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sábado, 27 de junho de 2015

coisas da correcção linguística... o bem escrever...!






no expresso em linha...



"Um dicionário é um livro frio? Errado. Um dicionário não é para ser lido do princípio ao fim, mas para ser consultado? Errado. Um dicionário apresenta as palavras corretas? Errado. Foi assim, um pouco ao contrário das expectativas, que Manuel Monteiro, revisor de profissão, estruturou o seu “Dicionário de Erros Frequentes da Língua”. Um livro para pôr ordem numa casa confusa, a casa da Língua Portuguesa. Pedimos-lhe que escrevesse uma carta de amor. Saiu um bilhete. E confrontámo-lo com a paixão pela Língua, tudo explicado por Manuel Monteiro, ele mesmo. 

Desde 2004 que Manuel Monteiro é revisor - e agora também formador profissional de revisão de textos - e já publicou ficção (“O Suave e o Negro”). Com o dicionário, da Soregra editores, traz para a discussão palavras e situações que muitas pessoas usam de forma incorreta e outras que a maior parte das pessoas desconhecia totalmente. Como “vocês ainda terão saudades nossas”, quando deve ser “vocês ainda terão saudades de nós”; ou “isto é uma verdadeira salganhada”, em vez de “isto é uma verdadeira salgalhada”, a forma correta.




A palavra a Manuel Monteiro


Porque é que começou a colecionar erros de Português? Como os organiza na sua coleção? Entre “comuns” e “raros” ou há mais categorias?

Quando comecei a trabalhar como revisor literário, em 2004, fui armazenando erros frequentes e pouco conhecidos, até porque o que havia sobre o assunto era muito antigo ou muito superficial. Dar aulas diariamente de revisão de textos também me ajudou. As dúvidas dos alunos obrigam-me a estudar todos os dias. Demorei dez anos a respigar, a investigar, a debater com outros filólogos, revisores, professores. Não compilei os erros mais básicos, como “não chegas-te a horas”, “à uma semana”, “tu fizestes”.

Falamos e escrevemos mal porque ouvimos mal? Devíamos ser mais bem alfabetizados ou ter aulas de fonética?

A linguagem pública degrada-se dia a dia, recorrendo cada vez mais ao mesmo saco de 100/150 palavras; os anglicismos, mormente do baixo inglês — da finança, do jargão empresarial, da publicidade, da tecnologia — obsidiam-nos por toda a parte; os dicionários de grande consumo não distinguem palavra portuguesa de palavra estrangeira e vergam-se freneticamente àquilo a que chamo “o erro ou desvio da norma a vencer pelo cansaço”. Se a fonética fosse bem ensinada, não haveria tantos escreventes a não distinguir “cai” de “caí”. Aprendemos a decorar, não a compreender. Podemos compreender com o cérebro e também com o ouvido.

As aulas de Latim fazem falta?

Sim. Como a etimologia, os estudos clássicos, a leitura de Camilo. Com a pletora de estímulos a tombar de minuto a minuto, as pessoas perdem memória, capacidade de concentração, de reflexão, de ligação entre as coisas.

Ficou assim por ser filho de uma professora de Português?

O facto de a minha mãe ter muitos livros sobre Língua ajudou-me. Os meus pais sempre falaram de literatura comigo. Importante foi também o meu amigo Alberto Castro Ferreira, que me doou uns trezentos livros de filologia de Portugal e do Brasil, alguns dos quais não estavam no “mercado”, em bibliotecas e nem sequer em alfarrabistas.

Respeita o Acordo Ortográfico ou é um resistente?

Por razões muito longas de explicar, sou um resistente. Não aceito que “falámos”, “pára”, “pêlo” possam perder o acento; que “cor-de-laranja” perca os hífenes, mas “cor-de-rosa” não; que beber um copinho de leite seja o mesmo que uma pessoa que é um copinho-de-leite (com o Acordo de 1990, perde os hífenes).

É revisor. Já pensou em cobrar por cada gralha e erro encontrado?

O revisor deve folhear o livro antes de apresentar o orçamento. Como a conta é feita por caracteres, deve sopesar o trabalho que terá com um livro imundo e com um livro relativamente limpo.

Qual o futuro da Língua Portuguesa?
 
