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sábado, 16 de dezembro de 2017
segunda-feira, 3 de novembro de 2014
terça-feira, 14 de outubro de 2014
leitura [educação]... avaliação de desempenho de professores [vários artigos]... sob a batuta de joão ruivo...!
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quinta-feira, 24 de julho de 2014
domingo, 30 de março de 2014
coisas da (des)educação... 'a escola ainda tem futuro?'... pergunta joão ruivo...!
(continuação)...
Sobre a Escola, há governantes que aprenderam a mentir: sabem que ainda não foi inventada qualquer instituição que a possa substituir. Sabem ainda que os professores são os grandes construtores de todos os amanhãs. E, por isso, têm medo. Medo, porque a Escola é das poucas organizações que todos os governantes conhecem bem. Habituaram-se a observá-la por dentro, desde a mais tenra idade. E, por essa razão, sabem-lhe o poder e a fatalidade de não ser dispensável, silenciável, transferível, aposentável, exonerável ou extinguível. Então, dizíamos, têm medo e, sobre ela, mentem.
Mentem sobre a Escola e sobre os professores. Todos os dias lhes exigem mais e dizem que fazem menos. E não é verdade.
Em relação à Escola e aos professores, a toda a hora o Estado, a sociedade e as famílias se descartam e para aí passam cada vez mais responsabilidades que não são capazes (ou por comodismo não querem…) assumir. Hoje, a Escola obriga-se a prevenir a toxicodependência, a educar para a cidadania, a formar para o empreendedorismo, a promover uma cultura ecológica e de defesa do meio ambiente, a motivar para a prevenção rodoviária, a transmitir princípios de educação sexual, a desenvolver hábitos alimentares saudáveis, a prevenir a Sida e outras doenças sexualmente transmissíveis, a utilizar as novas tecnologias da comunicação e da informação, a combater a violência, o racismo e o belicismo, a reconhecer as vantagens do multiculturalismo, a impregnar os jovens de valores socialmente relevantes, a prepará-los para enfrentarem com sucesso a globalização e a sociedade do conhecimento, e sabe-se lá mais o quê…
Acham pouco? Então tentem fazer mais e melhor… E, sobretudo, não coloquem a auto estima dos professores abaixo dos tornozelos com a divulgação pública de suspeitas infundadas e eticamente inadmissíveis.
É que não há Escola contra a Escola. Não há progresso que se trilhe contra os profissionais da educação. Não há políticas educativas sérias a gosto de birras e conjunturas que alimentam os egos pessoais de alguns governantes. Não há medidas que tenham futuro se não galvanizarem na sua aplicação os principais agentes das mudanças educativas: os educadores e os professores.
O futuro da Escola está para lá das pequenas mediocridades e dos tiques de arrogância que algumas circunstâncias sustentam.
A Escola não é um bem descartável, a gosto de modas e de pseudo conveniências financeiras e orçamentais. A Escola vale muito mais que tudo isso. Vale bem mais do que aqueles que a atacam. Vale por mérito próprio, por serviço ininterruptamente prestado, socialmente avaliado e geracionalmente validado. Por tudo isso, a Escola tem muito e indiscutível futuro.
aqui.
sábado, 4 de janeiro de 2014
coisas [da educação]... 'tentaram quebrar a espinha dorsal aos docentes?'... de joão ruivo...!
"No meu livro “O Desencanto dos Professores”,
reuni um conjunto de artigos que escrevi numa conjuntura que considero
das mais hostis para os profissionais da educação em Portugal.
Vai levar tempo para erguer, acima dos tornozelos, a autoestima dos
professores, para recuperar a sua imagem social, e para chamar novamente
à profissão os melhores e os mais capazes. As perdas são, em tempo,
custo e envolvimento de recursos humanos, incalculáveis. O tempo, a seu
tempo, o dirá.
O pior que pode acontecer a um povo é perder a sua memória coletiva. Vale a pena, então, lembrar...
A ideia lançada, inicial e subliminarmente, de que os professores eram
uns “madraços”, que acumulavam incontáveis faltas ao serviço, que
gozavam férias e mordomias só permitidas a grupos privilegiados, e que
desperdiçavam os enormes meios financeiros com eles despendidos,
constituiu a maior ofensa, a mais inqualificável infâmia perpetrada
perante uma classe altruísta, que todos os dias, no seu posto de
trabalho, deu o seu melhor pelo aperfeiçoamento das qualificações dos
portugueses e pelo desenvolvimento social, económico e cultural do seu
país.
