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quarta-feira, 24 de abril de 2019

[arquitectura] muito interessante...





Os manuais de instruções da marca de mobiliário sueco são conhecidos pela simplicidade e eficácia das indicações. O arquitecto português Tiago do Vale pensou em aplicar essa técnica à projecção e construção de um edifício no Brasil.
24 de Abril de 2019, 8:17

Montar uma estante do IKEA é simples. Retiram-se as peças das caixas, preparam-se as ferramentas e basta seguir as instruções. E se construir casas fosse igual? No Nordeste do Brasil, Tiago do Vale desenhou um manual e prepara-se para montar a Ånguera, passo a passo, com as várias peças que a região oferece.

Em conversa telefónica com o P3, o arquitecto português de 40 anos, autor do premiado projecto Espigueiro-Pombal do Cruzeiro​, fala de uma necessidade do local. Antes de iniciar o projecto, a equipa começou inicialmente por “compreender as circunstâncias e condicionantes” em Anguera, cidade da região brasileira de Sertão: “Havia uma limitação muito grande em termos de materiais disponíveis, quer na quantidade, quer na variedade, e também uma mão-de-obra que não estava habituada a ler projectos de arquitectura”, descreve Tiago. Nos planos, as plantas e os cortes apresentam um “grau de detalhe” que acaba por ser “difícil de interpretar”.

Desse modo, o arquitecto procurou uma maneira “mais fácil de comunicar a leigos”, nomeadamente através da perspectiva. A criação deste “manual de instruções tipo IKEA” foi “um grande desafio” porque, neste caso, “rapidamente” percebeu que a comunicação iria dar forma a toda a concepção do projecto: “Tudo o que fizéssemos tinha que ser muito simples de explicar, tinha que ser executado em poucos passos, tinha que ser descrito em poucas páginas.” As ferramentas utilizadas, os métodos e as técnicas de construção estavam dependentes “da capacidade de representar de forma simples”. “Processo, projecto, comunicação tornaram-se tudo na mesma coisa.”

A interacção entre os recursos locais e os planos veiculados no manual ditou o carácter simples e pragmático do projecto Ånguera. “Havia uma motivação de construir de forma simples, mas os materiais disponíveis também sugerem uma construção simples.” Os blocos de cimento ou o cobogó – tijolo ventilado muito comum no Brasil – serão os mais utilizados, também por questões de adaptação ao clima local: “A casa deverá ter uma baixa inércia térmica [pouca massa] para não acumular o calor que faz durante o dia e poder arrefecer rapidamente.” O “levantamento simples” de paredes de bloco sobre bloco, “meramente” pintadas e sem outro acabamento, e o traço geométrico da casa também marcam a simplicidade do projecto.

As instruções similares às utilizadas pela marca sueca acabaram por ser, assim, o “fio condutor” de toda a projecção. “Retirou-nos muitas dúvidas e hesitações, limitou muitas opções e acabou por simplificar o processo também”, diz o arquitecto. Sintetizar a informação, resumir um “processo complexo a um ou dois desenhos”, foi laborioso, mas Tiago acredita que poderá vir a ser útil noutros projectos, em circunstâncias semelhantes. “Com uma mão-de-obra menos habituada a ler projectos de arquitectura, onde haja limitações na quantidade ou variedade de materiais, uma abordagem de comunicação deste tipo simplifica todo o desenvolvimento da obra.”

A casa, a construir em Anguera, deverá estar pronta em 2020. O edifício irá aproveitar grande parte da estrutura de uma construção preexistente. O piso térreo será aproveitado para comércio, enquanto o primeiro andar, que terá três quartos, se destina a habitação.






in público em linha...

segunda-feira, 22 de abril de 2019

[educação] para ler...



A inteligência emocional e o futuro da educação
A inteligência emocional refere-se à capacidade que uma pessoa tem para reconhecer e identificar as suas próprias emoções e as dos outros. Esta inteligência pode-se aprender e treinar, estando demonstrado que está altamente relacionada com o êxito profissional e/ou académico e com menores níveis de stress.

