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quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

é profundamente iníqua a intenção e a sua passagem à prática...

"O Conselho Directivo Regional Sul lamenta profundamente a redacção dos Projecto-Lei 495/XIII, 576/XIII e 577/XIII, aprovada no dia 22 de Fevereiro pela 6ª Comissão Parlamentar de Economia, Inovação e Obras Públicas, considerando que a manter-se é discriminatória e desrespeitadora não só das habilitações como da profissão dos Arquitectos Portugueses.
Considera ainda que a base legal justificativa para a aprovação inicial da proposta em plenário, a existência de uma notificação no Anexo VI da Directiva 2005/36/CE alterada pela Directiva 2013/55/UE de 20 de Novembro na qual constavam quatro cursos de licenciatura em engenharia e quatro cursos de arquitectura com o ano de referência 1987/1988, foi ignorada nesta nova redacção, sendo agora acrescidas de forma arbitrária aos quatro cursos de engenharia referidos, as habilitações de bacharelato dos Engenheiros Técnicos. Não havendo, qualquer menção à experiência na elaboração e aprovação de projectos de arquitectura por parte destes, TODOS os licenciados e bacharéis inscritos até 1987 estão incluídos naquela proposta.
Para além de ferir princípios constitucionais ao privilegiar um grupo de engenheiros e discriminar negativamente os arquitectos que também constam da Directiva Europeia e que podiam realizar actos de engenharia, vai mais longe colocando em causa a própria regulação das profissões do sector, atribuindo, à revelia da Lei das Associações Públicas Profissionais, competências à Ordem dos Engenheiros que são exclusivas da Ordem dos Arquitectos.
Assim, o Conselho Directivo Regional Sul considera que a entrada no mercado de trabalho de mais de 4.000 engenheiros (números do Instituto Nacional de Estatística) que irão exercer arquitectura nos próximos 30 a 40 anos irá ter graves consequências, quer na desqualificação urbana e territorial do País, quer no aumento do desemprego dos arquitectos, com especial incidência sobre os mais jovens e desprotegidos, sendo por isso de uma enorme gravidade política, social e cultural.
O Conselho Directivo da Secção Regional Sul irá lutar, com todos os meios à sua disposição pela reposição da legalidade juridica e constitucional e apela a todos os seus membros para que movam todos os esforços ao seu alcance, considerando que terão todo o apoio júridico necessário para este assunto por parte dos serviços da Secção Regional Sul
."
O Conselho Directivo Regional Sul da Ordem dos Arquitectos 
Ordem dos Arquitectos Secção Regional Sul
Comunicação
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sábado, 28 de março de 2015

sexta-feira, 27 de março de 2015

divulgando, preocupadamente... propostas de lei n.º 226/XII e n.º 227/XII, um processo em curso... via oa...!


24.03.2015

"O Conselho Directivo Nacional (CDN) acompanha, desde o início de 2013, a revisão da Lei n.º 31/2009, de 3 de Julho, que estabelece a qualificação profissional exigível aos técnicos responsáveis pela elaboração e subscrição de projectos, pela fiscalização e pela direcção de obra. 

O Gabinete da Presidência (GP) do CDN informa que o processo legislativo ainda não se encontra encerrado, sendo para tal necessário não só finalizar os trabalhos de redacção no Parlamento como a intervenção do Senhor Presidente da República a quem cabe promulgar a proposta de lei. 

No âmbito das suas atribuições estatutárias, o CDN, através do GP e com apoio jurídico do Dr. Gonçalo Menéres Pimentel, tem conduzido o processo de análise, discussão e negociação com os diferentes decisores desta matéria decisiva para o enquadramento jurídico do exercício da profissão de arquitecto. 

As acções promovidas pelo CDN ao longo de todo o processo de acompanhamento da proposta de lei, que se actualizam, têm exigido, por parte dos membros do GP e do seu consultor jurídico, uma dedicação quase exclusiva. 

No mesmo âmbito, o GP tem mantido todos os Órgãos da Ordem informados da evolução dos processo, bem como, sempre que se tem revelado necessário, solicitado o seu contributo. 

