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quinta-feira, 24 de março de 2016

na selva política...



no cm domingo...

a começar o dia... xenófobo...?


no público...


comentário:
eu tenho sangue árabe, judeu, celta, e o mais que uma amostra de adn poderá vir a revelar, o que para o caso agora não me interessa... em portugal, talvez nos açores e na madeira e numa localidade do algarve (que agora não sei especificar), não há nenhum cidadão que não seja fruto de uma miscigenação compósita...

isto para realçar o quê?

são as intervenções ocidentais imperialistas, nomeadamente dos states, orientadas pelo petróleo e matérias-primas raras que levaram a este estado de rebelião... que os radicais religiosos estão a aproveitar em seu proveito (é que não são só os muçulmanos como são os trump's desta vida)...

amigos amigos, negócios à parte... a oposição brasileira que se lixe, aliás como bem temos exemplificado com as as atitudes diplomáticas face à venezuela bolivariana (que deve estar a dar umas boas voltas na sua tumba).

dixit. 

sábado, 19 de março de 2016

a actualidade do dia-a-dia, nas escolhas do editor...!

José Cardoso
POR José Cardoso
Editor Adjunto



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As Escolhas do Editor

Bom dia,

Esta semana noticiosa foi dominada por dois temas: a confusão político-judicial no Brasil, com o sobe-e-desce-e-volta-a-subir de Lula da Silva a ministro e o movimento para fazer descer Dilma da Presidência; e, por cá, a ginástica político-partidária para a aprovação do Orçamento do Estado para 2016, o primeiro desde o 25 de Abril que teve o amen do PCP.

Nas Escolhas do Editor, proponho leituras relativas a cada um deles. Em relação ao Brasil, a semana foi alucinante. Por isso, e porque o Expresso Diário foi publicando durante toda a semana artigos sobre o caso, recomendo a leitura da crónica do Pedro Santos Guerreiro intitulada “Lula, um homem em fuga”, publicada num dos dias mais efervescentes da semana, 5ª feira, dia em que publicámos também um conjunto de artigos com as várias vertentes da crise.

Quanto ao Orçamento, aprovado na quarta-feira, recomendo a leitura do artigo do Filipe Santos Silva, que acompanhou a filigrana negocial por dentro, no Parlamento. Intitulada “o pão da maioria de mercearia e o circo da caranaguejola desconjuntada”, conta como BE e PCP aprovaram o Orçamento com o PS mas apresentaram já as suas reivindicações para 2017.

A semana abriu, porém, com a morte do ator-realizador-produtor-e-muitas-outras-coisas no mundo do espetáculo Nicolau Breyner. Além do perfil desta figura maior do teatro, da televisão e do cinema em Portugal nas últimas décadas, republicámos a entrevista que a Clara ferreira Alves lhe tinha feito em março de 2014 e que tinha sido publicada na Revista. “Antes pobrezinho em Lisboa do que rico em Escolomo”, disse-lhe na altura o também ator, argumentista, professor e alentejano emérito de Serpa.

No mesmo dia entrou em funções no CDS a nova líder do partido, “Boss AC”, ou seja Assunção Cristas. E, para perceber o que tem de novo o CDS pós-Paulo Portas, a Cristina Figueiredo mostra cinco ângulos para perceber o que muda. Uma leitura que também recomendo.

“Quando as nossas avós marcharam para a guerra” é o título de outro artigo que vale a pena reler. A Manuela Goucha Soares conta a história das portuguesas que, faz agora cem anos, durante a Grande Guerra, criaram, na retaguarda, verdadeiros batalhões de ajuda à população, disputando terreno e capacidade de influência. De um lado, a aristocracia católica, com a Assistência das Portuguesas às Vítimas da Guerra, do outro, as republicanas laicas, com a Cruzada das Mulheres Portuguesas.

Depois das revelações dos Arquivos Mitrokhin que fizemos na revista E de sábado passado – e atenção: este sábado há novas revelações, num segundo trabalho com que fechamos o tema, que volta a fazer capa da E -, publicámos esta semana no Expresso Diário mais três artigos sobre o tema. Depois de um texto sobre uma simpática viúva inglesa que era do KGB (3ª) e de uma conversa sobre o assunto com o politólogo António Costa Pinto e a historiadora Irene Pimentel (segundo os quais ainda há esqueletos no armário em Portugal), publicámos esta sexta-feira uma entrevista, do Miguel Cadete, a uma pessoa que também sabe do assunto, o “sovietólogo” José Milhazes.