Mafalda G. Moutinho




Aristóteles, em Ética a Nicómaco, definiu aquilo que é para mim a essência mais importante do conceito de inteligência emocional, exemplificando-a da seguinte forma: — “Qualquer um pode ficar furioso, isso é fácil. Mas ficar furioso com a pessoa correcta, na intensidade correcta, no momento correcto, pelo motivo correcto e da forma correcta, isso não é fácil.”

Este conceito parece aliás que faz parte das nossas vidas desde sempre, estando espelhado e multiplicado naquela secção de crescimento pessoal e bem-estar hoje altamente procurada nas nossas livrarias. Tudo porque a nossa sociedade atingiu níveis grotescos de ansiedade e de frustração fazendo com que se vivam 48 horas em apenas 24 horas. Mas na realidade este conceito de inteligência que mergulha bem fundo nas nossas emoções só surgiu em 1995 pela mão do jornalista e psicólogo Daniel Goleman.

O impacto do best seller Inteligência Emocional de Goleman foi tão revolucionário e poderoso que a revista Time surpreendeu o mundo em 1995 com uma capa em que referia que não é o nosso QI que nos vai garantir o êxito. O melhor indicador para o sucesso é na realidade o QE, o quociente emocional, redefinindo assim totalmente o que significa “ser-se inteligente”.

terça-feira, 16 de abril de 2019

divulgando... ideias, empreendedorismo, tecnologias e pequenas empresas

Startups

Por Ana Pimentel, Editora de Tecnologia e Startups
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Catarina e Roger How conheceram-se quando tinham 18 anos. E 18 anos depois continuam juntos. Os dois estudantes da Universidade de Bristol, no Reino Unido, deram lugar aos dois empreendedores de 36 e 35 anos que conheci recentemente na Second Home, no Cais do Sodré. Dois filhos, uma loja online, um espaço de cowork, uma Web Summit e uma agência de branding depois, Cat e Rog — como se tratam — não tiveram dúvidas: queriam fazer parte “disto” que estava a acontecer em Lisboa — das “coisas excitantes”, da Web Summit e da internacionalização dos negócios.
O Brexit “atirou-os borda fora”, contam, e em sete semanas mudaram-se para Portugal. Agora, é na “casa dos refugiados do Brexit” (a incubadora Second Home) que desenvolvem a Polleni e o projeto dentro da Polleni com o qual querem ajudar as startups a construírem e a ativarem a sua marca, o Startabrand. O casal de criativos ingleses que o Brexit “empurrou” para Lisboa e que a Web Summit apanhou são o reflexo do que Portugal já tem, mas também do que ainda lhe falta ter: uma economia local capaz de acompanhar os preços e as exigências praticadas lá fora, como explicou Roger. E é por isso que apesar das “dores” não se arrependem.
Quem também deve andar a sofrer com algumas dores é a Uber, que na semana passada entregou a documentação necessária para avançar com o processo de admissão em bolsa e teve de admitir que ninguém vai esquecer as inúmeras polémicas que fazem a história da empresa. Mas como entre a dor e o amor prefiro o segundo (e desconfio que vocês também), deixem-me terminar este email assim:
— Com uma canção de amor fresquinha: esta.

— E com a sabedoria de António Prata: “E se existe essa centelha quase palpável, essa esperança intensa a que chamamos de amor, então não há nada mais sensato a fazer do que soltarmos as mãos dos trapézios, perdermos a frágil segurança de nossas solidões e nos enlaçarmos no ar. Talvez nos esborrachemos. Talvez saiamos voando. Não temos como saber se vai dar certo — o verdadeiro encontro só se dá se tirarmos os pés do chão –, mas a vida não tem nenhum sentido se não for para dar o salto.”

