos
de peixe, tua coluna
vertebral de peixe, tuas escamas. E vinha
cantando na neve que nunca mais
acabava.
O teu nome negro com tanta força —
minha mãe.
Os satélites e as praças. E novembro
avançando em janeiro com seus frutos
destelhados ao colo. As
estátuas, e eu sonhando, sonhando.
Ao contrário tão morta — minha mãe —
com tanta força, e nunca
— mãe — nunca mais acabava pelo tempo fora.
Herberto Helder, in 'Poemas Completos'
ouvi dizer toda a neve.
As árvores crescem nos satélites.
Que hei-de fazer senão sonhar
ao contrário quando novembro empunha -
mãe, mãe - as tellhas dos seus frutos?
As nuvens, aviões, mercúrio.
Novembro - mãe - com as suas praças
descascadas.
A neve sobre os frutos - filho, filho.
Janeiro com outono sonha então.
Canta nesse espanto - meu filho - os satélites
sonham pela lua dentro na sua bicicleta.
Ouvi dizer novembro.
As praças estão resplendentes.
As grandes letras descascadas: é novo o alfabeto.
Aviões passam no teu nome -
minha mãe, minha máquina -
mercúrio (ouvi dizer) está cheio de neve.
Avança, memória, com a tua bicicleta.
Sonhando, as árvores crescem ao contrário.
Apresento-te novembro: avião
limpo como um alfabeto. E as praças
dão a sua neve descascada.
Mãe, mãe — como janeiro resplende
nos satélites. Filho — é a tua memória.
E as letras estão em ti, abertas
pela neve dentro. Como árvores, aviões
sonham ao contrário.
As estátuas, de polvos na cabeça,
florescem com mercúrio.
Mãe — é o teu enxofre do mês de novembro,
é a neve avançando na sua bicicleta.
O alfabeto, a lua.
Começo a lembrar-me: eu peguei na paisagem.
Era pesada, ao colo, cheia de neve.
la dizendo o teu nome de janeiro.
Enxofre — mãe — era o teu nome.
As letras cresciam em torno da terra,
as telhas vergavam ao peso
do que me lembro. Começo a lembrar-me:
era o atum negro do teu nome,
nos meus braços como neve de janeiro.
Novembro — meu filho — quando se atira a flecha,
e as praças se descascam,
e os satélites avançam,
e na lua floresce o enxofre. Pegaste na paisagem
(eu vi): era pesada.
O meu nome, o alfabeto, enchia-a de laranjas.
Laranjas de pedra - mãe. Resplendentes,
estátuas negras no teu nome,
no meu colo.
Era a neve que nunca mais acabava.
Começo a lembrar-me: a bicicleta
vergava ao peso desse grande atum negro.
A praça descascava-se.
E eis o teu nome resplendente com as letras
ao contrário, sonhando
dentro de mim sem nunca mais acabar.
Eu vi. Os aviões abriam-se quando a lua
batia pelo ar fora.
Falávamos baixo. Os teus braços estavam cheios
do meu nome negro, e nunca mais
acabava de nevar.
Era novembro.
Janeiro: começo a lembrar-me. O mercúrio
crescendo com toda a força em volta
da terra. Mãe - se morreste, porque fazes
tanta força com os pés contra o teu nome,
no meu colo?
Eu ia lembrar-me: os satélites todos
resplendentes na praça. Era a neve.
Era o tempo descascado
sonhando com tanto peso no meu colo.
Ó mãe, atum negro —
ao contrário, ao contrário, com tanta força.
Era tudo uma máquina com as letras
lá dentro. E eu vinha cantando
com a minha paisagem negra pela neve.
E isso não acabava nunca mais pelo tempo
fora. Começo a lembrar-me.
Esqueci-te as barbatanas, teus olhos
de peixe, tua coluna
vertebral de peixe, tuas escamas. E vinha
cantando na neve que nunca mais
acabava.
O teu nome negro com tanta força —
minha mãe.
