Enquanto se discutiu o problema da legitimidade constitucional e
política para governar, vieram a público dois importantes relatórios em
que se analisa a Educação nacional. Refiro-me ao Estado da Educação
2015, do Conselho Nacional de Educação, e ao Education at a Glance 2015,
da OCDE. Pelo primeiro, ficámos a saber que o insucesso escolar
aumentou nos últimos três anos, em todos os anos da escolaridade,
enquanto diminuiu, pela primeira vez em 41 anos de democracia, a taxa de
cobertura do pré-escolar. Com o segundo, verificamos que a diferença
entre gerações, no que a qualificações respeita, é a maior de todos os
países que integram a OCDE e que o esforço das famílias para financiar
os estudos superiores é o maior da União Europeia. A um e a outro
registo não é alheia a natureza da ideologia que pontificou na última
legislatura, durante a qual todas as políticas públicas foram marcadas
por uma “economização” bruta, que as redefiniu e geriu como se de
simples mercadorias se tratasse, propalando-se mesmo a ideia segundo a
qual os direitos humanos fundamentais, as dimensões básicas da vida, em
que a Educação se inclui, dependem da conjuntura económica por que se
passa.
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terça-feira, 8 de dezembro de 2015
quinta-feira, 28 de agosto de 2014
confirmando [tão só]...
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paulo guilherme trilho prudêncio
segunda-feira, 11 de agosto de 2014
'temos maus professores' [quem diria !]... disse o 'cromagmon' da educação liberal...?
no observador...
"São alguns dos piores das gerações do presente que estão nas escolas a preparar as gerações do futuro. O problema não é novo, mas há anos que olhamos para o lado.
Quando se fala de avaliações, há sempre um conjunto de almas que nos vem explicar o quanto elas são inúteis e desnecessárias. Nesses casos, não há nada como esperar pelos resultados para tirar as dúvidas. É que os resultados são como as imagens: valem mais do que mil palavras. O caso da prova dos professores é, quanto a isso, exemplar.
Andou-se meses a discutir a prova – com protestos, dezenas de artigos de jornal, providências cautelares e conferências de imprensas. O que se dizia? Que os professores já tinham curso superior e que por isso não deviam ser avaliados novamente. Que o conteúdo da prova (compreensão de texto, lógica e cálculo) não tinha relação com a actividade do professor. E que a prova, tal como estava desenhada, era tão fácil que, mais do que uma avaliação, constituía um insulto e uma humilhação. Ora, afinal, o que mostram os resultados? Que 14% reprovou. Que 63% cometeu erros ortográficos (15% fez 5 ou mais erros). E que 67% cometeu erros de pontuação. Sim, os resultados impressionam. Mas, infelizmente, não surpreendem.
Portugal tem maus professores. E não é por acaso: é fácil tornar-se professor. Por um lado, veja-se que, enquanto os cursos mais prestigiados mantêm notas de acesso ao ensino superior bastante elevadas, nos cursos de ciências da educação acontece o inverso. Na Universidade de Lisboa, por exemplo, o último aluno a ingressar no curso, em 2013, teve a classificação de 10,9. Ou seja, dito de forma clara: quem hoje vai para professor não são os bons alunos. Por outro lado, quem hoje frequenta os cursos da área da educação são, em média, os que têm níveis socioeconómicos mais baixos e que, por isso, obtêm mais bolsas de acção social. De acordo com os dados para o ano lectivo 2010/2011, 41% dos estudantes desta área de estudos obteve bolsa. Foi a percentagem mais elevada entre todas as áreas de estudos – ou seja, em nenhuma área há uma concentração tão grande de estudantes com baixo nível socioeconómico.
Assim, em termos gerais, quem quer ser professor são os piores alunos, os mais pobres e os menos cultos. Há excepções, e ainda bem. Nos cursos e, sobretudo, nas escolas, onde a regra, felizmente, ainda é a existência de muitos bons e dedicados professores. Mas o perfil médio dos actuais cursos de ensino é este: são alguns dos piores das gerações do presente que estão nas escolas a preparar as gerações do futuro.
