quinta-feira, 23 de julho de 2015

a actualidade do dia-a-dia, numa visão pessoal do jornalista...!

Bom dia, já leu o Expresso Curto Bom dia, este é o seu Expresso Curto
Martim Silva
Por Martim Silva
Editor-Executivo
 
23 de Julho de 2015
 

4/10/2015. Fim da história ou só o início da novela? 


Bom dia,
Cavaco Silva fez ontem aquela que terá sido uma das últimas declarações ao país a partir de Belém (pode ser lida ou vista na íntegra aqui). Para dizer que, depois de ouvir os partidos, decidiu marcar as eleições legislativas para 4 de outubro - apesar de PS, PSD e CDS terem dito que preferiam 27 de setembro.

Pronto, a notícia resume-se numa frase (e se o seu interesse pela política se resume a isto ou pouco mais, pode saltar directamente para mais abaixo, onde se lê OUTRAS NOTÍCIAS, porque o que se segue é política, pura e dura).

Ou melhor, a notícia podia resumir-se numa frase não tivesse Cavaco aproveitado para durante precisamente dez minutos e usando mil palavras (1022) fazer um intenso apelo a que das eleições saia uma solução de governo estável e maioritária.
Um apelo tanto mais significativo quando se sabe que não há sondagem no país que dê essa possibilidade como sequer remotamente visível no horizonte.
No ar ficou mesmo uma espécie de ameaça velada de não dar posse a um executivo minoritário, apesar de constitucionalmente isso não estar previsto. O que o Presidente pode é tão só recusar até ao limite as soluções que lhe forem apresentadas e lutar por que os partidos se entendam. O que não conseguiu, por exemplo, em 2009, quando Sócrates venceu as eleições sem maioria absoluta e acabou por fazer um executivo maioritário (que só durou dois anos). Aliás, Cavaco insistiu na dificuldade dos governos minoritários irem até ao fim da legislatura e sublinhou que a esmagadora maioria dos países europeus vive com coligações no Governo.

Fique com 4 frases chave da sua intervenção:
-“É extremamente desejável que o próximo Governo disponha de apoio maioritário e consistente na Assembleia da República”
-“Os governos de 26 países da UE dispõem actualmente de apoio maioritário nos respectivos parlamentos”
-“Cabe aos partidos a responsabilidade pelo processo de negociação visando assegurar uma solução governativa estável e credível que disponha de apoio maioritário no Parlamento”
-“Alcançar um governo estável é uma tarefa que compete inteiramente às forças partidárias”

Os partidos, claro está, reagiram de pronto. Com PSD, CDS e PS a dizerem que é ainda possível a maioria absoluta (e que portanto Cavaco pode dormir descansado). Já as forças mais à esquerda, por temerem o efeito do voto útil, criticaram o apelo presidencial.
Com esta decisão de Cavaco, os partidos têm agora um mês para apresentar oficialmente as suas candidaturas. E já sabemos que podemos ter um número recorde de 24 forças nos boletins de voto. A campanha já está nas ruas mas o seu período oficial só começará no dia 20 de setembro.
Pelo que se percebe, se os dias até 4 de outubro vão ser intensos, os tempos seguintes não o devem ser menos. A novela pós-eleições pode ser longa, difícil, complexa.E ainda para mais quando se sabe que o partido que perder as eleições pode enfrentar um período de instabilidade (o que dificultará as conversas com o vencedor); e quando se sabe que vamos estar em plena campanha presidencial para escolher o sucessor de Cavaco.
Vamos ter um final de verão, outono e inverno altamente fervilhantes na política nacional, isso parece certo.

Ainda na política interna, destaque para a entrevista de Rui Rio ontem na RTP Informação. O antigo presidente da Câmara do Porto está mortinho por ser candidato presidencial (para quem como eu viu a entrevista é evidente) mas anda ali às voltas do bolo sem lhe pôr o dedo. Diz que está em reflexão, acha que tem o perfil adequado, mas…
Na conversa com Vítor Gonçalves destaco ainda a frase que deixou sobre o caso Sócrates: “Eu acho que ele é culpado”. Uma afirmação pouco comum vinda de um político da nossa praça. Mas que vem com * no fim, porque, admite Rio, muitas vezes tem remorsos ao pensar que pensa o que pensa por poder estar a ser manipulado pela informação que é deixada escapar pela própria investigação.

Ainda na política interna,
-Com a Legislatura a chegar ao fim, os deputados despediram-se ontem dos debates parlamentares. Claro está que depois de quatro anos de disputas tão acesas e de divisões tão profundas, o último dia não poderia ter sido diferente. Razão? A decisão dos partidos da maioria de introduzir taxas moderadoras para as mulheres que recorram à Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG).

-Ficou também decidido que a partir de agora os governos apresentam as propostas de OE para o ano seguinte até 1 de outubro. E não 15, como até agora.

-O PSD utilizou um tempo de antena para mostrar um vídeo em que volta à carga na polémica com os números do desemprego… para garantir que tem razão ao afirmar que Portugal é hoje um dos cinco países europeus onde o emprego mais cresce.

-Passos é hoje entrevistado pela TVI. E o líder do PSD apresenta o programa de governo da coligação, ao lado de Portas, no próximo dia 28.

-Visita relâmpago é a que Paulo Portas faz hoje a Angola, com encontro marcado com Manuel Vicente.


OUTRAS NOTÍCIAS
Cá dentro,
-CP Carga e EMEF são as próximas privatizações que o Governo leva a cabo e já hoje, no final da reunião do Conselho de Ministros, se deve saber quem fica com as empresas.

