no cm domingo...
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segunda-feira, 22 de dezembro de 2014
terça-feira, 25 de novembro de 2014
terça-feira, 4 de novembro de 2014
segunda-feira, 27 de outubro de 2014
coisas da educação... (d)a entrevista... maria filomena mónica...!
no i...
"Isso acontece também porque não temos líderes?
Temos os piores líderes.
E, no entanto, diz-se que nunca tivemos gerações tão bem preparadas...
Há mais gente na escola, quer na básica e secundária, quer na
universitária. Houve a democratização, mas ao mesmo tempo uma
massificação que teve efeitos negativos. Quando eu tinha sete anos e
entrei para a escola primária a maior parte dos miúdos da quinta onde me
aborrecia andavam a guardar vacas, não tinham acesso à escola. A minha
grande desilusão, até porque o meu doutoramento é em Sociologia da
Educação, foi com a escola pública. A escola pública, com um bocadinho
de sentido prático e de convicção, poderia ser muito melhor do que é. É
uma questão de dinheiro, mas não é principalmente uma questão de
dinheiro.
Se não é dinheiro, qual é o problema?
As instalações não são extraordinariamente importantes, é uma pena e
injusto que o Liceu Camões, que é bonito, esteja a cair, que chova
dentro da sala de aula. Mas se o professor for bom, a coisa está
resolvida. O problema é que o ministério interfere em tudo, até no que
se come. Outro dia fui lá, a sopa estava aguada, porque o ministério faz
outsourcing, é a apologia do privado. É claro que o privado está lá
para ter lucro. O liceu Camões tem um óptimo refeitório, tinha
possibilidade de fazer óptimas refeições. No privado e no público há
bons e maus gestores. Tem de se ver caso a caso. Sou pragmática: para
mim a escola pública é fundamental.
Porquê?
Acreditei sempre que a enorme desigualdade social que havia em
Portugal em 1974 iria ser gradualmente eliminada quer através da
repartição dos impostos, quer através da escola. É verdade que temos
muito mais gente na escola, temos é gente que não aprende nada. E não é
por causa dos professores ou dos alunos, é por culpa dos ministros.
Tivemos 27 ministros em 30 anos, mal aqueceram a cadeira. Tiveram as
ideias mais extraordinárias e loucas que já vi...
Por exemplo?
Criaram o GAVE - Gabinete de Avaliação Educativa, que fazia uns
exames que pareciam o totobola, punham-se umas cruzes - sou
completamente contra as respostas múltiplas, aquilo é um disparate
pegado -, e este ministro, em quem eu tive alguma confiança no início, a
grande inovação que fez foi transformar em IAVE. Ora isso também eu era
capaz, tirou o G e pôs um I. Os exames não têm pés nem cabeça, os
manuais estão cheios de erros e este ano chegámos ao cúmulo de estarmos
nesta altura e termos alunos sem professores. Se pegar em mil alunos
quando eu entrei para a primária e mil alunos agora, os mil alunos do
meu tempo vinham da classe média e 100 eram bons porque em casa falavam
de Sócrates e Platão ou se não falavam ouviam vagamente - as classes
altas em Portugal são particularmente analfabetas se comparadas com as
europeias, as classes médias davam mais importância à cultura, as altas
ao sangue, ao pergaminho e ao apelido. Agora, em mil talvez haja 200
bons alunos, mas os outros não sabem nada de nada e nunca vão saber.
Portugal tinha a maior taxa de analfabetismo da Europa em 1974 e a
escola não está a conseguir dar-lhes a cultura dita superior porque está
a ser inundada por circulares do ministério.
Que deram origem a um livro...
Sim. Publiquei um livro chamado "Sala de aula" com base em diários de
professores, sob anonimato. Todos os dias aqueles pobres seres recebem
emails, uns mais aberrantes do que os outros, a dar ordens: pinte o
cabelo de amarelo, faça o pino, diga aos alunos para cortarem as unhas.
