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domingo, 24 de janeiro de 2016

ah, cabecinhas pensadoras...

"Ouço, na rádio, um jovem que, tendo completado dezoito anos (e, provavelmente, chegado ou passado o 12.º ano) foi votar pela primeira vez. Na sua opinião, a escola deveria ensinar a votar.

"Ensinar a votar" seria explicar e simular o próprio acto de votar: recolher o boletim de voto à mesa, fazer a cruz no quadradinho que corresponda à escolha (teve o cuidado de sublinhar que a escola não poderia indicar o partido/candidato), dobrar o boletim e introduzi-lo na urna.

Sim, acrescenta, uma jovem, porque há pais que não explicam isto aos filhos...

Vejo, neste e noutros exemplos, o sucesso da retórica de que a escola tem obrigação de ensinar, de modo muito concreto, tudo o que é preciso para a vida (a vida no sentido do quotidiano, já se vê): são os jovens a quem se faz crer que "são autónomos" desde que entram no sistema que parecem sentir-se dependentes de "instruções" específicas e as reclamam
."
 
 
via feedly...

sexta-feira, 10 de julho de 2015

das (in)congruências educacionais...?



"Em Portugal, a componente do currículo escolar designada por "Educação para a cidadania" é composta por quinze áreas: além da Educação para os Direitos Humanos, que se compreende perfeitamente que a integre, contam-se a Educação Financeira, Rodoviária, Intercultural, do Consumidor, para o Empreendedorismo, para a Defesa e Segurança Nacional, para a Saúde e Sexualidade, para o Voluntariado, para a Igualdade de Género, para o Desenvolvimento, para o Risco, para a Dimensão Europeia, da Educação Ambiental e para a Sustentabilidade (ver aqui).

Em geral, têm sido entidades externas ao sistema de ensino formal a propô-las ao Ministério da Educação, que, certamente, depois de as ponderar, as acolhe e, por fim, as legitima. Algumas dessas entidades, pelos princípios que defendem e pela natureza das actividades que desenvolvem, denotam uma qualquer proximidade à educação, outras auto proclamam-na. De qualquer maneira, em ambos os casos, ainda que por razões diversas, todas elas manifestam a pretensão de ser reconhecidas como parceiros curriculares.

Não é regra, mas várias entidades têm concretizado as suas propostas nos diversos aspectos que elas admitem: produção de planos nacionais de intervenção, de referenciais de ensino (documentos que se podem considerar como programas e respectivas metas), de recursos (guiões, power-points…), de ferramentas de avaliação (grelhas e questionários…); apresentação de planos de formação de professores, sobretudo de formação contínua, e tudo o que é preciso para os levar a cabo; estabelecimento de parcerias e protocolos de colaboração; divulgação de “sítios” para consulta e apoio educativo e formativo; concepção de projectos e concursos, que conduzem a recompensas...

Enfim, tudo aquilo que se afigura necessário ao ensino, chegando, mesmo a disponibilizar "técnicos" ou "especialistas" para que, em contexto escolar ou fora dele, "ajudem" os professores nessa tarefa tão elogiada que é educar para a cidadania ou, até, os substituírem.

Desta maneira, as escolas e os professores a quem cabe escolher essas áreas - efectivamente, trata-se de áreas facultativas - poderão sentir-se tentados a optar por aquelas em que se disponibilize um "currículo total, nas palavras de João Formosinho, de tipo "uniforme pronto-a-vestir de tamanho único".

A "Educação financeira", a que tenho dado alguma atenção neste blogue (por exemplo, aqui, aqui e aqui) ilustra o que acabo de explicar. Da responsabilidade do Conselho Nacional de Supervisores Financeiros (constituído pelo Banco de Portugal, Comissão do Mercado de Valores Mobiliários e Instituto de Seguros de Portugal), destina-se à Educação Pré-Escolar, ao Ensino Básico e ao Ensino Secundário, bem como à Educação e Formação de Adultos.

O grande ojectivo deste Conselho é empreender um "combate à iliteracia financeira", sob a alegação de que "o exercício pleno da cidadania passa irremediavelmente pela literacia financeira, pela capacidade de ler, analisar, gerir e comunicar sobre a condição financeira pessoal e a forma como esta afeta o bem-estar material". Isto é dito por um senhor que se apresenta como "bancário (Diretor de Banca de Empresas), licenciado em Economia e pós-graduado em Mercados de Capitais e Gestão de Carteira... e autor de um livro sobre a banca e as PME" (aqui).