Ora, isso é um problema. E não é um problema novo, pois há anos que se faz de conta e se olha para o lado. Também não é por acaso: é sabido que o país vive bloqueado por corporações que lidam mal com o escrutínio e que só aprovam avaliações em que são todos excelentes. Porque, acreditam, uma avaliação que diferencie não é avaliação – é humilhação. Esta prova dos professores demonstrou-o, em três momentos.
Desde o início, com os protestos, num vale tudo para boicotar a realização da prova. Depois, pela reacção imediata dos representantes sindicais perante o elevado número de professores com erros ortográficos e gramaticais, que se apressaram a inventar explicações. Afinal, tudo se teria devido ao novo acordo ortográfico – não eram bem erros ortográficos, eram apenas ortografias diferentes. Só que não foi isso que aconteceu: o IAVE esclareceu que só 10% dos erros se deveram ao acordo ortográfico. Isto é, 90% dos erros são mesmo erros.
Por fim, pela negação dos problemas que surgiu na posição final da Fenprof, que veio explicar que não importam erros, na medida em que não se reconhece autoridade aos correctores para avaliar os professores. Pronto, assunto resolvido: para a Fenprof (e para quem a ouve), dizer que um professor errou é ter má-fé. É estar com os maus. É ser inimigo da escola pública.
Há, pois, perante tudo isto, uma pergunta fundamental que temos de nos colocar: que professores queremos nas nossas escolas? Andamos sempre reactivos, atrás da agenda mediática dos sindicatos e da sua alegada luta pela escola pública. Mas, da perspectiva dos alunos (os principais beneficiários da existência de bons professores ou as principais vítimas dos maus) não há questão mais fundamental do que esta. Está, portanto, na altura de a colocar."
aqui.
valerá a pena ler alguns dos comentários que lá estão...
entretanto deixo umas linhas onde o paulo guinote replica...
"Daqueles que confundem candidatos desempregados a professores contratados, sem dar aulas, na lista de espera dos centros de emprego com os professores em exercício nas escolas, a tempo inteiro e generalizam a partir daí.
E que fazem essa confusão de forma voluntária.
O Alexandre Homem Cristo, assessor partidário quando não se afirma investigador, é um deles e não tenho problemas em dizer-lho sem rodeios.
Esta crónica é uma lástima."
E que fazem essa confusão de forma voluntária.
O Alexandre Homem Cristo, assessor partidário quando não se afirma investigador, é um deles e não tenho problemas em dizer-lho sem rodeios.
Esta crónica é uma lástima."
para ler a respectiva entrada 'temos articulistas muito maus'... aqui.
já agora também podem ler o paulo prudêncio...
Encontrei um post de 5 de Agosto de 2006. Já tem quase 10 anos, veja-se lá a duração da saga anti-professor.
Diz assim:
Esquecem-se que o país tem 30 anos de democracia e que tinha acabado de sair de uma ditadura de 48 anos: sim, 48 anos. Mas como têm de anunciar novidades, nada melhor do que escolher a área mais significativa das areias movediças.
Um dos aspectos que mais me incomoda é o desprestigiar dos nossos jovens. Dizem que eles falham muito, nomeadamente na capacidade de escrever sem erros.
Ora leia a seguinte notícia:
Ai se fossem três jovens universitários."
aqui.
já agora também podem ler o paulo prudêncio...
"Um certo jornalismo, e uma certa direita
- por que não dizê-lo? -, anda por aí a malhar nos candidatos a
professores por causa dos resultados da prova de ingresso. É uma
continuação da devassa inédita: não há classe profissional com um
escrutínio de maldizer semelhante. Devemos distinguir: há uns cataventos
à procura de notoriedade e há uma busca de primeira página própria da silly season;
ambos são nefastos para a profissionalidade dos professores. E depois
há o tal jornalismo e a tal direita. A sociedade portuguesa é um estudo
de caso. Tem uns indefectíveis do arco governativo que escrutina mais os
professores do que os empreendedores e os políticos dos casos BPN, BPP, BES e por aí fora.
