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segunda-feira, 7 de setembro de 2015

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

não que seja novidade e tinha de dar polémica [turmas de nível e outras arrumações]... separar bons e maus alunos dá resultado...!


no jn...

e o pouco que está disponível da ligação 'online':

"Escola dividiu estudantes em função das notas e juntou os de pior desempenho em turmas com apoio reforçado vMedida alvo de críticas é agora aplaudida

A polémica rapidamente deu lugar a aplausos. A Escola João Gonçalves Zarco juntou os alunos com mais dificuldades em turmas onde foi reforçado o apoio. Os resultados foram positivos e o projeto alargado.


Designado "Zarcompensa", o projeto da escola básica e secundária de Matosinhos arrancou, no ano letivo passado, em duas turmas dos 8.o e 10.o anos. O primeiro passo foi fazer testes de diagnóstico a Português e Matemática. Os resultados, em conjugação com as notas anteriores, permitiram aferir o nível de conhecimentos às duas disciplinas. A seguir, foram constituídas turmas com os alunos com mais dificuldades.


Os pais reagiram com apreensão e desconfiança. "Os nossos filhos vão para uma turma de 'burros'?" - era a pergunta que Maria Rosa Carvalho, da associação de pais, mais ouvia dos apreensivos encarregados de educação. "Eu compreendia porque se fosse com o meu filho também ficava preocupada, mas houve, por parte da escola, um grande esforço para esclarecer todas as dúvidas.""

aqui. 

quarta-feira, 13 de junho de 2012

opinião... sobre as turmas de nível [com as quais concordo... em determinadas condições...!]... de armanda zenhas...!

"Muito se tem falado sobre a possibilidade de formação de turmas de nível, o nome que se dá hoje em dia àquilo que nos meus tempos de estudante se aplicava apenas a filas de cada turma: a "fila dos burros" e a "fila dos inteligentes". A criança que eu era na altura, apesar de ter a sorte de estar na segunda dessas filas, achava degradante esta distinção e sentia revolta por ver colegas minhas (as turmas não eram mistas) assim discriminadas e humilhadas.

Hoje sou adulta e sou professora. Continuo a sentir da mesma forma relativamente à diferenciação dos estudantes em turmas de nível. Promoção de condições de aprendizagem? Não me parece que seja esse o seu resultado. Discriminação e rotulação são consequências certas. Vejamos um pouco mais pormenorizadamente algumas das consequências.

A formação de turmas de níveis de conhecimento provoca uma segregação nas escolas e um espírito competitivo, individualista e até egoísta. Aos níveis de conhecimento vêm, com muita facilidade, associados os níveis de comportamento e também a proveniência social. A estratificação vai-se consolidando e a escola para todos, que deveria suprir as carências que as crianças encontram na sociedade, cada vez menos cumprirá essa função e cada vez mais reproduzirá e agravará as diferenças. É inquestionável que a escola tem uma linguagem e uma cultura mais próximas da das classes sociais mais favorecidas, o que faz com que as crianças delas provenientes tenham, à partida, mais condições de sucesso.

A criação de turmas de nível cria expectativas relativamente ao sucesso dos seus estudantes, tanto neles próprios, como nos professores ou nas famílias. É o chamado efeito de Pigmalião, estudado por psicólogos americanos, que concluíram que as expectativas dos professores influenciam os resultados dos alunos (para o bem e para o mal). Ideia idêntica é transmitida pelo conceito de profecia autorrealizada, que explica que, se as pessoas acreditam em algo, mesmo que não seja verdadeiro, atuam como se o resultado fosse inevitável e ele acaba por se concretizar. Quem nunca ouviu pais explicarem que os seus filhos não são bons a Matemática porque eles próprios e toda a família sempre foram "burros para as contas"? E a profecia da família vai-se autorrealizando, porque a criança não acredita nas suas possibilidades de obter sucesso.

Em turmas de nível muito fraco, os alunos perdem a possibilidade de aprenderem uns com os outros. Nesse processo de aprendizagem interpares, beneficiam os alunos mais bem-sucedidos e os que têm mais dificuldades. Muitas vezes, a linguagem dos pares é mais próxima e mais clara, pelo que os que têm dificuldades conseguem resolvê-las; quem explica também beneficia, pois a matéria torna-se-lhes mais clara. Se alargarmos os benefícios para além das aquisições académicas, vemos que os estudantes desenvolvem competências de comunicação, espírito de solidariedade e de entreajuda, por exemplo.

Não são apenas os alunos de fraco rendimento que são prejudicados pelas turmas de nível. Nas turmas de alto rendimento irão existir estudantes antes considerados bons que não vão conseguir estar ao nível dos melhores, gerando-se fenómenos de falta de autoestima e desinvestimento escolar.

Há ainda a acrescentar que a formação destas turmas tem em conta os resultados das aprendizagens e não o processo e o progresso.

É certo que o MEC tem referido modelos como o "Turma Mais" e o "Fénix", que têm servido de argumento para a possibilidade de surgimento de turmas de nível. Contudo, estes projetos surgiram em contextos específicos, com apoios de instituições universitárias e com condições que não serão, certamente, aquelas que serão proporcionadas às escolas no próximo ano letivo, que já traz a promessa de turmas maiores e de menos espaços de apoio aos alunos (ex.: desaparecimento do Estudo Acompanhado e da Formação Cívica).

Por fim, gostaria de salientar que turmas organizadas por níveis favorecem a estratificação social e a reprodução de conhecimentos para serem debitados em exames, não promovendo a formação global do cidadão capaz de cooperar e de interagir numa sociedade heterogénea, como é aquela em que vivemos
."

daqui.

sábado, 21 de abril de 2012

da revisão da estrutura curricular... do despacho de organização das turmas... de helena damião...!

