"A um Jovem Poeta
Procura a rosa.
Onde ela estiver
estás tu fora
de ti. Procura-a em prosa, pode ser
que em prosa ela floresça
ainda, sob tanta
metáfora; pode ser, e que quando
nela te vires te reconheças
como diante de uma infância
inicial não embaciada
de nenhuma palavra
e nenhuma lembrança.
Talvez possas então
escrever sem porquê,
evidência de novo da Razão
e passagem para o que não se vê."
Manuel António Pina, in "Nenhuma Palavra e Nenhuma Lembrança"
daqui.
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sexta-feira, 19 de outubro de 2012
segunda-feira, 30 de julho de 2012
sexta-feira, 20 de julho de 2012
crónica... bica, bagaço e factura... de manuel antónio pina...!
"Espero que o Ministério das Finanças não deixe de patentear a rede de
pesca fiscal que laboriosamente desde há um ano vem tecendo, de trama
dir-se-ia fisicamente impossível: apanha sardinha miúda e carapau do
gato e deixa passar o peixe graúdo. O segredo está no material usado,
inteiramente de concepção neoliberal nacional: uma legislação fiscal
labiríntica e imune a investidas débeis e desorganizadas mas que
facilmente dá de si quando o "investidor" é de peso.
Agora, depois de, com o fim das deduções de despesas de saúde em
sede de IRS, ter poupado os consultórios médicos privados à maçada da
passagem de recibos, o Governo assesta as armas pesadas para o pequeno
café da esquina, a cabeleireira de bairro, o biscateiro do fim da rua.
Imagino que Passos Coelho tenha, numa das suas saídas pelas traseiras,
entrado em alguma tasca de vão de escada para tomar uma bica, observando
à saída, indignado, a Vítor Gaspar: "Viste que a velha não me passou
factura? Agora como vou meter os 50 cêntimos nas despesas?".
Assim,
a partir de 2013, ou a velha passa factura ou pagará 3000 euros de
multa. Toda a gente, até a velha, consideraria isso mais que justo se
processos de milhões como os de Américo Amorim ou Soares dos Santos não
se arrastassem nos tribunais fiscais sem fim à vista ou se as Finanças
não se tivessem desinteressado de colectar as luvas do "caso dos
submarinos"."
sexta-feira, 20 de abril de 2012
crónica... ódio à diferença... de manuel antónio pina...!
"É em momentos como o ontem vivido no Alto da Fontinha que Rui Rio revela
o seu rosto de autocrata e a sua aversão a tudo o que lhe cheire a
diferença, particularmente a todas a formas de cultura e cidadania que
escapem à Kultura, ao papel "couché" e à rotina institucional.
No edifício da antiga Escola da Fontinha, há cinco anos ao
abandono, nascera espontaneamente, por iniciativa dos moradores e outras
pessoas, um projecto cívico autónomo que, durante um ano, sem mendigar
subsídios, fez a "diferença", infeccionando de vida comunitária e,
sobretudo, de esperança, o resignado quotidiano de uma das inúmeras
zonas degradadas que, longe do olhar dos turistas, persistem no coração
da cidade.
Uma ilha de iniciativa, de partilha, de democracia
participativa? Era de mais para Rui Rio. Ateliês de leitura, de música,
de teatro, de fotografia?, formação contínua?, apoio educativo?, aulas
de línguas?, xadrez?, yoga?, debates?, assembleias? - Intolerável!
De
nada valeu ao movimento Es.Col.A constituir-se em associação, como lhe
exigira a Câmara com a promessa de um contrato que nunca chegaria. Como
os "Blue Meanies" de "O submarino amarelo", as retinas de Rui Rio não
suportam as cores vibrantes e indisciplinadas dos sonhos.
Ontem, por sua
ordem, a Polícia cercou o bairro, invadiu armada a Escola da Fontinha,
prendeu pessoas e destruiu e pilhou as instalações. E Pepperland voltou
de novo a ser cabisbaixa e cinzenta."
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