Assusta-me ouvir pais que delegam nos corretores a reescrita dos erros, transferindo o saber que os filhos deveriam ter para a máquina, que, de resto, é altamente falível, nomeadamente quanto à sintaxe. Assusta-me ouvir professores contentinhos com o menor número de erros dos alunos derivado das duplas grafias do Acordo ou do uso facultativo de maiúsculas ou da perda dos hífenes para conceitos distintos. Há adolescentes que escrevem com tantas abreviaturas e ícones que eu não consigo entender o que ali está. Também tenho alguma dificuldade em perceber o que alguns dizem, dada a forma como falam, não silabando, pronunciando cada vez mais rapidamente as palavras.

Como nasceu a sua paixão pela língua Portuguesa? O que tem ela de tão atraente?

A sua vasta sinonímia. 

Conseguiria apaixonar-se por uma mulher que falasse mal Português?

Talvez. Uma pessoa não é só o seu intelecto. Veja o Joyce e a Nora..."


e, já agora:

"A carta de amor, escrita de modo correto"


"

As palavras e expressões corretas e, entre parêntesis, os erros e / ou as explicações


Saudades de ti (saudades tuas
Olhos azul-claros (as cores compostas são sempre hifenizadas e o plural é aplicado apenas no último elemento e apenas quando este é de natureza adjetival)
Atenazar (é apertar com a tenaz, com o sentido de afligir)
Pelo visto (perante aquilo que foi visto, não vai no plural)
Espoletou-me (despoletar é tirar a espoleta, o que serve para inflamar a carga de pólvora dos projéteis das armas de fogo. Sem espoleta não há explosão. Despoletar é travar)
Cartapácio (e não catrapázio. Carta ou mensagem muito grande, livro de lembranças ou apontamentos. Em sentido figurado, é material de leitura entediante)
Caterva (catrefada é a distorção de “caterva” - batalhão, em latim. Significa grande e indeterminada quantidade de coisas)
Namorar (não se namora com determinada pessoa, mas namora-se determinada pessoa)
Tal e qual (não usar a conjunção)
Estada / estadia (são conceitos diferentes, estada é o ato de estar, estadia é a demora)

"

sexta-feira, 22 de maio de 2015

o destaque do dia... (d)os dislates eduqueses...!

na verdade esta notícia já não me surpreende, pois na minha vida de professor e em várias andanças por diferentes escolas encontrei [vi e li] exemplos paradigmáticos do puro pedagogismo eduquês, que pretendia levar os problemas à realidade dos alunos...

este é um exemplo inventado, mas similar a [pelo menos um que li] perguntas em testes de matemática, não por acaso (?):

"o joão roubou três (3) telemóveis na vizinhança da sua escola.
como conseguia aceder aos dados de cada um deles, formatou-os de raiz.
escolheu para ele o mais avançado e foi vender os outros dois (2) na escola, aos colegas.
os três telemóveis 'valiam' trezentos (300) euro e aquele que escolheu para si valia cento e cinquenta (150) euro.
quanto é que o joão 'ganhou' com a venda dos dois (2) telemóveis?"


é esto o espírito da coisa educativa...?


no público...

sexta-feira, 17 de abril de 2015

reforma do estado (?)... com cascais [como já vem sendo hábito] na berlinda e pelas más razões...?

no observador...

"...

Agora, com a mesma estratégia do Aproximar, o Executivo está a proceder à descentralização de competências nas áreas da Educação, Saúde e Cultura, negociando estas medidas com vários municípios. A área mais avançada é a Educação, que conta já com 13 municípios – Águeda, Amadora, Batalha, Cascais, Crato, Matosinhos, Óbidos, Oeiras, Oliveira de Azeméis, Oliveira do Bairro, Souselo, Vila de Rei e Vila Nova de Famalicão – que no próximo mês de setembro terão escolas geridas por si. Estes municípios vão assim poder decidir sobre a constituição das turmas, horários e calendário escolar, assim como definir a oferta de disciplinas na escola, desde que cumpram as metas curriculares definidas pelo Ministério da Educação. As assembleias municipais vão agora deliberar sobre o contrato destes municípios com o Estado, tendo sido Cascais o primeiro município a conseguir esta aprovação.

..."

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

coisas da educação [ensino à distância]... tecnologias e aprendizagem em linha [é sempre bom ir estando a par das novidades]...!


no observador...

