Mostrar mensagens com a etiqueta parentalidade. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta parentalidade. Mostrar todas as mensagens

domingo, 20 de dezembro de 2015

por hoje fico-me com esta...

conselhos
Há várias obras à venda nas livrarias que ensinam um pai a ser melhor, mais competente e mais presente. Nuno Costa Santos leu-as e revela o que aprendeu com elas (fez uma lista e tudo). 


via mensagem do observador...

quinta-feira, 9 de julho de 2015

coisas da educação... lições de vida, as 'elites e as camisetas'...!



"Talvez custe compreender aos leitores com menos de 40 anos porque (como tudo) esta marca “democratizou-se” e, verdadeiras ou compradas na feira, estão ao alcance de quase toda a gente. E nada me move contra a marca, que fique claro! Mas façam um exercício de imaginação e tentem situar-se nos anos 60 do século passado.

Foi uma experiência pessoal quando andava no Liceu Pedro Nunes (teria cerca de 11 ou 12 anos). Um grupo de alunos do liceu – se algum deles ainda se lembrar do facto espero que se ria, porque será um bom sinal – resolveu formar um clube que se chamava Clube dos Meninos Que Usam Camisa Lacoste (só o nome e a menção a “meninos” já é ridícula).
Esclareça-se que estas camisas eram das primeiras “de marca” e o seu preço proibitivo. Daí a escolha deste ícone para critério de selecção para entrada no “clube” desses pequenos pseudo machos alfa.

À noite fui ter com o meu pai e pedi--lhe que me comprasse uma camisa Lacoste, mas obviamente nunca mencionei os verdadeiros motivos. O meu pai, que tinha um grande sentido ético e o culto do rigor e da justiça, tentou averiguar do meu interesse súbito por tal peça de vestuário. Esforcei--me quanto pude: “são óptimas”, “são giras”, “toda a gente tem”.

Não foram razões suficientemente boas. Parco de argumentos, descaí-me e contei a verdade. O clube! A resposta dele foi taxativa: “Posso-lhe comprar a camisa, mas nunca por causa de um clube assim. Dê-me uma razão lógica e penso no assunto. Se não, pode esquecer a camisa. E quanto ao clube, sugiro que forme, já amanhã, o Clube dos Meninos Cujos Pais não Vão Comprar Uma Camisa Lacoste.” 

Engoli e no dia seguinte, para meu vexame, passei a pertencer a uma minoria social. Mas vi, com o breve passar do tempo, que as razões frívolas e elitistas da criação deste clube eram tão ridículas como patetas, tão absurdas como a sua duração efémera: o clube extinguiu-se passada uma semana.

Agradeço profundamente ao meu pai não me ter comprado a camisa. O que me ensinou foi a convicção com que defendeu as suas ideias e valores, não os hipotecando (e ensinando-me a não capitular) perante modas, ditames pessoais ou lógicas acéfalas de grupo.

Hoje podemos aplicar este episódio a todo o tipo de coisas: consolas, tablets, iPhones, iPads e “Ai-de-nós”. A exigência da moda não se faz apenas na estética – o que já é, do meu ponto de vista, um pouco esdrúxulo porque aplicado a um aspecto da vida que é totalmente subjectivo –, mas também a bens, ídolos, costumes, hábitos e pensamentos. A irracionalidade da carneirada substitui em muitos casos o livre pensamento, uma ideia que terá começado em Thomas More e Voltaire e defende o primado da ciência, da lógica e da razão sobre a tradição, a autoridade arbitrária e não eleita e o dogma.

Basta ver alguns programas da televisão generalista ou comprar algumas revistas e jornais para se poder ver, ouvir e ler o que é a crítica e o desprezo relativamente aos que não seguem um qualquer Diktat, definido sem regras e sem causas, por alguém que “é conhecido porque aparece e aparece porque é conhecido”.

Sempre existiu frivolidade nas sociedades e a superficialidade pode até ser uma parcela de uma vivência feliz e saudável, como tubo de escape para o stresse e a realidade das coisas importantes. Todavia, quando para lá da cortina de fumo nada mais há, quando a crosta não encerra nenhum miolo, quando a mera cópia do que “todos dizem” ou “toda a gente faz” é razão suficiente para moldar os nossos comportamentos, muito mal estaremos enquanto cidadãos livres, capazes, interrogativos, reflexivos e pessoas únicas, irrepetíveis e insubstituíveis.