Isto é caricatural, mas não é caricatural quando nos exames do 12.o, no
ano passado, eles enviaram uma circular aos professores dizendo que
iriam receber um envelope (normalmente distribuído pela GNR),
instruções: levar uma tesoura para a aula para abrir o envelope. Hã?!
Portanto, o ministério achou por bem que os professores eram atrasados
mentais.
E quem escreve essas circulares?
Não entendo 50%, pura e simplesmente. O ministério usa uma linguagem
que deve ser um português do planeta Saturno, que ensinam aos
professores dos cursos de Ciências da Educação. É uma linguagem cifrada,
são idiotias ou banalidades ou coisas totalmente incompreensíveis que
não servem absolutamente para nada a não ser para fazer com que os
professores cheguem a casa - e 70% são mulheres -, e em vez de irem
preparar o jantar e tomar conta dos filhos se ponham a ler circulares
imbecis.
Afirmou que no início estava confiante no ministro Nuno Crato. E agora?
Sim, ele era muito crítico do monstro, disse que ia fazer implodir o
ministério. Viu-se. Implodiu-se a si próprio e ainda não saiu do lugar.
Vi uma fotografia num jornal e parece que os olhos estão desorbitados.
Isto mostra o que o poder faz às pessoas. Um grande senhor inglês, no
século XIX, por acaso a propósito do Papa, nem era do poder dos
políticos, disse que o poder corrompe e o poder absoluto corrompe
absolutamente. Não digo que ele tenha poder absoluto, não tem, vivemos,
apesar de tudo, em democracia. Mas o poder corrompe.
Acredita que Nuno Crato é corrupto ou deixou-se enlear?
Admira-me, porque conheço-o mal, encontrei-o duas ou três vezes e
achei-o um ser sensato, simpático, que iria reformar ou tentar. Não me
pareceu sequer que tivesse uma grande apetência pelo poder, mas deve ser
bom. Para mim devia ser horrível, porque detesto. Fui directora do meu
instituto, o mandato era por três anos e ao fim de ano e meio não
aguentei. O poder não me interessa absolutamente nada, não me dá
qualquer prazer. Ele deixou-se enlear, não teve coragem de ir à
televisão explicar o que tinha que explicar, por exemplo, que iria ter
de despedir dezenas de milhares de professores porque o acordo com a
troika o exigia. Preferiu inventar uma parvoíce qualquer de umas provas
que degeneraram nesta colocação dos professores. Um político tem de dar a
cara.
Concorda com a forma como são escolhidos os professores?
Os do quadro podem ser horrendos, a minha geração tem segurança de
emprego, pode fazer o que lhe apetece, a partir dos 45 anos estão
praticamente todos nos quadros. Os jovens podem ser génios mas não
entram e vão para a rua, que é de uma injustiça atroz. Nuno Crato
deixou-se embrenhar em lutas que ninguém percebe nem entende e suponho
que o povo português está absolutamente estupefacto com o caos que reina
no ensino e nas escolas e que não tem remédio, não é com explicações
extra que vai lá.
Mas também não sai do governo...
Queria não é? Mas é bem feita, agora fica, de castigo! Deviam pôr-lhe daqueles cones: BURRO."
o melhor é ler a entrevista... aqui.
quinta-feira, 10 de julho de 2014
segunda-feira, 23 de junho de 2014
quarta-feira, 23 de abril de 2014
sexta-feira, 11 de abril de 2014
estalou o verniz?... 'a escola pública'... em réplica de maria filomena mónica...!
a propósito de umas palavras do paulo guinote sobre o livro de maria filomena mónica... aqui.
no público...
sábado, 29 de março de 2014
mais coisas da (des)educação.... 'ministério não faz a menor ideia do que se passa nas salas de aula'... no diário económico...!
"A socióloga Maria Filomena Mónica fala do seu trabalho para retratar a escola actual – no final, não resultou um, mas dois livros.
