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sábado, 9 de fevereiro de 2019

divulgando...


Informações Gerais

Decorrem até 11 de fevereiro as inscrições para a 7.ª edição das Olimpíadas da Língua Portuguesa.
Esta iniciativa da Direcção-Geral da Educação e outras entidades visa incentivar o bom uso da língua portuguesa pelos alunos do 3.º Ciclo do Ensino Básico e do Ensino Secundário.

Celebrando a primeira viagem de circumnavegação do mundo, a Biblioteca Nacional de Portugal apresenta, de 7 de fevereiro a 13 de maio, a exposição “Em demanda da biblioteca de Fernão de Magalhães”, mostrando títulos que o navegador português terá estudado há cinco séculos, para projetar esta expedição pioneira.



via boletim do cirep...

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

[educação] divulgando...


Informações Gerais


O Projeto de Basquetebol 3x3 nas Escolas, que a Direção Geral da Educação - Divisão do Desporto Escolar, em parceria com a Federação Portuguesa de Basquetebol, pretende levar a todas as escolas, públicas ou privadas, do 5.º ao 12.º ano de escolaridade, quer “continuar a crescer” e  proporcionar aos jovens atividades de qualidade.
Todas as escolas podem participar.
As inscrições podem ser feitas até ao próximo dia 30 de novembro.


O Espaço Europa e o Instituto Nacional para a Reabilitação (INR) uniram-se para celebrar o Dia Nacional da Língua Gestual Portuguesa, 15 de novembro.  Haverá diversas atividades entre as quais o testemunho de oradores que se destacaram pelo trabalho desenvolvido nas suas áreas profissionais e, ainda, intervenções de cariz cultural dinamizadas pelos estudantes da licenciatura em Tradução e Interpretação de Língua Gestual Portuguesa da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Setúbal.
A inscrição para este evento é gratuita, mas obrigatória.




via boletim do cirep...

terça-feira, 30 de outubro de 2018

[educação] divulgando...


Informações Gerais

No âmbito das comemorações dos 30 anos, a Universidade Aberta organiza, no pavilhão do Conhecimento – Centro Ciência Viva, a conferência Futuro da Educação à Distância em Língua Portuguesa, para debater e refletir com abertura sobre as oportunidades e o futuro da educação à distância num mundo cada vez mais global e digital, onde surgem, quotidianamente, novos problemas e inesperadas interseções que transformam e condicionam o desenvolvimento da Humanidade.
A participação é gratuita mas sujeita a inscrição até dia 22 de novembro.
A Fundação Ciência Viva promove, de 19 a 25 de novembro, a Semana da Ciência e da Tecnologia. Nestes dias, instituições científicas, universidades, escolas e museus abrem portas, proporcionando ao público oportunidades de observação científica e de contato pessoal com especialistas de diferentes áreas do conhecimento.



via boletim do cirep...

sábado, 29 de setembro de 2018

purismos...

poderá, por puro prazer, participar...





via fb...


nota: o meu comentário no facebook, abaixo...


'Luiz Crespo de Carvalho parafrenália putativa portuguesa, papagaiando piares puristas por presteza 'pharmacêutica', puro placebo para pensadores profundos... pedindo palavra pela palavra, pintando-as por prazer...! Porra.'

e disse, prestativamente.


sexta-feira, 6 de julho de 2018

pois é por demais evidente, não resisti a publicar...

”A ESTRANHA BELEZA DA LÍNGUA PORTUGUESA”


“Este texto é dos melhores registos de língua portuguesa que eu tenho lido sobre a nossa digníssima 'língua de Camões', a tal que tem fama de ser pérfida, infiel ou traiçoeira. “
 Um político que estava em plena campanha chegou a uma pequena cidade, subiu para o palanque e começou o discurso:

“Compatriotas”, “companheiros”, “amigos”! Encontramo-nos aqui, “convocados ”, “reunidos” ou “juntos” para “debater”, “tratar” ou “discutir” um “tópico”, “tema” ou “assunto”, o qual me parece “transcendente”, “importante” ou de “vida ou morte”. O “tópico”, “tema” ou “assunto” que hoje nos “convoca”, “reúne” ou “junta” é a minha “postulação”, “aspiração” ou “candidatura” a Presidente da Câmara deste Município.
 De repente, uma pessoa do público pergunta:

- Ouça lá, porque é que o senhor utiliza sempre três palavras, para dizer a mesma coisa? O candidato respondeu:

- Pois veja, caro senhor: a primeira palavra é para pessoas com nível cultural muito alto, como intelectuais em geral; a segunda é para pessoas com um nível cultural médio, como o senhor e a maioria dos que  estão aqui; a terceira palavra é para pessoas que têm um nível cultural muito baixo, pelo chão, digamos, como aquele alcoólico, ali deitado na esquina.

