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domingo, 15 de março de 2015
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
segunda-feira, 6 de agosto de 2012
crónica... pela escola descentralizada [...?!]... de rui moreira... no jn....!
"Os sindicatos dos professores rasgam as suas vestes, enquanto alguns
dos seus militantes têm um comportamento pouco edificante no Parlamento,
dando um péssimo exemplo às crianças e adolescentes que reclamam querer
proteger. Tudo isto, porque o Ministério vai contratar menos
professores, e porque alguns irão ficar sem turmas. Naturalmente, os
professores reclamam que tudo isto irá ter impacto negativo no ensino, e
escandalizam-se por haver turmas que, no limite, poderão ter trinta
alunos. As federações dos paizinhos, cuja representatividade conhecemos,
alinham pelo mesmo diapasão.
Ora, quanto ao número de alunos por
turma, e sabendo que a realidade é hoje bem diferente, nomeadamente no
que diz respeito a disciplina, lembro-me que fiz todo o Secundário em
liceus públicos, e sobrevivi em turmas que por vezes excediam os 40
alunos. Sucede também que no atual ensino privado há escolas que tem 30
alunos por turma, e que nem por isso deixam de funcionar. Não existe uma
correlação direta entre o aproveitamento escolar e o rácio de
professores por aluno. Prova disso é que o ensino não melhorou nos
últimos anos. Bem pelo contrário. Ora, o rácio de professor por aluno é
hoje de menos de metade do que era na década de oitenta do século
passado, porque o número de professores cresceu sempre até 2005 e o
número de alunos tem vindo a diminuir constantemente, sendo hoje cerca
de 2/3 do que era nos anos 80, pelas razões demográficas que tão bem se
conhecem. Perante o problema de natalidade que se vai agravar, seria
sempre impossível garantir emprego a todos os professores, porque não há
matéria-prima que os justifique e sustente. Esta é a realidade nua e
crua e que se sustenta em números: por cada professor, existem, na
escola pública, menos de oito alunos.
Por muito que custe aos
sindicatos, que tantas vezes invocam a Constituição da República, esta
apenas promete que os portugueses terão acesso à educação. Não conheço
nenhum capítulo da mesma lei fundamental que garanta que a escola tem de
assegurar emprego a todos quantos têm formação para dar aulas, tanto
mais que são muitos os professores que tiraram cursos não diretamente
vocacionados para o ensino, como sucede com a Economia, ou com o
Direito.
Por isso, muitos professores terão de procurar outras
oportunidades, ou estarão condenados ao desemprego. Entretanto, os
professores com horário zero irão para uma bolsa de substituição e
depois, nos próximos anos, serão usados para reduzir o número de
contratados. Entende-se que se sintam ameaçados por isso? Claro que sim,
mas dificilmente se compreendem as reclamações dos sindicatos que nunca
se insurgiram no passado contra o facto de haver muitos professores que
gozavam desse privilégio, até porque muitos deles eram, precisamente,
dirigentes sindicais.
O tempo mudou, e não apenas para os
professores. Sucede, contudo, que os problemas do Ensino, e os conflitos
com os professores são um problema endémico e, aparentemente, sem
solução. Tudo isto resulta, como António Barreto explicava, de ser o
Ministério de Educação o único patrão dos professores, o que tem, como
consequência, uma vantagem para os sindicatos e uma desvantagem para o
sistema, em que se incluem professores e alunos. A gestão dos recursos
humanos a partir do Ministério não pode funcionar. Por isso, torna-se
urgente dar maior responsabilidade a cada escola, ou a cada agrupamento,
para que faça as suas escolhas e para que determine o número de
professores de que necessita, em função das suas especificidades. Ou
seja, a Educação precisa de uma organização equivalente àquela que hoje
existe em todos os outros setores do Estado. Nunca se ouvirá o professor
Nogueira reclamar por isso, porque sabe bem que não resulta em seu
benefício. Pelo contrário, espera-se que, um dia destes, os bons
professores, que não compreendem as colocações, que não entendem os
critérios, que são prejudicados pelas regras cegas, que estão fartos dos
paizinhos e da indisciplina, que têm uma vocação que tem sido
desrespeitada e muitas vezes mal compreendida, se organizem e exijam o
fim de um modelo centralista e absurdo."
terça-feira, 17 de julho de 2012
crónica... [reflectindo] capital de quê? [sobre o porto e a 'regionalização']... de rui moreira...!
