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quinta-feira, 15 de outubro de 2015

dos paradoxos científicos...?...lido no feedly...!


Um excelente texto sobre a "ditadura da bibliometria" e de como o negócio da publicação não serve a ciência e enviesa a sua produção e divulgação, "A ciência em acesso aberto: deixem os cientistas mostraro que fazem", do Professor João Costa.

"O circuito de publicação de um artigo científico é simples de explicar. O cientista, sem ser pago para esse efeito, produz o conteúdo que submete a uma publicação. Outros cientistas, sem serem pagos, avaliam o conteúdo submetido. Um outro cientista é o responsável editorial pela publicação, geralmente sem ser pago. Fazem todo este trabalho gratuitamente pelo prestígio e por amor à área. No final, uma editora comercial publica. Toda a comunidade científica que participou ativamente no processo de geração de conteúdos, validação de conteúdos e organização da publicação poderia, em princípio, finalmente ter acesso à publicação. Pois não é isso que acontece.
Após todo o trabalho gratuito, se um cientista quiser ler um artigo científico tem de pagar. Em alternativa, a biblioteca da sua instituição tem de pagar valores que são tudo menos baixos. Atualmente, estima-se que o valor global das assinaturas pagas na Europa pelas bibliotecas às editoras de revistas científicas ronde os 7000 milhões de euros por ano. Este valor poderia dar emprego a muitos cientistas ou pagar equipamento para investigação. É evidente que isto não faz sentido.

E, no entanto, toda a comunidade científica joga este jogo e alimenta-o."

sábado, 21 de dezembro de 2013

ora toma que já levaste (!)... a arrogância da ignorância 'o avillez e a "matilha das escolas"'... no atenta inquietude...!

"Um dos muitos palpitólogos e prolíficos opinador do reino dos achistas e tudólogos, Martim Avillez, veio hoje no Expresso, de novo, num texto deplorável de ignorância e má-fé, atacar os professores "A Matilha das escolas". A linha de argumentação, não merece sequer esta designação, é de tal maneira disparatada que não vale a pena perder tempo a refutar. A ideia chave é elucidativa, os professores “não aceitam submeter-se às regras com que avaliam os seus alunos”, o iluminado achista não entende que existe uma pequeníssima diferença entre professores e alunos e que não se está, evidentemente a falar da mesma coisa o que ele não quer entender numa de demagogia, nem sequer muito inteligente.

No entanto, o que me deixou mesmo embaraçado foi a afirmação do Avillez de que Crato “Procura ter os melhores professores para ajudar a gerar as melhores crianças”. Apesar de estar atento ao que Nuno Crato decide nunca me pareceu que defenda que os professores devem gerar alunos, mesmo que os melhores. Parece que a tarefa de gerar criancinhas, boas ou más, é dos pais, o Avillez acha que é dos professores, essa malandragem, matilha como lhe chama numa pérola de elegância e fino recorte estilístico. Dr. Avillez, francamente, que acha que é uma escola?

Esta rapaziada, o Avillez não é o único, que nunca vê avaliado o seu trabalho, a imprensa amiga é para isso mesmo, vai, assim, produzindo com regularidade umas prosas em que procura arrasar uma classe de preguiçosos, incompetentes, privilegiados e improdutivos profissionais que, apesar deste conjunto de "virtudes", de uma política educativa que tem sido dirigida para números e não para pessoas e é submersa pela incompetência política e pela deriva dos interesses partidários, tem conseguido trazer os alunos portugueses para níveis de resultados bem mais aceitáveis como comprovam os estudos internacionais e, certamente por milagre, terão dado o seu modesto contributo para a formação da tão apregoada mais qualificada geração de portugueses, que lamentavelmente tem de partir à procura de um futuro que por aqui não encontra.

Como seria previsível, a sinistra Prova do dia 18 foi o último pretexto para mais uma catilinária contra os professores. Nada de novo na escrita, a arrogância habitual, a ignorância habitual, os preconceitos habituais, enfim, o habitual discurso conclusivo e sem dúvidas de quem nunca se engana.

O que já me admira um pouco é que aparecem sempre algumas pessoas, professores quase sempre, que se sentem indignadas pelos tratos deste pessoal e tentam responder, claro que sem visibilidade, mais frequentemente através das mais acessíveis mas nem sempre virtuosas redes sociais, ou suportes da mesma natureza, e umas cartas ao Director que alguns jornais lá vão publicando.

Nestas iniciativas, os autores tentam rebater com empenho e seriedade, com números, com dados, com factos, as enormidades ignorantes e preconceituosas de achistas mal-intencionados e ignorantes como o Avillez, é isso que me admira. Os registos de um e de outros não são compatíveis, ou seja, um discurso assente em preconceito, em definitivos juízos de valor, em achismos, em ignorância, em insulto, é, obviamente, imune a uma resposta que não seja no mesmo registo e por isso nada se altera. Se por acaso o Avillez lesse algumas das respostas que pensarão quem ler este texto sem o preconceito lhe tolda a cabecinha, concluiria, evidentemente, que estava tudo errado porque sim, porque ele é que está certo. Ponto.

No entanto, tal como fazem com os seus alunos, os bons professores, a grande maioria, não desistem e vão tentando que o Avillez saiba alguma coisa deste mundo dos professores e das escolas, matéria que obviamente desconhece.

Não há saco."