Não é novidade. O cenário revelava-se propício e constituiu a porta
aberta para o que se lhe seguiu: alteração e aumento compulsivo de
funções e tarefas cometidas aos docentes, colocando-os na vertigem da
desprofissionalização; divisão da classe, através de uma estratificação
artificial da carreira; implementação de processos de avaliação de
desempenho administrativos, burocráticos e estigmatizantes; redução
artificial de cargas horárias e alterações aos planos curriculares ao
sabor das circunstâncias, provocando-se, desnecessariamente, o maior
desemprego conhecido, até hoje, na classe; introdução de novas
tecnologias na escola, sem formação antecipada dos intervenientes no ato
educativo, no que se revelou ser uma insensatez face ao esbanjamento de
dinheiros públicos em negócios e parcerias com empresas privadas…
Desde então, a escola tendeu para um espaço de desencantos e
desencontros, onde os profissionais da educação começaram a ser chamados
para refletirem pouco sobre o ato educativo e, em substituição, a
reunirem muito em redor da aplicação de normativos e procedimentos de
natureza burocrático-administrativa.
Neste quadro, milhares de docentes preferiram solicitar a sua
aposentação antecipada, com graves penalizações nas suas pensões, no que
constituiu uma desnecessária sangria de quadros qualificados e
experientes. Ou seja: ao abandono precoce das escolas por parte dos
alunos, temos agora que acrescentar o abandono precoce da profissão por
parte dos professores.
E isto tudo num país que ainda precisa de muita escola e de mais e
melhor qualificação dos seus cidadãos. Que desperdício inqualificável
formar um docente para o deixar partir para uma aposentação precoce, ou
deixá-lo desocupado, numa etapa da sua carreira em que revelava mais
controlo, segurança e maturidade….
Por todas estas razões, o descontentamento trouxe à rua milhares de
professores, proliferaram os movimentos de docentes à margem das
organizações sindicais tradicionais, e as redes sociais e os blogues de
docentes constituíram o elo de ligação de um grupo profissional que,
apesar de tudo, recusou cruzar os braços e preferiu levantar a voz da
indignação e envolver-se na defesa de uma escola pública onde seja
gratificante ensinar e compensatório aprender.
Hoje, apesar da adversa conjuntura em que ainda vive a escola
portuguesa, estamos em crer que se alguém quis quebrar a espinha dorsal
aos docentes não o conseguiu.
E, em boa verdade, também não houve uma quebra significativa da
confiança que a sociedade deposita nos professores e na instituição
escolar. Diríamos mesmo que a escola continua a ser a única organização
pública onde as famílias entregam, diariamente, os seus filhos e partem
tranquilas para o trabalho, sabendo que crianças e jovens ficam seguros e
bem entregues.
Mas será que, após este claustrofóbico período, a tutela pode afirmar que temos mais escola e melhor educação?
Infelizmente, a resposta é: não! Nos tempos que ainda correm, as escolas
fecharam-se num clima organizacional sufocante, os alunos não
melhoraram globalmente, de facto, os seus resultados escolares, os
professores não aperfeiçoaram as suas competências profissionais e a
escola não se transformou numa verdadeira comunidade educativa.
Ou seja: agora temos menos escola e menos escolas, temos menos educação e
menos professores. Entretanto, nesta encruzilhada, o país ganhou a
maior taxa de desemprego alguma vez vista na profissão docente, e um
medíocre sistema de formação de professores, incapaz de atrair os
candidatos mais capazes e mais competentes.
Mas porque a educação e os professores são semente e pão de todos os
futuros, estamos em crer que, uma vez mais, os docentes portugueses irão
sabiamente ultrapassar este difícil instante da sua longa história
profissional, e recuperarão o valor e a energia da sua
profissionalidade, para bem do desenvolvimento social, cultural e
económico do nosso país."
sexta-feira, 29 de novembro de 2013
quinta-feira, 31 de outubro de 2013
terça-feira, 1 de outubro de 2013
terça-feira, 3 de setembro de 2013
sexta-feira, 12 de julho de 2013
e já agora... o contraponto [editorial]... temos professores e escolas a mais?... de joão ruivo... no ensino magazine...!
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sistema educativo português
sexta-feira, 17 de maio de 2013
sexta-feira, 29 de março de 2013
quarta-feira, 27 de março de 2013
terça-feira, 5 de março de 2013
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
leitura... (da educação)... e reorganização neoliberal da escola... de joão ruivo... na ensino magazine...!