Com estes últimos dias da semana dominados pela cimeira da União Europeia com a Turquia e pelo que a Europa quer fazer com os refugiados, destaco também o trabalho multimédia sobre o tema, o mais recente da série 2:59. Intitula-se “A crise de refugiados vai acabar com a Europa tal como a conhecemos” e é um excelente ponto da situação feito em 2 minutos e 59 segundos pela Cristina Peres.

Destaque, ainda, para o artigo da Isabel Leiria e da Joana Pereira Bastos sobre o que se passa com as provas de aferição. Depois de o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, ter feito marcha-atrás e anunciado que, afinal, este ano ainda não serão obrigatórias, ficando ao critério de cada escola, foram ouvir o que têm a dizer os vários intervenientes na questão do ensino.

É tudo por hoje, o Expresso Diário regressa na segunda-feira. Não se esqueça que já tem o semanário nas bancas e que tem o Expresso Online sempre em atualização

Boas leituras e um excelente fim de semana.




via mensagem do expresso...

em destaque...

Porque é que Lula é mau para uns e bom para outros?

A FERVER Os brasileiros voltaram hoje a descer às ruas. Na Avenida Paulista, em São Paulo, voltaram a ouvir-se palavras de ordem contra Lula da Silva e exigindo a demissão de Dilma Rousseff. Mas também há quem defenda o antigo Presidente. Afinal, o que é que faz de Lula um homem tão amado e odiado ao mesmo tempo?

com ou sem ao [obviamente contra]... da riqueza da língua portuguesa...!



no sapo, hoje de manhã...

sexta-feira, 18 de março de 2016

continuando o dia... mais do que irritado, enojado...!

Bom dia. Verde e amarelo, mas não pelas melhores razões
Lula escreve carta aberta, Marcelo entre afetos e política, Portas na TV e um teste para o sono. Por Mónica Bello
Sexta-feira, 18 de MARÇO | 08:41
DN

1. Do progresso impressionante ao precipício
Lula da Silva assinou esta quinta-feira a tomada de posse como ministro da Casa Civil de Dilma e, quase ao mesmo tempo, um juiz decretava a suspensão da posse. O Governo recorreu. Ao fim do dia, já madrugada em Lisboa, uma segunda juíza também decretava que a posse estava suspensa. Quase ao mesmo tempo, o tribunal de recurso dava razão ao advogado do Estado e revogava a primeira decisão. A segunda, no entanto, da juíza Regina Coele Formisano, do sexto juízo federal do Rio de Janeiro mantém-se em vigor, impedindo Lula de exercer atos governativos. E ainda há mais dez ações populares a correr nos tribunais. Na posse de Lula, houve tumultos. Na Câmara dos Deputados também. E em 18 dos 26 estados brasileiros registaram-se protestos e confrontos. Foram eleitos também ontem os 65 deputados que farão parte da Comissão Especial de análise ao pedido de impeachment da presidente Dilma, primeiro passo do processo de destituição no Congresso Nacional. A suspensão de Lula do cargo de chefe da Casa Civil de Rousseff e a divulgação das conversas telefónicas entre o ex e a atual presidente fizeram disparar a bolsa de São Paulo e desvalorizaram o dólar. "As chances de que haja uma saída antecipada do governo de Dilma cresceram muito", diz Carlos Kawall, economista e ex-secretário do Tesouro Nacional do Brasil, ao DN. Os investidores apostam na queda do governo Dilma. E Lula continua a apostar na sobrevivência. Divulgou uma carta aberta ontem à noite queixando-se de violação da intimidade da sua família e defendendo-se das críticas. "Justiça, simplesmente justiça, é o que espero, para mim e para todos, na vigência plena do estado de direito democrático", pede Lula da Silva. Ferreira Fernandes escreve hoje no DN que o Brasil tem de escolher: Lula ou juiz? E Viriato Soromenho-Marques lembra Getúlio Vargas.

