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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

expectável, quanto baste...?

Resultados da Sondagem: Avalie o desempenho dos assistentes operacionais da sua escola.

 
 
Sondagem_assistentes operacionais
Votos: 1334

O Elo mais Fraco

Paulo GuinoteNão me vou ocupar com a questão da qualidade do desempenho do pessoal não docente das escolas, chamem-lhes o que quiserem nas novas designações tecnocráticas. Há de tudo, como em muitas farmácias e drogarias. Há o muito bom, o bom, o razoável, o mau e o péssimo, em dosagens diversas conforme o contexto.
Prefiro concentrar-me numa breve análise da vulnerabilidade da situação profissional do pessoal não docente, nomeadamente do pessoal que assegura alguma ordem nos corredores e pátios das escolas, que nos garante a limpeza do espaço e alguma funcionalidade dos equipamentos em torno de salários que desmerecem a sua importância.
Vou destacar dois aspectos que acho fundamentais, não negando outros igualmente importantes:
  • A vulnerabilidade quotidiana de quem tem de enfrentar mesmo na primeira linha, muita da falta de educação e civismo de muitos alunos (e mesmo encarregados de educação), com escassos meios de defesa e quantas vezes sem a compreensão de outros actores educativos, correndo riscos ainda maiores do que os professores e tendo ainda menores meios de defesa. Por vezes, enquanto professores, queixamo-nos do que poderia ser melhor e temos razão. Há sempre quem não cumpra, mas é muito mais quem cumpre e bem uma missão profundamente complicada, perante o desrespeito, a arrogância e a prepotência dos “pequenos ditadores” que raramente aceitam um reparo ou um não e que se acham na posse de todos os direitos e de nenhum dos deveres. Como, apenas a título de exemplo, aquelas criaturas que deitam para o chão toda o lixo que lhes passa pelas mãos, achando que a limpeza nasce do ar.
  • A vulnerabilidade profissional, entre a escassa remuneração e a precariedade de muito pessoal que surge nas escolas, com pagamento à hora, sem quaisquer garantias de uma carreira com um horizonte que justifique os riscos corridos. Em outras paragens, o pessoal não docente é em menor número, exactamente porque a sua necessidade é menor em função de hábitos culturais bem diversos. Mas também são paragens onde a sua situação profissional não é tão precária e onde a ninguém passaria pela cabeça que este tipo de função pode ser exercido por qualquer pessoa inscrita num centro de desemprego.
Quando me dizem que uma escola é uma organização e que se deve nortear por princípios de eficiência e eficácia, questiono-me se tão sabedores teorizadores consideram correcta a abominável gestão dos recursos humanos não docentes que se pratica entre nós. Porque uma Escola é mais do que aulas dadas entre toques e há todo um trabalho tanto de rectaguarda como de “frente de batalha” que é essencial para o seu bom funcionamento. E o bom desempenho do pessoal docente é essencial para a própria imagem que é transmitida por cada escola para o exterior e para os próprios alunos. E nem sempre há quem se lembre disso e lhe dê a merecida importância.

via com regras...

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

coisas da (des)educação (?)... a entrevista ao presidente do iave...!

deixo, à partida, uma questão que penso ser de uma pertinência actual:

porque é que a filosofia não é uma disciplina obrigatória, nomeadamente a partir do 3º ciclo?

nota-se que no meu tempo de estudante, no secundário, ela era mandatória...



no observador...


"Uma semana depois de serem conhecidos os resultados da segunda edição da Prova de Avaliação de Conhecimentos e Capacidades (PACC), Helder de Sousa, presidente do Instituto de Avaliação Educativa (IAVE), responsável pela elaboração da prova, diz que a grande virtude da prova é dar informação e obrigar todos a pensar em como melhorar.

Em entrevista ao Observador, Helder de Sousa lembra que a PACC, embora não certifique os docentes, permite perceber se os candidatos preenchem os requisitos mínimos essenciais a qualquer profissão qualificada. Quem não atinge os 50% demonstra “fragilidades significativas”, diz, explicando que “não é preciso saber matemática” para o fazer.

Há 25 anos ligado à avaliação, e formado em geografia, o presidente do IAVE lamenta que o sistema educativo esteja feito para “premiar a mediania” e apela a uma mudança da forma como a sociedade encara a avaliação. E admite que faria sentido ter uma componente de avaliação dos docentes na sala de aula, assim como fazer a prova logo que os candidatos saíssem do ensino superior.