 De imediato, o alcoólico levanta-se a cambalear e 'atira':


- Senhor “postulante”, “aspirante” ou “candidato”, (hic) o “fato”, “circunstância” ou “razão” pela qual me encontro num estado “etílico”, “alcoolizado” ou “mamado” (hic), não “implica”, ”significa”, ou “quer dizer” que o meu nível (hic) cultural seja ”ínfimo”, “baixo” ou mesmo “rasca” (hic). E com todo a “reverência”, “estima” ou “respeito” que o senhor me merece (hic) pode ir “agrupando”, “reunindo” ou “juntando” (hic) os seus “haveres”, “coisas” ou “bagulhos” (hic) e “encaminhar-se”, “dirigir-se” ou “ir direitinho” (hic) à“leviana da sua progenitora”, à “mundana da sua mãe biológica” ou à “puta que o pariu”!


via mensagem...

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

dos acordismos... em desacordo absoluto, sempre...!

«UM SEGREDO: NINGUÉM GOSTA DO AO90, NEM SEQUER OS SEUS DEFENSORES…»

 

Anda por aí a circular uma petição que visa mudar o nome da língua no Brasil, de Língua Portuguesa para “língua brasileira”, visto que, dizem os Brasileiros, possuir características que diferem do Português Europeu.

Ora já andei por lá a dizer das minhas, e por lá andou também o Ja Sousa, da Universidade Nova de Lisboa, a dizer das dele.

E é a sua excelente argumentação, deitando por terra o AO90, que passo a transcrever:


Os Portugueses navegaram por mares nunca dantes navegados, deram novos mundos ao mundo, e neles deixaram, como herança, a riqueza da Língua Portuguesa. Uns souberam honrar essa herança. Outros, nem por isso…


NAVEGANDO.jpg

 Texto de Ja Sousa
(Universidade Nova de Lisboa

«#1 - A mim interessa-me pouco que os brasileiros "não saibam escrever Português" ou coisas do género, até porque não é a sua Língua; o que me interessa mesmo é que não haja intrujões a querer transformar o Português numa Língua trapalhona para ficar igual ao Brasileiro. Cada Língua é como é, e ponto final.

#2 - Confesso que fico arrepiado com demonstrações de ignorância que tenho visto por aqui (nos comentários à Petição) atribuindo ignorância aos outros trocando fundamentações por insultos;

#3 - Um segredo: ninguém gosta do AO90, nem sequer os seus defensores, e não é por falta de inteligência, mas porque o referido AO é completamente indefensável; os seus defensores baseiam-se em vez disso em raciocínios de ser (supostamente) muita gente a falar "Português" como se fosse um critério numérico que dá prestígio, de ser mais fácil de aprender (supostamente) uma Língua mutilada, e evitam discutir o facto de o AO90 ser completamente mentiroso e incoerente (como já foi reconhecido por um dos seus autores, Malaca Casteleiro). O problema é que toda a gente quer acabar com ele mas ninguém quer ficar com a responsabilidade, especialmente portugueses e brasileiros;

#4 - Mencionei que do ponto de vista do Direito, a implementação do AO90 tem sido uma sucessão de golpes, atropelos e ilegalidades? Viola a Constituição Portuguesa e o Direito Internacional, e foi abusivamente implementado em Portugal por uma resolução do Conselho de Ministros?

#5 - A renomeação da Língua falada no Brasil não é uma coisa nova; já esteve em discussão no Senado Brasileiro nos anos 30 do Século passado, Senado que foi dissolvido pelo golpe de Getúlio Vargas. O seu proponente, Edgard Sanches, publicou depois um extenso trabalho desenvolvendo a sua fundamentação. E alguém se lembra que a defesa da Língua Brasileira foi uma das bandeiras de José de Alencar, embora tenha havido quem tenha querido transformar a suas ideias em apenas "literatura brasileira" (Evanildo Bechara, um ex-opositor ao AO90 convertido em defensor)?

