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quinta-feira, 7 de junho de 2012

crónica... justiça e equívocos... a arte da guerra... de rui rangel...!

"Disse há tempos e repito. Algo de grave se passa na estrutura orgânica e no funcionamento do Ministério Público, que precisa de ser visto e revisto. O Ministério Público tem ao nível da acção penal, da investigação dos crimes e da imagem da justiça criminal um papel relevante que não pode ser esquecido. Mas não tem estado à altura das funções, da legitimidade e das competências que lhe foram cometidas. 

Sempre fui contra este modelo de investigação criminal que foi adoptado pelo legislador. Mas isto pouco importa. O que importa é que o MP está em clara roda livre, quer no que concerne ao modelo de responsabilidade hierárquica quer no que concerne à eficácia da investigação e aos seus resultados. Não presta contas a ninguém. Mas quando se descuida e presta contas, ninguém compreende porque é que a responsabilidade é sempre do outro destinatário. Acresce ao seu estado comatoso, actos de indisciplina e guerras de capelinhas. O seu caminho está cheio de minas e armadilhas, de desconfiança, de manipulação e de intrigas, semeadas e colhidas pelos próprios. Já não bastava não produzir resultados com eficácia nos casos mais mediáticos. O MP é o único responsável pela ausência de resultados e por investigações mal feitas nestes processos, sujeitando as pessoas a ficarem muitos anos à espera de uma absolvição ou de uma condenação. O que restava para o toque de finados é este ruído desprestigiante de guerra de palavras entre Pintos (Pinto Monteiro e Pinto Nogueira) e o Sindicato do Ministério Público. Já ninguém manda. Ordem e disciplina é o que está a faltar.

Acusar o procurador-geral de "atrapalhar" a investigação no processo Freeport é tão grave como os actos do espião de trazer por causa, da nossa praça, que fez um ficheiro privado de pessoas, com recurso aos Serviços Secretos da República. Nos dois casos é a justiça, o Estado de Direito, os direitos fundamentais e a democracia que ficam em causa. "Atrapalhar" significa embaraçar, confundir, perturbar. Então, para Pinto Nogueira, Pinto Monteiro embaraçou, perturbou e criou confusões no processo Freeport. Seria bom saber-se como embaraçou e como perturbou. E quem se deixou embaraçar e perturbar. Então, para Pinto Nogueira, Pinto Monteiro tinha interesse que a investigação não se fizesse ou a fazer-se não houvesse resultados. Pensamos pouco sobre o poder, o efeito e o perigo das palavras. Para o Sindicato, "… nos últimos dias e nas entrevistas Pinto Monteiro revela grande empenho em mostrar as suas obsessões". A anarquia que reina misturada com estas acusações dá uma mistura explosiva. E depois queixem-se se um dia destes alguém se lembra de alterar a lei e colocar o MP na dependência do Governo como existe noutros países da Europa civilizada."

quinta-feira, 17 de maio de 2012

crónica... da (des)vergonha nacional [excepções e quejandos...?]... de rui rangel...!

"Este é o País das Excepções. Afinal, o pagamento da crise não é igual para todos. Os cortes são só para alguns. Os senhores que comem caviar, que se banham em perfumes, que se passeiam de Bentley e jogam golfe não podem ser prejudicados nas suas vidinhas. Era descaramento a mais do Governo tratar todos de forma igual. 

Rapazes bens cheirosos, charmosos e de porte elegante merecem o estatuto de excepção. É justo. Os que vieram ao mundo para sofrer e suportar a canga dos sacrifícios é que devem pagar a crise. Pensar de outra forma é revelador de inveja, sentimento mais mesquinho do indivíduo. E se refilarem, porrada neles.

Com o fim do colonialismo, em que tínhamos brancos e negros, agora temos brancos de primeira, segunda e terceira categorias. É a estratificação social mais adequada e proporcional à importância do custo e do cheiro do perfume de cada um. É assim que está o País, cheio de gente que luta sem esperança. Tiram-lhes tudo sem sequer pedir licença. E todos consentem no silêncio do sofrimento.

Para além do estatuto de excepção, o Governo criou uma espécie de apartheid social. Obrigar os homens do caviar a conviver, no mesmo espaço social, com gente que nada tem, mal nutrida e que não é solidária com o estatuto de excepção é de uma violência sem limites e piedade. Só a razão pública pode potenciar a criação de sociedades menos injustas.
Governar é fazer escolhas. As escolhas foram feitas e a lista dos privilegiados, que gozam deste estatuto de excepção, tem crescido.