2. Crise dos refugiados em cima da mesa
Os líderes europeus reuniram-se ontem, em Bruxelas, para trabalhar uma base de entendimento a ser apresentada hoje ao primeiro-ministro turco Ahmet Davutoglu. O objetivo é encontrar soluções para "recuperar o controlo das fronteiras externas" da UE, no contexto da crise dos refugiados. É ainda uma proposta e não um acordo a 28, que voltará hoje a ser analisada. As posições, de parte a parte, endureceram durante o dia de ontem. Merkel afirmou que as negociações "serão tudo menos fáceis", e Hollande acrescentou "não poder garantir um final feliz. António Costa concordou: "convém não ter ilusões" sobre a proposta que está em cima da mesa.
3. Marcelo entre os afetos e a política
Há uma multidão que mergulha na imensa nave da Basílica de São Pedro, no Vaticano, mas só o facto de os seguranças irem abrindo caminho para a passagem de Marcelo Rebelo de Sousa tornou notada a presença do Presidente da República. O Presidente fez questão de oferecer ao Papa um registo de Santo António, da sua coleção privada, "um presente pessoal, afetivo", levou seis paramentos desenhados por Siza Vieira e renovou o convite a Francisco para visitar Portugal em 2017. À noite jantou com o rei de Espanha e entre o "acordo total nos vários assuntos abordados" esteve a "sintonia" nos assuntos económicos e financeiros, em que marcelo insistiu junto de Felipe VI, aquilo que tem defendido sobre o domínio espanhol da banca portuguesa.
4. Portas na TV
O futuro de Paulo Portas vai passar também pela televisão, mas à margem dos comentários políticos nacionais. O ex-líder do CDS quer um programa semanal ou quinzenal, mas de política internacional, que tenha convidados de topo internacional. As negociações prosseguem com duas estações, a SIC e a TVI, ainda não estando fechado se terá um programa no cabo ou nos canais generalistas.
5. GNR passa a ter generais
A promoção de oficiais da GNR a Generais - o posto mais alto da hierarquia - volta a estar em cima da mesa, quase 10 anos depois de Cavaco Silva ter vetado um diploma de António Costa, na altura ministro da Administração Interna, a propor a alteração. Significa, na prática, que esta força de segurança deixe de ser comandada por generais do exército - o que não acontece em mais nenhuma gendarmerie europeia - e sejam os oficiais da própria Guarda a assumir a liderança. Neste momento estão a comandar a GNR 11 generais das Forças Armadas. O assunto incendeia conflitos entre oficiais da Guarda e não agrada ao Exército.
6. Mocho ou Cotovia?
Hoje é Dia Mundial do S e o Centro de Medicina do Sono do Hospital CUF Porto, dirigido por Marta Gonçalves, lança hoje um inquérito para avaliar o relógio biológico dos trabalhadores, bem como dos estudantes do Instituto Politécnico do Porto. A investigação inclui vários questionários, disponíveis online por três semanas, que avaliam "a qualidade do sono, o grau de sonolência e o jetlag social - a diferença entre o relógio biológico e o social -, que determina os compromissos diários". Aqui, no DN, também pode responder às perguntas, fazer as contas e ficar a saber se o seu relógio biológico é mais cotovia ou mais mocho.
Já agora, vale a pena ler a explicação científica para uma pergunta aparentemente comezinha: Porque (normalmente) não caímos da cama? O El Mundo falou com especialistas que explicam como enquanto dormimos a nossa capacidade muscular fica muito reduzida.
Também é notícia
A Donald Trump, o mais que provável candidato republicano à Casa Branca, aplica-se o ditado "uma maçã por dia..." substituindo o fruto por "polémica". Agora, dezenas de rabis anunciaram que vão boicotar o discurso que o multimilionário vai fazer perante um grupo de lóbi pró-Israelita. Porquê? "Ele encarna "Sinat chinam", ódio absurdo", disse ao Japan Times um dos organizadores do protesto.
A Google adotou esta quinta-feira uma nova estratégia para a criação de robôs humanoides. Não os criar. Noticia a Bloomberg que a Alphabet, a "empresa mãe" do grupo que inclui a gigante da internet, decidiu pôr à venda a Boston Dynamics, a empresa que fabricava dos mais avançados robôs do mundo. É que concluíram que não havia forma de fazer dinheiro com o negócio.
Há prémios para quase tudo. A BBC dá notícia de mais um: para o livro mais estranho. Chama-se Prémio Diagram e este ano foi atribuído a uma obra intitulada Too Naked for the Nazis (Demasiado nus para os nazis, em tradução literal) sobre a carreira de um trio de vaudeville. Nesta votação organizada pela revista Bookseller o livro bateu - por pouco - outra obra de título invulgar: Reading from Behind: A Cultural History of the Anus.
E vai acontecer...
Termina o Conselho Europeu, reunião de chefes de Estado ou de Governo da UE, em que está o primeiro-ministro, António Costa. O Banco CTT inicia atividade, com a abertura de 52 lojas em simultâneo pelos 18 distritos de Portugal. E ao fim do dia começam as férias da Páscoa nas escolas - não há aulas até 3 de abril.
Com Ricardo Simões Ferreira

via mensagem do dn...


última hora...

Em destaque

Justiça anula decisão de juíz que suspendia nomeação de Lula

Justiça anula decisão de juíz que suspendia nomeação de Lula
06:09 - 18 de março de 2016


via notícias ao minuto...

segunda-feira, 14 de março de 2016

π...