#6 - Peço desculpa mas vou-me eximir a comentar como me apeteceria o que escreveu A favor do Acordo Ortográfico, porque considero insultuosa e desonesta a ideia de que é mais importante um lugar qualquer num pódium de Línguas do que a própria verdade da Língua; a equivalente desportiva deste raciocínio seria que é mais importante ganhar, mesmo com todo o doping e truques desonestos que se usou para isso. Avalie-se o lodo e a indigência intelectual em que nada a sustentação do "Português... do Brasil" e o Acordismo ao seu serviço, e limito-me a citar:

"Se, de um dia para o outro, a língua falada e escrita no Brasil deixasse de ser o português, deixaríamos de ser a 6ª língua com mais falantes nativos do mundo, e passaríamos a ser, talvez, a 20ª ou a 30ª. Daqui a 30 ou 40 anos, surgiriam novas línguas (o angolano, o moçambicano...). E nós (os portugueses) ficaríamos outra vez sós, pequeninos, esquecidos e isolados. E pelos vistos há que prefira que assim seja... em nome de ideais românticos de pureza ortográfica."

Por mim, e como se diz, prefiro ser “pobrezinho, mas honrado". Mas cada um faz as suas escolhas. E acabei aqui.»

Fonte:

daqui...

sábado, 2 de janeiro de 2016

informações [educação]... via boletim do cirep...!

Boletim Informativo n.º 189 — 30/12/2015


Informações Gerais

 
V SIELP - Simpósio Internacional de Ensino de Língua Portuguesa / V Fórum Ibero-Americano de Literacias
 
Irá decorrer de 28 de janeiro a 31 de janeiro de 2016, a quinta edição do V Simpósio Internacional de Ensino de Língua Portuguesa (SIELP) / V Fórum Ibero-Americano de Literacias, organizado pelo Instituto de Educação da Universidade do Minho. 
 
O SIELP tem como objetivo promover uma reflexão em torno do ensino de Língua Portuguesa, configurando-se como mais um espaço de discussão e circulação de ideias e trabalhos que fundamentam as principais linhas de investigação que compõem as áreas desse ensino. Associado ao V SIELP terá lugar o V Fórum Ibero-Americano de Literacias, projeto que teve origem na Universidade do Minho em 2009, por ocasião da 16ª Conferência Europeia de Leitura.
 
O V Fórum Ibero-Americano de Literacias incluirá três conferências plenárias, a cargo de reconhecidos especialistas, bem como simpósios, comunicações livres e sessões de posters/painéis.
 
Publicações CNE: Avaliação Externa das Escolas

Encontra-se disponível a publicação do Seminário "Avaliação Externa das Escolas", organizado pelo Conselho Nacional das Escolas, em parceria com o Instituto de Educação da Universidade do Minho e a Inspeção-Geral da Educação e Ciência.

 
No ano letivo 2015/2016, a Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Setúbal é parceira para Portugal do "Consumer Classroom", um projeto europeu que gere uma plataforma na internet que oferece conteúdos em educação do consumidor.
 
O "Consumer Classroom" é especialmente dirigido a professores e tem como propósito gerir o sitio na internet, disponível em http://www.consumerclassroom.eu/pt, através de um consórcio que envolve 24 entidades parceiras.
 
Para além do acesso e intercâmbio de conhecimentos na área da educação do consumidor, os docentes encontram uma extensa biblioteca de recursos pedagógicos, desde artigos a vídeos provenientes de toda a União Europeia em várias línguas, incluindo o português. 
 
A plataforma disponibiliza, ainda, ferramentas interativas e colaborativas personalizáveis que os docentes podem explorar e partilhar com os seus alunos.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

de 'filho-da-mãe' *... pela frente, por trás, por cima, por baixo... para o caso tanto faz, é uma questão de 'linguística' pura e simples...!

* pg 753 do dicionário da língua portuguesa, 8ª edição revista e actualizada 1998 [porto editora]...


linguística
"Sabe de onde vem a palavra pê-u-tê-a? Se calhar não sabe que é mais velha do que a profissão mais velha do mundo. Esta é a história do "asneiredo" nacional. Palavrão a palavrão. 

de Rita Cipriano


Apesar de muitas vezes serem considerados ofensivos, os palavrões fazem parte da linguagem do dia-a-dia da grande maioria das pessoas. São um “hábito”, uma “convenção que se aprende”, que dificilmente se consegue largar, como defende o psicólogo norte-americano Timothy Jay. Estão por todo o lado, e não há como lhes escapar.