De igual modo o GP tem dado notícia ao seus membros e tornado públicas todas as diligências efectuadas, atendendo necessariamente à complexidade e sensibilidade desta matéria e de forma a que estas não comprometam os objectivos da Ordem dos Arquitectos. 

Recorda-se que a posição institucional nesta matéria cabe ao CDN, uma vez que lhe compete relacionar-se com os órgãos de soberania e transmitir a posição da Ordem dos Arquitectos, a bem do interesse público."


quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

coisas da educação [ensino artístico]... tomada de posição da fenprof... via portal da fenprof...!



coisas da educação [ensino artístico]... notícias da fenprof... via portal da fenprof...!

"Concentração nacional, junto ao MEC
 
"Acordai", de Fernando Lopes Graça e José Gomes Ferreira, ao vivo em plena "5 de Outubro", foi um dos pontos altos da concentração nacional, das escolas particulares e cooperativas de ensino artístico especializado, realizada junto ao MEC durante a manhã da passada segunda-feira, 9/02/2015. A ação decorreu entre as 11h00 e as 14h00 e foi animada por palavras, canto e música./ JPO




Tomada de posição entregue no MEC

Petição pública a caminho das 7.000 assinaturas

"Acordai" (letra)     |    Apelo à Assembleia da República 

Imagens da iniciativa /J. Caria   |   Remar contra a maré

Professores e alunos dão concerto de protesto à porta do MEC / JN

Ensino artístico protesta à porta de Nuno Crato / TVI

Músicos juntam-se a protesto ensino artístico / RTP

Docentes do ensino artístico manifestaram-se em frente ao Ministério / SIC Notícias

A força da solidariedade     |     Cinco reivindicações fundamentais

Vitorino de Almeida: "Vivemos numa espécie de Disneylandia da injustiça"

Alunos e professores do ensino artístico só pedem respeito / Notícias ao minuto

Mário Laginha: "Sinto que faço parte desta comunidade..."

Concerto em defesa do ensino artístico / TSF

"Quem foi o incompetente?..." / Rádio Renascença

"

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

continuando o dia... [bem] mal disposto...!

Quem foi o burro que deu o canudo aos professores burros?

por PEDRO TADEU 
Ontem


"Se eu acreditar no ministro da Educação (acreditar em Nuno Crato é difícil...) parece que na prova de avaliação de 2.490 professores (0,14% do universo total dos professores do ensino público) houve quem desse "20 erros numa frase". Vamos admitir a veracidade da informação e a conclusão implícita: há professores burros a dar aulas. Nem vou discutir isso, vou apenas perguntar: "se é assim, quem foi o burro que lhes deu o canudo para serem professores?"

Os examinados tinham todos menos de cinco anos de profissão pelo que a certificação do curso que lhes validou a habilitação para a docência só pode ter acontecido com Maria de Lurdes Rodrigues ou com o próprio Nuno Crato.

É estranhíssimo que o ar de tragédia nacional com que o ministro comentou os resultados de uma prova cujo enunciado, como já foi demonstrado por inúmeros analistas, era um verdadeiro desastre, não tenha sido acompanhado pelo anúncio de uma reforma, um inquérito, uma simples análise ao sistema de formação de professores, a questão que é aqui essencial.

Porque interessa ao ministro fazer provas que "chumbam" professores em vez de, nas Escolas Superiores de Educação, fazer travar o escoamento para a docência dos incapazes?

Em 2008, quando começou a crise financeira, Portugal tinha, do ensino pré-escolar até ao superior, um total de 211.299 professores. Em 2013, segundo os últimos dados do Pordata, contava 183.839 professores.

Em 2008 havia 1.762.540 de alunos no ensino público e 422.331 no privado. Em 2013 esses valores baixaram para 1.731.329 no público e 408.648 no privado.

A queda no número de professores no ensino público foi, nesse período, de 13,9%. O ensino privado passou a ter menos 7,6% de docentes.

Deveu-se isto à falta de alunos? Não: a queda do número de alunos no ensino público foi apenas de 1,8% e no privado foi 3,2%.