No Orçamento para a Assembleia da República, aprovado por todos os partidos, os deputados e os funcionários da AR mantêm os subsídios de férias e de Natal em 2012; à semelhança do que se passa na TAP Portugal, para a SATA, para a CGD e para o Banco de Portugal.

Reparem bem: este ano, o Governo autorizou vinte e três empresas e institutos públicos a terem regras mais abertas e flexíveis no que toca às reduções salariais, quer dos trabalhadores, quer dos gestores. Os principais beneficiários das excepções são os administradores de empresas públicas, que levaram muitas delas à ruína financeira.

A lista está a crescer não na medida das necessidades, mas da ganância: CTT, NAV, ANA, Parque Expo, Instituto Nacional de Estatística e Infarmed…

Haja decoro! Nenhuma razão pública justifica esta afronta de excepção na não partilha dos sacrifícios.

É muito injusta a sociedade que estamos a criar."

quinta-feira, 29 de março de 2012

crónica [coisinhas simples... não...?]... de rui rangel

"Estado das Coisas, de rui rangel
 
Criminalizar a gestão danosa

Um membro do Banco Central da Islândia disse que Portugal deve investigar quem está na origem do elevado endividamento do Estado. Disse, ainda, que é preciso ir aos incentivos e saber quem ganhou com isto, quem puxou os cordelinhos porque o fizeram e o que fizeram. Só por estas declarações este simpático islandês nunca podia ser português! Recorda-se que na Islândia o Primeiro-Ministro foi julgado por gestão danosa e por incompetência grosseira na gestão da coisa pública.
Esta receita de moralização da vida pública, que responsabiliza quem puxou os cordelinhos públicos, jamais fará parte da formação cívica da nossa classe política. Entre nós, o resultado do desastre financeiro provocado por gestão ruinosa e por incompetência grosseira dos dinheiros públicos, foi o de obrigar toda a gente a pagar a crise que só uns criaram. Procurar os responsáveis políticos pelo elevado endividamento do Estado, saber quem ganhou com isto é assunto que não interessa. E se disserem que é preciso responsabilizar criminalmente os políticos, é considerado um "herege", que merece ser lançado à fogueira. Não cabe nos pergaminhos da democracia julgar, criminalmente, os políticos responsáveis pelo défice monstruoso que deixaram. Dirão, ainda, que o que querem é judicializar a política. Este disparate está na linha de pensamento daqueles que, agora, querem uma petição dirigida ao Parlamento para fazer uma investigação à investigação criminal do processo ‘Casa Pia’. Santa ignorância!
Aqui no nosso burgo o que se pretende é perseguir cidadãos que pouco têm, por prestarem declarações falsas às finanças. Mas deixa-se de fora os dirigentes políticos que levaram Portugal à falência. Saber porque o fizeram e o que fizeram não faz parte das preocupações da agenda política. Em nenhuma democracia civilizada a actividade política escapa ao escrutínio da sanção penal. Não se pode prescindir da criminalização da actividade política, sendo esta a única maneira de salvar a política. A responsabilidade criminal é a forma mais eficaz de moralizar a política e a única que permite responsabilizar alguém, depois de largar o cargo, seja porque perdeu as eleições, seja por vontade própria. A mera responsabilidade política é curta e insuficiente e não garante que essas pessoas não voltem a desempenhar cargos importantes. Estar habituado a exigir dos outros que prestem contas não é o mesmo que as dar. Este é um dos males da nossa democracia. Alguém que autoriza de forma arbitrária encargos financeiros elevados sem mandato, só na via criminal deve encontrar o caminho da redenção e/ou da prisão. Aqui deixo um provérbio, para pensar: "o verdadeiro herói é aquele que tem mais coragem contra si mesmo"."

quinta-feira, 8 de março de 2012

o arguido vai absolvido... de rui rangel...! [deve ser a primeira vez que leio] uma opinião a expressar que o juiz deve ser banido caso 'seja perigoso' para o cidadão...!

"Se formar a sua convicção com base no sentimento de vingança da vítima, ou se for a reboque da opinião pública ou da comunicação social, presta um mau serviço como juiz, que não tem noção do seu papel nem dos limites da função. Este juiz deve ser banido do sistema porque é perigoso para o cidadão."

aqui.