"Saberá o leitor que não me revejo na ideia da fusão entre Porto e Gaia.
Diferente seria se essa fusão incluísse Matosinhos, Maia, Valongo e
Gondomar, uma vez que teríamos, nesse caso, uma cidade formada pelas
cidades que constituem o núcleo do Grande Porto o que tornaria mais
fácil gerar sinergias e gerir as complementaridades, definindo uma
estratégia metropolitana.
Outra alternativa, claro está, passa por reforçar os poderes da
Junta Metropolitana num território mais alargado, transferindo para essa
autarquia supramunicipal um conjunto de competências que hoje pertencem
ao Estado Central, e ainda algumas outras que se encontram dispersas
pelas várias cidades.
A ser assim, manter-se-iam as cidades, tais
como as conhecemos, com as suas identidades e com as suas
características próprias, mas haveria um poder supramunicipal que
poderia intervir em áreas fundamentais, como é o caso da mobilidade e
dos transportes, do ambiente, da educação e da saúde. Naturalmente, e
para que essa autarquia supramunicipal possa ter uma voz e capacidade de
fazer exigências, o seu presidente deverá ser escolhido por sufrágio
direto, integrando os presidentes de Câmara das cidades que compõem a
Área Metropolitana um senado metropolitano, fazendo-se assim a
articulação de competências que competem aos dois níveis de poder.
A
crítica, aliás razoável, de que esse processo pode impedir a futura
regionalização, não me parece fundamentada. Bem se sabe que, havendo ou
não regionalização, haverá sempre associações de municípios no seu seio
que podem e devem funcionar de forma diferenciada. Menos razoável é a
crítica de que esse modelo não existe na Europa, porque ignora a
realidade de muitas e muitas cidades europeias.
Mas, voltando à
ideia tão em voga da fusão de Porto e Gaia, é importante igualmente
recuperar os argumentos dos seus defensores. Dizem-nos eles que, desta
forma, estaremos a formar a maior cidade portuguesa e, simultaneamente, a
dar corpo à futura capital do Noroeste Peninsular. Quanto a este último
conceito, pode ter impacto na vontade das populações, mas é uma mera
ilusão. Não conheço nenhum galego que alguma vez tenha admitido esse
cenário. Por outro lado, a ideia de capitalidade do Porto é, essa sim,
um enorme obstáculo à regionalização. A última coisa que os portugueses
querem é uma segunda capital e como tantas vezes tenho defendido, a
estratégia para o Porto deve passar precisamente por não ser, nem querer
ser, capital. O objetivo a defender deve ser o de alinhar com as outras
cidades, reclamando a Lisboa uma justa repartição dos recursos e dos
poderes que hoje se concentram, de uma forma aliás cada vez mais
despudorada, na capital. Outro conceito demagógico passa pela intenção
de querer ser a maior cidade de Portugal, na medida em que o Porto só o
será se Lisboa e as cidades limítrofes não optarem, também elas, pela
fusão, além de que a mera dimensão populacional não garante qualidade de
vida, nem torna a cidade mais competitiva.
Resta, é claro, a
questão sempre sensível do nome a dar à cidade assim formada, com o
risco de se alienar o peso de uma marca que, nos últimos anos, tem vindo
a ganhar força no estrangeiro, e o problema do equilíbrio justo entre
as contas das duas autarquias, que não deixará de pesar na decisão dos
portuenses.
Ainda assim, se porventura for esse o caminho, não se
entende por que razão se propõe que o assunto seja adiado para daqui a
quatro ou a seis anos. Diz o memorando assinado com a troika que é
necessário reduzir o número de autarquias. A questão das freguesias,
além de polémica, tem pouco impacto, como se sabe. Por isso, deveriam os
ideólogos deste projeto defender um referendo que antecedesse as
eleições autárquicas do próximo ano. Ou será que não o querem fazer
porque, se esse cenário se viesse a concretizar, haveria uma reviravolta
profunda nas futuras candidaturas autárquicas, em função da atual
interpretação da lei que limita o número de mandatos?"
terça-feira, 17 de abril de 2012
parque escolar...opinião... a última festa [mais umas achegas]... de rui moreira...!