Cristas tem de ganhar o país

António Costa
A Direita portuguesa move-se, o CDS-PP toma a iniciativa de abrir um novo tempo na oposição e ganha um novo espaço de intervenção. Assunção Cristas já tem a sua agenda e também os seus adversários e, da primeira intervenção, fica claro que quer deixar de ser o partido de suporte do PSD, por isso, Pedro Passos Coelho tem de mudar de vida se quiser voltar a ser primeiro-ministro. | Continuar a ler...

 

As escolhas de António Costa


As corporações voltaram a agitar-se, e isso mostra como este governo é percecionado. As manifestações, e os bloqueios, dão resultados, pagam, por isso é que os suinicultores e os produtores de leite prometem a maior manifestação de sempre.

Dilma Roussef já não é a ‘Presidenta’ de todos os brasileiros, será na melhor das hipóteses de alguns, poucos, como se viu pelas manifestações de ontem em cerca de 450 cidades brasileiras.

E como nos recorda o SAPO24, hoje é o dia do Pi. Para matemáticos e não-matemáticos. É possível celebrar o Pi, o 3,14, o rácio da circunferência pelo diâmetro? É, sim. Saiba como.


via sapo 24...


e uma excelente pergunta temática:

Tema do dia
[Economia] | Público

“É preciso saber quantos jovens agricultores foram bem-sucedidos”



O ministro da Agricultura vai avaliar os resultados dos investimentos feitos no sector com ajudas de Bruxelas. Nesta segunda-feira, prepara-se para discutir com os seus homólogos europeus a crise do leite e da carne, debaixo de protestos.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

coisas da educação... reflexões para o fim de dia...!





De fato, a reprovação é hoje muito questionada. Afinal, fazer os estudantes repetirem o ano inteiro para ver os mesmos conteúdos outra vez é uma solução ultrapassada, cômoda, cara e ineficiente. Países com alta qualidade de ensino encontraram alternativas que funcionam melhor e de forma preventiva, como, por exemplo, aulas de reforço ao longo do ano. Na Finlândia, os professores são orientados a dedicar mais tempo aos alunos que têm mais dificuldades. Resultado: a taxa de reprovação é de 2% e o índice de conclusão da educação básica é de 99,7%. Em Hong Kong, quando um professor tem mais de 3% dos alunos com baixo desempenho, uma comissão vai avaliar o trabalho do docente.

Já o Brasil é um dos países que mais reprovam. No ensino médio o índice chega a 13,1%. São quase 3 bilhões de dólares/ano gastos além do necessário, só nos anos finais da escolaridade. O pior é que, como mostram as pesquisas qualitativas e quantitativas, há grande relação entre repetência e evasão.

Não é à toa que o estudo recém-divulgado pelo Todos pela Educação mostra que apenas 54% dos jovens brasileiros conseguem concluir o ensino médio até os 19 anos. Dos jovens entre 15 e 17 anos, um a cada cinco ainda está no ensino fundamental, acumulando reprovações. E 15,7% abandonaram o estudo, certamente depois de experiências de fracasso escolar.

Da constatação de que reprovar não resolve nossos problemas, a tomar a decisão de implementar um sistema de progressão continuada, sem as devidas melhorias na rede de ensino, o salto é arriscado demais. E o que é grave: muitos estados e municípios confundem esse conceito com o de “aprovação automática”. Na aprovação automática, se o aluno aprendeu, vai para a série seguinte; se não aprendeu, vai também. Consequência: o caos. Já a progressão continuada é um conceito diferente, constitui um alargamento dos ciclos escolares. 

Trocando em miúdos: as escolas estruturam os períodos de aprendizagem em etapas de um ano, ou 200 dias letivos. Ora, certas competências podem levar mais tempo para se desenvolver, e poderíamos organizar essa “trilha de aprendizagem” em períodos diferentes. Percebe-se que a divisão das etapas de desenvolvimento em 12 meses é arbitrária e poderíamos usar outras medidas, como 24 ou 36 meses, por exemplo, dependendo do planejamento.

Na escola da sociedade industrial, entendida como fábrica, os “produtos” com defeito são mandados de volta para o início da linha de produção ou descartados. Já a progressão continuada parte do princípio de que a escola não produz pessoas “em série” e o trabalho deve ser personalizado. Baseia-se no princípio de que todos os alunos são capazes de aprender, mas têm ritmos diferentes. Assim, é injusto interromper os percursos em dezembro e exigir que alguns recomecem do zero, como se não tivesse havido nenhuma evolução. Quando bem aplicada, essa lógica ajuda a criança a manter-se na escola e não desistir.