Se quisermos afinar os números para o momento da entrada da troika em Portugal, em 2011, teremos uma queda de 13,4% na quantidade de professores do ensino público e de 12,39% no ensino privado.

Nos estudantes esses valores desceram apenas 6,73% para o ensino público mas, para o ensino privado, atingiram 15,8%. Mesmo assim, as escolas privadas despediram menos professores, em percentagem, do que o Estado.

Conclusão: melhorar a formação dos professores de forma a impedir que os "burros" possam ensinar, não interessa. Interessa é deixá-los entrar no sistema para acabar de vez com o prestígio da profissão docente e ganhar os líderes de opinião para o processo, em curso, de destruição do ensino público... Há outra explicação possível para tanta asneira?"


no dn 'online'... aqui.
 

domingo, 21 de dezembro de 2014

a ficar maldisposto, só pode...


editorial
Boas notícias
A s dívidas do Estado são um garrote financeiro que estrangula as empresas em Portugal. Não houve um único primeiro-ministro na última década que não tenha identificado este problema de três mil milhões...


no dn 'online'...

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

comunicado do governo... 'a partir de agora, e mais do que nunca, caberá aos agentes financeiros suportar os encargos para superar crises bancárias' [sic]... no portal do governo...!

"«A partir de agora, e mais do que nunca, caberá aos agentes financeiros suportar os encargos para superar crises bancárias - e não aos contribuintes», afirmou a Ministra de Estado e das Finanças na apresentação da proposta de lei que transpõe diretivas da União Europeia sobre garantia de depósitos bancários e recuperação e resolução bancária. Maria Luís Albuquerque recordou que depois da crise de 2008, «ficou patente que algo tinha de ser feito, de modo a evitar que os contribuintes continuassem a ser chamados a resolver crises bancárias».

A Ministra afirmou que acerca «da garantia dos depósitos, mantém-se o limite da garantia de 100 mil euros, mas atribui-se maior proteção aos depósitos de todas as pessoas singulares e pequenas e médias empresas». E quanto à resolução, «pretende-se que o esforço dos resgates a bancos recaia unicamente sobre os agentes do sector financeiro, quer seja através do novo mecanismo de resgate interno, que responsabiliza quem tem exposição direta aos bancos, quer seja através do já consagrado mecanismo de resgate pelo sistema financeiro através do Fundo de Resolução».

A aprovação desta legislação em todos os países da UE - e sobretudo da zona euro - é importante, pois a «harmonização da legislação relativa à supervisão de instituições de crédito, à gestão de crises bancárias e aos sistemas de garantia de depósitos» é «um dos pilares da União Bancária».

A União Bancária, por sua vez, disse Maria Luís Albuquerque, contribuirá para reduzir «a fragmentação dos mercados financeiros na área do euro levou a que as empresas na União Europeia, mesmo que em tudo comparáveis, suportem custos de financiamento substancialmente diferentes, apenas por estarem sediadas em países distintos».

Estas diferenças de tratamento «reduzem a capacidade de investimento e crescimento das empresas, comprometendo o desenvolvimento da economia no seu todo, nomeadamente dos países mais vulneráveis em função dos desequilíbrios acumulados», razão pela qual Portugal tem sido um grande promotor da União Bancária."

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

reflexões para o fim de dia [desenvolvimento sustentável]... sociedade, empresas, economia e mercado...!


no observador...


A sustentabilidade é um modelo de negócio viável. E é a única maneira de garantir que um negócio é resiliente”, diz em entrevista ao Observador Rabab Fayad, diretora da Rede Global do Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável (WBCSD). A representante da organização esteve em Portugal para falar da importância dos recursos naturais no âmbito da conferência “Portugal, Capital Natural – agricultura, mar e florestas” que decorreu esta segunda-feira em Lisboa.

À medida que a população aumenta, o mesmo acontece com a utilização dos recursos naturais. E se os recursos não forem poupados, repostos ou restaurados, não é só o ambiente que entra em falência, as empresas também. “Se as empresas querem continuar a fazer negócios no futuro têm de o fazer de forma reporem os recursos que gastam. De outra forma não terão capacidade de continuar em funcionamento”, diz Rabab Fayad, acrescentando que se não forem tomadas medidas agora, os danos ambientais poderão ser irreversíveis.