Diz assim:
Dizer que o
sistema escolar em Portugal está de rastos tornou-se moda. Desde
dirigentes dos partidos políticos que passam a vida a anunciar reforma
sobre reforma até aos colunistas que propalam a falência do dito e
passando pelos jornalistas que editam os mais variados e arrasadores
editoriais, a ninguém escapa a oportunidade de zurzir nas nossas
escolas.
Esquecem-se que o país tem 30 anos de democracia e que tinha acabado de sair de uma ditadura de 48 anos: sim, 48 anos. Mas como têm de anunciar novidades, nada melhor do que escolher a área mais significativa das areias movediças.
Um dos aspectos que mais me incomoda é o desprestigiar dos nossos jovens. Dizem que eles falham muito, nomeadamente na capacidade de escrever sem erros.
Ora leia a seguinte notícia:
“a final do
Campeonato Nacional de Língua Portuguesa, organizado pela sic, não teve
grandes resultados para quem estava sentado na primeira fila da Aula
Magna. Francisco Balsemão, que também era presidente do júri, ouviu o
ditado lido por Bárbara Guimarães, apresentadora do concurso, e deu seis
erros. A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, tinha sete
erros no seu ditado e o reitor da Universidade de Lisboa, Barata Moura,
deu cinco erros”.
Ai se fossem três jovens universitários."
aqui.
sexta-feira, 2 de maio de 2014
para espanto (nosso) geral... 'o povo está boquiaberto'... no correntes...!
"E eis que o Governo, e a sua maioria, metem na gaveta o discurso empreendedor e descomplexado competitivo e anunciam a reparação do injusto sofrimento que causaram aos funcionários públicos. O povo está boquiaberto com a epifania em jeito da enésima guinada semanal. Mas já se sabe: estamos em campanha e, depois dos votozinhos, lá virá um Governo desconhecedor, coitado, das contas do país. Abrirá a gaveta e os do costume voltarão a ser os "parasitas" que alimentam a divisão lusitana e o gáudio do lumpen."
segunda-feira, 17 de junho de 2013
terça-feira, 21 de maio de 2013
quarta-feira, 18 de julho de 2012
sábado, 7 de julho de 2012
citação... [os tempos andam perigosos]... do inferno... segundo o paulo prudêncio...!
"Nos tempos que estamos a viver, dá ideia que o inferno estará reservado para os que se mantiverem neutros."
quarta-feira, 23 de maio de 2012
lendo [re-leitura]... de um trecho de paulo guilherme trilho prudêncio... via correntes...!
"A história dos sistemas escolares evidencia: sociedades com mais ambição escolar e com meios económicos que a sustentem atingem taxas mais elevadas de sucesso escolar. É irrefutável. Podíamos até atribuir a essa condição uma percentagem próxima dos 90%. Ou seja: se conseguíssemos sujeitar 100 crianças a uma escolaridade em duas sociedades de sinal contrário, os resultados seriam reveladores. Deixemos esta responsabilidade nos 60% para que sobre espaço para os outros níveis.
Se testássemos 100 alunos em escolas com organizações de níveis opostos mas na mesma sociedade, esperar-se-iam resultados diferentes. Todavia, essa diferença não seria tão acentuada como no primeiro caso. As condições de realização do ensino (clima escolar, disciplina, número de alunos por turma e na escola, autonomia da escola, desenho curricular, meios de ensino) devem influenciar em 30% e são mais significativas do que o conjunto dos professores.
Se 100 alunos cumprissem duas escolaridades com 100 professores diferentes, os resultados deveriam oscilar muito pouco. É neste sentido, abrangente, histórico e generalista que se deve considerar os 10% atribuídos aos professores.
É também por isso que pode ser um logro absoluto que uma sociedade com baixos níveis de escolaridade consuma as suas energias à volta do desempenho dos 10% ou sequer se convença que basta mudar o conteúdo físico ou contratual dos 30% para que tudo se resolva. A componente sociedade é decisiva e se fecharmos bem os olhos podemos até considerar que 60% é um número por defeito. Mas mais: por paradoxal que pareça, sem os 10% nada acontece e não há ensino."
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