terça-feira, 17 de novembro de 2015

de 'filho-da-mãe' *... pela frente, por trás, por cima, por baixo... para o caso tanto faz, é uma questão de 'linguística' pura e simples...!

* pg 753 do dicionário da língua portuguesa, 8ª edição revista e actualizada 1998 [porto editora]...


linguística
"Sabe de onde vem a palavra pê-u-tê-a? Se calhar não sabe que é mais velha do que a profissão mais velha do mundo. Esta é a história do "asneiredo" nacional. Palavrão a palavrão. 

de Rita Cipriano


Apesar de muitas vezes serem considerados ofensivos, os palavrões fazem parte da linguagem do dia-a-dia da grande maioria das pessoas. São um “hábito”, uma “convenção que se aprende”, que dificilmente se consegue largar, como defende o psicólogo norte-americano Timothy Jay. Estão por todo o lado, e não há como lhes escapar.

A maioria dos palavrões existe há várias centenas de anos e está longe de ser uma invenção dos tempos modernos. Melissa Mohr, especialista em literatura medieval e autora de Holy Sh*t: A Brief History of Swearing, defende que o hábito de dizer asneiras vem desde o tempo dos romanos
.
“Os romanos são importantes na história dos palavrões porque as asneiras que usavam eram baseadas nos tabus sexuais e de excreção, como acontece na maioria das línguas modernas”, explicou a autora ao Observador. “Eram baseados no corpo humano e em ações. Mas, como tinham um esquema sexual muito diferente, alguns dos seus palavrões eram usados de maneiras diferentes.”

A pior maneira de insultar um homem, por exemplo, era sugerir que este “era sexualmente passivo” porque um “homem tinha sempre de ser um parceiro ativo”. Era por isso que palavrões como Cunnilingus (praticar sexo oral a uma mulher) eram especialmente maus, porque queriam dizer “que um homem era passivo em relação a uma mulher, uma posição muito vergonhosa em Roma”, assegurou Melissa Mohr.

Em inglês — como em português –, muitos palavrões são, de facto, de origem latina. “No ‘núcleo duro’ dos chamados ‘palavrões’ encontramos palavras que em rigor não são portuguesas, pois facilmente as reconhecemos nas línguas românicas que nos são mais próximas”, disse ao Observador João Paulo Silvestre, investigador do Centro de Linguística da Universidade de Lisboa (CLUL) e especialista em lexicologia.

Exemplo disso são palavras como merda (em espanhol mierda e em francês merde) ou puta (em espanhol puta e em francês putain), que provêm exatamente da mesma língua — a dos antigos romanos.”Todas estas palavras provêm do mesmo étimo latino e foram transmitidas pelos romanos. Eram palavras frequentes e naturalmente usadas para referir uma prostituta, os excrementos ou as relações sexuais”, salientou o linguista.

Apesar disso, a origem de alguns palavrões nem sempre é clara, como no caso de caralho. Apesar de se considerar que teve origem no espanhol carago, a palavra pode até ser anterior à romanização. “Em todo o caso, são palavras antiquíssimas e inequívocas quanto ao significado”, referiu João Paulo Silvestre. A história do “asneiredo” é longa e está longe de ter terminado.


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Já Steven Pinker, psicólogo e linguista que se tem dedicado ao estudo dos palavrões, acredita que a raiz histórica de muitos palavrões — principalmente aqueles que surgiram durante a Idade Média — é a religião. “Para entender as asneiras religiosas, temos de nos pôr no papel dos antigos linguistas, para os quais Deus e o inferno eram uma presença real”, referiu o professor da Universidade de Harvard.

Na Idade Média, usar o nome de Deus ou de Cristo de forma blasfema era como usar o pior dos palavrões. “Acreditava-se que isso deixava Deus furioso e que era visto como uma forma muito de discurso muito negativa”, explicou Melissa Mohr. “Jurar pelas partes do corpo de Cristo — pelas unhas de Deus, pelas chagas de Cristo, etc. — era particularmente mau, porque se acreditava que esses juramentos podiam magoar fisicamente o corpo de Cristo, que estava no Céu, sentado à direita de Deus.”

Foi também durante a época medieval que surgiram expressões como vai para o diabo, em parte devido à superstição existente em torno de determinadas palavras (como é o caso de diabo). Para a autora norte-americana, porém, não é apenas uma questão de religião. O surgimento dos chamados palavrões “religiosos” está também relacionado com a definição de tabu e de privacidade que existia na altura.

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