Como é que o planeta pode comportar uma população de nove mil milhões de pessoas em 2050 e continuar a providenciar-lhe comida e bem-estar? Só quando os governos e as empresas se juntarem na luta pelo desenvolvimento sustentável. E o papel das empresas é realmente importante. “Não podemos viver sem indústria. Mas também não vamos sobreviver se a indústria continuar este caminho de insustentabilidade”, nota a diretora da rede global. Por isso, a WBCSD definiu uma missão – Vision 2050 – que pretende integrar o ambiente, a sociedade e as empresas no desenvolvimento sustentável até esse ano.

Mas como é uma meta de muito longo prazo, a organização empresarial estabeleceu também um plano para 2020 – Action 2020 – com medidas concretas e mensuráveis, que terão um impacto em larga escala. São propostas 35 soluções que podem abarcar áreas tão diversas como alterações climáticas, mobilidade ou empregabilidade, e incluem medidas como recuperação de recifes de coral e reflorestação – os recifes e florestas funcionam como sumidouros de carbono -, recuperação de 12 milhões de hectares de solo arável por ano ou aumento da proteção das zonas costeiras em 10%. “As soluções são das empresas, para as empresas”, nota Rabab Fayad. “Portanto têm de ser soluções empresariais lucrativas, que sejam viáveis e cujos custos possam ser suportados pelas mesmas.”

As medidas propostas pela WBCSD podem ser assumidas e replicadas por cada uma das redes locais parceiras, com as devidas alterações e adaptações às realidades locais. Entre as 67 redes parceiras encontra-se o Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável em Portugal (BCSD Portugal). A Ação 2020, criada em linha com a Vision 2050 da WBCSD, tem objetivos concretos para a etapa intermédia de 2020 assumidos pelas 100 empresas membros do conselho português. Lançada em novembro de 2013, a Ação 2020 conta com 13 medidas dentro das seis áreas prioritárias para os empresários portugueses, incluindo: desenvolvimento social, economia, capital natural, energia, cidades e infraestruturas, e indústria e materiais.
“A sustentabilidade ambiental tem de andar de mão dada com a sustentabilidade social.”
Rabab Fayad, diretora da Rede Global do Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável
O papel de Rabab Fayad é “trabalhar dentro das políticas e diálogos nacionais” para criar um “fluxo de trabalho e um modelo de negócio que estejam em linha com a sustentabilidade e o desenvolvimento”, porque todos os países são diferentes. “O objetivo que tenho é trabalhar com as empresas dentro da própria cultura e hábitos, de maneira a que peguem no nosso trabalho e o adaptem tornando-o local”, explica a diretora da rede global, referindo, no entanto, que as empresas têm de perceber que mesmo agindo localmente, têm de pensar globalmente. Basta pensar que “60% dos recursos naturais foram destruídos nos últimos 50 anos”, refere.

Rabab Fayad dá o exemplo das alterações climáticas e de outros assuntos ambientais que considera estarem “no centro de muitos dos nossos problemas”. É preciso, por um lado, que as empresas incorporem o desenvolvimento sustentável no plano de negócios, por outro, que não o considerem simplesmente como uma forma de responsabilidade social. “Algumas empresas ainda não compreendem que têm de ir além da responsabilidade social e implementar a sustentabilidade como uma parte fundamental do negócio. Não é caridade, é dar segurança para o futuro do negócio.” Fazendo referência à grande quantidade de ideias inovadoras que têm surgido, a diretora da rede global considera que a sustentabilidade e a empregabilidade beneficiam dum contacto estreito. “É um desafio, mas não é um fardo. Na verdade, é uma oportunidade e uma aventura.”"


aqui.

nota - pode ver um vídeo, seguindo a mesma ligação...

domingo, 30 de novembro de 2014

coisas da educação [ranquingues]... afinal para quê...?


no observador...