Muitos saltos e até terça :)

PITCH

Fotografia Investimento

Sword capta investimento de 7 milhões de euros

Investimento conseguido pela startup portuguesa que criou o primeiro terapeuta digital vai servir para expansão nos Estados Unidos e desenvolver a engenharia do produto.
Fotografia Startups

LACS Anjos abre com espaço para 750 criadores

O novo espaço no remodelado Tribunal do Trabalho é resultado de um investimento de 1,2 milhões de euros. Até ao fim do ano, cluster criativo quer atingir 5 mil membros.
Fotografia Transportes

Almada passa a ter trotinetes elétricas da Flash

Para já, a empresa apenas tem trotinetes disponíveis na Costa da Caparica, a tempo do Surf Fest, que se realiza entre 11 e 20 de abril. Há 11 pontos de estacionamento e mais de 100 trotinetes.
Fotografia Transportes

Lime vai ter bicicletas para levar trotinetes

A empresa vai ter duas bicicletas com carrinha atrás para transportar várias trotinetes em simultâneo e conseguir estacioná-las nos locais adequados de Lisboa. Veículos vão circular durante 24h.
Fotografia Inovação

Húmus com sabor a fumeiro e outras inovações

O concurso que reúne algum dos projetos mais revolucionários no setor agro-alimentar já está a decorrer e 10 candidatos competem por representar Portugal na versão internacional do concurso.
Fotografia Redes Sociais

Redes sociais causam solidão, diz estudo

Um estudo do ISPA revelou que, mesmo com uma boa rede familiar e social, as pessoas podem sentir-se sozinhas se usarem excessivamente as redes sociais.
Fotografia Alojamento Local

GuestReady compra startup concorrente francesa

Empresa de gestão de alojamento local já tinha comprado a Oporto City Flats e a Easy Rental Services. Postos de trabalho na BnbLord vão ser mantidos e fundadores integram gestão da GuestReady.
Fotografia Trabalho

Emprego em tecnologia pode valer até 95 mil euros

A Landing.Jobs analisou mil ofertas durante 2018 e a proposta mais alta no sector de tecnologia em Portugal foi de 95 mil euros brutos ano. Diretor de Tecnologia é o cargo com maior salário.
Fotografia Facebook

20 milhões de euros na segurança de Zuckerberg

O presidente executivo e fundador do Facebook gastou cerca de 20 milhões de euros na sua segurança e da sua família. 2,3 milhões de euros foram utilizados para uso de um avião privado.
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Polémicas da Uber são um risco à entrada em bolsa

A Uber vai dispersar um décimo do seu capital em bolsa, mas a cultura da empresa, as condições de trabalho dos motoristas e a reputação nas redes sociais estão entre os riscos assumidos pela empresa.
Fotografia Uber

Uber acelera para a bolsa a valer 100 mil milhões

A Uber Technologies confirmou, finalmente, os planos de dispersar parte do capital na bolsa de Nova Iorque, prevendo-se que venda ações no valor de 10 mil milhões de dólares.

Tive uma ideia

Fotografia Startups

O casal de criativos que o Brexit trouxe a Lisboa

Depois de dois negócios em conjunto em Bristol, Catarina e Roger How mudaram-se para Lisboa para ajudar startups a criar a sua marca. O Brexit "empurrou-os", mas foi a Web Summit que os apanhou.

Opinião

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Um estudo do FMI descobriu que substituir apenas um homem por uma mulher no conselho de administração de uma empresa pode levar a aumento de 3% a 8% em rentabilidade.

Radar Global

Mais sobre startups



via mensagem do observador...

segunda-feira, 25 de março de 2019

sobre as falsas notícias...

Opinião

Como reconhecer uma fake news em cinco passos

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

como sempre no fb os inquisidores avançam... um artigo do paulo guinote, vejam lá bem...!... salvé, paulo guinote...