Os satélites e as praças. E novembro
avançando em janeiro com seus frutos
destelhados ao colo. As
estátuas, e eu sonhando, sonhando.
Ao contrário tão morta — minha mãe —
com tanta força, e nunca
— mãe — nunca mais acabava pelo tempo fora.
Herberto Helder, in 'Poemas Completos'
no citador... aqui.
domingo, 15 de março de 2015
informações [educação]... dia mundial da poesia e fósseis, os nossos avós... no boletim do cirep...!
| Informações Gerais |
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Pelo
oitavo ano consecutivo, o Plano Nacional de Leitura (PNL) e o Centro
Cultural de Belém (CCB) comemoram o Dia Mundial da Poesia.
O programa terá lugar no sábado, dia 21 de março, e este ano dedica a Maratona de Leitura a Cesário Verde. O evento ocupa diversos espaços do Centro e inclui leituras de obras de poetas portugueses, uma feira do livro de poesia, conferências e espetáculos. Entrada Livre.
O Museu
da Ciência da Universidade de Coimbra reserva a manhã do dia 15 de
março para dar a compreender ao público o processo evolutivo a partir da
informação filogenética a que se acede através do estudo dos nossos
parentes mais próximos (os Primatas), e a partir da informação que nos
chega através dos fósseis. A proposta é dar a conhecer o berço da
humanidade e os nossos antepassados mais próximos, os hominíneos, as
suas principais características e os seus habitats. Propõe ainda
conhecer as adaptações que se mostraram decisivas no processo evolutivo
humano.
No final, o público é convidado a participar num jogo que vai ajudar a cimentar e compreender as principais etapas que serviram como motor de evolução humana. Esta actividade faz parte do programa “Um dia sobre evolução” e terá lugar entre as 11h00 e as 13h00.
nota: estas informações são uma transcrição directa do boletim, logo respeitam o ao... infelizmente...!
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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015
informações [educação]... música e concurso, poesia e dia mundial, futurália... no boletim do cirep...!
| Informações Gerais |
II Concurso Nacional de Música Gilberta Paiva A Academia de Música de Santa Maria da Feira organiza o II CONCURSO NACIONAL DE MÚSICA GILBERTA PAIVA que se realizará a 25 e 26 de março de 2015 na categoria A – Solistas – guitarra clássica e flauta transversal e a 27 e 28 de março de 2015 na categoria B – Música de Câmara (até sexteto). No dia 25 de março de 2015, às 21.30h, realizar-se-á o concerto de abertura no auditório da Biblioteca Municipal de Santa Maria da Feira. Dia Mundial da Poesia Pelo oitavo ano consecutivo, o Plano Nacional de Leitura e o Centro Cultural de Belém comemoram o Dia Mundial da Poesia. O programa, a ter lugar no sábado dia 21 de Março de 2015, dedica este ano a Maratona de Leitura a Cesário Verde. O evento ocupa diversos espaços do Centro e inclui leituras de obras de poetas portugueses, uma feira do livro de poesia, conferências e espetáculos. O evento tem início às 14h e é de entrada é livre.
A
Futurália apresenta múltiplas potencialidades pedagógicas e formativas,
facilita o acesso a informação, promovendo ainda o interface entre o
mundo académico e empresarial, a educação formal e não formal, tendo em
vista motivar e incentivar os jovens a encontrar o seu talento e apoiar
as decisões do seu futuro pessoal e profissional.