A maioria dos palavrões existe há várias centenas de anos e está longe de ser uma invenção dos tempos modernos. Melissa Mohr, especialista em literatura medieval e autora de Holy Sh*t: A Brief History of Swearing, defende que o hábito de dizer asneiras vem desde o tempo dos romanos
.
“Os romanos são importantes na história dos palavrões porque as asneiras que usavam eram baseadas nos tabus sexuais e de excreção, como acontece na maioria das línguas modernas”, explicou a autora ao Observador. “Eram baseados no corpo humano e em ações. Mas, como tinham um esquema sexual muito diferente, alguns dos seus palavrões eram usados de maneiras diferentes.”

A pior maneira de insultar um homem, por exemplo, era sugerir que este “era sexualmente passivo” porque um “homem tinha sempre de ser um parceiro ativo”. Era por isso que palavrões como Cunnilingus (praticar sexo oral a uma mulher) eram especialmente maus, porque queriam dizer “que um homem era passivo em relação a uma mulher, uma posição muito vergonhosa em Roma”, assegurou Melissa Mohr.

Em inglês — como em português –, muitos palavrões são, de facto, de origem latina. “No ‘núcleo duro’ dos chamados ‘palavrões’ encontramos palavras que em rigor não são portuguesas, pois facilmente as reconhecemos nas línguas românicas que nos são mais próximas”, disse ao Observador João Paulo Silvestre, investigador do Centro de Linguística da Universidade de Lisboa (CLUL) e especialista em lexicologia.

Exemplo disso são palavras como merda (em espanhol mierda e em francês merde) ou puta (em espanhol puta e em francês putain), que provêm exatamente da mesma língua — a dos antigos romanos.”Todas estas palavras provêm do mesmo étimo latino e foram transmitidas pelos romanos. Eram palavras frequentes e naturalmente usadas para referir uma prostituta, os excrementos ou as relações sexuais”, salientou o linguista.

Apesar disso, a origem de alguns palavrões nem sempre é clara, como no caso de caralho. Apesar de se considerar que teve origem no espanhol carago, a palavra pode até ser anterior à romanização. “Em todo o caso, são palavras antiquíssimas e inequívocas quanto ao significado”, referiu João Paulo Silvestre. A história do “asneiredo” é longa e está longe de ter terminado.


palavroes-infografia_04

Já Steven Pinker, psicólogo e linguista que se tem dedicado ao estudo dos palavrões, acredita que a raiz histórica de muitos palavrões — principalmente aqueles que surgiram durante a Idade Média — é a religião. “Para entender as asneiras religiosas, temos de nos pôr no papel dos antigos linguistas, para os quais Deus e o inferno eram uma presença real”, referiu o professor da Universidade de Harvard.

Na Idade Média, usar o nome de Deus ou de Cristo de forma blasfema era como usar o pior dos palavrões. “Acreditava-se que isso deixava Deus furioso e que era visto como uma forma muito de discurso muito negativa”, explicou Melissa Mohr. “Jurar pelas partes do corpo de Cristo — pelas unhas de Deus, pelas chagas de Cristo, etc. — era particularmente mau, porque se acreditava que esses juramentos podiam magoar fisicamente o corpo de Cristo, que estava no Céu, sentado à direita de Deus.”

Foi também durante a época medieval que surgiram expressões como vai para o diabo, em parte devido à superstição existente em torno de determinadas palavras (como é o caso de diabo). Para a autora norte-americana, porém, não é apenas uma questão de religião. O surgimento dos chamados palavrões “religiosos” está também relacionado com a definição de tabu e de privacidade que existia na altura.

..."


para ler o resto do artigo... aqui. 


no observador...


terça-feira, 3 de novembro de 2015

coisas da língua portuguesa... autofagias...?

pronúncias
A ambição da língua portuguesa é poder ser falada sem necessidade de abrir a boca. A manter-se a tendência, chegará um tempo em que será incompreensível até para os próprios portugueses. 


no observador...