"Quando o Governo de José Sócrates anunciou o projeto Parque Escolar,
defendi que a remodelação das nossas escolas era um bom investimento
público porque, ao contrário de outros, poderia resultar num claro
benefício para a economia. Para além de poder reanimar o sector da
construção civil, já então em crise muito profunda, a oferta a alunos e
docentes de instalações com maior funcionalidade poderia ajudar à
superação do atraso educativo português face aos padrões europeus.
A
verdade, porém, é que logo que se conheceu o projeto em mais detalhe,
se levantaram dúvidas sobre a sua implementação e se questionou, por
isso, a relação entre custo e benefício. Uma boa ideia não resulta
necessariamente num bom investimento e, neste caso, optara-se por
escolher a dedo alguns dos arquitetos do regime e os concursos públicos
foram feitos de forma a beneficiar algumas grandes empresas de
construção civil em vez de se optar por adjudicações parcelares que
teriam um maior impacto no sector.
Houve, além disso, uma escolha pouco
judiciosa e muitas vezes faraónica de materiais e de equipamentos sem
tomar em conta a incorporação nacional, olvidaram-se as questões da
sustentabilidade, e nomeadamente a importantíssima questão da eficiência
energética. Por razões estéticas, recusaram-se, por exemplo, propostas
de utilização de painéis solares que poderiam resultar em redução de
custos e até numa receita para as escolas, na medida em que estão
encerradas nos meses de verão, e poderiam então abastecer a rede
elétrica.
No inverno passado, visitei uma escola nos arredores do
Porto, em que pude constatar que as soluções arquitetónicas que tinham
sido adotadas eram esplêndidas do ponto de vista estético. Contudo o
luxo contrastava com as condições objetivas de funcionamento. Lá dentro,
estava um frio de morrer porque, segundo me informaram, os sistemas de
climatização exigiam níveis de consumo de energia que não eram
sustentáveis pelo orçamento da escola.
Não fiquei, por tudo isso,
surpreendido quando tive conhecimento das conclusões do relatório do
Tribunal de Contas em que se assinala, por exemplo, que face aos
objetivos iniciais, se verificou um aumento no investimento estimado em,
pelo menos, 218,5% (mais do triplo) não obstante abranger apenas 64%
(26% abaixo) do número de escolas que se pretendiam modernizar. Ou seja,
para fazer menos do que era prometido, gastou-se muito mais dinheiro do
que era necessário e, como também é evidente no relatório, este foi
muito mal distribuído. Se olharmos ao custo por metro quadrado da
reabilitação das escolas, chegamos a um valor que concorre com o preço
de construção de uma moradia de luxo na Foz.
Já me surpreende
que, perante esta evidência, se tente explicar aquilo que não tem
justificação. A propósito, Maria de Lurdes Rodrigues chegou ao ponto de
dizer, no Parlamento, que se tratou de uma grande festa. Incomoda-me que
uma das maiores responsáveis por essa festa não seja capaz de admitir
os erros da rapioca que caucionou, e que tenha o descaramento de dizer o
que disse. Aflige-me que o Partido Socialista ainda não tenha
compreendido, ou teime em não admitir publicamente que a festa socrática
custou aos contribuintes portugueses mais de 80 000 milhões de euros em
endividamento em seis anos, sem que isso tenha resultado numa
modernização real do país.
Numa altura em que o país se vê
forçado a mudar de vida, a Parque Escolar é um exemplo de um tempo
histórico em que muitos objetivos consensuais foram atraiçoados pelo
despesismo, pelo clientelismo e pela irresponsabilidade. Não admira, por
isso, o sentido das sondagens revelem que os partidos do Governo
voltariam hoje a ter a maioria, se houvesse eleições. Os portugueses
estão a sentir na sua bolsa a maior das crises de que há memória mas não
esquecem a história recente. Como me dizia um velho amigo, que sempre
defendeu os ideais de esquerda, as audiências parlamentares às antigas
ministras da educação de José Sócrates foram uma extraordinária benesse
para este Governo..."
Publicada por
Arq. Luiz Crespo de Carvalho
à(s)
6:00 da tarde
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