"Todos os anos, os rankings fazem-nos discutir as mesmas questões e tirar as mesmas conclusões. E, todos os anos, quem não gosta do que os rankings mostram aplica-se em explicações sobre os porquês destes constituírem um ataque à escola pública. Sim, os rankings têm limitações e nem tudo na educação é mensurável. Mas admitirmos esses limites não nos deve impedir de usar os rankings com prudência e, claro, de ter em conta aquilo que eles nos revelam sobre o funcionamento das escolas.
 
O problema é que isso nem sempre tem acontecido. Com 14 anos de publicações sucessivas dos rankings, muito melhorou, é certo, mas o debate público ainda alimenta mitos, os directores continuam a não dar real importância aos resultados e o Ministério continua a fingir que não vê os problemas que aparecem retratados nos dados. Há, obviamente, muitas razões para isso acontecer e muita coisa a dizer sobre os rankings. Hoje, limito-me a abordar três aspectos relacionados com uma questão habitualmente mal compreendida – a relação entre o perfil socioeconómico dos alunos e a responsabilização.

1. O primeiro aspecto é o óbvio: não se pode comparar desempenhos escolares sem ter em conta os perfis socioeconómicos dos alunos. Infelizmente, há ainda muita gente que acha que isso é uma teoria facilitista, quando está provado em milhares de artigos e estudos que esse perfil socioeconómico é o melhor indicador para prever o desempenho escolar. Algo que, na prática, significa que um jovem nascido numa família privilegiada tem melhores condições para atingir o sucesso escolar do que um jovem de uma família desfavorecida. Enfim, não é um fatalismo, mas é uma constatação estatística: um filho de licenciado tem maior probabilidade de obter uma licenciatura do que um filho de analfabeto.
Este é um ponto sensível do debate público, porque é habitualmente usado de forma hipócrita – usa-se quando dá jeito, esquece-se quando não dá. Por exemplo, quem afirma que as escolas privadas são “melhores” tende a não valorizar o socioeconómico. Ou, por exemplo, veja-se que são normalmente os professores das públicas a recordar a importância desse factor socioeconómico, no sentido de enquadrar os resultados dos seus alunos (para não serem indevidamente responsabilizados pelas notas). Mas, o que os professores consideram verdade quando aplicado aos seus alunos passam a considerar mentira quando aplicado a alunos que querem ser professores (e que frequentam os cursos de ensino). As reacções de dezenas de professores a este meu texto no Observador falam por si. Ora, o perfil socioeconómico não é para ser usado só quando interessa.

Vale a pena salientar a importância da questão social porque ela tem implicações importantes na leitura dos rankings. Saber que uma escola está no top10 porque a média dos exames do secundário dos seus alunos é de 13 não quer dizer nada se não soubermos o perfil desses alunos e tivermos, portanto, uma expectativa quanto ao seu desempenho. Se, nessa escola, a média esperada fosse 14 valores, então 13 não é um bom resultado. Mas se o esperado fosse 12 valores, então 13 já revela um bom desempenho. Isto faz toda a diferença.

Um caso concreto: a Escola Secundária António Nobre, no Porto, obteve uma média de 7,58 valores no secundário (212 provas realizadas) quando o valor esperado em função do contexto social era de 10,16 valores. Há aqui alguma coisa que correu mal, visível não tanto pela média alcançada em si, mas pela distância face ao que se esperava.

(Infelizmente, as escolas privadas, incluindo as escolas com contrato de associação, continuam a não divulgar os dados socioeconómicos dos seus alunos, limitando a comparação face às escolas públicas. Não se percebe porquê, e é cada vez menos aceitável que assim aconteça.)

2. O segundo aspecto é a continuação lógica do primeiro e tem a ver com responsabilização. Enquanto não foi possível comparar adequadamente escolas públicas entre si (porque faltavam dados socioeconómicos), vigorou uma espécie de lei não-escrita que dizia que as escolas públicas eram todas iguais e que, por isso, não era necessário avaliá-las – só mudava o tipo de alunos que tinham (bons ou maus, ricos ou pobres). Falar do perfil socioeconómico era, no fundo, dizer que não era possível retirar conclusões sobre o desempenho médio das escolas: durante demasiado tempo, acreditou-se que o sucesso ou insucesso de um aluno era alheio ao desempenho da escola. Aliás, é uma das coisas mais surpreendentes no sector da educação em Portugal: formalmente, ninguém é responsabilizável pelos resultados dos alunos. Excepto o ministro.