O professor Helder de Sousa preside ao IAVE desde 2013. Antes disso já era diretor do antigo GAVE.

Um terço dos docentes que fizeram a segunda edição da PACC chumbaram. Pode-se daí concluir que são maus professores? Ou não se pode estabelecer esta ligação?
Não, não pode e eu acho que há muita especulação sobre a relação entre esta prova em particular e a ação docente. Esta prova faz parte de um conjunto de avaliações a que os professores são submetidos. Não é uma prova decisiva do ponto de vista daquilo que é a caracterização das funções docentes. Trata-se de uma prova de seleção para aceder à profissão e, como tal, não pode ser vista como um exame para certificar, esse é outro equívoco.

Então também não é garantido que quem passa nesta prova seja bom professor.
Não. Quem passa nesta prova não é garantido que seja bom. Quem passa nesta prova não é garantido que não dê erros, porque pode dar erros e passar na mesma. E quem não passa não significa que não seja muito bom professor. Significa isto sim que quem passa reúne requisitos mínimos para aceder à profissão.

Mesmo assim esta prova impede os professores que chumbam de dar aulas.
Impede-os de continuar a dar aulas transitoriamente, não erradica as pessoas da carreira. É bom perceber-se que é prática comum em termos internacionais as profissões qualificadas requererem dos seus candidatos um perfil que tem aspetos vertidos nesta prova. A leitura, a interpretação da leitura, a escrita, o raciocínio lógico, as inferências a partir da leitura ou de outros elementos que se consultem são reconhecidos como aspetos essenciais para a docência. Portanto ultrapassar esta barreira é um dado importante.

"Há uma margem de erro muito grande entre o poder ter 100% e poder ter 50%. O que significa que para reprovar é preciso haver fragilidades significativas ao nível daqueles aspetos: capacidade de ler, de escrever, de pensar" 
 
Mas não será injusto que um professor que já deu mostras que é um bom professor dentro da sala de aula e que sabe ensinar fique inibido de dar aulas no ano seguinte por reprovar nesta prova?
Em primeiro lugar não temos um sistema de avaliação que seja de tal maneira perfeito que nos garanta aquilo que é afirmado, e esse é também “um calcanhar de Aquiles” do nosso sistema. As pessoas podem já ter dado aulas e ter sido avaliadas, mas muito dificilmente foram avaliadas em contexto, dentro da sala de aula, e dificilmente houve uma validação efetiva de que eles são bons professores quer do ponto de vista pedagógico, quer do ponto de vista científico. A validade do sistema de avaliação que existe também pode ser muito criticada porque não é feita in loco, na sala de aula. E faria todo o sentido que fosse obrigatório.

Por outro lado quando estamos a falar desta prova é preciso perceber que entre a classificação máxima e a classificação que impede um candidato de ser professor naquele ano há um fosso muito grande. Há uma margem de erro muito grande entre o poder ter 100% e poder ter 50%. O que significa que para estar abaixo desta linha de corte, e reprovar, é preciso haver fragilidades significativas ao nível daqueles aspetos: capacidade de ler, de escrever, de pensar. Eu percebo que de facto será sempre muito desagradável haver um impedimento transitório para se aceder à carreira mas mais uma vez estamos a falar de um impedimento que no fundo vale tanto tempo quanto a nova edição da prova.

Como é que os professores chegam a esta fase da sua vida profissional a dar erros ortográficos básicos, como não saberem quando devem usar o a com h ou o c cedilhado?
É um problema sistémico. Tem a ver com o facto de ao logo de toda a vida escolar das pessoas haver no sistema educativo, no básico e no secundário, algum controlo sobre os erros mas ninguém ser impedido de terminar a escolaridade por dar erros. Em todo o caso é importante focar que esta prova, mais do que a controvérsia que tem gerado, tem uma virtude que é a de pela primeira vez em Portugal desta forma mais aberta estarmos a falar sobre estes problemas. Mais do que a questão da retenção destes professores é importante perceber que a prova em si serve para dar informação. E todo o sistema, tanto o ensino não universitário como o universitário, tem de prestar atenção a estes aspetos.