O meu pai não me comprou a camisa Lacoste. Podia tê-lo feito e simultaneamente calar e comprar um filho que não queria fazer de fraco… Deu -me, em troca, uma lição de vida e de coerência e mostrou que fraqueza era ter aderido por demissão a uma ideia estúpida.

Obrigado, pai!"

no i em linha... aqui.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

coisas da educação... utilidades [não só parentais]...!


no i 'online'...


"Pais e mães. Todos diferentes, mas todos com problemas semelhantes. Se os seus filhos já estão na escola, é provável que já se tenha deparado com respostas vazias e pouco consistentes quando lhes pergunta como correu a escola. Um distraído “bem”, “fixe” ou “normal” são respostas que não contêm informação sobre o dia da criança. E é esta falta de conhecimento que alarma os progenitores.

A pensar nesta lacuna, uma mãe natural de Omaha, EUA, criou um manual com 25 perguntas que permitem arrancar mais facilmente pormenores e histórias que preencheram o dia dos filhos, mas não só. Há perguntas específicas sobre a relação com os colegas e com a professora, sobre os momentos mais divertidos e mais tristes e sobre as brincadeiras no intervalo. Tem um papel e uma caneta à mão?

1. Qual foi a melhor coisa que aconteceu hoje na escola? E a pior?

2. Conta-me algo que te tenha divertido hoje.

3. Se pudesses escolher, sentavas-te ao pé de quem na sala? E quem é que não queres que se sente ao pé de ti?

4. Qual é o sítio que mais gostas na escola?

5. Diz-me uma palavra esquisita que ouviste hoje.

6. Se eu telefonasse agora à tua professora, o que é que ela me ia dizer sobre ti?

7. Ajudaste alguém a fazer alguma coisa hoje?

8. Alguém te ajudou a fazer alguma coisa hoje?

9. Diz-me uma coisa que tenhas aprendido hoje.

10. Qual foi o momento mais giro de hoje?

11. O que é que te chateou hoje?

12. Se um extraterrestre entrasse na sala e pudesse levar alguém com ele para fora dali, quem é que querias que fosse?

13. Com quem é que gostavas de brincar no intervalo que ainda não brincaste?

14. Diz-me uma coisa boa que tenha acontecido hoje.

15. Que palavra é que a tua professora te ensinou hoje?

16. O que é que achas que devias fazer ou aprender mais na escola?

17. O que é que achas que devias fazer menos na escola?

18. Na tua sala, com quem é que achas que podias ser mais simpático/a?

19. Em que sítio é que costumas brincar quando estão no intervalo?

20. Quem é a pessoa mais engraçada na tua sala? Porquê?

21. O que é que gostaste mais no almoço de hoje?

22. Se amanhã fosses tu a professora, o que é que mudavas?

23. Há alguém na tua sala que está a precisar de descansar?

24. Se pudesses trocar de lugar com alguém, com quem é que trocavas?
25. Diz-me três vezes em que tenhas usado o lápis hoje."

terça-feira, 22 de julho de 2014

coisas da educação [psicologia infantil]... sociedade, valores, parentalidade e crianças...!


no observador...


"É provável que tenha perguntado recentemente ao seu filho se fez os trabalhos de casa, ou qual a nota que tirou no teste. Mas quando foi a última vez que lhe fez uma pergunta sobre generosidade e partilha? De acordo com as conclusões de um novo estudo do projeto Making Caring Common, as mensagens que os adultos estão a enviar aos filhos centram-se mais no alcance de objetivos do que na preocupação de criarmos boas pessoas. Para inverter a situação, a equipa de Harvard recomenda seis princípios gerais para educar os filhos com carinho, respeito e ética.

O estudo, intitulado “As crianças que queremos educar“, começa por afirmar que os miúdos não nascem simplesmente bons ou maus, e que nunca devemos desistir deles. A ideia a transmitir é a de que é sempre possível alguém tornar-se numa boa pessoa, e que esse trabalho começa na infância.