Paralelamente, a componente lúdica, que esta visita envolve, propicia uma relação de maior proximidade entre professores e alunos. O empenho de professores e alunos colocado na planificação, na preparação do itinerário e a priorização das áreas a visitar, é fundamental para retirar o melhor partido da Visita. |
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sexta-feira, 30 de janeiro de 2015
informações [educação]... oecd e um relatório, matemática e poesia... no boletim do cirep...!
| Informações Gerais |
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Relatório OCDE "Education Policy Outlook 2015: Making reforms happen". No passado dia 19 de janeiro foi divulgado o relatório da OCDE "Perspectivas das Políticas Educativas para 2015: Concretizar as Reformas”. Este relatório faz uma análise de 450 reformas educativas adotadas nos vários países da OCDE entre 2008 e 2014, em diferentes áreas da educação. Cerca de 29% das medidas de reforma têm como objetivo preparar melhor os estudantes para o futuro. Nesta categoria, o relatório destaca o trabalho feito por Portugal na área do Ensino Profissional. Matemática e poesia: imaginação e rigor No âmbito da Exposição “Tudo existe o que se inventa é a descrição Joaquim Namorado 100 anos”, patente no Museu do Neo-Realismo, decorrerá no próximo dia 31 de janeiro, pelas 16h00, uma Sessão de Auditório, sob o tema “Matemática e poesia: imaginação e rigor”. A sessão conta com a participação de Natália Bebiano, licenciada e doutorada em Matemática e referência no campo da literatura infanto-juvenil portuguesa, e do ensaísta e critico literário Eugénio Lisboa. A entrada é gratuita.
nota: estas informações são uma transcrição directa do boletim, logo respeitam o ao... infelizmente...!
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quinta-feira, 16 de outubro de 2014
informações [educação]... parlamento dos jovens, horizonte 2020 e antónio ramos rosa... no boletim do cirep...!
| Informações Gerais |
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- Ensino público e privado: que desafios? (Ensino Secundário)
- Combate ao Insucesso Escolar (Ensino Básico – 2.º e 3.º Ciclos)
O programa Parlamento dos Jovens é organizado pela Assembleia da República, em colaboração com outras entidades, nomeadamente o Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ), com o objetivo de promover a educação para a cidadania e o interesse dos jovens pelo debate de temas de atualidade. Culmina com a realização de duas Sessões Nacionais na AR, preparadas ao longo do ano letivo, com participação de Deputados, designadamente da Comissão de Educação, Ciência e Cultura, órgão parlamentar responsável pela orientação do programa. Todas as Escolas do 2.º e 3.º ciclos do ensino básico e do secundário são convidadas a participar. A inscrição das Escolas pode ser feita até ao dia 27 de outubro de 2014 inclusive, através do preenchimento de um formulário on-line. Ciclo de Workshops 'Horizonte 2020' no IPS - Promoção da Investigação e Inovação A Unidade de Apoio à Inovação, I&D e Empreendedorismo do Instituto Politécnico de Setúbal (UAII&DE-IPS), encontra-se a promover um ciclo de workshops acerca do Horizonte 2020 - Programa-Quadro Comunitário de Investigação & Inovação da União Europeia (H2020), cujas sessões têm lugar no auditório dos Serviços Centrais do IPS, Campus do IPS em Setúbal. Esta ação tem como principal objetivo esclarecer e informar os participantes sobre diferentes aspetos do Programa Europeu H2020, como as oportunidades de financiamento da Europa, a elaboração e submissão de propostas ao programa, questões legais, financeiras e administrativas que integram os procedimentos do programa, entre outras informações, pertinentes para o sucesso dos processos de candidatura. António Ramos Rosa: a poesia em diálogo com o universo Assinalando o 90º aniversário, que o poeta não chegou a completar, a BNP homenageia António Ramos Rosa com a mostra documental A Poesia em Diálogo com o Universo. Cruzando documentação do seu espólio literário com os acervos de alguns dos seus contemporâneos e a sua vasta bibliografia, a mostra procura ilustrar cerca de seis décadas e meia da vida literária de um autor incontornável na literatura portuguesa do século XX. Destacando a criação no domínio da poesia, assinala as suas reflexões ensaísticas, a sua intervenção como tradutor e a tradução da sua obra em países de língua espanhola e francesa. Entrada livre, até 18 de outubro de 2014.
nota: estas informações são uma transcrição directa do boletim, logo respeitam o ao... infelizmente...!
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