Têm que existir critérios que permitam monitorizar estes aspetos ao longo da formação dos professores e não só. Porque esta prova pode ser aplicada a qualquer grupo de profissionais, desde que sejam qualificados. Aliás, um aluno a partir da adolescência já com alguma consciência daquilo que é o pensamento lógico, eventualmente do ensino secundário, conseguirá responder a uma grande parte dos itens.

"A classe docente quer considerar-se à parte destas exigências, que são comuns às profissões mais qualificadas? É que se quer, de certa forma pode ser até uma forma de desqualificação" 
 
E esse é precisamente um dos aspetos que os professores têm criticado: que esta prova podia ser feita por qualquer um e que não permite por isso avaliar as competências específicas desta profissão.
Mas aí eu coloco o problema ao contrário: a classe docente quer considerar-se à parte destas exigências, que são comuns às profissões mais qualificadas? É que se quer, de certa forma pode ser até uma forma de desqualificação. Ora, não me parece que nenhum professor entenda a sua classe como uma classe que se queira desqualificar. Há é uma discordância de fundo relativamente ao momento em que a prova deve ser feita, se nesta fase, se à saída da universidade.

E até antes da universidade. Há instituições do Ensino Superior que defendem isso…
Eu diria que globalmente faz todo o sentido, mas é preciso ver que se agora se começasse a intervir a esse nível significava que todos estes professores até que essas medidas estivessem no terreno – e que poderia demorar cinco, seis ou sete anos -, continuariam no sistema. O que estamos aqui a fazer é a elevar a qualidade. Naturalmente não estamos a controlar a formação científica inicial.

Mas, por exemplo, um professor do secundário da área das humanidades, de filosofia por exemplo, pode não ter matemática desde o 9º ano…
E então? Esta prova tem raciocínio lógico e resolução de problemas não matemáticos. O problema aqui é as pessoas acharem que para a resolução de algumas questões é preciso saber matemática. Não é verdade. Nalguns casos podem ser resolvidas seguindo um processo matemático, mas são todas elas resolúveis sem recorrer à matemática. Basta ter pensamento lógico. E repare a lógica é um elemento essencial da filosofia e a filosofia é talvez se quisermos o elemento de charneira entre a área das ciências e a das humanidades e se é de charneira é porque ela é talvez tão importante para um lado como para o outro.

Há uma discordância de fundo relativamente a que a prova dos professores deva conter estes elementos, mas a verdade é que estes elementos estão previstos na Lei desde 2007. E é verdade outra coisa: a nível internacional as provas de avaliação de seleção de docentes, como de outras profissões, têm este perfil.

Há alguma semelhante a esta?
As provas são semelhantes, não há aqui nenhuma invenção. Agora os modelos são todos diferentes. As provas normalmente têm uma componente comum e outra específica, mas desconheço em pormenor se são classificadas separadamente. Sei, por exemplo, que as linhas de corte entre o ser aprovado e não aprovado são variadas. Nuns casos são mais exigentes, noutros menos.

Voltando ligeiramente atrás, há pouco disse que ninguém fica retido por dar erros. Isso talvez seja um problema, ou pelo menos deveria haver uma maior atenção aos erros, não concorda?
Devia, mas se nós focalizarmos todo o ensino nesse aspeto, se considerarmos que quem não dá erros não pode transitar de ano, bom então tínhamos o sistema completamente entupido.

"Nós temos um sistema que também não ajuda muito os alunos a irem melhorando ao longo do seu percurso académico. O sistema está muito feito de maneira a premiar a mediania. Há pouca cultura da perfeição" 
 
Mas também não faz sentido ir passando um aluno que dá erros ortográficos básicos e que evidencia graves falhas no raciocínio lógico, certo? O que se pode então fazer?
Aquilo que tem sido defendido é que o trabalho sobretudo ao nível da leitura e da escrita começa no 1.º ciclo. No 1.º ciclo tem de haver uma preocupação muito grande em criar os mecanismos que conduzam não direi à perfeição, mas a uma escrita correta. E isso deve ser passado ao longo do sistema. Nós temos um sistema que também não ajuda muito os alunos a irem melhorando ao longo do seu percurso académico. O sistema está muito feito de maneira a premiar a mediania. Há pouca cultura da perfeição. Há muito enfoque no resultado e mal se chega àquele resultado mínimo para passar parece que os grandes problemas da aprendizagem ficaram resolvidos. E não ficaram. Quando se começa já no final do 1.º ou do 2.º ciclos a evidenciar algumas dificuldades muito dificilmente há uma inversão desta tendência. E aí tem de facto de haver um foco muito grande.