“As crianças precisam de adultos que as ajudem, em todas as fases da infância, a tornar-se solidárias e éticas”. É preciso desenvolver nas crianças “a preocupação pelos outros”, não só porque é o correto, mas também porque sentir empatia e assumir a responsabilidade perante outros é uma grande ajuda no caminho para o sucesso e para a felicidade. Isto porque , no mundo do trabalho, o sucesso depende muitas vezes das colaborações que estabelecemos com os outros, e as crianças que têm empatia por outras pessoas e consciência social serão também melhores colaboradores.

Depois de uma pesquisa e de experiências analisadas junto de algumas famílias, a Making Caring Common, da Harvard Graduate School of Education, recomenda seis princípios gerais com um conjunto de marcos para criar os filhos carinho, de respeito e de ética.

1. Seja um mentor e um modelo forte
As crianças aprendem valores e comportamentos através da observação dos adultos que elas mais respeitam: os pais.

Tente isto: Envolva-se em serviço comunitário ou noutras formas de contribuir para a comunidade. Melhor ainda, pense fazer isso com o seu filho. Quando cometer um erro que afete a criança, converse com ela sobre por que acha que o cometeu e como pretende evitar cometer o erro da próxima vez.

2. Faça do cuidado com os outros uma prioridade 
Os pais devem explicar que a preocupação com terceiros é de extrema importância, tanta quanto a nossa própria felicidade. “Embora a maioria dos pais diga que o cuidado com os outros é uma prioridade para os seus filhos, eles não estão a receber essa mensagem”.

Tente isto: Em vez de dizer aos seus filhos que “o mais importante é que sejas feliz”, diga que “o mais importante é que sejas gentil e feliz”. Tente também abordar o assunto quando outros adultos importantes para a vida do seu filho estejam presentes, por exemplo, perguntar à professora se o filho é um bom membro da comunidade, em vez de perguntar apenas pelo aproveitamento escolar. E se um dia ele quiser desistir de uma equipa desportiva, de uma banda ou de uma amizade, fale sobre isso. Pergunte se a desistência não vai prejudicar o grupo e encoraje-o a resolver os problemas.

3. Crie oportunidades à criança para que possa praticar atos de carinho e gratidão
Boas pessoas todos podemos ser, mas isso não acontece do nada. As crianças precisam praticar o cuidado com os outros, a gratidão e a apreciação pelas pessoas que as tratam bem. “Estudos mostram que pessoas que têm o hábito de expressar gratidão são mais propensos a ser úteis, generosos, a ter compaixão e a perdoar”, escreve a Making Caring Common. Tudo isto ajudará a criança a crescer mais feliz e saudável.

Tente isto: Espere que as crianças ajudem de forma rotineira, por exemplo, com as tarefas domésticas, e elogie apenas atos menos comuns de bondade. Quando este tipo de ações de rotina são simplesmente esperados e não recompensados, são mais facilmente interiorizados pelos mais novos. Fale também com o seu filho sobre os gestos de cuidado e indiferença, justiça e injustiça que ele vê no dia-a-dia ou na televisão.

4. Aumente o círculo de preocupação da criança
É normal que as crianças simpatizem mais com um círculo pequeno de familiares e amigos. O desafio aqui é fazer com que os mais pequenos aprendam a preocupar-se e a dar-se com pessoas fora do círculo, tais como um novo colega da escola ou alguém que não fale a mesma língua.

Tente isto: Incentive a criança a considerar os sentimentos daqueles que estão numa situação mais vulnerável. Pode também usar com os seus filhos histórias de jornais ou televisões para iniciar conversas com outras crianças sobre o que se passa no mundo e os problemas que meninos da mesma idade estão a passar, dando-lhes visões muito diferentes da realidade.

5. Ajude a criança a tornar-se numa pensadora e líder ética
As crianças interessam-se naturalmente por questões éticas e por norma gostam de melhorar a sua comunidade.

Tente isto: Aproveitando estes interesses dos mais novos, inicie com eles uma conversa sobre dilemas éticos que surgem, por exemplo, na televisão. Procure causas às quais a criança possa aderir, como a prevenção do bullying ou o apoio à educação de raparigas nos países em vias de desenvolvimento.

6. Ajude a criança a desenvolver o autocontrolo e a gerir os seus sentimentos 
Muitas vezes, a capacidade de nos preocuparmos com o outro é suplantada pela raiva, vergonha, inveja ou outro sentimento negativo qualquer.

