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terça-feira, 3 de novembro de 2015

legislação [educação]... sucesso educativo e abandono escolar [dge]... no dre...!

Diário da República n.º 215/2015, Série II de 2015-11-03
 

Data de Publicação:2015-11-03
Data de Disponibilização:2015-11-03
Número:215
Série:II


Despacho n.º 12357/2015 - Diário da República n.º 215/2015, Série II de 2015-11-0370890424
Ministério da Educação e Ciência - Gabinete do Ministro
 
Cabe à Direção-Geral da Educação a coordenação das medidas de promoção do sucesso e redução do abandono escolar
 
Louvor n.º 619/2015 - Diário da República n.º 215/2015, Série II de 2015-11-0370890425
Ministério da Educação e Ciência - Gabinete do Secretário de Estado do Ensino Superior
 
Louvor aos Prof. Doutor Ana Paula Calvão Moreira da Silva, João Alberto Mendes Leal e Susana Cristina Silvestre Fonseca e Athayde de Carvalhosa, pelo trabalho desenvolvido no âmbito da comissão organizadora do seminário «Sucesso Académico'15»

terça-feira, 17 de junho de 2014

coisas da educação... 'dois terços dos alunos em risco de chumbo tiveram sucesso, com o apoio de empresários'...!


no observador...

"Em 2013, a EPIS (Empresários pela Inclusão Social) acompanhou 1659 alunos considerados em situação de insucesso escolar ou em risco de abandono, conseguindo uma taxa de aprovação de 67%, mais 147 alunos do que o que tinha registado no ano anterior. O teste está feito, com provas dadas, agora o desejo da EPIS é potenciar o programa: “Que deixe de ser da EPIS e que passe a ser de Portugal”, diz Diogo Simões Pereira.

A Associação EPIS esteve esta manhã na Assembleia da República para apresentar os resultados do programa ‘Mediadores para o Sucesso Escolar’, um programa privado que, espalhado pelo país, age localmente junto de jovens em risco de insucesso escolar através do acompanhamento de um mediador – um psicólogo, professor, assistente social. No terreno desde 2007, o programa contou nos últimos sete anos com uma equipa de 124 mediadores profissionais que fazem o acompanhamento dos alunos em quatro eixos de intervenção: aluno, escola, família e território.
“Estou mais confiante e mais feliz, e mais preparado para encarar outras coisas”, diz Adónis Fernandes, de 18 anos, um dos alunos que foi acompanhado por um mediador e que foi contemplado com uma das 29 bolsas, no valor global de 38.400€, que a EPIS atribuiu aos alunos.
Também João Ramalho, 18 anos, e Miguel Pereira, 14, são exemplos de jovens ao abrigo do programa ‘mediadores para o sucesso escolar’, que estiveram esta manhã no Parlamento para falar da sua experiência. Depois de chumbar quatro vezes, João elogia o trabalho da sua mediadora e garante: “Deixei de faltar as aulas, mudei o meu comportamento”. João foi outro dos contemplados pela bolsa de mérito e está neste momento a fazer um estágo remunerado na Sapec Agro, em Setúbal.

“Os mediadores trabalham com os alunos as várias competências não cognitivas, as chamadas soft skills, que vão desde o ser social, ser colaborativo ou ser consciencioso, à estabilidade emocional, ansiedade e stress”, explica Diogo Simões Pereira, diretor-geral da EPIS, que lamenta o “desinvestimento que tem sido feito na educação” e deixa críticas às “políticas públicas, que deviam contemplar estas competências”.

Mudar o chip nacional

“Sete anos de testes, e com resultados tão positivos, significam que o piloto funcionou, que a metodologia funciona, agora é preciso ousar”, avança Sérgio Figueiredo, da fundação EDP, uma das empresas parceiras do projeto. “O setor privado esteve aqui para construir uma prova de que o Estado pode através das políticas públicas mudar a chip e gerir as políticas educativas do seu território”.

Até aqui, o programa tem sido aplicado com o apoio das escolas e das autarquias, que não se poupam em elogios aos resultados. Celso Guerreiro, presidente da Câmara de Paredes, que foi a primeira parceira autárquica da EPIS em 2007, lamenta os “desinvestimentos na educação” por parte do Governo, uma vez que “é a capacitação dos nossos recursos humanos que garante a competitividade do país”, mas garante que a metodologia do programa Empresários pela Inclusão Social “resulta”: “em 2007 o concelho de Paredes era um dos que tinha números mais elevados em termos de abandono escolar e agora, com o financiamento do programa EPIS por parte de 43 empresas do concelho, a taxa desceu bastante”.

“O programa devia ser urgentemente alargado a todas as escolas do país”, disse esta manhã na Assembleia da República o diretor do projeto.