A escola tem de ser mais exigente?
O primeiro passo é perceber que existem problemas a este nível e que precisam de ser corrigidos. E não podemos dizer que as várias instituições mesmo as do superior podem olhar para o lado. Não podem. Cada professor que lê um trabalho de um aluno, seja em que nível de escolaridade for, inclusive no superior, não pode desresponsabilizar-se de corrigir os erros ou de pelo menos assinalá-los. Isto ao nível da ortografia. Ao nível do raciocínio é importante quando os alunos são avaliados que tenham a perceção de que há perguntas mais simples e outras mais difíceis que implicam raciocínio. Mas como temos uma sociedade em que ficamos confortáveis, quer as famílias, quer os alunos, com um resultado mediano, estamos automaticamente a assumir que as operações mentais mais sofisticadas e mais complexas não são precisas, quando na verdade a parte do raciocínio é fundamental e não só para ensinar.

E não concordo que se associe esta questão do raciocínio lógico à matemática porque se eu não tiver um bom raciocínio lógico provavelmente tenho muitas limitações na interpretação de um texto e em expor as ideias, na capacidade de argumentar e transmitir informação.

Uma das medidas deste Governo foi introduzir mais exames nacionais…Não deveria haver um maior e melhor acompanhamento ao invés de se introduzirem exames no final de cada ciclo?
Substituíram-se provas de aferição por exames. A questão é que fazer provas, devolver os resultados e sobre isso não haver mais nenhuma reflexão, não é construtivo. Pelo contrário, fazer uma prova, ter informação sobre a prova, partilhar os resultados, discuti-los e perceber porque é que aquele resultado apareceu, perceber o que ficou por fazer, é muito positivo.

E isso não está a ser feito.
Isto não é feito de uma forma generalizada e é de facto uma falha.

E porquê? Falta de tempo?
É mais uma questão de cultura. O que nós temos tentado fazer e vamos continuar a fazer é divulgar às escolas, aos professores e em alguns casos concretos até aos pais informação que depois permitirá aos professores fazerem o trabalho que é necessário fazer que é ler esses resultados e se foram insatisfatórios tentarem percebê-los e tentarem melhorar. Se nós tivermos uma postura aberta e recetiva à avaliação, em geral, a vantagem que temos é que a avaliação nos vai dar informação e nos permitirá ajudar o outro a melhorar e a melhorarmos no conjunto.

"Se nós tivermos uma postura aberta e recetiva à avaliação, em geral, a vantagem que temos é que a avaliação nos vai dar informação e nos permitirá ajudar o outro a melhorar e a melhorarmos no conjunto" 
 
O mesmo de aplica à PACC, certo? Se não se olhar para a prova, não se refletir, tirar uma conclusão e não se alterar alguma coisa…
Não serve para nada.

Que é o que tem acontecido com os exames ao longo dos ciclos de ensino.
Tem sido assim ao longo dos ciclos, infelizmente. Com os anos de reflexão que tenho tido nestas funções e nesta vida de quase 25 anos ligado à avaliação leva-me a dizer que é preciso mudarmos o paradigma da forma como olhamos para a avaliação. A vantagem da avaliação não é a de apontar o dedo nem criticar as pessoas. Se há elemento que nos une enquanto seres humanos é a capacidade de errar. Não conheço nenhum ser humano que não erre. Portanto se nós aprendermos com o erro, dissermos porque é que errei e o que é que vou fazer a seguir para não errar a sociedade tem condições para melhorar, e isso do ponto de vista da educação é talvez a mudança que precisamos de fazer.

Portanto, os exames só por si não introduzem maior rigor no sistema, é isso?
Os exames dão-nos uma coisa importante que é informação. Os exames ajudam fundamentalmente a que as pessoas tenham um referencial. Imagine um sistema sem exames nas escolas. Tudo bem, cada uma faria a sua avaliação mas ninguém saberia o que cada uma faria e quando um dia chegássemos todos a um mesmo sítio – onde temos de passar para o outro lado da escola – seríamos confrontados com coisas completamente distantes. Aqueles que tivessem tido um percurso pouco ou nada estimulante apanhariam a maior das suas deceções e aí já seria tarde de mais. Portanto é fundamental haver este controlo. O problema não está nos exames, o problema está na maneira como nós usamos os exames.