(Como eu gostaria de falar assim, sem qualquer embaraço, sobre economia, a área dele, como ele fala de educação, a minha área!)

Passando por cima do pressuposto de que, à partida, todos, mais novos e mais velhos, são iletrados em matéria de economia e finanças, o que, por ser uma situação assemelhada a "pecado capital", exige a salvação por parte de quem é culto nessas matérias (apesar de as evidências nos fazerem desconfiar da erudição dos salvadores), situo-me na expressão "condição financeira pessoal".

Tudo concorre para que aqueles que forem objecto desta "cruzada" sejam levados a "estabelecer a diferença entre necessitar e querer" porque esta diferença é "matéria recorrente em qualquer ciclo de escolaridade" (ver aqui). Ao longo do tempo em que estiverem na escola (quinze, se contarmos com a Educação Pré-escolar), os alunos devem, portanto, a todo o momento, ser conduzidos a querer necessidade e a não querer querer.

Ora, já aqui um problema: a confusão (propositada?) entre "educação" (acção de ensino que, de modo explícito, prepara os alunos para exercerem, com liberdade e responsabilidade, o direito de escolher) e "doutrinamento" (acção interesseira de alguém que, de modo dissimulado, conduz os alunos a seguirem opções que, previamente, se determinou que seguissem).

A "condição financeira pessoal", é, exactamente, isso: pessoal. "Querer e necessitar" dizem respeito a cada um, solicitam o exercício do livre arbítrio. Evidentemente, com base em conhecimento substancial, fundamental, que a escola tem obrigação de assegurar.

Nessa conformidade, no quadro escolar não é legítimo conduzir-se, seja de que maneira for, os alunos (e os professores) a fazerem escolhas em função desta dualidade, tal como o leitor poderá ver operacionalizada aqui. E muito menos isso pode ser feito por uma entidade designada por Conselho Nacional de Supervisores Financeiros, cuja preocupação com a educação, no sentido acima explicitado, não pode deixar de ser vista como muitíssimo duvidosa
." 

no de rerum natura...

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

coisas da educação... reflexões para o fim de dia...!

"Levar o Latim às escolas

CATCHING ON: Jennifer Hilder from Glasgow University with pupils from
Sacred Heart Primary School in Bridgeton, Glasgow. Picture: Martin Shields
Imagem encontrada aqui
Diversos países começam a reconhecer um problema que percebem ser muito grave: as dificuldades de escrita dos alunos.

Este é um sinal bem evidente de que a escolaridade elementar ou básica não está a cumprir uma das suas funções mais importantes e estruturantes - a alfabetização -, com inevitáveis consequências na escolaridade secundária e superior.

Muitos têm considerado que a principal causa desta situação é o abandono do estudo do Latim, a matemática da língua. De facto, a partir de finais da década de sessenta do século XX, as disciplinas de Latim e de Grego foram associadas a uma educação elitista, tradicional, antiga, a uma educação contemplativa que apenas servia para maçar os aprendizes. Era preciso renovar o currículo com disciplinas que preparassem para a vida, que permitissem compreender o mundo circundante e que correspondessem às necessidades e interesses das comunidades.

Essa mudança feita com muito entusiasmo e pouco conhecimento pedagógico - o que, tendo em conta, a época se percebe perfeitamente - desencadeou diversos erros e um deles é certamente o abandono das línguas ditas mortas.

Para remediar a situação, alguns sistemas educativos estão a reintroduzi-las no currículo escolar e diversas entidades autónomas arregaçam as mangas e fazem o que podem.
 
Um exemplo: Professores e estudantes de pós-graduação da Universidade de Glasgow criaram um programa de ensino do Latim que levam a cada vez mais escolas de zonas carenciadas, primeiro primárias e agora também secundárias. Esse programa contempla mitologia e literatura da Antiguidade, história e consciência da língua, gramática e vocabulário... E, sim, parece que os miúdos a quem o programa se destina gostam e aprendem."

Maria Helena Damião e Isaltina Martins
 
 
aqui


"O problema da escolha curricular
 
Em comentário ao texto Levar o latim às escolas, o leitor Carlos Pires faz notar que não é apenas a área disciplinar da Cultura e Línguas Clássicas que corre o risco de ser afastada ou desvirtuada nos sistemas de ensino, a História e a Filosofia correm igual risco. Acrescento, todas as Artes. E, acrescento, também, as vertentes das Ciências para as quais não se vislumbre (um certo tipo de) funcionalidade.