"O conflito entre os enfermeiros e o Governo assumiu uma faceta inédita nos últimos 40 anos. Com raras excepções, a conflitualidade laboral em Portugal foi enquadrada numa lógica herdada do marxismo, mais ou menos leninista, mas sempre com uma dose suficiente de boas maneiras e pragmatismo, mesmo quando o tom das declarações públicas parecia muito exaltado. No fundo, o esquema dicotómico com os mesmos actores e o mesmo tipo de acções dominou sempre a acção sindical, com os sindicatos a enquadrarem com punho firme qualquer tentativa de escapar à coreografia habitual, colaborando nesse aspecto com o poder político, independentemente das inclinações políticas. Mais ou menos “radical”, o nosso sindicalismo manteve-se convencional e conservador. Mesmo quando se afirma de linhagem revolucionária, tem horror a tudo o que perturbe a ordem estabelecida.

O que a contestação dos professores não conseguiu levar adiante, para além de uma ou outra iniciativa mais heterodoxa, está a acontecer com os enfermeiros que, goste-se ou não, estão a levar a sua luta a fundo, ignorando os acordos de cavalheiros de bastidores que sempre acabaram por resolver outras disputas no passado. A exploração até aos limites da via jurídica é apenas um exemplo. Assim como a forma de se financiar uma greve recorreu aos novos mecanismos disponíveis no século XXI, não me parecendo “ilegal” que qualquer cidadão se disponha a apoiar uma causa que considere justa.
Contra isso, mobilizou-se a apatia de uns e a militância de outros. A “Direita” perdeu a capacidade de apelar a qualquer espírito de “maria da fonte”, a menos que estejam em causa subsídios públicos a interesses privados, e a “Esquerda” revelou até que ponto define a sua aprovação política e moral das lutas laborais à conformidade com o seu guião.
É lastimável que o conflito tenha derrapado para uma campanha de maledicência pura e dura, como a que tem sido dirigida aos professores. É embaraçoso ler acusações sem qualquer prova concreta a suportá-las (seja de “mortes” por causa das greves, seja de tenebrosas fontes de “financiamento”, como se tivesse a mínima moralidade nesse aspecto quem não quer que se conheça quem financia as suas festas), ataques a uma classe a partir de um “rosto” seleccionado para a demonizar ou estratégias de instrumentalização do aparelho de Estado (até a ASAE) para combater uma classe profissional só porque não alinha em passeatas e cantorias à porta dos ministérios. Não percebo se acham que os enfermeiros são uma cambada de idiotas instrumentalizados por ocultos interesse na sombra, se o acesso à profissão é apenas permitido a quem seja de “extrema-direita”.

Não são os enfermeiros que estão a degradar o SNS, como não foram os professores a degradar uma Escola Pública que, de excesso de oferta, passou a não ter professores disponíveis, em virtude da campanha desenvolvida para amesquinhar a profissão nos últimos 15 anos.

No meio disto, o Presidente da República tomou partido, afirmando algo sem sentido, ou seja, que as greves só podem ser financiadas por fundos dos sindicatos que as convocam e que não poderão ser apoiadas externamente, o que significa que a “sociedade civil” não pode manifestar o seu apoio a uma dada causa. Ora... em tantos anos de conflito, tirando o aluguer de autocarros e distribuição de panfletos e bandeirinhas em manifestações, nunca assisti a qualquer greve de professores que tenha tido qualquer apoio financeiro dos respectivos sindicatos. Os “fundos de greve” são dinamizados localmente, com sindicalizados ou não a contribuir por igual para uma repartição equitativa, sem olhar a quotas pagas.

Sim, o “sistema” não vai ter quaisquer contemplações com os enfermeiros e a campanha irá tornar-se mais negra e suja porque se percebe que, depois dos professores, é a vez de os enfermeiros serem domesticados. Com aqueles, a colaboração dos sindicatos tem sido preciosa, bastando ver como não é dado apoio a qualquer iniciativa independente para recuperar o tempo de serviço no Parlamento, centro da democracia representativa; com estes, o confronto entrou num nível novo, com as máquinas comunicacionais do Governo e dos parceiros da “geringonça” unidas numa mesma luta para que os enfermeiros “percam o apoio da opinião pública”.