Para o futuro, Diogo Simões Pereira reforça o objetivo de alargamento do programa, com a entrada dos ‘mediadores para o sucesso escolar’ nos Açores e na Madeira e com a implementação do protocolo assinado com o Ministério da Educação com vista à inclusão da sua metodologia nas várias escolas do país, especialmente para os casos dos 2º e 3º ciclos que estão em territórios sociologicamente mais carenciados e em situação de risco de insucesso escolar.

Mas a ambição não acaba aí e os objetivos de combate ao insucesso escolar só serão conseguidos se houver um maior investimento. “O 3º ciclo em uma população escolar em risco muito elevada, mas os números são irreais se só tivermos cerca de 50% de cobertura nas necessidades do país”, diz Diogo Simões Pereira, acrescentando que “é preciso investimento nacional neste tipo de programas”."


coisas da educação... alunos, sucesso e empresários...?


no observador...

terça-feira, 11 de março de 2014

“complementaridade entre todos os recursos pedagógicos é a chave do sucesso educativo”... no educare...!

"Adalberto Dias de Carvalho, investigador do Observatório dos Recursos Educativos, refere que os computadores não podem subalternizar as potencialidades formativas da relação interpessoal direta. 

O Observatório dos Recursos Educativos (ORE) fez um balanço de recentes investigações sobre a utilização criteriosa dos recursos digitais em contextos educativos. A complementaridade entre os recursos digitais e os recursos educativos tradicionais - como o uso do lápis, da esferográfica, ou de manuais e livros impressos - não deve ser esquecida num mundo cada vez mais tecnológico. Os recursos digitais exercem um grande fascínio nos alunos e a sua utilização deve ser estimulada na sala de aula. Mas Adalberto Dias de Carvalho, professor catedrático e investigador do ORE, avisa que os professores têm de estar preparados para que as potencialidades educativas não sejam desperdiçadas ou para que não haja exageros na hora de ligar o botão. Deve haver regras nas salas de aula. Como, por exemplo, não desviar a utilização do computador para outros assuntos que não façam parte da lição. O investigador afirma, por outro lado, que é importante “combater a sensação de autossuficiência que os alunos poderão sentir, levando-os a secundarizar a observação das realidades que os rodeiam e em que vivem”. “O 'excesso' de informação pode também ter efeitos contraproducentes”, comenta. O tema continua a ser investigado pelo ORE.

EDUCARE.PT: É consensual para quem estuda a utilização de recursos digitais em contextos educativos que os computadores portáteis, os tablets e outros equipamentos homólogos não podem ser ignorados e têm benefícios. O rápido acesso à informação será a grande vantagem destes equipamentos? 

Adalberto Dias de Carvalho (ADC): Com certeza que a rapidez, a par da vasta informação a que se tem acesso de uma forma extremamente eficaz através dos computadores e de outros recursos similares, é atraente. Acontece, porém, que o “excesso” de informação pode também ter efeitos contraproducentes: assim, não só é preciso saber procurar essa informação como igualmente validá-la e tratá-la. Ora, tal exige um acompanhamento pedagógico muito próximo e sistemático por parte dos professores e dos educadores em geral. Na escola, em casa e atualmente em todos os lugares e ocasiões.

E: Poderá haver uma relação direta entre o aumento da motivação dos alunos e o recurso às novas tecnologias na sala de aula?
 
ADC: É flagrante que os recursos digitais, não só pela razões que referi anteriormente como de igual modo pelo fascínio que exercem as imagens que veiculam, pela constante inovação tecnológica e pela sensação de autonomia que suscitam, detêm um enorme poder de atração que deve ser positivamente explorado.

O risco é o de, se se perder o controlo, poderem acarretar uma fixação quase obsessiva que tenda a levar, nomeadamente as crianças e os jovens, a afastarem-se da restante vida do quotidiano e da própria socialização em contexto real. Em sala de aula, importa ainda ter presente que, enquanto utensílios didáticos que são, não podem subalternizar as potencialidades formativas da relação interpessoal direta.

E: Um estudo realizado no Canadá revela que em apenas 10 anos a taxa de abandono escolar passou de 42% para 22%. Os autores da pesquisa suspeitam que a distribuição, por parte da tutela, de computadores portáteis pelos alunos possa estar na origem dessa diminuição. Como analisa estes dados?

ADC: Trata-se, em qualquer das circunstâncias, de taxas de abandono escolar elevadíssimas! Acredito que a distribuição de computadores portáteis tenha sido um dos fatores para o decréscimo dessas taxas no Canadá, mas certamente que não foi o único. Seria ainda interessante sabermos se esse decréscimo foi sempre progressivo, se estabilizou ou se, passado o efeito da novidade, não se registaram retrocessos. Teríamos ainda de apurar que tipo e nível de aprendizagens ou de competências se verificaram... Seria igualmente interessante compararmos com o que se terá passado no nosso país com a distribuição massiva dos “Magalhães”.