Tente isto: Uma maneira simples de ajudar os seus filhos a gerirem os seus sentimentos é praticarem juntos estes três passos: parar, respirar fundo pelo nariz e expirar pela boca, e depois contar até cinco. Experimente quando os seus filhos estiverem calmos. Depois, quando estiverem chateados por alguma razão, lembre-os dos passos e pratiquem-nos em conjunto. Não se esqueça também de praticar com eles a resolução de conflitos. Falem sobre um conflito a que tenham assistido e que tenha acabado mal, e peça-lhe para sugerir soluções mais pacíficas e construtivas para resolver o problema."




para aceder às fontes... siga as ligações abaixo...


"

                        New Research Report: The Children We Mean to Raise




The Children We Mean to Raise

Our youth’s values appear to be awry, and the messages that we’re unintentionally sending as adults may be at the heart of the problem.
According to our recent national survey, a large majority of youth across a wide spectrum of races, cultures, and classes appear to value aspects of personal success—achievement and happiness—over concern for others. At the root of this problem may be a rhetoric/reality gap, a gap between what parents say are their top priorities and the real messages they convey in their behavior day to day.

When children do not prioritize caring and fairness in relation to their self-concerns—and when they view their peers as even less likely to prioritize these values— there is a lower bar for many forms of harmful behavior, including cruelty, disrespect, dishonesty, and cheating.

The good news is that we found substantial evidence that caring and fairness still count among kids—and, according to other sources, among adults. 

The solution is straightforward, if we're all willing to work together.

mcc_the_children_we_mean_to_raise.pdf1.57 MB

"



sexta-feira, 4 de julho de 2014

pois... 'divinizamos os bebés desde muito cedo e tornamo-los tiranos'... cristina valente dixit...!


no i 'online'...



"Hoje em dia há falta de tempo e de dinheiro. Ter um filho é visto como um ato raro ou até mesmo um milagre, pelo que os pais tendem a divinizar as crianças desde tenra idade. Resultado? Transformamos os nossos filhos em pequenos tiranos. Quem o diz é Cristina Valente, formada pelo Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA), ex-jornalista e escritora pela primeira vez. O livro Coaching Para Pais – Estratégias e ferramentas práticas para educar os nossos filhos está no mercado desde dia 20 de junho, mas só é apresentado oficialmente esta quinta-feira (dia 3 de julho). 

Em entrevista ao Observador, a psicóloga que faz consultas ao domicílio e é oradora em várias palestras explica como o castigo é um ato que incute vergonha e medo na criança, e a prevenção é a solução para o mau comportamento dos mais pequenos. Na obra, Cristina Valente coloca as coisas em perspetiva — a matemática da disciplina é simples, o progenitor é o mestre e a criança o discípulo. Mãe de duas crianças, admite sem rodeios que “não amamos incondicionalmente os nossos filhos na maior parte das vezes”. E, num sentido mais amplo, diz concordar totalmente com o polémico pediatra Carlos González que defende a educação mais livre das crianças — “assino por baixo!”. 

O livro tem uma mensagem clara — compreender as atitudes das crianças. Como se lida com o mau comportamento?
Há um capítulo em que explico o que é a birra e o que é o mau comportamento. Um é tema de disciplina e o outro é tema de desenvolvimento infantil. No caso do mau comportamento, explico que há sempre uma causa. Aliás, só podem existir quatro categorias de causas: poder, atenção, vingança e incapacidade. Eu ensino os pais a descobrir qual das razões se trata. O que habitualmente fazemos é reagir ao comportamento errado de uma criança, mas é preciso perceber o que está por detrás. Quando os pais compreendem qual é a causa, ficam autónomos para, de forma criativa, procurarem soluções. 

Pedir ajuda é o melhor antídoto para o mau comportamento. Pedir ajuda a uma criança diz-lhe aquilo que é linguagem do amor: tu és importante e útil. É a necessidade de qualquer ser humano, sentir-se importante. Os miúdos, como são novos, usam as formas erradas de obter esse sentimento — daí as quatro causas do mau comportamento. 

O que entende por disciplina?
A disciplina é sermos os mestres e os líderes de alguém, até porque a palavra vem de “discípulo”. Muitos acham que a disciplina passa por castigar. É importante explicarmos que o conceito implica que o pai seja o exemplo dos filhos, o mestre, a pessoa quem os filhos vão querer seguir mesmo sem serem feitas imposições. 