Entre nós, as fake news passam por aí, por notícias e boatos colocados a circular a partir de fontes oficiais que se escondem no anonimato, enquanto articulistas de referência apresentam como “opinião” o que não passa de outra coisa. Para que tudo continue com dantes."


in público online...

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

[adse] coisa para continuar a acompanhar...



Notícias ao Minuto
Há 6 Horas por Beatriz Vasconcelos
Economia Hospitais 

"polémica que já se arrastava há uns meses estalou esta quarta-feira com a notícia do jornal Expresso de que os hospitais privados se preparavam para quebrar o acordo com a ADSE. Esta notícia foi, no entanto, classificada como sendo "sem fundamento" por parte da ADSE, que diz não ter sido notificada de qualquer decisão por parte dos grupos José de Mello Saúde e a Luz Saúde. E mais: caso se venha a confirmar, a ADSE fará acordos com outros grupos privados.

"A ADSE comunica aos seus beneficiários que a notícia publicada no Expresso sobre a denúncia das convenções dos grandes grupos privados não tem fundamento. Existem prazos contratuais que constam das convenções que têm de ser cumpridos quando se procede à denúncia de uma convenção", pode ler-se no comunicado divulgado pelo instituto de gestão participada. 

O semanário Expresso referia que os dois dos maiores grupos de saúde privados se preparavam para abandonar o acordo já em abril.

Ainda assim, sublinhe-se, dizia que os utentes com tratamentos já marcados ainda veriam os mesmos serem faturados ao abrigo das regras atuais. Mas as coisas mudariam a partir de abril, com os utentes a terem de pagar a 100% as consultas ou cirurgias, pedindo posteriormente o reembolso à ADSE.

ADSE pronta para o fim do acordo?

Face à notícia, a ADSE adianta que "se esta denúncia vier a acontecer a ADSE acautelará todas as situações de beneficiários que se encontram em tratamento, ou com atos médico ou cirúrgicos já agendados nestes prestadores", o que vai ao encontro ao que é noticiado pelo semanário.

E mais: a ADSE garante estar pronta para fazer contratos com outras empresas prestadoras de cuidados de saúde e justifica-se até com o aumento da oferta no setor. 

"A ADSE está atenta aos acontecimentos e face ao crescimento significativo da oferta privada de cuidados de saúde em Portugal irá fazer novas convenções com outros prestadores se se vier a concretizar esta ameaça", pode ler-se no comunicado.

Poucos minutos depois da notícia do Expresso, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, foi questionado sobre se estava preocupado com a possibilidade da quebra do acordo entre privados e ADSE. Porém, o chefe de Estado limitou-se a referir que este é um "dossier que tem vindo a acompanhar", em declarações à SIC Notícias, durante a inauguração do novo edifício do grupo Impresa."


via economia ao minuto... 

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

[educação] àcerca dos direitos de autor...





"A associação D3 - Defesa dos Direitos Digitais, considera que o ministério da Cultura está a gerir este tema "de forma muito pouco transparente", não dando conhecimento das posições que toma e dos seus fundamentos, e "nem o recente pico de interesse público sobre o assunto mudou a actuação do Ministério, para quem o assunto parece ser tabu".

Em comunicado, a associação refere a mudança ministerial ocorrida em Novembro passado, quando Graça Fonseca assumiu a pasta do Ministério da Cultura, mas adianta que nada mudou. "A falta de comunicação do Ministério da Cultura impede os cidadãos de conhecerem e julgarem por si próprios as opções políticas que são tomadas pelos nossos representantes. Tal não é mais admissível", adianta o comunicado.