Os resultados desta segunda edição da PACC mostram que muitos dos candidatos que chumbaram na edição anterior voltaram a reprovar nesta. Talvez porque nem sabem onde erraram.
É verdade, mas também temos de assumir aqui uma frontalidade que é perceber que provavelmente nós estamos num sistema em que há uma parte dos professores, que não é significativa, que provavelmente não reúne condições para a docência, pelo menos tendo em conta estes critérios. E volto a repetir, estes critérios não são uma invenção portuguesa.
"Provavelmente estamos num sistema em que há uma parte dos professores, que não é significativa, que provavelmente não reúne condições para a docência, pelo menos tendo em conta estes critérios"
Na sua opinião, podemos atribuir responsabilidades por estes resultados da PACC ao sistema de ensino?
Temos de começar por perceber que estão envolvidos neste processo imensos atores. Instituições de formação do ensino superior, os vários subsistemas de ensino, os professores no terreno, a organização das escolas, a sociedade em geral, os pais quando acompanham os filhos. E todos nós devemos perceber em que é que podemos ajudar a melhorar.

O diagnóstico mais ou menos está feito, anos e anos de exames e de relatórios mostram isso, mas não se nota depois melhorias. Portanto há uma falta de reflexão. E há uma postura que é a de lavar as mãos e que passa do ensino superior para o ensino secundário, do secundário para o básico, e no básico se for preciso acusam as famílias e em última instância quem tem responsabilidade é o Governo e o Ministério. Quando andamos nesta pescada de rabo na boca do atirar a responsabilidade para o vizinho significa na prática que estamos a negar que também podemos ter um papel ativo na melhoria do sistema.

"Há uma postura que é a de lavar as mãos e que passa do ensino superior para o ensino secundário, do secundário para o básico, e no básico se for preciso acusam as famílias e em última instância quem tem responsabilidade é o Governo e o Ministério" 
 
Com turmas cada vez maiores, não se torna mais difícil para o professor ter tempo para fazer um acompanhamento individual dos alunos com maiores dificuldades.
Se estivéssemos a falar de um país subdesenvolvido com 50 alunos por sala eu percebia o problema, mas muitas vezes a fronteira entre termos 21 ou 22 alunos, 25, 26, 27 ou 28 alunos não é tão significativa quanto isso. É importante haver aqui um trabalho conjunto também dos alunos. Os alunos treinados para o efeito conseguem dar informações aos professores e dizer porque não aprenderam. Uma outra estratégia que hoje é muito discutida e investigada é o trabalho colaborativo entre os alunos. O trabalho coletivo seria, por exemplo, juntar os alunos em pequenos grupos e cada um deles avaliar o trabalho do outro e no fim falarem sobre isso. Já há escolas a fazê-lo.

A lógica de ter um professor sozinho à frente de 30 alunos e esperar que ele controle tudo é uma lógica injusta. Uma outra questão muito importante é que nenhuma destas mudanças ocorre se for feita dentro de uma sala de aula por um só professor, ou isto é feito globalmente dentro da mesma escola ou então o insucesso é garantido. Portanto há muito, muito, muito a fazer. E nem sequer implica mais dinheiro na educação – que não há -, nem implica mais horas de trabalho, pelo contrário."


aqui.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

informações [educação]... portal infoescolas... via portal do governo...!

2015-01-13 às 17:39
 

 "MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E CIÊNCIA LANÇA PORTAL INFOESCOLAS: ESTATÍSTICAS DO ENSINO SECUNDÁRIO


O portal InfoEscolas, lançado pelo Ministério da Educação e Ciência, é uma plataforma onlineque apresenta indicadores do desempenho escolar por estabelecimento de ensino. Com os dados agora disponibilizados é possível ver como se posicionam as escolas, numa análise por distrito e por concelho, a taxa de retenção nas diferentes escolas, o número de alunos por ano curricular e por sexo e os cursos ministrados em cada escola. Permite ainda aferir se há desfasamentos entre as notas internas e de exames e avaliar a evolução dos alunos. O Ministro Nuno Crato afirmou que «os dados estão neste momento construídos com critérios que são mais claros» e que «mais informação é mais poder para intervir e melhorar».

De acordo com o Ministro, o novo portal serve para que os diretores escolares e os professores possam «acompanhar melhor os alunos», avaliando os seus percursos, mas também para que os pais e os jovens possam «intervir mais na escola», comparando os resultados com os apresentados por outros estabelecimentos de ensino, questionando se há desfasamento nas notas e porquê.