Entendo que o problema da escolha curricular não está tanto numa preferência pelas Ciências em detrimento das Humanidades e das Artes, mas no "valor do conhecimento" que guia.

Efectivamente, a análise curricular deixa perceber a falta a referência ao seu "valor intrínseco". Saber por saber, porque o saber existe, é uma ideia ausente das directrizes e orientações para os vários patamares e vertentes de escolaridade. Sobressai o seu "valor instrumental" ou, melhor, uma vertente deste: a que remete para a resolução de situações familiares, do dia-a-dia, muitas delas ligadas ao mundo laboral (em detrimento da que remete para o desenvolvimento de capacidades de pensamento, traduzidas, naturalmente, em acção).

A relação entre estes dois tipos de valor não tem ser de ordem antinómica: o conhecimento a que se imputa "valor em si" não exclui o conhecimento a que se imputa "valor instrumental" e vice-versa. Porém, não é isso que tem acontecido. Como consequência de uma "batalha" sem sentido, em que muitos ficam a perder, o valor instrumental (sobretudo de carácter social e pessoal) tem sido imposto. Imposição que, verdade seja dita, tem tido um acolhimento muito confortável por parte da comunidade em geral e dos educadores em particular. Sinais dos tempos, sem dúvida.

Nesta linha, tem-se entendido que são as Ciências que melhor cumprem tal desígnio e daí a sua sobreposição relativamente às Humanidades e às Artes, mas, aprofundando, vemos que elas têm sido depuradas em função desse tipo de valor. Mais: se dermos a mesma atenção às duas outras áreas vemos que a sua legitimação passa igualmente pela função social e pessoal que possam ter. Parafraseando Manuel Rocha, as Humanidades e as Artes servem para tudo menos para aprender Humanidades e Artes.

Esta nota a propósito da reintrodução do Latim em diversos sistemas de ensino. Estou de acordo com isso, claro; neste blogue há muito que manifesto preocupação pelo seu afastamento do currículo. Mas a razão que vejo invocada é sobretudo a da "serventia": o Latim ajuda a escrever melhor e a estruturar o pensamento e isso permite aos países e às escolas obterem melhor posição nas avaliações externas e internas. É uma razão muito redutora e, confesso que não me agrada que apareça sozinha.

Mas não são apenas os responsáveis por políticas e medidas educativas que despertam para os milagres que esta língua possa fazer, os pedagogos, os psicólogos e os neurocientistas acompanha-nos e passam a reconhecer-lhe facetas terapêuticas e de desenvolvimento da inteligência (um artigo interessante sobre esta tendência pode ser lido aqui). Ainda que somando esta razão àquela, continuo a considerar que falta reconhecer uma vertente valorativa fundamental ao conhecimento clássico.

E a todo o outro conhecimento, bem entendido...
"
 
Maria Helena Damião
 
 
aqui

domingo, 30 de novembro de 2014

coisas da educação... é acabar de vez com eles...!


no de rerum natura, nas palavras de helena damião...

"Sem recuar muito no tempo, encontramo-lo:

- nos "pacotes didácticos à-prova-de-professor", "inventados", nos anos sessenta, nos Estados Unidos da América e difundidos com grande rapidez por vários países;
 
- nas velhinhas "máquinas de ensinar" e, depois, no "ensino assistido por computador";
 
- nos actuais manuais escolares, que, quais "pacotes didácticos", incluem tudo o que é preciso para aprender;
 
- agora, nos novos equipamentos que são os computadores portáteis, os quadros interactivos, etc.

E, repare bem o leitor: todas estas alternativas que, com a apregoada supremacia de recursos - os quais, dependendo da época, podem ser em papel ou digitais - afastam o professor da sua função de ensinar, são acompanhados da promessa de sucesso educativo garantido.

Note a subtileza do que se encontra implícito no artigo de onde retirei a imagem (aqui): se mantivermos o professor (apenas e só) como intermediário entre os recursos e os alunos, se ele deixar de ser verdadeiramente professor, todos os alunos aprenderão tudo. Assim teremos o céu na terra!

