sexta-feira, 27 de abril de 2012

da educação... opinião controversa sobre o estado das coisas [que é preciso mudar, como as mentalidades...] parte II... de desidério murcho...!

"A segunda objecção da Sara é que se libertarmos o ensino, colocando nas mãos dos próprios professores e escolas a responsabilidade última pelo que ensinam e como ensinam, será uma desgraça — porque, como ela afirma, numa situação de plena liberdade, os professores e as escolas “depressa esquecem a imparcialidade, a exigência e a transparência, acabando, em muitos casos, por ceder aos interesses, ao poder e ao amiguismo”. Eu concordo que isso acontece; e acontece por duas razões. Primeiro, falta de profissionalismo; a ética profissional não é algo que seja cultivado no país. Nos mais diversos sectores — dos jornalistas aos advogados, dos médicos aos políticos, dos professores aos taxistas — não existe apreço pelo profissionalismo, pelo brio profissional de desempenhar o melhor possível a nossa profissão. Isto é de tal modo assim que quem defende o que na realidade é apenas o profissionalismo dos professores tem tendência para dizer que os professores não podem ser meros profissionais, têm de ter uma vocação ou de responder a uma chamada mística. Isto é curioso, pois mostra até que ponto não se tem ideia alguma do que é uma sociedade que preza o profissionalismo nas suas mais diversas áreas.

Porém, a resposta à corrupção não é centralismo. Tudo o que o centralismo faz é tornar a corrupção nacional. A partir do momento em que há estruturas estatais centrais, as pessoas mais corruptas vão fazer tudo para controlar essas estruturas; pessoas que jamais teriam interessem em participar numa associação profissional voluntária e livre que pugnasse pela excelência do ensino da sua própria área, lutam ferozmente para ter poder junto do Ministério. A ilusão de quem defende o centralismo para combater a corrupção e o compadrio é pensar que, pelo facto de as estruturas e decisões serem nacionais e estatais, não serão corruptas. Mas isto é delirar: se a mentalidade nacional é profundamente corrupta, não deixa de o ser quando se torna estatal, central e nacional
."

para continuara a ler...aqui.

Sem comentários:

Enviar um comentário