Se, em si, a progressão continuada pode ser uma alternativa, por que os indicadores do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) continuam baixos mesmo nas redes que a adotaram?

Primeiro, porque há descontinuidade entre os professores das diversas séries. Alguns reclamam que o aluno “chegou sem base”, o que indica a falta de um trabalho integrado. Os registros das lacunas de aprendizagem dos estudantes inexistem ou são falhos. Faltam processos de avaliação continuada para conhecer os problemas e definir novas estratégias didáticas. 

Além disso, as famílias não compreendem como isso funciona. Alguns pais procuram a escola e reclamam que a criança passou “sem saber nada”. Os professores não têm suficiente preparação para as novas práticas e, com frequência, não concordam com o modo como o sistema é implantado – até porque, não raro, são constrangidos a aprovar os estudantes compulsoriamente.

Ainda assim, a progressão continuada poderia funcionar melhor. Para começar, os professores precisam acreditar no modelo; para tanto, deveriam ser convidados a participar de sua construção e das mudanças que implica. É decisivo envolver as famílias, sobretudo no caso do ensino fundamental, capacitando-as para participar da vida escolar e reforçar o trabalho em casa. Os alunos devem ser acompanhados com registros cuidadosos, a partir de avaliações permanentes, que detectem lacunas e necessidades de correção. Há que desenhar um plano de reforço específico para alunos com mais dificuldades.

Sem isso, o problema vira uma bola de neve. O aluno vai sendo jogado para a etapa seguinte sem saber a matéria e depois a escola não sabe muito bem o que fazer com ele, porque formou um analfabeto funcional.

A fragilidade do modelo aparece no Ideb, que cruza números de aprovação com desempenho. Não adianta ter todos os estudantes nos anos finais da escola, se eles não conseguem responder às questões das provas. É isso o que vem acontecendo nas últimas medições: alta aprovação, mas baixo rendimento.
*Foto: AJ Photo/BSIP

quinta-feira, 11 de junho de 2015

a escola [ainda] no séc. xix...?


"Para Viviane Senna, sistema educacional atual prepara alunos para mundo 'que não existe mais'.

A psicóloga Viviane Senna poderia ser conhecida apenas por ser a irmã do piloto de Fórmula 1 Ayrton Senna, morto em maio de 1994. O trabalho que vem realizando há duas décadas à frente do instituto que leva o nome do irmão, porém, fez com que também se tornasse uma das figuras mais proeminentes no debate sobre educação no Brasil.

O Instituto Ayrton Senna (IAS) foi idealizado pelo piloto, mas só saiu do papel após sua morte, em novembro de 1994, quando sua família cedeu à entidade os direitos sobre a imagem de Senna. Desde então, vem atuando em projetos para melhorar a eficiência de instituições de ensino em todo o país, organizando desde programas de reforço escolar e capacitação de professores até sistemas de gestão de recursos.

Seus projetos atendem a cerca de 2 milhões de crianças a cada ano, sendo em parte financiados pelo licenciamento de produtos da grife Senna - que vão de capas de smartphone a macarrões instantâneos, relógios e artigos de papelaria.

No mês passado, o instituto abriu uma nova seara de atuação com a inauguração do chamado "Edulab21", um laboratório de inovação dedicado a produção e disseminação de pesquisas científicas que possam contribuir para a formulação de políticas públicas para a educação.

Entre seus integrantes e colaboradores estão o economista Ricardo Paes de Barros, um dos arquitetos do programa Bolsa Família (agora no IAS), o economista Daniel Santos, da USP, e os psicólogos Filip de Fruyt, da Universidade de Ghent, Oliver John, da Universidade da Califórnia, e Ricardo Primi, da Universidade de São Francisco.

"A ideia é gerar e disseminar conhecimentos que possam ajudar a levar o século 21 para dentro da escola", explica Viviane. Em uma cerimônia para promover a iniciativa, a psicóloga explicou para a BBC Brasil por que acredita que o sistema educacional parou no século 19 e o que é preciso fazer para resolver esse problema.