"A reorganização neoliberal da escola, em
que os alunos são vistos como "clientes", os professores como
"colaboradores", a aprendizagem como um "produto", o sucesso
académico como um indicador de "qualidade total", o planeamento
pedagógico como "acção de empreendedorismo", a gestão escolar como
"direcção corporativa" e os pais e a comunidade como
"stakeholders", e o investimento como um "custo orçamental", esta
reorganização, dizíamos, tem destruído uma boa (e talvez a melhor)
parte do edifício da escola pública, enquanto escola democrática,
inclusiva e meritocrática.
O pretenso ideal de fazer funcionar
uma escola sem professores reflexivos, activos e motivados, sem
custos e sem autonomia, foi experimentada por todos os sistemas
mais ou menos autocráticos, mais ou menos ditatoriais. Os
resultados também estiveram sempre à vista: no Portugal do início
da década de setenta do século passado, quase metade da população
era analfabeta e apenas sete em cada cem estudantes que terminavam
o secundário continuavam estudos na universidade.
Décadas de investigação científica
provaram que todo o desinvestimento na educação sempre redundou num
atraso do desenvolvimento social, cultural e económico desses
países e que as posteriores tentativas de recuperação do "tempo
perdido" se revelaram demasiado lentas e de custos agravados.
Portugal, infelizmente, também conhece essa realidade: quase
quarenta anos após a revolução de Abril de 1974, o nosso país
continua a ter níveis de iliteracia elevados, de insucesso e
abandono escolar preocupantes, taxas de diplomados no ensino
superior das mais baixas da comunidade europeia, e a prova é que
ainda temos muitos estudantes com mais habilitações académicas que
os seus pais e com avós analfabetos.
Nos últimos anos, os nossos
responsáveis pela educação têm preferido a diminuição forçada do
défice orçamental, ao espontâneo desenvolvimento e crescimento dos
indicadores que ajudam a definir o conceito constitucional de
"escola para todos". Mais recentemente, a actual equipa do ME tem
dado claros sinais de que prefere o elitismo à universalização do
conhecimento, assim como prefere a "escola académica" à "escola do
desenvolvimento integral". Tem direito às suas opções e o dever de
aceitar as divergências.
A situação, por isso mesmo,
revela-se-nos preocupante. Com o ataque à escola pública e ao
sistema nacional de saúde, caminhamos para um grave retrocesso que
nos reconduzirá a uma sociedade que privilegia a exclusão, o lucro
às pessoas, a divinização do primado do privado sobre o bem
público…
E tudo isto acontece em pleno
desenvolvimento da sociedade do conhecimento, da globalização, que
também ela é partilha da inovação e do progresso. Acontece na
escola onde os actuais alunos, apesar da sua natural diversidade,
provêm de uma geração "digital", e se revelam sujeitos activos e
imprevisíveis quanto ao domínio das novas tecnologias e, sobretudo,
quanto ao uso dos seus meios e conteúdos…
Ou seja, numa escola que alberga
uma geração em que o acompanhamento das actividades dos alunos
dentro e, também, fora da sala de aula, e em que a formação
parental, proporcionada por essa mesma escola se revelaria
fundamental, ninguém se pode dar ao disparate de afirmar que
existem recursos humanos e tecnológicos dispensáveis. Recursos
humanos cuja formação especializada custou tempo, dinheiro e muito
investimento em estruturas e equipamentos, e que, de um momento
para o outro, se vêem desperdiçados, num país que necessita ainda
de muita educação e promoção cultural.
Aguardemos, impacientemente, que os
estudos venham a revelar, uma vez mais, a correlação positiva que
existe entre o desinvestimento na educação e o aumento do défice
sociocultural da sociedade portuguesa, deixando-nos, eternamente,
na cauda dos rankings dos países em que os níveis de
desenvolvimento social, científico e tecnológico, são os principais
indicadores da saúde e do bem-estar das suas populações."
aqui.
sexta-feira, 21 de dezembro de 2012
terça-feira, 16 de outubro de 2012
sexta-feira, 20 de julho de 2012
editorial... alguns contextos do desencanto [dos docentes, claro...!]... de joão ruivo...!
"No meu livro "O Desencanto dos
Professores" (procurar em www.ensino.eu - loja virtual), reúno um
conjunto de artigos de opinião, que foram escritos nos últimos
cinco anos, numa conjuntura que considero das mais hostis para os
profissionais da educação em Portugal.