Mais de mil emails trocados com professores, alunos e uma mãe resultaram no novo livro de Maria Filomena Mónica. A autora aponta culpas a todos os ministros da pasta desde o 25 de Abril, que apenas se preocuparam em fazer boa figura nas estatísticas internacionais e "cometeram o erro de adoptar políticas cobardes, idiotas e ineficazes", escreve. Perante o estado a que o ensino chegou, defende que a indisciplina tem de ser punida e as escolas têm de ter mais autonomia em matérias como currículos e exames. Sobre o tema, a socióloga escreveu dois livros - num deles, publica os emails que lhe foram enviados pelas suas fontes.
O que se passa na sala de aula? O retrato é assim tão negro?
Eu já tinha ouvido dizer que a indisciplina era um problema grave, mas nunca pensei que pudesse ter chegado a este nível. Contudo, o factor mais importante para a degradação do ensino é a centralização do sistema, que leva os professores a passarem noite após noite a preencher formulários que os burocratas do ministério, sem que se perceba o objectivo, lhes enviam.
Por que é que decidiu escrever um livro sobre o ensino e as escolas?
Sentia que toda a gente perorava sobre os males da escola sem que soubesse o que se passava lá dentro. Há muito que me interesso sobre temas ligados à escola, em parte porque tive filhos e netos que frequentaram e frequentam o ensino público, em parte porque me doutorei em Sociologia da Educação. Pedi a oito professores e quatro alunas, para, sob pseudónimo, me enviarem um diário ao longo de um trimestre.
Na sua perspectiva, o que lhe parece urgente mudar nas salas de aula e nas escolas?
É difícil dizer o que é mais urgente. Muitos temas, os ‘curricula', os programas, os exames, ultrapassam a sala de aula, uma vez que são elaboradas no ministério, que promulga lei atrás de lei, sem fazer a menor ideia do que se passa no interior das salas de aula.
Acha que existe uma grande diferença entre as escolas públicas e as privadas?
Existem diferenças, especialmente no que diz respeito à gestão, que é mais autónoma nas privadas. Mas dentro dos dois sistemas, há escolas boas e más. A divisão não passa pelo público versus privado.
Pergunta-se, no início do livro, o que terá mudado desde que os seus filhos andaram na escola pública nos anos 70. Descobriu, afinal, o que mudou assim tanto?
Em 1970, muitas das crianças entre os 12 e os 18 anos já estavam a trabalhar. Os colegas dos meus filhos vinham quase todos da classe média e comportavam-se de acordo com as regras da tribo. Socialmente, as escolas eram homogéneas. Hoje, e felizmente, a escola recebe alunos de todos os estratos sociais. Ensinar era então fácil - hoje não o é. Para se ter uma ideia de como é actualmente composta uma turma da periferia, veja-se o 6º ano descrito pela docente Maria da Silva Rainha (pag. 35).
Aprende-se hoje menos do que nessa altura? Aprende-se melhor ou pior?
Se pensarmos em volume bruto, os quilos de aprendizagem cresceram, porque o número de alunos aumentou. Há mais gente a saber mais coisas. Mas a massificação levou, em muitos casos, à degradação. Não era inevitável, mas foi isso que aconteceu.
Os bons professores perdem-se no meio da burocracia ou faz toda a diferença na formação de um aluno o professor que lhe calha em sorte?
Esta pergunta não tem uma resposta, mas duas. Sim, os bons professores perdem-se no meio da burocracia. Sim, um bom professor é crucial na formação dos alunos. Sem bons professores, não há boas escolas. É tão simples quanto isto.
E como foi escrever este livro?
Gostei tanto de fazer este trabalho que houve dias em que cheguei a casa, a correr, para ir ler no computador o que as diaristas, como lhes chamava, me tinham mandado. Ao lê-las, constatei que, não se não fosse a sua coragem, generosidade e sentido de humor, e não teriam sobrevivido à burocracia que todos os dias lhes caía em cima."