Marisa Caduro/Folhapress A criança não pode apenas decorar conceitos ou receber informações do professor. Precisa desenvolver um pensamento crítico e um raciocínio lógico aguçado, desenvolver sua capacidade de inovar, ser criativa e flexível e de resolver problemas Viviane Senna





Confira:

BBC Brasil - Por que a senhora diz que a escola está ficando para trás?
Viviane Senna - Se pudéssemos transportar um cirurgião do século 19 para um hospital de hoje, ele não teria ideia do que fazer. O mesmo vale para um operador da bolsa ou até para um piloto de avião do século passado. Não saberiam que botão apertar. Mas se o indivíduo transportado fosse um professor, encontraria na sala de aula deste século a mesma lousa, os mesmos alunos enfileirados. Saberia exatamente o que fazer. A escola parece impermeável às décadas de revolução científica e tecnológica que provocaram grandes mudanças em nosso dia a dia. Ficou parada no tempo, preparando os alunos para um mundo que não existe mais.

BBC Brasil - O que há de tão errado com a educação hoje?
Viviane Senna - Um dos problemas é que o professor não tem a menor chance de ser a "fonte do conhecimento", com o conhecimento se multiplicando de forma exponencial, em questão de segundos. Até o século passado, uma descoberta revolucionária demorava décadas para acontecer. Hoje, temos uma grande inovação a cada cinco anos. Só neste ano a previsão é de que sejam produzidos mais conhecimentos e informações do que nos últimos 5 mil anos. Na prática, isso significa que se um aluno começa um curso técnico de quatro anos, por exemplo, quando chega ao terceiro ano, metade do que aprendeu no primeiro já está defasado."


se estiver interessado pode ler o resto da entrevista... aqui.

domingo, 26 de outubro de 2014

hoje, somos todos brasileiros... ou nem por isso...?


no público...


não faço prognósticos [como dizia o outro, só no fim do jogo...]... espera-se que o futuro seja mais radioso e justo...!

quinta-feira, 6 de março de 2014

claro... a revolução está no ar [na educação]... em nome da 'retórica da igualdade' (?)... 'criar padrões para o ensino é a única maneira de garantir igualdade'... no estadão...!

"Há três anos os Estados Unidos colocaram em prática uma revolução no ensino básico. Após receberem incentivos financeiros do governo do presidente Barack Obama, quase todos os Estados do país implementaram uma reforma das suas bases curriculares, o que padronizou o ensino no país. Hoje crianças, pais e professores sabem exatamente o que se espera deles em 46 unidades federativas do país - a exceção fica por conta de cinco Estados que não aderiram à padronização: Alaska, Minnesota, Virginia, Texas e Nebraska.

Capitaneada pela Achieve, uma organização sem fins lucrativos, após a constatação de que os jovens americanos chegavam despreparados à universidade, o Common Core State Standards foi elaborado sem a participação do governo federal e com base em cinco pilares: direitos civis, transparência para pais, alunos e professores, concisão do conteúdo, competitividade para os estudantes no mercado global e colaboração entre os profissionais de educação. “A Constituição garante educação igual para todas as crianças, e criar padrões nacionais é a única maneira de atingir essa igualdade”, explicou Michael Cohen, presidente da Achieve desde 2003, em entrevista ao Estado.

No Brasil, cada Estado e município tem autonomia para definir seu próprio currículo. No entanto, o debate sobre padrões curriculares nacionais ganhou força por aqui nos últimos cinco anos e o tema das bases curriculares definitivamente entrou na agenda do País. Confira a seguir os principais trechos da entrevista com Michael Coehn.

Qual a importância de criar padrões curriculares para a educação básica?
Cohen - Acredito que seja importante por diversos motivos. Primeiramente, porque a Constituição garante educação igual para todas as crianças, e criar padrões nacionais é uma maneira de atingir essa igualdade. Padrões oferecem uma definição de qualidade que é importante. Além disso, nos Estados Unidos nós passamos de 50 padrões curriculares diferentes para apenas um. Quando você se propõe a criar um que será adotado nacionalmente, consegue atrair os melhores recursos intelectuais do país, as melhores ideias para criar algo com muita qualidade. Então o que temos hoje é significativamente melhor do que o que os Estados tinham antes.

Na prática, qual a diferença entre padrões curriculares estabelecidos pelos Estados e padrões curriculares nacionais?
Cohen - No Estados Unidos, há 20 anos, os Estados começaram a desenvolver seus padrões curriculares com diferentes expectativas, pois não havia um consenso sobre como deveria ser a preparação dos estudantes. Agora nós temos um padrão comum. Não importa em que Estado você esteja, as expectativas de aprendizagem são as mesmas. Se a sua família se muda com frequência, se você é um militar que tem que se mudar para servir ao país, por exemplo, você pode ter certeza de que o seu filho vai passar pelo mesmo processo de aprendizagem.