O Ministro salientou ainda que há menos alunos no sistema de ensino e que os dados estatísticos disponíveis permitem fazer previsões sobre o que vai acontecer com as migrações de umas regiões para outras e com a quebra da natalidade.

Os dados agora disponibilizados permitem também avaliar a evolução dos alunos em determinada escola desde o 9.º ano até terminarem o ensino secundário e o trabalho desenvolvido pela escola. Esta análise pode ser feita às disciplinas de Português e Matemática, uma vez que são aquelas em que os alunos são chamados a exame no 9.º ano.

A plataforma foi desenvolvida pela Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC) em articulação com a Direção-Geral da Educação (DGE) e contém dados sobre escolas públicas e privadas de Portugal Continental. No que diz respeito à comparação entre as notas internas e as externas só estão incluídos os cursos científico-humanísticos, pois são aqueles em que todos os alunos fazem exame."


aqui.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

coisas da educação... 'data mining'

 "Laura H. Chapman: What You Need to Know about Data Mining of Students

A regular commenter on the blog, Laura H. Chapman, shares her research on data mining:

Policies on data mining? “The future, like everything else, is no longer quite what it used to be.” Paul Valéry, poet.

It is no surprise that the Gates funded Teacher-Student Data Link Project started in 2005 is going full steam ahead. By 2011 his project said the link between teacher and student data would serve eight purposes:

1. Determine which teachers help students become college-ready and successful,
2. Determine characteristics of effective educators,
3. Identify programs that prepare highly qualified and effective teachers,
4. Assess the value of non-traditional teacher preparation programs,
5. Evaluate professional development programs,
6. Determine variables that help or hinder student learning,
7. Plan effective assistance for teachers early in their career, and
8. Inform policy makers of best value practices, including compensation.

The system is intended to ensure all courses are based on standards, and all responsibilities for learning are assigned to one or more “teachers of record” in charge of a student or class so that a record is generated whenever a “teacher of record” has a specific proportion of responsibility for a student’s learning activities.

These activities must be defined by performance measures for a particular standard, by subject, and grade level.

The TSDL system requires period-by-period tracking of teachers and students every day; including “tests, quizzes, projects, homework, classroom participation, or other forms of day-to-day assessments and progress measures.” Ultimately, the system will keep current and longitudinal data on the performance of teachers and individual students, as well schools, districts, states, and educators ranging from principals to higher education faculty.

This data will then be used to determine the “best value” investments in education, taking into account as many demographic factors as possible, including….health records for preschoolers. but the cradle is next, and it is part of USDE’s technology plan.

Since 2006, the USDE has also invested over $700 million in the Statewide Longitudinal Data Systems (SLDS) to help states “efficiently and accurately manage, analyze, and use education data, including individual student records”…and make “data-driven decisions to improve student learning, as well as facilitate research to increase student achievement and close achievement gaps.” The newest upgrade of the concpt is for these state-wide systems to become multi-state…and a national system. This goes WAY, WAy beyond (and may pre-empt) routine data-gathering by the National Bureau of Education Statistics.

It is not widely known that in 2009, USDE modified the Family Educational Rights and Privacy Act so that student data—test scores, health records, learning issues, disciplinary reports—can be used for education studies without parental consent (The Family Educational Rights and Privacy Act, 20 U.S.C. §1232g). Moreover, a 2012 issue brief from USDE outlined a program of data mining and learning analytics in partnership with commercial companies.

The envisioned data- mining program includes an automated, instant access, user-friendly “recommendation system” for teachers that links students’ test scores and their learning profiles to preferred instructional actions and resources. Enhancing teaching and learning through educational data mining and learning analytics: An issue brief. Retrieved from http://www.ed.gov/edblogs/technology/files/2012/03/edm-la-brief.pdf p. 29).