É lamentável que uma sociedade aceite esta ideia e a confirme.
É lamentável que cientistas, tão eruditos como os que se referem na notícia do jornal a que me refiro e muitos outros que tenho ouvido, a promovam.
E, mais lamentável é que haja escolas e professores estejam alinhados por ela e ajam de acordo com ela.

Sociedade, cientistas, escolas, professores, toda a gente deveria perceber que o professor é um profissional intelectual cujo mandato é ensinar. 

Isto significa que, face às directrizes e orientações da tutela e da escola, tem por dever filtrar e organizar o conhecimento, aferir os objectivos e dar-lhes sentido, seleccionar os métodos e os recursos que comprovadamente são mais adequados à aprendizagem...

Este trabalho - sim é um trabalho -, que requer uma enorme competência, precisa de ser feito para todas as disciplinas e/ou temáticas que lecciona, tendo em conta, sobretudo, as turmas, os grupos de alunos e os alunos individualmente.

Um professor é um decisor: alguém que, a partir do que se encontra determinado superiormente, tem a obrigação de escolher, em liberdade e com sentido de responsabilidade, de entre as possibilidades de acção aquela que, num determinado momento, se afigura mais adequada na concretização do que é o Bem em termos de educação formal.

Negar-se esta faceta ao professor, que é a matriz da sua função, é negar a sua existência.
 
Mais honesto seria acabar-se, de vez, com esta profissão!"

 

aqui.

sábado, 4 de outubro de 2014

coisas da educação... a escola daqui a cinco anos...?


no público...


leitura complementar recomendada [helena damião]...

"Que horror: há aulas por essa Europa onde não se usam as TIC!

Foi notícia destacada nos jornais da passada semana a publicação de um relatório cujo título é The NMC Horizon Report Europe: 2014 Schools Edition. Tem a chancela da União Europeia, contou com a contribuição de cinquenta e três especialistas, e agrega de três entidades (European Commission’s Directorate General for Education and Culture; European Commission’s Joint Research Centre – Institute for Prospective Technological Studies; e Media Consortium). A análise, apresentada ao longo de meia centena de páginas, recaiu em vinte e oito países do espaço europeu; a pretensão foi proporcionar orientações para a educação escolar nos próximos cinco anos. São dezoito os artigos. As instituições, académicas afiguram-se respeitáveis."

para ler o resto da entrada... aqui.

sábado, 21 de abril de 2012

da revisão da estrutura curricular... do despacho de organização das turmas... de helena damião...!

"Uma das medidas do Ministério da Educação e Cultura para o ensino básico é a divisão dos alunos por níveis de aprendizagem. Ajudará ela a melhorar o sucesso escolar e a diminir o abandono escolar?

Da leitura do documento da Reorganização infere-se que os alunos poderão ter um acompanhamento académico diferenciado consoante a sua evolução na aprendizagem. Se bem aplicada, pode ser uma medida adequada pelo que passo a explicar. O ideal seria que todos os alunos acompanhessem ao mesmo ritmo e com o mesmo sucesso o ensino. Mas sabemos que não é assim. Por razões diversas, de ordem social, afectiva, cognitiva, e muitas outras, alguns alunos ou, melhor, todos os alunos, em determinados momentos, não fazem certas aquisições de modo satisfatório. Sabemos que essas “falhas” repercutir-se-ão e ganharão mais impacto nas aquisições seguintes e ainda mais nas próximas, até se chegar a um ponto em que é difícil perceber o estado de desenvolvimento académico em que os alunos se encontram e a partir do qual é preciso intervir. Além disso, os alunos poderão criar e consolidar a ideia de que não são capazes de aprender, que são inaptos para determinadas áreas, ou, ao contrário, que não importa o que aprendem pois o resultado é sempre vantajoso em termos de transição. Por exemplo, se não se apropriarem, em devido tempo, de técnicas básicas de escrita e se nada for feito, muito dificilmente conseguirão escrever um texto coerente, lógico, o que, pode desencadear comportamentos desajustados, ansiedade, etc.

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Não será discriminatório agrupar alunos de acordo com esses níveis?