Com o objetivo de tornar mais clara a posição do ministério a D3 elaborou um conjunto de 10 perguntas sobre a Reforma do Direito de Autor cuja resposta considera "ser essencial e imprescindível, antes da tomada de decisão final sobre este tema".
Reproduzimos abaixo as questões colocadas pela associação:

Artigo #13

1 - Considera o Ministério da Cultura que a exigência de filtragem de todos os conteúdos que os cidadãos enviam para as plataformas cumpre os requisitos constitucionais de proporcionalidade na restrição de direitos fundamentais, nomeadamente de que se trata de uma medida estritamente necessária e adequada ao fim a atingir? Realizaram-se a nível nacional ou europeu estudos, pareceres académicos, ou avaliações dos potenciais impactos desta medida nos direitos fundamentais dos cidadãos, que sustentem essa posição?

2 - Garante o Ministério da Cultura que as obrigações de filtragem que estão a ser exigidas às plataformas são possíveis de ser cumpridas do ponto de vista técnico, por um sistema de filtragem? Como é que um algoritmo de um filtro conseguirá distinguir uma utilização ilícita de uma utilização lícita, como por exemplo a paródia? Pode o Ministério da Cultura garantir que este sistema não implicará a remoção colateral de conteúdos legais?

3 - Tendo em conta que o único sistema do mundo com capacidade para cumprir as exigências do Artigo 13 pertence à Google e custou 100 milhões de dólares a ser desenvolvido, como é que startups e pequenas e médias empresas europeias vão conseguir ultrapassar tal barreira à entrada no mercado? Defende o Governo Português, em Bruxelas, a criação de uma salvaguarda para startups e PMEs, tal como proposto pelo Parlamento Europeu?

4 - Como é que o Ministério da Cultura garante que os titulares dos direitos não removem conteúdos que não têm o direito de remover? Que tipo de responsabilização é que o Ministério da Cultura sugere para os casos em que os titulares dos direitos removam conteúdos que não têm direito de remover?

5 - Entende o Ministério da Cultura que, perante a possibilidade de as plataformas serem automaticamente responsabilizadas por qualquer conteúdo enviado por utilizadores, estas não vão reagir de forma a restringir seriamente quem e que tipo de conteúdos podem ser enviados, com impacto significativo para a liberdade de expressão dos cidadãos? Espera o Ministério da Cultura que as plataformas, podendo ser responsabilizadas directamente pelos conteúdos, mantenham uma postura de neutralidade e de defesa dos direitos de liberdade de expressão dos cidadãos?

6 - Entende o Ministério da Cultura que a existência mecanismos de queixa por conteúdos indevidamente apagados é suficiente para justificar um sistema de filtragem prévia? Serão tais mecanismos suficientemente céleres para não prejudicar, por exemplo, a actualidade do tema de um vídeo? Entende o Ministério da Cultura que é adequado impor sobre os cidadãos o ónus de justificar juridicamente a licitude de um conteúdo quando o comum cidadão não tem quaisquer conhecimentos sobre Direito de Autor e sobre as excepções que lhe permitem utilizar licitamente conteúdo sujeito a direito de autor?

7 - Como é que um filtro que controla e tem de aprovar previamente a publicação de todos os conteúdos enviados por todos os cidadãos para as plataformas de Internet cumpre a jurisprudência do Tribunal de Justiça da União Europeia que proíbe, com base na Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia, obrigações de vigilância geral sobre os conteúdos de uma plataforma?

# Prospecção de Texto e Dados

8 - Considera o Ministério da Cultura que a excepção para a prospecção de texto e dados deva ser restrita a organizações de investigação e instituições de património cultural e apenas para fins de investigação científica, deixando de fora empresas, jornalistas, cidadãos, e instituições da administração pública?

# Educação

9 - Concorda o Ministério da Cultura com o facto da proposta de directiva abrir porta à possibilidade de os Estados-Membros eliminarem a excepção para fins de ensino e a substituírem por um sistema de licenças, com os custos que isso comporta para as escolas, universidades e outros estabelecimentos de ensino? No entender do Ministério da Cultura, estão os nossos estabelecimentos de ensino em condições de passar a pagar licenças e taxas por uma utilização de conteúdos que hoje em dia é gratuita e protegida por lei? Quantos milhões calcula o Ministério da Cultura que tal taxa custaria às nossas escolas e universidades, e de que fatia do Orçamento de Estado deveriam sair esses valores?