O castigo é, para si, algo negativo?
Sim. Em algumas coisas, devemos lidar com as crianças como qualquer outro ser humano. A pergunta que coloco é: onde fomos buscar a ideia tonta que, para querermos que o miúdo se porte melhor, primeiro temos de o fazer sentir pior? O castigo é algo que humilha o miúdo, enche-o de culpa, de vergonha e de medo. Que relação vamos ter com essa criança para o resto da vida, com base no medo, na insegurança, na culpa e na vergonha? 

Como é que um castigo afeta uma criança a longo prazo?
Para já, ela vai habituar-se a fazer as coisas erradas às escondidas para não ser apanhada. Não só pelos pais mas, quando cresce, pelo marido, pelo namorado, pelo patrão… Isso vai interferir na forma como a criança olha para o erro. O que estamos a dizer às crianças é que “errar é mau”. Assim, a criança vai ter medo de correr riscos e, sendo a vida um risco, vamos estar a tirar-lhe uma ferramenta poderosíssima. É preciso encarar o erro só como um erro, que não define o pequeno enquanto pessoa. 

Mas como devemos reagir quando uma criança se porta mal?
Na altura, não reagimos. Quando um filho se porta mal, o pai também não está muito bem disposto. Duas pessoas mal dispostas, uma em frente à outra… não vai sair nenhuma lição dali. Mas isto depende das situações. Tomemos, por exemplo, uma criança que se porta recorrentemente mal em determinada situação. Eu posso planear com ela antes, numa conversa em que estamos as duas de cabeça fria, quais as consequências dessa ação. No momento em que ela comete o erro, aplica-se a consequência. Mas aplica-se mesmo — há pais que, depois de o dizerem, não o fazem. 

Qual a diferença entre o castigo e a consequência?
O castigo traz sentimentos negativos. A consequência implica eu dizer à criança “tu és livre de escolher fazer errado e, caso o faças, tens uma consequência”. O castigo, ao contrário da consequência, não tem um valor duradouro. O castigo interrompe, no momento, o mau comportamento. É um facto. Mas não ensina competências. A criança deve ter alguma autonomia, dependendo da idade. É a autonomia que a vai treinar para ser responsável na adolescência. 

O castigo e a consequência remetem para a culpabilização dos pais?
Acredito profundamente que a culpa é o sentimento mais inútil que existe porque não nos faz partir para a ação. A responsabilidade, sim, “olha” para o erro como uma oportunidade valiosa de aprender qualquer coisa. A culpabilização não adianta de nada. Aliás, há muitos pais que não conseguem fazer este salto, entre a culpa e a responsabilidade, porque sabem que vão ter de fazer as coisas de forma diferente. Às vezes, a única maneira implica sair da nossa zona de conforto. Isso dá muito trabalho. Acredito profundamente que a culpa também é uma desculpa para as pessoas não mudarem, mesmo sabendo que aquilo está mal. O que é diferente custa e dá trabalho. 

Há casos em que os pais sentem culpa desnecessariamente…
Os pais, muitas vezes, tentam proteger as crianças de coisas pelas quais elas têm de passar para ganhar determinadas competências. Nós vamos sempre em socorro. Mais, sentimo-nos culpados e responsáveis por aquilo que uma criança está a sentir em determinado momento. Por exemplo, a partida de um avô. A maior parte dos pais quer proteger os miúdos daquele sentimento de dor. Mas, do ponto de vista do crescimento, é muito mais interessante nós enfrentarmos a dor e, ao mesmo tempo, ensinarmos os filhos a lidar com ela. Acho que a culpabilização dos pais também existe por coisas que não são da competência deles, que a própria criança tem de fazer por ela. 

Às vezes, olhamos para os filhos como sendo parte de nós. Não. Eles têm de cair, magoar-se, têm de sofrer. É esse treino, enquanto estão num ambiente protegido, que lhes vai dar ferramentas. Quando forem maiores vão poder usar aquilo que aprenderam em casa dos pais. 