Vai levar tempo para erguer, acima
dos tornozelos, a auto estima dos professores, para recuperar a sua
imagem social, e para chamar novamente à profissão os melhores e os
mais capazes. As perdas são, em tempo, custo e envolvimento de
recursos humanos, incalculáveis. O tempo, a seu tempo, o dirá.
O pior que pode acontecer a um povo
é perder a sua memória colectiva. Vale a pena, então,
lembrar...
A ideia lançada, inicial e
subliminarmente, de que os professores eram uns "madraços", que
acumulavam incontáveis faltas ao serviço, que gozavam férias e
mordomias só permitidas a grupos privilegiados, e que desperdiçavam
os enormes meios financeiros com eles despendidos, constituiu a
maior ofensa, a mais inqualificável infama perpetrada perante uma
classe altruísta, que todos os dias, no seu posto de trabalho, deu
o seu melhor pelo aperfeiçoamento das qualificações dos portugueses
e pelo desenvolvimento social, económico e cultural do seu
país.
Não é novidade. O cenário
revelava-se propício e constituiu a porta aberta para o que se lhe
seguiu: alteração e aumento compulsivo de funções e tarefas
cometidas aos docentes, colocando-os na vertigem da
desprofissionalização; divisão da classe, através de uma
estratificação artificial da carreira; implementação de processos
de avaliação de desempenho administrativos, burocráticos e
estigmatizantes; redução artificial de cargas horárias e alterações
aos planos curriculares ao sabor das circunstâncias, provocando-se,
desnecessariamente, o maior desemprego conhecido, até hoje, na
classe; introdução de novas tecnologias na escola, sem formação
antecipada dos intervenientes no acto educativo, no que se revelou
ser uma insensatez face ao esbanjamento de dinheiros públicos em
negócios e parcerias com empresas privadas…
Desde então, escola tendeu para um
espaço de desencantos e desencontros, onde os profissionais da
educação começaram a ser chamados para reflectirem pouco sobre o
acto educativo e, em substituição, a reunirem muito em redor da
aplicação de normativos e procedimentos de natureza
burocrático-administrativa.
Neste quadro, milhares de docentes
preferiram solicitar a sua aposentação antecipada, com graves
penalizações nas suas pensões, no que constituiu uma desnecessária
sangria de quadros qualificados e experientes. Ou seja: ao abandono
precoce das escolas por parte dos alunos, temos agora que
acrescentar o abandono precoce da profissão por parte dos
professores.
E isto tudo, num país que ainda
precisa de muita escola e de mais e melhor qualificação dos seus
cidadãos. Que desperdício inqualificável formar um docente para
deixá-lo partir para uma aposentação precoce, numa etapa da sua
carreira em que revelava mais controlo, segurança e
maturidade….
Nesse mesmo período, o
descontentamento trouxe à rua mais de cem mil professores no que
foi considerada a maior manifestação da classe desde a alvorada da
democracia, proliferaram os movimentos de docentes à margem das
organizações sindicais tradicionais, e as redes sociais e os
blogues de professores constituíram o elo de ligação de um grupo
profissional que, apesar de tudo, recusou cruzar os braços e
preferiu levantar a voz da indignação e envolver-se na defesa de
uma escola pública onde seja gratificante ensinar e compensatório
aprender.
Por essas e outras razões, o autor
destas linhas entendeu, nesse conturbado período do ciclo de vida
dos professores e das escolas, escrever estes artigos, para dar um
contributo positivo no sentido de ajudar à melhoria do bem-estar
pessoal e profissional dos docentes portugueses.
Os professores nem tanto precisavam
que os amparassem. Os professores precisavam, isso sim, de uma voz
que lhes dissesse: "nós compreendemos o vosso esforço, o vosso
empenho, apesar de todos sabermos que nem tudo vai bem no reino da
educação…". Porém, essa voz, como se sabe, nunca veio da
tutela…
Hoje, com um olhar mais
distanciado, e apesar da adversa conjuntura, estamos em crer que se
alguém quis quebrar a espinha dorsal aos docentes não o conseguiu.
E, em boa verdade, também não houve uma quebra significativa da
confiança que a sociedade deposita nos professores e na instituição
escolar. Diríamos mesmo que a escola continua a ser a única
organização pública onde as famílias entregam, diariamente, os seus
filhos e partem tranquilas para o trabalho, sabendo que crianças e
jovens ficam seguros e bem entregues.
Mas será que, após este
claustrofóbico período, a tutela pode afirmar que temos mais escola
e melhor educação?