"Uma das medidas do Ministério da Educação e Cultura para o ensino básico é a divisão dos alunos por níveis de aprendizagem. Ajudará ela a melhorar o sucesso escolar e a diminir o abandono escolar?

Da leitura do documento da Reorganização infere-se que os alunos poderão ter um acompanhamento académico diferenciado consoante a sua evolução na aprendizagem. Se bem aplicada, pode ser uma medida adequada pelo que passo a explicar. O ideal seria que todos os alunos acompanhessem ao mesmo ritmo e com o mesmo sucesso o ensino. Mas sabemos que não é assim. Por razões diversas, de ordem social, afectiva, cognitiva, e muitas outras, alguns alunos ou, melhor, todos os alunos, em determinados momentos, não fazem certas aquisições de modo satisfatório. Sabemos que essas “falhas” repercutir-se-ão e ganharão mais impacto nas aquisições seguintes e ainda mais nas próximas, até se chegar a um ponto em que é difícil perceber o estado de desenvolvimento académico em que os alunos se encontram e a partir do qual é preciso intervir. Além disso, os alunos poderão criar e consolidar a ideia de que não são capazes de aprender, que são inaptos para determinadas áreas, ou, ao contrário, que não importa o que aprendem pois o resultado é sempre vantajoso em termos de transição. Por exemplo, se não se apropriarem, em devido tempo, de técnicas básicas de escrita e se nada for feito, muito dificilmente conseguirão escrever um texto coerente, lógico, o que, pode desencadear comportamentos desajustados, ansiedade, etc.

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Não será discriminatório agrupar alunos de acordo com esses níveis?


Penso que quando refere “discriminatório” está a referir-se ao aspecto social, à relação com os pares, e também ao aspecto afectivo, à imagem que o aluno faz de si mesmo. Talvez seja, porque, de modo paradoxal, no tempo em que vivemos, afirma-se constantemente a diferença ao mesmo tempo que se afasta qualquer possibilidade de distinção. Mas é possível que isso esteja mais na cabeça dos adultos. Se fizermos crer às crianças, desde que entram na escola, que ninguém é bom em tudo nem mau em tudo e que quando se é menos bom pode ter-se ajuda para melhorar, não estaremos a perturbar substancialmente a semelhança aos outros nem a sua identidade. Pior será deixá-las somar fracassos atrás de fracassos, fazendo de conta que está tudo bem, ou que nada há a fazer. Ainda que, aparentemente com bons propósitos, está-se a enganá-los, a impedir que aprendam. A preocupação de prestar uma atenção diferenciada aos alunos, tanto aos que evidenciam dificuldades ocasionais, como aos que estão a aprender bem e depressa determinadas matérias é, na verdade, um dever. Tem de procurar-se dar resposta a todos e a cada.

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Tem, então, de encarar-se o problema da diversidade de níveis de aprendizagem?


Como não gostamos muito da ideia da separação dos alunos em função da aprendizagem que alcançam, temos fechado os olhos, fingindo que o problema não existe. Mas ele existe, é real. Devo dizer que B.F. Skinner, um psicólogo e pedagogo behaviorista pô-lo no centro das suas preocupações. Considerando que todos os alunos aprendem o que se entende que devem aprender, propôs uma solução que não será a solução que hoje nos servirá, pois dispomos de conhecimentos mais avançados, mas isto só para dizer que o problema pode e deve ser encarado. Dar apoio especializado a alunos que manifestem problemas em determinados sectores da aprendizagem, logo que eles os manifestem, e depois de os superarem voltarem ao curso, digamos, regular da aprendizagem, parece uma solução. Em Portugal no âmbito do “Programa mais sucesso” do Ministério da Educação isso já é tentado há vários anos.

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Poderá esta opção educacional aproximar-se do modelo alemão que subdivide o seu ensino mediante o aproveitamento escolar?


Não conheço suficientemente bem o sistema de ensino alemão para lhe dar uma resposta que vá além de uma opinião superficial. Mas talvez seja importante pensarmos que, numa determinada altura do percurso escolar, os alunos possam seguir caminhos diversos, conforme o perfil que vão evidenciando. A falta de aproveitamento académico pode estar associada, à normalização e à consequente falta de valorização dos talentos de cada um.

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Uma outra questão é o aumento do número de alunos por turma. 
Como pode um professor lidar com 30 alunos e atender aos mais diferentes níveis de aprendizagem?

Li, de facto, na imprensa que os Agrupamentos de escolas ou Escolas não agrupadas, ao abrigo da sua Autonomia, poderão constituir turmas com 30 alunos. Ao que soube Espanha fez a mesma opção de aumentar a dimensão dos grupos-turma. Admito que algumas turmas poderão funcionar adequadamente com 30 alunos, mas serão alunos que manifestam comportamento adequado e que estão envolvidos e seguem a aprendizagem. Em turmas onde estes dois requisitos não estejam presentes é preciso que os professores exerçam uma maior supervisão e controlo, o que não me parece possível ser concretizado com esse número. Por outro lado, para gerir turmas alargadas os professores têm de ter grande destreza pedagógica e didáctica, têm de ter disponibilidade para preparar as suas aulas, para analisar os trabalhos realizados e pensar nas melhores alternativas de ensino, têm de estar concentrados nas tarefas de sala de aula. Logo têm de ser libertados das inúmeras tarefas que os preocupam e lhe tomam a maior parte do tempo útil e a sua energia profissional."