Fala em encorajar e em elogiar. Quais são as diferenças?
Para já, o elogio vem sempre de fora, de fora de mim. Vamos estar sempre dependentes dele. O pai que encoraja o seu miúdo nas coisas boas e menos boas está a ensinar-lhe a ferramenta do auto-encorajamento. Mas a maior diferença é que o elogio só pode ser usado quando as coisas correm bem. O encorajamento pode e deve ser usado quando a criança mais precisa, quando as coisas correm mal. O elogio pode vir às vezes, mas não porque a criança fez a cama. É preciso que esta, por exemplo, obtenha uma conquista depois de vários meses de esforço. Porque todos gostam de uma recompensa. Isto é: elogio de quando em vez, mas não como um padrão; encorajamento sempre, sempre, sempre. Não há overdose de encorajamento. 

Podemos amar incondicionalmente um filho?
Isso é uma coisa muito difícil. Nós não amamos incondicionalmente a maior parte das vezes. O sucesso cognitivo é, por vezes, a medida do nosso amor. Ou seja, muitas vezes ficamos aborrecidos com os miúdos e tristes porque, por exemplo, não conseguiram passar de ano. O amor incondicional é amar independentemente daquilo que o filho faça, mesmo que isso seja muito mau. É um exercício muito difícil. 

Os pais personalizam. O exercício da paternidade é também um teste ao narcisismo dos pais porque estes levam as coisas para a esfera pessoal. O comportamento dos filhos é a avaliação da sua própria competência enquanto pai. Os pais têm de saber a diferença entre temperamento e comportamento. 

Há crianças que mandam nos pais?
Sim, muitas mais do que aquelas que imaginamos. Há filhos que, quando chegam a uma casa, transformam-na por completo: em todas as assoalhadas há fotos e brinquedos das crianças. É uma mensagem muito poderosa. Os pais, quando têm um filho, têm noção que o ato é uma raridade, um milagre e um luxo. Divinizamos os bebés desde cedo e, por isso, estamos a transformá-los em miúdos tiranos. Quando digo “és o centro do mundo”, a criança aceita isso. O que vem dos pais tem força de lei. Os pais são o exemplo, mesmo que sejam o mau exemplo. 

Se tivesse de escolher uma posição, Estivill ou González?
Eu concordo totalmente com a perspectiva do González, tirando um pormenor ou outro. Assino por baixo. Na área da alimentação, González fala da fisiologia do apetite, ou seja, o miúdo, tendo determinadas necessidades calóricas e a volumetria própria do estômago, não pode ser obrigado a comer uma banana quando já é o terceiro item da refeição e é um ¼ da sua altura. É mais uma questão se a criança tem apetite ou não. É um ato de amor quando cozinhamos para o nosso filho, mas não temos de achar que, quando ele não come, que não nos ama ou não nos aceita enquanto mães. 

No caso do sono, acho que os pais devem adotar as técnicas do Estivill apenas em casos de desespero. Fora isso, a cama dos pais é o melhor lugar do mundo para uma criança. Não vejo mal em que esta durma com os pais, desde que não seja pelos motivos errados (como uma mãe que acabou de se divorciar e está a utilizar o miúdo como uma ferramenta para substituir o corpo ausente do marido) e que a criança seja capaz de, posteriormente, voltar para a sua cama e adormecer sozinha."


sexta-feira, 19 de julho de 2013

das evidências 'empíricas' (?) [agora também, na academia ou fora dela, precisamos (cada vez mais) de 'estudos' sobre tudo e mais alguma coisa... quando a percepção e intuição nos dão uma (quase) certeza da 'realidade'...!]... mau comportamento é fruto da educação dada pelos pais desde o  berço, segundo uma investigação... na sic notícias...!

"A má prática educativa, explicou, ocorre em todas classes socioeconómicas  e mesmo em ambientes familiares normais quando por exemplo os pais se desautorizam  em frente à criança, quando quebram rotinas ou quando delegam competências.

A sociedade, defende o autor em declarações à agência Lusa, desaprendeu  a arte de educar os filhos e a comportarem-se em sociedade, delegando nas  estruturas essa responsabilidade. Uma aposta que considera errada.
 
A educação desde o nascimento, diz, determina efetivamente o percurso  de uma criança, porque "tudo começa no berço" à exceção de uma pequena minoria  em que há de facto problemas no desenvolvimento ou distúrbios psicopatológicos."