Como a população em geral recebeu o Common Core?
Cohen - Em geral, positivamente. Primeiro porque, se você fizer pesquisas e consultar pais, pagadores de impostos ou qualquer pessoa sobre se o que se espera dos alunos em matemática e inglês deve ser o mesmo em todos os Estados ou se deve variar de New Hampshire para Nova York, a resposta será “deve ser o mesmo em todos os lugares”. Então, sob esse ponto de vista, a ideia foi muito bem recebida. Mas pesquisas recentes mostram que a maioria dos pais e dos eleitores não conhece o Common Core, não sabe exatamente do que se trata.

E os professores?
Cohen - Quando eles leem os padrões e descobrem o que se espera que eles ensinem e o que se espera que as crianças aprendam, eles respondem muito positivamente. É justamente o que eles acreditavam que fariam quando decidiram ser professores. Então temos uma resposta positiva dos professores também. É claro que existem críticos, mas a maioria recebeu o Common Core muito bem.

Por que apenas Inglês e Matemática?
Cohen - Por muitas razões. Uma delas é porque essas são as matérias que preparam o aluno para todas as outras, são disciplinas chave. Outra razão é que outras disciplinas são muito controversas. História, por exemplo, é um tema que gera um debate sem fim nos Estados Unidos. Estamos trabalhando para estabelecer um padrão curricular de Ciências, mas também é uma disciplina difícil, porque temas como o aquecimento global são muito polêmicos. Então, além da grande importância de Matemática e Inglês, podemos dizer que são disciplinas menos controversas. Tentamos ser bem sucedidos em algo antes de tentar fazer tudo de uma vez. O terceiro motivo é que procuramos alinhar com os Estados o que nossos alunos precisam saber em Matemática e Inglês para que possam ir bem na universidade, porque verificamos que essas eram as principais falhas na formação dos jovens.

Após o desenvolvimento, como foram as negociações para implementar o Common Core?
Cohen - Levamos um ano para desenvolver os padrões. Depois disso, cada Estado decidiu se o adotaria ou não. Nos primeiros três meses, 40 Estados já adotaram o Common Core, em parte porque já estavam envolvidos no processo, mas também porque o governo federal deu incentivos fiscais para quem o fizesse. O governo federal lançou um programa chamado Race to the Top que dispunha de US$ 5 bilhões para a educação. Um dos pré-requisitos para que esse dinheiro chegasse aos Estados era justamente que eles adotassem o Common Core. Então, certamente isso ajudou a agilizar o processo. Já a implementação propriamente dita vai dos documentos até mudanças nas salas de aula e é um processo mais longo. Já se passaram três anos e acredito que precisamos de mais três para que nós realmente percebamos mudanças nas salas de aulas e na maneira de ensinar.

Por que os Estados precisaram desse incentivo financeiro?
Cohen - Não tenho certeza se eles realmente precisavam. Foi uma ideia da administração Obama para melhorar a educação no país. Eles analisaram o que seria importante e verificaram que a ajuda aos Estados seria e resolveram distribuir fundos para apoiar a adoção do Common Core. Foi uma decisão do governo federal, ainda não era parte do plano quando os Estados se dispuseram a desenvolver os padrões curriculares. Mas o certo é que, sem esse incentivo, não teríamos conseguido o que conseguimos em três meses. No entanto, acho que o mesmo número de Estados acabaria adotando no fim, então acho que o incentivo fiscal não é imprescindível. Mas, se você é governador de um Estado e tem a oportunidade de conseguir US$ 700 milhões que não estavam no Orçamento, certamente você vai tentar conseguir. Se, para conseguir o dinheiro, você tiver de adotar padrões curriculares, provavelmente você vai fazer isso.

Que tipo de dificuldade vocês encontraram durante o processo?
Cohen - Havia uma organização política que era contra o Common Core. O Tea Party decidiu se opor ao projeto, e eles são muito influentes. Eles trabalharam para que alguns Estados abandonassem os padrões. Isso atrasou um pouco as coisas, embora eles não tenham sido bem sucedidos em lugar nenhum, mas é uma batalha que ainda estamos travando. Há também alguns Estados onde a implementação envolve não apenas os padrões curriculares, mas também alguns testes e o uso dos resultados desses testes para avaliar a performance dos professores. Em muitos lugares, os professores não são muito entusiastas dessas avaliações, então há uma certa resistência a isso, o que torna a implementação do projeto um pouco mais difícil.

