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sábado, 6 de outubro de 2012

crónica... eu pago, tu pagas, ele suga, nós pagamos... de joão miguel tavares... no cm...!

"É esta a conjugação do verbo "ajustar" segundo a gramática de Passos Coelho e Vítor Gaspar: eu pago, tu pagas, ele suga, nós pagamos, vós pagais, eles sugam mais um bocadinho.  

As medidas anunciadas na quarta-feira já eram esperadas, mas a receita do ministro das Finanças continua a ser a mesma de sempre: 1) Ir roubar à mesa da classe média para continuar a dar de comer ao monstro. 2) Ser rigoroso quanto às medidas do lado da receita e vago quanto às medidas do lado da despesa. 3) Chutar lá mais para a frente (agora é 2014) a verdadeira reforma do país.

É isso que começa a ser difícil de engolir mesmo para quem compreende a retórica da austeridade e não lhe vislumbra alternativa. É que se estamos todos obrigados a passar por isto, ao menos, por amor de Deus, aproveitem para mudar Portugal de cima a baixo e diminuir o peso avassalador do Estado na nossa economia. Ora, na sua conferência de imprensa, o ministro das Finanças acabou por admitir duas coisas: 1) Que a velha história da consolidação vir dois terços da despesa e um terço da receita é tanga. 2) Que a obrigação do Estado em diminuir estruturalmente (ou seja, sem ir todos anos ao bolso dos funcionários públicos) a sua despesa em quatro mil milhões de euros não é coisa para 2012 nem para 2013.

É para quando, então? É para 2014, diz Gaspar. Um ano antes das eleições, se o Governo chegar lá. Eu, francamente, prefiro acreditar no Pai Natal. Não admira que o portuga que chumbaria nas cadeiras de António Borges comece a ter sérias dúvidas em sacrificar-se. Borges, Passos e Gaspar ainda vão olhar à volta e perceber que estão sozinhos na sala de aula."

sábado, 29 de setembro de 2012

crónica... [do jogo do enforcado...?]... o nó que se aperta à volta do nosso pescoço... de joão miguel tavares... no cm...!

"Há um nó na nossa sociedade que ninguém está a ser capaz de desatar: as pessoas que deviam domar o monstro são as pessoas que o monstro alimenta há décadas.

Do PSD ao PS, do CDS ao Bloco e ao PCP, cada partido e cada deputado desempenha as mesmas coreografias de sempre, seja de apoio ou de oposição, mesmo quando tudo parece desabar à sua volta. Não há imagem mais emblemática desse estado de coisas do que Catarina Martins a protestar contra o governo à porta do Palácio de Belém, enquanto uma manifestante lhe gritava aos ouvidos "gatunos, gatunos, é tudo igual".

Este "é tudo igual" é absolutamente terrível porque, no fundo, é também absolutamente verdadeiro. Claro que dissolver a individualidade de cada político numa massa indistinta é o melhor convite para o aparecimento dos iluminados anti-sistema, que habitualmente são mais perigosos do que aqueles que lá estão. Só que o afundanço de Portugal é também o afundanço de um sistema que não está a ser capaz de dar respostas aos problemas do país, na medida em que essa resposta passa por uma modificação pro-funda das suas regras defuncionamento. 

Mas quem tem, neste momento, a coragem, a capacidade e a inteligência para matar o pai? Este conflito político-edipiano, chamemos-lhe assim, esteve bem à vista no último Conselho de Estado: os conselheiros que supostamente deviam salvar o país da TSU eram os mesmos que tinham contribuído ao longo de anos e anos para o estado a que o país chegou. O povo quer pureza, novas atitudes e caminhos alternativos, mas é como procurar virgens no meio de um bordel. E à falta de respostas, o nó continua a apertar. Em redor do nosso pescoço."