Mostrar mensagens com a etiqueta manuel antónio pina. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta manuel antónio pina. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

rip... manuel antónio pina...!

"A um Jovem Poeta

Procura a rosa.
Onde ela estiver
estás tu fora
de ti. Procura-a em prosa, pode ser

que em prosa ela floresça

ainda, sob tanta
metáfora; pode ser, e que quando
nela te vires te reconheças

como diante de uma infância

inicial não embaciada
de nenhuma palavra
e nenhuma lembrança.

Talvez possas então

escrever sem porquê,
evidência de novo da Razão
e passagem para o que não se vê
."

Manuel António Pina, in "Nenhuma Palavra e Nenhuma Lembrança"


daqui

sexta-feira, 20 de julho de 2012

crónica... bica, bagaço e factura... de manuel antónio pina...!

"Espero que o Ministério das Finanças não deixe de patentear a rede de pesca fiscal que laboriosamente desde há um ano vem tecendo, de trama dir-se-ia fisicamente impossível: apanha sardinha miúda e carapau do gato e deixa passar o peixe graúdo. O segredo está no material usado, inteiramente de concepção neoliberal nacional: uma legislação fiscal labiríntica e imune a investidas débeis e desorganizadas mas que facilmente dá de si quando o "investidor" é de peso. 

Agora, depois de, com o fim das deduções de despesas de saúde em sede de IRS, ter poupado os consultórios médicos privados à maçada da passagem de recibos, o Governo assesta as armas pesadas para o pequeno café da esquina, a cabeleireira de bairro, o biscateiro do fim da rua. Imagino que Passos Coelho tenha, numa das suas saídas pelas traseiras, entrado em alguma tasca de vão de escada para tomar uma bica, observando à saída, indignado, a Vítor Gaspar: "Viste que a velha não me passou factura? Agora como vou meter os 50 cêntimos nas despesas?".

Assim, a partir de 2013, ou a velha passa factura ou pagará 3000 euros de multa. Toda a gente, até a velha, consideraria isso mais que justo se processos de milhões como os de Américo Amorim ou Soares dos Santos não se arrastassem nos tribunais fiscais sem fim à vista ou se as Finanças não se tivessem desinteressado de colectar as luvas do "caso dos submarinos"."

daqui.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

crónica... ódio à diferença... de manuel antónio pina...!

"É em momentos como o ontem vivido no Alto da Fontinha que Rui Rio revela o seu rosto de autocrata e a sua aversão a tudo o que lhe cheire a diferença, particularmente a todas a formas de cultura e cidadania que escapem à Kultura, ao papel "couché" e à rotina institucional. 

No edifício da antiga Escola da Fontinha, há cinco anos ao abandono, nascera espontaneamente, por iniciativa dos moradores e outras pessoas, um projecto cívico autónomo que, durante um ano, sem mendigar subsídios, fez a "diferença", infeccionando de vida comunitária e, sobretudo, de esperança, o resignado quotidiano de uma das inúmeras zonas degradadas que, longe do olhar dos turistas, persistem no coração da cidade.

Uma ilha de iniciativa, de partilha, de democracia participativa? Era de mais para Rui Rio. Ateliês de leitura, de música, de teatro, de fotografia?, formação contínua?, apoio educativo?, aulas de línguas?, xadrez?, yoga?, debates?, assembleias? - Intolerável!

De nada valeu ao movimento Es.Col.A constituir-se em associação, como lhe exigira a Câmara com a promessa de um contrato que nunca chegaria. Como os "Blue Meanies" de "O submarino amarelo", as retinas de Rui Rio não suportam as cores vibrantes e indisciplinadas dos sonhos. 

Ontem, por sua ordem, a Polícia cercou o bairro, invadiu armada a Escola da Fontinha, prendeu pessoas e destruiu e pilhou as instalações. E Pepperland voltou de novo a ser cabisbaixa e cinzenta."

daqui.