No Brasil, nós temos um grande debate em torno do Enem, o exame que os estudantes fazem ao final do ensino médio. Muitos críticos alegam que ele é uma “camisa de força", porque as escolas ficam presas ao conteúdo que é pedido na prova. Vocês têm esse tipo de problema?
Cohen - Sim. Nós temos uma prova que é aplicada todos os anos, no final do ano. Se os alunos forem mal na prova, algo acontece. A escola pode ter de fazer alguma reforma, o diretor pode ser demitido e os professores, substituídos. E isso significa que, em muitos casos, os professores ensinam para a prova, tentando descobrir o que será pedido, que tipo de pergunta, e treinando os alunos para responder a um tipo determinado de questão. Mas nós fizemos um esforço muito grande, que envolveu 20 Estados, para desenvolver um novo teste. A ideia é que os testes reflitam o que está nos padrões, e não o contrário.

Como isso foi feito?
Cohen - Vou dar o exemplo de Matemática. Havia uma série de tópicos, cerca de 30, 35, que podiam cair na prova, e os professores tentavam ensinar tudo aos alunos, o que era muito difícil. Na nova prova, nós diminuímos os tópicos para 15. E, desses 15, há apenas quatro ou cinco por ano que são realmente importantes. Cerca de 80% das questão são sobre esses tópicos principais e as outras 20%, sobre os outros. A mensagem para os professores é de que eles não têm de tentar ensinar tudo, que eles têm de focar no conteúdo que é mais importante. Isso torna a vida dos professores mais fácil. O teste é elaborado de uma maneira que permite ao professor focar no que é realmente importante. Então, ao contrário de o teste moldar o conteúdo, a ideia é que aconteça o contrário. É uma experiência completamente diferente.

Os professores receberam algum tipo de treinamento para aplicar o Common Core?
Cohen - Sim, mas não foi um treinamento em escala nacional. Isso depende muito do Estado e do distrito. Mas, para trabalhar com crianças e adolescentes, não basta ir a um workshop um dia depois da escola e aí você vai estar pronto para uma mudança. Um treinamento como esse demanda tempo. Então é um treinamento que ainda está acontecendo e que deve continuar acontecendo.

Alguns críticos dizem que padrões curriculares podem limitar o trabalho do professor. Como o senhor responderia a isso?
Cohen - Padrões não são a mesma coisa que prática. Vou dar um exemplo da medicina. Há procedimentos e protocolos para fazer diagnósticos e tratar as doenças, e eu não escuto muitas reclamações sobre médicos sendo impedidos de ser criativos por causa disso. É o que se espera de profissionais. Então é claro que impõem alguns limites, mas, por outro lado, há muitas maneiras diferentes de ser criativo. Os padrões dão apenas um direcionamento do que deve ser ensinado, mas como isso será feito, que perguntas serão feitas para os alunos, que livros eles terão de ler, se eles vão trabalhar individualmente ou em grupo, é o professor quem vai decidir. Ninguém determina como isso será feito. Nos Estados Unidos, nós temos padrões e avaliações desde 1990. E, desde então, nunca ouvi alguém dizendo que não há inovação e criatividade nas escolas.

Os Estados Unidos, assim como o Brasil, são um país muito grande e têm uma série de diferenças culturais e econômicas entre os Estados. Isso foi um problema?
Cohen - Foi um desafio. Não temos tantas diferenças sociais e educacionais como o Brasil, mas há muitas pessoas vivendo em comunidades pobres no Mississippi e eles não tiveram as mesmas oportunidades que as crianças que vivem nos subúrbios de Boston. Também temos diferenças. Então, quando há padrões, certamente é mais difícil para o aluno do Mississippi. Mas, por outro lado, nos Estados Unidos pelo menos, quem quer chegar à classe média, aquilo que nós conhecemos como “american dream”, vai precisar estar bem preparado. O mundo é assim. Então as crianças do Mississippi precisam da mesma preparação, pelo menos nas principais disciplinas, que as crianças de Boston. A diferença é que os alunos do Mississippi vão ter de esforçar mais para alcançar o mesmo desempenho. Então claro que é difícil, principalmente porque há pessoas que acreditam que alguns alunos simplesmente não conseguem atingir determinado desempenho, mas a verdade é que com altas expectativas e o apoio adequado, todos conseguem chegar lá.

Como a tecnologia entra no Common Core?
 
Cohen - Nós realmente pretendemos que os estudantes sejam capazes de usar a tecnologia para aprender e se expressar, mas as particularidades da tecnologia parecem mudar a cada dois ou três meses. Então não podemos dizer que queremos que os estudantes estejam aptos a usar iPads ou tablets, porque em dois anos não sabemos se eles ainda vão existir. O que pretendemos é que eles estejam aptos a usar a mídia digital, o que estiver sendo usado no momento, e que eles sejam capazes de produzir outros tipos de apresentações, de usar a tecnologia para se comunicar e expressar as suas ideias."