# Taxa do Link

10 - Atendendo às tentativas goradas de estabelecer uma taxa do link em Espanha e Alemanha, o que leva o Ministério da Cultura a defender a taxa do link a nível europeu? Numa altura em que tanto se fala do impacto das "fake news" e da qualidade da informação que circula nas redes sociais, porque é que devemos sujeitar os conteúdos de jornalismo profissional a taxas que vão naturalmente reduzir a sua circulação na Internet? Qual o impacto desta medida na circulação da desinformação?"


via casa dos bits online...

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

[saúde] das enxaquecas...





"Em Portugal cerca de dois milhões de pessoas sofrerão de enxaquecas e entre estes, há um grupo a quem a esta doença neurológica afecta de forma mais severa, quer pela intensidade das dores de cabeça quer pela frequência. A Sociedade Portuguesa de Cefaleias estima que sejam cerca de 700 mil as pessoas a sofrer de enxaquecas graves, ou seja com mais de quatro crises por mês. Esta semana vão ser apresentados os resultados de um estudo mundial que avaliou a carga da enxaqueca do ponto de vista do doente e que mostra que metade dos pacientes portugueses faltou em média 3,8 dias ao trabalho por causa das fortes dores de cabeça.

As estimativas da Sociedade Portuguesa de Cefaleias, sobre o número de doentes a sofrer de enxaquecas no país, têm por base uma tese de doutoramento apresentada em 1995 e que “é o único estudo em Portugal” sobre esta doença, explica Miguel Rodrigues, membro da comissão científica da Sociedade Portuguesa de Cefaleias. Apesar de os dados terem mais de 20 anos, o médico neurologista considera que “não sendo esta uma doença epidémica, não se espera que mude muito”, pelo que as percentagens manter-se-ão semelhantes.

A enxaqueca é uma doença neurológica crónica. Caracteriza-se por dores de cabeça intensas, que surgem acompanhadas de outros sintomas como “algum grau de intolerância à luz, aos barulhos, náuseas, eventualmente vómitos, incapacidade para fazer actividade física e incapacidade profissional e pessoal”, explica Miguel Rodrigues. É mais frequente nas mulheres do que nos homens, sendo que a questão hormonal é uma das justificações. As primeiras crises podem surgir na infância e na adolescência e há quem aos 80 anos ainda sofra com a doença.

“Todos nós poderíamos ter uma enxaqueca. Mas seja pela parte genética seja por factores do próprio ambiente, algumas pessoas, sem nenhum motivo desencadeante, têm regulamente este tipo de dor de cabeça. A causa é multifactorial e infelizmente não conseguimos prever quem vai ter enxaquecas, excepto por algumas coisas como ter história familiar”, refere o especialista.

No Congresso de Neurologia, que se realiza entre os dias 15 e 17 no Porto, vão ser apresentados os resultados portugueses do estudo mundial My Migraine Voice, que avaliou a carga da enxaqueca do ponto de vista do doente. Promovido pela European Migraine e Headache Alliance (EMHA), organismo que junta várias associações de doentes, e financiado pelo laboratório farmacêutico Novartis, o estudo inclui dados de mais de 11 mil doentes (com 18 ou mais anos) com pelo menos quatro dias com enxaqueca por mês, nos três meses anteriores à realização do inquérito.

O trabalho foi conduzido pela empresa de estudos de mercado GfK Health Switzerland. O desenho do estudo pré-determinou que 90% dos inquiridos tivessem feito pelo menos um tratamento preventivo e destes, 80% tivessem já mudado de tratamento uma ou mais vezes. Os dados foram recolhidos em 31 países, entre Setembro de 2017 e Fevereiro de 2018."




pode continuar a ler o(s) artigo(s) aqui.

in público em linha...