Penso que quando refere “discriminatório” está a referir-se ao aspecto social, à relação com os pares, e também ao aspecto afectivo, à imagem que o aluno faz de si mesmo. Talvez seja, porque, de modo paradoxal, no tempo em que vivemos, afirma-se constantemente a diferença ao mesmo tempo que se afasta qualquer possibilidade de distinção. Mas é possível que isso esteja mais na cabeça dos adultos. Se fizermos crer às crianças, desde que entram na escola, que ninguém é bom em tudo nem mau em tudo e que quando se é menos bom pode ter-se ajuda para melhorar, não estaremos a perturbar substancialmente a semelhança aos outros nem a sua identidade. Pior será deixá-las somar fracassos atrás de fracassos, fazendo de conta que está tudo bem, ou que nada há a fazer. Ainda que, aparentemente com bons propósitos, está-se a enganá-los, a impedir que aprendam. A preocupação de prestar uma atenção diferenciada aos alunos, tanto aos que evidenciam dificuldades ocasionais, como aos que estão a aprender bem e depressa determinadas matérias é, na verdade, um dever. Tem de procurar-se dar resposta a todos e a cada.

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Tem, então, de encarar-se o problema da diversidade de níveis de aprendizagem?


Como não gostamos muito da ideia da separação dos alunos em função da aprendizagem que alcançam, temos fechado os olhos, fingindo que o problema não existe. Mas ele existe, é real. Devo dizer que B.F. Skinner, um psicólogo e pedagogo behaviorista pô-lo no centro das suas preocupações. Considerando que todos os alunos aprendem o que se entende que devem aprender, propôs uma solução que não será a solução que hoje nos servirá, pois dispomos de conhecimentos mais avançados, mas isto só para dizer que o problema pode e deve ser encarado. Dar apoio especializado a alunos que manifestem problemas em determinados sectores da aprendizagem, logo que eles os manifestem, e depois de os superarem voltarem ao curso, digamos, regular da aprendizagem, parece uma solução. Em Portugal no âmbito do “Programa mais sucesso” do Ministério da Educação isso já é tentado há vários anos.

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Poderá esta opção educacional aproximar-se do modelo alemão que subdivide o seu ensino mediante o aproveitamento escolar?


Não conheço suficientemente bem o sistema de ensino alemão para lhe dar uma resposta que vá além de uma opinião superficial. Mas talvez seja importante pensarmos que, numa determinada altura do percurso escolar, os alunos possam seguir caminhos diversos, conforme o perfil que vão evidenciando. A falta de aproveitamento académico pode estar associada, à normalização e à consequente falta de valorização dos talentos de cada um.

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Uma outra questão é o aumento do número de alunos por turma. 
Como pode um professor lidar com 30 alunos e atender aos mais diferentes níveis de aprendizagem?

Li, de facto, na imprensa que os Agrupamentos de escolas ou Escolas não agrupadas, ao abrigo da sua Autonomia, poderão constituir turmas com 30 alunos. Ao que soube Espanha fez a mesma opção de aumentar a dimensão dos grupos-turma. Admito que algumas turmas poderão funcionar adequadamente com 30 alunos, mas serão alunos que manifestam comportamento adequado e que estão envolvidos e seguem a aprendizagem. Em turmas onde estes dois requisitos não estejam presentes é preciso que os professores exerçam uma maior supervisão e controlo, o que não me parece possível ser concretizado com esse número. Por outro lado, para gerir turmas alargadas os professores têm de ter grande destreza pedagógica e didáctica, têm de ter disponibilidade para preparar as suas aulas, para analisar os trabalhos realizados e pensar nas melhores alternativas de ensino, têm de estar concentrados nas tarefas de sala de aula. Logo têm de ser libertados das inúmeras tarefas que os preocupam e lhe tomam a maior parte do tempo útil e a sua energia profissional."

terça-feira, 27 de março de 2012

da educação [do dever profissional]... um pequeno texto [para reflexão]... de helena damião...!

A investigação pedagógica indica muito claramente que, quando confrontados com comportamentos perturbadores dos alunos – indisciplinados ou violentos –, a tendência dos professores, mesmo que sejam competentes e responsáveis (e, sobretudo, se o forem), é omitirem isso mesmo junto dos seus pares e da escola.
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As razões são diversas (sentimento de incapacidade para controlar sujeitos que seria de esperar que controlassem e sem esforço; receio, fundamentado ou não, dos juízos de colegas; preocupações com a imagem junto da direcção; apreensão com a avaliação do seu desempenho; etc.) e, em geral, conjugam-se para darem forma a circunstânciasa diversas para os professores e para os alunos: nem uns conseguem ensinar, nem outros conseguem aprender.

aqui.