Ora hoje, com rankings melhores, podemos comparar escolas e verificar que não é assim: há escolas que superam os resultados esperados (medidos de acordo com esses perfis socioeconómicos) e há escolas que ficam aquém do esperado. Em 2014, 56% das escolas ficou aquém do esperado – o que mostra que há muita margem para melhorias. Ou seja, como em tudo na vida, há boas e más escolas, e estudar numas ou noutras faz muita diferença para o percurso escolar de um jovem.

Aceitar isto tem consequências, nomeadamente em termos de prestação de contas. Se as escolas têm níveis de desempenho e qualidade distintos, é fundamental que isso seja avaliado: as que prestam um mau serviço educativo têm de ser identificadas e ajudadas a melhorar, pois estão a prejudicar alunos que não terão uma segunda oportunidade.
Se as escolas têm níveis de desempenho e qualidade distintos, é necessário informar os pais e dar-lhes liberdade para escolher a escola dos seus filhos dentro da rede pública.
Se as escolas têm níveis de desempenho e qualidade distintos, é indispensável perceber porquê e apurar responsabilidades – recompensando o mérito de quem trabalhou bem e penalizando o demérito de quem serve mal os alunos (por exemplo, por que não incluir o desempenho dos alunos como um entre vários critérios de avaliação dos professores?).

Há, de facto, escolas que precisam de ajuda, e compete ao Ministério ajudá-las, sabendo que a melhoria se constrói à base de trabalho e de medidas estruturais. Por exemplo, a ideia dos créditos que o Ministério implementou não é má e poderá ter ajudado algumas escolas, mas é insuficiente e não serve as escolas com maiores dificuldades. Outras medidas se exigem. De resto, é cada vez menos compreensível que seja indiferente para a carreira de um professor o que acontece aos seus alunos. Tal como é cada vez menos compreensível que as escolas não tenham de se comprometer com objectivos de melhoria dos desempenhos escolares.

3. O último aspecto tem a ver com o que não aparece nos rankings e que também é uma questão socioeconómica. Quantos alunos desfavorecidos são rejeitados por escolas que não querem baixar a sua classificação nos rankings? Quantos são alvo de retenção porque a escola não os quer levar a exame, temendo más notas? Quantos desaparecem das estatísticas por via do absentismo?

Como sempre acontece, há muitas formas de viciar as regras do jogo. E todos os anos são publicados relatos de directores de escolas que assumem o dilema: seleccionar alunos (i.e. excluir os da acção social) para obter melhores resultados nos rankings ou aceitar os mais desfavorecidos e a consequente queda na classificação dos rankings. Que a questão se coloque é um problema que vai muito para além dos rankings. Porque a selecção de alunos por parte da escola é ilegal mas praticada impunemente. E porque é o retrato de uma escola pública que não cumpre a sua missão e está disposta a deixar para trás os que mais dependem dela.

Eu sei que há quem encontre neste fenómeno um bom alibi para desvalorizar os resultados, mas não tenhamos ilusões: há escolas públicas que seleccionam os alunos, mas a maioria não o faz, pelo que o fenómeno não terá grande impacto nos rankings. E também sei que há quem veja nisto tudo uma boa razão para acabar com os rankings – eles têm uma má influência no comportamento das escolas, mais vale acabar com eles. Mas, pergunto: não será ao contrário? Esconder um problema não é resolvê-lo. E os rankings são úteis precisamente porque nos revelam que o problema existe. A nós compete-nos exigir que seja resolvido. E formas de o fazer não faltam. Por exemplo, com mais e melhor informação nos rankings, que nos permita acompanhar o que acontece nas escolas ao longo de todo o ciclo do secundário, e não apenas no dia do exame nacional. Haja vontade."




o destaque... é meu.