Infelizmente a resposta é: não! Nos
tempos que ainda correm, as escolas fecharam-se num clima
organizacional sufocante, os alunos não melhoraram globalmente, de
facto, os seus resultados escolares, os professores não
aperfeiçoaram as suas competências profissionais e a escola não se
transformou numa verdadeira comunidade educativa.
Ou seja: agora temos menos escola e
menos escolas, temos menos educação e menos professores.
Entretanto, nesta encruzilhada, o país ganhou a maior taxa de
desemprego alguma vez vista na profissão docente, e um medíocre
sistema de formação de professores, incapaz de atrair os candidatos
mais capazes e mais competentes.
Mas porque a educação e os
professores são semente e pão de todos os futuros, estamos em crer
que, uma vez mais, os docentes portugueses irão sabiamente
ultrapassar este difícil instante da sua longa história
profissional, e recuperarão o valor e energia da sua
profissionalidade, para bem do desenvolvimento social, cultural e
económico do nosso país."
aqui.
sexta-feira, 8 de junho de 2012
editorial... que prioridades para a educação... de joão ruivo...!
"Os professores que resistem e recusam
perder a sua profissionalidade, aqueles que estão presentes e
aceitam os novos desafios, são muitas vezes olhados como heróis
sociais pelo modo como enfrentam o embate das mudanças, das
pressões e das críticas injustas, por vezes acumuladas por mais de
uma geração.
Porém, o amontoar dessas pressões,
a que por vezes se juntam períodos profissionais menos
estimulantes, conduzem a que muitos docentes se confrontem com
crises da sua profissionalidade, com impacto profundamente negativo
no modo de agir dentro da escola.
Essas crises de identidade
profissional podem surgir quando os professores são chamados a
abandonar o que sabiam fazer bem, para se dedicarem a outras
tarefas em que não acreditam ou para as quais se sentem mal
preparados, já que tecnicamente as dominam mal.
Ou seja, quando são
coagidos a substituir o seu "saber-fazer" por um
"saber-mais-ou-menos-isso".
Outras vezes, essas crises
revelam-se quando se alargam os horizontes espaciais de actuação do
docente. A geografia de actuação dos docentes foi profundamente
alterada nas últimas décadas, sem que isso tenha revertido numa
significativa alteração dos processos de formação inicial de
professores. A quase totalidade dos docentes foram (e ainda
continuam a ser) formados para agir quase exclusivamente dentro da
sala de aula. As competências profissionais que lhes são exigidas
estão confinadas a saberes e procedimentos que apenas fazem sentido
em situação de classe. Os formadores de professores dedicam mais de
noventa por cento das suas actividades de supervisão para recolher
dados de avaliação através da observação de aulas. O (futuro)
professor pode claudicar à porta da sala de aula. Será impensável
que o faça dentro dela.
Esta história e estas memórias da
formação fazem com que muitos dos professores portugueses prefiram
o trabalho individual (isolado) à formação em parceria, porque lhes
fizeram acreditar que a sua sala de aula é um local sagrado
inexpugnável e que o seu trabalho profissional se esgota com o
fechar da porta dessa sala.
Muitos de nós fomos e somos apenas
preparados para agir em situação de classe, menos na escola,
raramente na aldeia digital e na comunidade parental. Aí, começam
as fobias, os preconceitos, as reservas e os desencantos. Aí, os
discursos começam sempre a ser menos pedagógicos e mais defensivos
de uma neutra profissionalidade que nem sempre sabemos definir ou
que, por ausência de outro modelo, definimos com base na tradição e
no pior do discurso oral. Sobretudo quando a tutela obriga, com tem
vindo a obrigar, a que os professores se desmultipliquem em tarefas
e todos os objectivos que as famílias e a sociedade não conseguem
(ou não querem?) solucionar…
O alargamento das tarefas e funções
dos docentes obrigam-no a intervir numa nova geografia pedagógica,
pressionam-no a caminhar em terrenos e a traçar percursos em que
ele nem sempre se sente profissionalmente confortável. Obriga-se a
que o professor também seja tutor e educador, quando ele, de facto,
foi, sobretudo, formado para instruir, em contacto directo com os
seus alunos, sem intermediários, designadamente os intermediários
das aprendizagens a distância.
Por tudo isso, relevo a importância
da formação permanente dos docentes, a qual deveria envolver verbas
e meios significativos, porque se trata da manutenção da qualidade
do maior bem de uma nação: a qualidade do seu sistema educativo.
Mas não creio que seja para aí que as prioridades economicistas da
actual tutela estejam viradas."
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