E: Há indicações de que o rendimento em termos cognitivos do contacto com esses recursos tecnológicos parece ser menor quando comparado com dispositivos mais tradicionais, como a simples impressão em papel. Fala-se nos computadores, mas sublinha-se que o lápis, a esferográfica e o papel não podem desaparecer das salas de aula. Há riscos de isso acontecer?
 
ADC: Claro que entramos aqui de uma maneira ou de outra no domínio da futurologia. Acontece que o debate sobre o futuro do papel e do lápis tem já algumas décadas em que ciclicamente irrompem e esmorecem os vaticínios ou profecias acerca do seu desaparecimento. Tudo desaparecerá um dia, incluindo certamente os computadores... Temos, isso sim, de ser aqui cautelosos nos juízos e nas tentações fúteis de vanguardismo.

O que sabemos com segurança é que, a par das evidentes e imprescindíveis vantagens do universo das tecnologias do virtual, há aprendizagens que não podem ignorar as características únicas dos livros e demais materiais em papel, para além do carácter sensorial específico do seu próprio manuseamento. De facto, conforme consta de relatórios científicos internacionais compilados no estudo do ORE, por exemplo a apreensão de conteúdos de textos longos ocorre com um índice mais elevado de sucesso a partir do uso de textos impressos em papel, sendo que tal não tem a ver nem com níveis etários, nem com hábitos de leitura anteriores.

E: Os estudos recentes revelam que ler em papel é, em termos de desempenho cognitivo, mais rentável do que a leitura em formato digital. Os professores portugueses têm essa perceção?
 
ADC: Na verdade, os computadores, designadamente na sala de aula, podem provocar distrações grandes nos seus utilizadores diretos - sendo isso mais flagrante nas crianças - como nos colegas que se encontram ao seu lado. Ler uma história por um livro em papel tem frequentemente um efeito mais repousante, sobretudo se for na hora de adormecimento de uma criança, do que o que acontece, em sentido inverso, por efeito da luminosidade dos tablets.

É evidente ainda que o acesso sempre iminente a outros elementos que o computador proporciona implica o uso de uma disciplina e de uma determinação em que as crianças têm naturalmente mais fragilidades.

A utilização de recursos digitais na sala de aula, que deve ser estimulada, tem contudo de ser criteriosamente explorada, como tudo o que são recursos pedagógicos. Mas, para isso, antes de mais, os professores têm de estar preparados para o efeito sob pena de haver ou desperdícios de potencialidades educativas ou um uso desordenado das mesmas por excesso, por defeito ou ainda por pura e simples inadequação às diversas situações concretas de aprendizagem. A complementaridade entre todos os recursos pedagógicos disponíveis é, com certeza, a chave do sucesso educativo.

E: Os professores devem estabelecer regras nas salas de aula para a utilização desses recursos? Qual o caminho a seguir para uma utilização didaticamente cuidada?
 
ADC: Em sala de aula - o que terá também reflexos em toda a vida das crianças e dos jovens - é imprescindível a existência de regras de que os alunos devem ter conhecimento. Um exemplo simples: os alunos, de uma forma geral, não poderão desviar a utilização do computador para assuntos diversos dos que estão a ser abordados, o que é para eles sempre uma tentação precisamente pela enorme facilidade e rapidez de acesso.

Há, com certeza, desde logo, novas formas de trabalho autónomo dos alunos pelo acesso direto a informações, documentários, debates, etc., antes inacessíveis. Há igualmente a possibilidade de explorar nomeadamente as possibilidades de contacto com crianças e jovens de todo o mundo via Skype. Mas importa combater a sensação de autossuficiência que os alunos poderão assim sentir, levando-os a secundarizar a observação das realidades que os rodeiam e em que vivem mas que, de um modo ou de outro, acabarão por os surpreender, inclusive pelo seu realismo.

E: Na Coreia do Sul fala-se já numa “demência digital” em adolescentes que afeta a memória e a capacidade de concentração. Será este um caminho sem retorno?
 
ADC: É verdade que na Coreia do Sul, potência das tecnologias virtuais, ao mesmo tempo que o governo aposta na implantação plena dessas tecnologias nas escolas, vários estudos de cientistas do mesmo país alertam para os riscos de uma utilização obsessiva, incluindo o das perturbações demenciais. Daí a necessidade de se reforçar o papel educativo e preventivo das escolas nestes domínios, habituando as crianças, desde cedo, a uma utilização diversificada e adequada das potencialidades quer dos computadores quer dos livros e outros materiais em papel. "
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