17 Outubro 2015
José Carlos Fernandes


A ambição da língua portuguesa é poder ser falada sem necessidade de abrir a boca. A manter-se a tendência, chegará um tempo em que será incompreensível até para os próprios portugueses. 


"Os portugueses costumam estranhar que compreendam sem dificuldade o português falado no Brasil e o espanhol, mas que brasileiros e espanhóis não sejam capazes de perceber o português de Portugal. Esta falta de reciprocidade é, muitas vezes, atribuída, ao “jeito natural para as línguas” dos portugueses (um atributo imaginário que faz parte da nossa auto-imagem) e a uma suposta incapacidade congénita de brasileiros e espanhóis para compreenderem e se expressarem noutras línguas.

Mas se fizermos um pequeno esforço de abstracção e distanciamento e nos ouvirmos de forma analítica, emerge uma explicação mais plausível: a pronúncia do português falado tende a ser impenetrável. Em contraste com o português do Brasil e o espanhol, a maior parte das sílabas do português de Portugal são fechadas e os “s”, em vez de sibilarem, soam como “ch” e “j” (o que os brasileiros pronunciam como “áss óbráss”, nós pronunciamos como “ajóbraje”).

O website do Instituto Camões, ao comparar a fonética das pronúncias do português dos dois lados do Atlântico, indica que “a mais notória diferença em relação ao Português do Brasil diz respeito às vogais não-acentuadas que são muito mais audíveis no Português Brasileiro do que no Europeu, sendo, nesta variedade, muito reduzidas, o que leva, por vezes, à sua supressão. Esta característica do Português Europeu tem como consequência que os estrangeiros compreendem melhor a pronúncia de um brasileiro do que de um português, sentindo, neste último caso, que a língua parece ter só consoantes”. Como pode um brasileiro perceber que o som “froch” emitido por um português corresponde à palavra “feroz”, que do outro lado do Atlântico se pronuncia como “féróiss”?

Quando um grupo de portugueses se desloca ao estrangeiro, alguém que os ouça falar entre si e não tenha familiaridade com o português, é tentado a atribuir-lhes origem, não latina, mas eslava. A sugestão poderá parecer tonta, mas a inaudibilidade das vogais e a abundância dos sons “j” e “ch” explica a confusão.

Um dos momentos mais inspirados do website de fake news The Onion surgiu no rescaldo dos conflitos nos Balcãs, com o anúncio pelo Presidente Clinton de uma operação humanitária de emergência na Bósnia, consistindo no envio de dois C-130 que iriam fazer o lançamento de 75.000 vogais, de maneira a tornar os nomes locais mais fáceis de pronunciar. Com efeito, a toponímia e a onomástica da ex-Jugoslávia são avaras em vogais: na Croácia temos a ilha de Krk, na Bósnia-Herzegovina encontramos a cidade de Brčko e as aldeias de Crnač, Crveni Grm, Crveno Brdo, Dvrsnica, Podcrkvina, Trnčići, Tršće e Tvrtkovići, e, claro, a Republika Srpska, a entidade sérvia da Bósnia-Herzegovina. A onomástica bósnia também é parca em vogais: na Idade Média houve dois reis bósnios com o nome de Tvrtko e, em tempos mais recentes, há a assinalar um futebolista chamado Tvrtko Kale, que quando foi jogar para Israel mudou, compreensivelmente, o nome para Dreshler Kale.

No servo-croata há vocábulos como “crkva” (igreja), “mrkva” (cenoura) “trg” (mercado), “žrtva” (vítima) ou “opskrbljivač” (fornecedor); a língua checa tem “zmrzlina” (gelado), “smrt” (morte), “prst” (dedo) ou “čtvrtek” (quinta-feira); o eslovaco, que partilha muito vocabulário com o checo, tem “štvrt” (um quarto – no sentido de 1/4) ou “prš” (chuva), podendo revelar-se, no modo imperativo, de uma secura desencorajante, com “vrč” (rosna), “plň” (enche), “strč” (põe ou coloca) e “mlč” (cala-te).