USDE is also pressing forward a “radical and rapid” transformation of public education. The new system is marketed and funded as “personalized, competency-based learning” 24/365 from multiple sources. It is intended to dismantle place-based schools, seat time, grade levels, subject-specific curricula, traditional concepts about “teachers” and diplomas. Multiple certifications with flower along with an abundace of badges earne for completing learning paths and play-lists of learning options, awarded by profit and non-profit “learning agents.” The role of “teacher” is envioned as a relic, along with the institution of public schools. See USDE, Office of Educational Technology, Transforming American Education: Learning Powered by Technology, Washington, D.C., 2010. http://tech.ed.gov/wp-content/uploads/2013/10/netp2010.pdf/////////!

no diane ravitch's blog... aqui.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

o boneco do dia...

e o que é que isto tem a ver com o acordo ortográfico, a avaliação de desempenho docente e, em geral, com o pensamento corporativo da justiça...?

tudo ?... nada ?... alguma coisa ?... pois, é essa a questão... tem tudo a ver...!



quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

poderes discricionários?... avaliação de desempenho será primeiro critério para despedir... no diário económico...!


"Selecção de funcionários dispensados por extinção de postos de trabalho passa a obedecer a uma ordem de critérios.

As empresas que venham a fazer despedimentos por extinção de posto
de trabalho vão ter de seguir uma ordem de critérios para seleccionar o
trabalhador a dispensar. A pior avaliação de desempenho será, desde
logo, o primeiro critério a ter em conta, de acordo com a proposta
reformulada hoje discutida em concertação social.

Mas se os trabalhadores estiverem em plano de igualdade neste ponto, a
empresa deverá olhar para o segundo critério: "menores habilitações
académicas e profissionais". O terceiro referencial a ter em conta é
"maior custo pela manutenção do vínculo laboral do trabalhador para a
empresa", seguindo-se "menor experiência na função", "menor antiguidade
na empresa" e, por fim, "menos débil situação económica e familiar".

No final da reunião de hoje entre os parceiros sociais, o ministro
Mota Soares explicou que, "perante um caso em concreto, o que qualquer
empregador deve fazer é respeitar essa mesma ordem" de critérios. E deu o
exemplo: se existirem trabalhadores "que têm a mesma avaliação de
desempenho, aí é que se passa para os critérios a seguir".

Esta proposta já altera o documento apresentado em Dezembro aos
parceiros sociais, que também apontava para seis critérios
(habilitações, experiência, avaliação de desempenho, custo do
trabalhador, antiguidade e situação económica e familiar), mas a empresa
podia escolher qualquer um destes para seleccionar o trabalhador a
dispensar.

O Governo está neste momento a discutir esta alteração ao Código do
Trabalho porque, em Setembro do ano passado, o Tribunal Constitucional
(TC) chumbou algumas mudanças introduzidas na lei em Agosto de 2012. O
Governo queria então que a empresa pudesse escolher o critério relevante
e não discriminatório para seleccionar o trabalhador a despedir em caso
de extinção de posto de trabalho, mas o TC chumbou a intenção,
apontando para critérios vagos. Voltou a vigorar então a redacção
anterior, cujos critérios estavam ligados à antiguidade.

Centrais sindicais insistem na inconstitucionalidade

CGTP e UGT acreditam, no entanto, que a proposta hoje defendida pelo
Governo continua a ser inconstitucional. Carlos Silva, da UGT, entende
que esta redacção mantém a subjectividade na determinação de critérios
para despedir. Já o ministro do Emprego e Segurança Social tem outro
entendimento. Mota Soares diz que os critérios são "objectivos" e que
foram acolhidas propostas "para densificar mais esses critérios" e "no
sentido de estabelecer uma prioridade".

"Nesse sentido, os critérios passam a ser bastante mais objectiváveis
do que estava no acordo inicial", referiu Mota Soares. "Temos a noção e
temos o sentido de que isto cumpre, efectivamente, com o espírito do
que era o acordo inicial de 2012 [quando foram acordadas alterações à
lei laboral] e ao mesmo tempo tem uma conformação constitucional",
continuou.

A UGT entende que logo o primeiro critério - avaliação de desempenho -
está totalmente nas mãos do patronato, já que mais de "95% das
empresas" não realiza este tipo de avaliações. Mota Soares refuta,
garantindo que "as empresas que têm avaliação de desempenho têm
critérios objectivos para fazer essa mesma avaliação".

Do lado do patronato, a Confederação do Comércio e Serviços de
Portugal (CCP) diz que a proposta do Governo não é "ideal" mas é
"bastante aceitável".

Mota Soares espera definir, este ano, "uma agenda importante e
ambiciosa do ponto e vista da concertação social" e, por isso, haverá
reuniões com os parceiros para elencar os temas a discutir
."