Mais de mil emails trocados com professores, alunos e uma mãe resultaram no novo livro de Maria Filomena Mónica. A autora aponta culpas a todos os ministros da pasta desde o 25 de Abril, que apenas se preocuparam em fazer boa figura nas estatísticas internacionais e "cometeram o erro de adoptar políticas cobardes, idiotas e ineficazes", escreve. Perante o estado a que o ensino chegou, defende que a indisciplina tem de ser punida e as escolas têm de ter mais autonomia em matérias como currículos e exames. Sobre o tema, a socióloga escreveu dois livros - num deles, publica os emails que lhe foram enviados pelas suas fontes.
O que se passa na sala de aula? O retrato é assim tão negro?
Eu já tinha ouvido dizer que a indisciplina era um problema grave, mas nunca pensei que pudesse ter chegado a este nível. Contudo, o factor mais importante para a degradação do ensino é a centralização do sistema, que leva os professores a passarem noite após noite a preencher formulários que os burocratas do ministério, sem que se perceba o objectivo, lhes enviam.
Por que é que decidiu escrever um livro sobre o ensino e as escolas?
Sentia que toda a gente perorava sobre os males da escola sem que soubesse o que se passava lá dentro. Há muito que me interesso sobre temas ligados à escola, em parte porque tive filhos e netos que frequentaram e frequentam o ensino público, em parte porque me doutorei em Sociologia da Educação. Pedi a oito professores e quatro alunas, para, sob pseudónimo, me enviarem um diário ao longo de um trimestre.
Na sua perspectiva, o que lhe parece urgente mudar nas salas de aula e nas escolas?
É difícil dizer o que é mais urgente. Muitos temas, os ‘curricula', os programas, os exames, ultrapassam a sala de aula, uma vez que são elaboradas no ministério, que promulga lei atrás de lei, sem fazer a menor ideia do que se passa no interior das salas de aula.
Acha que existe uma grande diferença entre as escolas públicas e as privadas?
Existem diferenças, especialmente no que diz respeito à gestão, que é mais autónoma nas privadas. Mas dentro dos dois sistemas, há escolas boas e más. A divisão não passa pelo público versus privado.
Pergunta-se, no início do livro, o que terá mudado desde que os seus filhos andaram na escola pública nos anos 70. Descobriu, afinal, o que mudou assim tanto?
Em 1970, muitas das crianças entre os 12 e os 18 anos já estavam a trabalhar. Os colegas dos meus filhos vinham quase todos da classe média e comportavam-se de acordo com as regras da tribo. Socialmente, as escolas eram homogéneas. Hoje, e felizmente, a escola recebe alunos de todos os estratos sociais. Ensinar era então fácil - hoje não o é. Para se ter uma ideia de como é actualmente composta uma turma da periferia, veja-se o 6º ano descrito pela docente Maria da Silva Rainha (pag. 35).
Aprende-se hoje menos do que nessa altura? Aprende-se melhor ou pior?
Se pensarmos em volume bruto, os quilos de aprendizagem cresceram, porque o número de alunos aumentou. Há mais gente a saber mais coisas. Mas a massificação levou, em muitos casos, à degradação. Não era inevitável, mas foi isso que aconteceu.
Os bons professores perdem-se no meio da burocracia ou faz toda a diferença na formação de um aluno o professor que lhe calha em sorte?
Esta pergunta não tem uma resposta, mas duas. Sim, os bons professores perdem-se no meio da burocracia. Sim, um bom professor é crucial na formação dos alunos. Sem bons professores, não há boas escolas. É tão simples quanto isto.
E como foi escrever este livro?
Gostei tanto de fazer este trabalho que houve dias em que cheguei a casa, a correr, para ir ler no computador o que as diaristas, como lhes chamava, me tinham mandado. Ao lê-las, constatei que, não se não fosse a sua coragem, generosidade e sentido de humor, e não teriam sobrevivido à burocracia que todos os dias lhes caía em cima."
domingo, 23 de março de 2014
sexta-feira, 21 de março de 2014
domingo, 16 de março de 2014
terça-feira, 11 de março de 2014
domingo, 1 de dezembro de 2013
quinta-feira, 10 de outubro de 2013
segunda-feira, 16 de setembro de 2013
sábado, 20 de julho de 2013
terça-feira, 9 de julho de 2013
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