"Qual é o futuro da educação? Salman Khan acha que é preciso “virar as salas de aula ao contrário”. Mas quais são as possibilidades para quem não tem tempo, por alguma razão, para ir às aulas? O Observador reuniu uma lista de sete plataformas onde é possível aprender, fazer cursos mais e menos aprofundados, sobre os mais diversos temas, a custo zero (ou quase). Tudo o que precisa é uma ligação à internet. Para comparecer na aula, basta ligar o computador, à hora que quiser.
  • Future Learn
O nome com que este projeto da Universidade Aberta foi batizado é ambicioso: o futuro da aprendizagem. Na página Future Learn, lançada em setembro de 2013, é possível encontrar mais de 100 cursos online diferentes, lecionados por professores de várias faculdades europeias de renome. Desde que foi criada, mais de um milhão de pessoas já se registou nesta plataforma.

Exemplos: Introdução à cibersegurança - com a duração de oito semanas.

Ébola com contexto: compreender o mecanismo de transmissão, estratégias de resposta e controlo - com a duração de duas semanas, oferecido pela Faculdade de Londres de Higiene e Medicina Tropical.
  • Udacity
Aprender com os melhores empreendedores de Silicon Valley é a promessa da Udacity. (Não, Mark Zuckerberg não faz parte da lista de professores, mas muitos dos funcionários dos altos escalões da Google estão.) Quem quiser aprender programação, design ou outra especialidade ligada ao campo tecnológico, este é o sítio. Porém, há um senão nesta plataforma: muitos dos cursos são pagos.

Exemplos: Como desenvolver aplicações para dispositivos Android, com o custo de 199 dólares por mês e a duração de 10 semanas.

Introdução à Ciência de Computadores, com o custo de 199 dólares por mês e a duração de 10 semanas.
  • Iversity
Fundado numa parceria de várias universidades alemãs, o Iversity oferece muitos cursos no campo da teoria das ideias, filosofia e relações públicas. Todos os cursos são gratuitos. Esta é a única página disponibiliza os mesmos cursos em duas línguas: inglês e alemão.

Exemplos: Pensamento crítico, com a duração de 10 semanas.

Técnicas para falar em público, com a duração de quatro semanas.
  • Coursera
De todas as plataformas para aprender online, o Coursera é, sem dúvida, a mais conhecida. A página disponibiliza quase mil cursos diferentes, em mais de 10 línguas diferentes. Existem 33 cursos totalmente lecionados em português. Os cursos são gratuitos, mas para pedir o diploma de conclusão paga-se, em média, 30 dólares.

Exemplos: As ferramentas do cientista de dados, com a duração de quatro semanas.
Introdução à sustentabilidade, com a duração de oito semanas.
  • Openuped
Com universidades de todo o mundo associadas, a Openuped destaca-se por trazer as faculdades asiáticas para o ensino online. Porém, o design desta página é aquele com a navegação menos intuitiva de todas as plataformas para aprender online. Existem alguns cursos em português, apesar de estarem a ser lecionados neste momento. 

Exemplos: Mudanças climáticas, com a duração de oito semanas. 

Design de marcas, com a duração de quatro semanas.
  • EDX
Logo atrás do Coursera na lista das plataformas de aprendizagem na internet aparece o EDXCom uma grande variedade de temas, esta plataforma oferece cursos de curta duração, tal como as restantes páginas, mas, recentemente, lançou também uma secção de especializações. Como os cursos, as especializações são totalmente lecionadas através da internet, mas o período de tempo pode estender-se até seis meses e o número de inscrições é limitado. Ah, as especializações são pagas. É possível pedir certificado de conclusão em alguns dos cursos, mas isso também tem o custo de 99 dólares.

Exemplos: Introdução ao sistema operativo Linux, com a duração de cinco semanas.

A ciência da felicidade, com a duração de oito semanas.
  • ECO Elearning
Com muitos cursos disponíveis em português, a plataforma EcoElearning foi fundada com o apoio da União Europeia. A Universidade Aberta portuguesa colabora com a página e é a principal responsável pelos cursos em português.

Exemplos: Competências digitais para professores, com a duração de quatro semanas.

Introdução aos Sistemas de Informação Geográfica, com a duração de três meses."


aqui.