Assim, diz-se “parlijmo” por “paralelismo” e “perlema” por “problema”. Mais uns anos por esta senda e “paralelismo” e “problema” ficarão reduzidos a “prljmo” e “prlma” 
 
Mas o caso de Portugal é bem diferente: dificilmente poderia mobilizar-se uma operação internacional de fornecimento de vogais a um país que as possui em abundância mas faz pouco caso delas e até suprime sistematicamente sílabas, sobretudo quando as palavras são longas. Assim, diz-se “surjão” por “cirurgião”, “dzenvlemento” por “desenvolvimento”, “eletsista” por “electricista”, “chtrordnário” por “extraordinário”, “lejlação” por “legislação”, “majtratura” por “magistratura”, “parlijmo” por “paralelismo”, “perlema” por “problema”, “persamento” por “processamento”, ou “sialista” por “socialista”. Mais uns anos por esta senda e “paralelismo” e “problema” ficarão reduzidos a “prljmo” e “prlma”.

O fenómeno é agravado pela voga de descartar a acentuação que distingue, na 1.ª pessoa do plural dos verbos da 1.ª conjugação (terminação em “ar”), o pretérito perfeito do presente e que leva a que se diga “Ontem jantamos muito tarde”, ou “Tratamos desse assunto na reunião da semana passada”. O inenarrável Acordo Ortográfico de 1990 (AO90), invocando este uso oral cada vez mais generalizado, aproveitou para tornar facultativo o uso do acento agudo nesta situação. Daqui resulta que a frase “matamos o cão” passa a designar, indistintamente, algo que aconteceu (quiçá por acidente) e aquilo que decidimos fazer agora, o que dá ideia da confusão adicional que estes usos e estas “regras facultativas” trazem à forma nebulosa como comunicamos.

Os entusiastas do AO90 alegam que o acordo tornará mais fácil a aprendizagem do português, o que não só é um argumento falacioso (para atingir esse fim melhor seria apostar no Português Simplificado para SMS, expurgado das irregularidades, complexidades e idiossincrasias que fazem parte da natureza de cada língua), como não toma em consideração que, com ou sem acordo, o sério obstáculo para os estrangeiros é depararem-se com uma língua que soa frequentemente como móveis a serem arrastados ou papel a ser amarrotado.

..."


pode ler o resto do artigo... aqui.


terça-feira, 20 de outubro de 2015

informações [educação].... língua portuguesa [olimpíadas]... via dge...!

III Olimpíadas da Língua Portuguesa

Cerimónia de entrega dos prémios das III Olimpíadas da Língua Portuguesa

Teve lugar no dia 2 de outubro de 2015, na Escola Secundária Aurélia de Sousa, no Porto, a cerimónia de entrega dos prémios das III Olimpíadas da Língua Portuguesa, uma iniciativa da Direção-Geral da Educação, em parceria com o Agrupamento de Escolas Aurélia de Sousa, o Plano Nacional de Leitura, a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e a Escola Secundária de Camões, que visa incentivar o bom uso da língua portuguesa pelos alunos do 3.º ciclo do ensino básico e do ensino secundário.
A cerimónia foi precedida de uma visita guiada ao museu e aos jardins da Fundação de Serralves, entidade que gentilmente proporcionou este momento de fruição estética a todos os participantes, bem como de um almoço-convívio.
Os prémios foram entregues pelo Senhor Comissário do Plano Nacional de Leitura, pela Senhora Subdiretora-Geral da Educação e pela Senhora Diretora do Agrupamento de Escolas Aurélia de Sousa aos três melhores alunos do Escalão A (ensino básico) e do Escalão B (ensino secundário), os quais tiveram a oportunidade de efetuar uma apresentação criativa da suas produções escritas.
Poderá efetuar a leitura integral das supramencionadas produções escritas dos premiados em cada escalão abaixo:
Escalão A (3.º Ciclo do Ensino Básico) – Texto de opinião comprovando, recorrendo a exemplos, que a educação e o civismo são fundamentais na vida de qualquer ser humano.
Escalão B (Ensino Secundário) – Texto de reflexão sobre o papel da arte e do artista na sociedade atual.
3.º lugar - Helena Palma Carvalho - Escola Secundária Gabriel Pereira, Évora
As entidades promotoras da iniciativa reiteram aos premiados os mais sinceros parabéns.
As IV Olimpíadas da Língua Portuguesa serão brevemente divulgadas, na expectativa de que possam contar com um ainda maior envolvimento de escolas, de professores e de alunos, fomentando assim um crescente interesse e conhecimento da língua materna.