-Kleyo de Abreu é o nome da jovem de origem portuguesa que morreu na sequência de um salto de bunge jumping, na Andaluzia.

-Há novas pistas sobre o paradeiro do português desaparecido em Inglaterra.

-O DN dá hoje honras de manchete ao facto de Alemanha já vir procurar médicos portugueses directamente à saída das universidades.

-O Expresso Diário noticiou que Nuno Crato vai triplicar no próximo ano letivo os cursos vocacionais no ensino secundário, fazendo com que as turmas para estes cursos passem de 100 para 300.

-Paulo Pereira Cristóvão, ex-PJ e ex-dirigente do Sporting viu as autoridades judiciais confirmarem a dedução da acusação por suspeitas de associação criminosa e deve mesmo ir a julgamento.

-O antigo árbitro internacional Pedro Proença anuncia hoje a sua candidatura à presidência da Liga de Clubes.

-Cristiano Ronaldo não terá gostado de uma decisão do treinador do Real Madrid durante um treino do clube, e dirigiu palavras menos próprias a Rafael Benitez.

-O uso cada vez mais disseminado das redes sociais levanta também novas questões e debates. Como a decisão do Tribunal da Relação de Évora, que a propósito de uma disputa parental decidiu que os pais não podem colocar fotos da sua filha menor de 12 anos nas redes sociais. Nós no Expresso Diário ouvimos especialistas sobre o assunto para ajudar a perceber se se trata de uma decisão sensata ou de um exagero judicial. Leia aqui o que eles dizem.


Lá fora,
-Com menos dramatismo que na semana passada, mas novamente num interminável debate (ou não estivéssemos na Grécia) e novamente com protestos nas ruas o Parlamento grego aprovou esta madrugada novo pacote de medidas de austeridade. Um passo essencial para ser aprovado o terceiro resgate financeiro dos últimos cinco anos ao país. E desta vez também Varoufakis votou a favor.

-A Administração norte-americana, agora que Obama está a pouco mais de um ano de deixar o cargo após dois mandatos, está mesmo a ultimar um plano para o encerramento da base de Guantánamo, uma promessa presidencial (dolorosamente) ainda por cumprir. Para que saiba, ainda há 116 detidos na base situada na extremidade da ilha de Cuba.

-Sobre as eleições presidenciais que aquecem os motores nos EUA, é difícil encontrar pior candidato que Donald Trump – no Expresso Diário de ontem pode perceber porquê - que agora revelou dados sobre as suas finanças pessoais.
Do que poucos falam é dos logos de campanha dos candidatos. Afinal, quais os melhores e quais os mais aselhas e ridículos?

-O jovem responsável pelo recente massacre de nove pessoas numa igreja em Charleston já viu a acusação judicial formalizada. E não é meiga.

-O acordo para o programa nuclear do Irão, firmado a semana passada, é sólido? Quais os seus detalhes? Onde serão feitas as inspecções? Como foram as negociações? O que ganha o Irão com isto? A estas perguntas e mais ainda procura a The Economista dar resposta aqui.

-Uma investigação do The Times mostra como são os familiares dos oligarcas russos que gravitam em torno de Putin que mais estão a enriquecer com as sanções económicas contra os russos. Isto porque há transferências maciças de dinheiros e propriedades dos oligarquias para os seus mais próximos.

-Um novo medicamento pode ajudar a combater o alzheimer, que hoje em dia afecta mais de 40 milhões de pessoas em todo o mundo. De acordo com a reportagem da Euronews, este medicamento pode atrasar o desenvolvimento da doença em mais de 30 por cento.

-Três jornalistas espanhóis desapareceram no norte da Síria e há suspeitas de que poderão ter sido raptados pelo movimento terrorista do Estado Islâmico.

-Na Universidade de Birmingham foi encontrada a que se crê ser a mais antiga cópia existente do Corão. Aguardam-se reacções inflamadas de islamistas radicais...

-Está farto de ir de carro para o trabalho? Aqui ficam cinco ideias do que podem ser os transportes do futuro… mais ou menos longínquo.

-Já há mais detalhes, e trailer até, sobre o novo Bond. Desta vez com o fantástico Christopher Walt a fazer de vilão.

-E se ainda não espreitou as novas e magníficas fotos da Terra tiradas a partir do espaço, ainda vai a tempo.


NÚMEROS
1,7
1,7 milhões de euros é quanto os partidos políticos vão receber a menos na Madeira de subvenção pública. Mais um sinal do novo ciclo pós-jardinismo.

21
-Através da revista Time, podemos revisitar o crescimento do Princípe George, filho dos Duques de Cambridge, já com dois anos, através de 21 fotografias.

40
-Mais de 40 pessoas perderam a vida na sequência de um conjunto de explosões na Nigéria.

3
-Três euros é quanto vai passar a custar a entrada na Livraria Lello, no Porto, considerada uma das mais bonitas do mundo.


FRASES
“Porque é que eu não posso defender a minha opinião?” Foi a pergunta deixada pelo treinador espanhol dos alemães do Bayern de Munique Pep Guardiola quando questionado pelos jornalistas na China, onde o clube está em digressão, pelas razões que o levaram a aceitar incluir o seu nome numa lista política na Catalunha.

“Presidir ao Parlamento foi a maior honra da minha vida”, Assunção Esteves, presidente da AR

“Eu sou um frequentador e um apreciador das caixas de comentários dos meus textos”, João Miguel Tavares, no Público

“Para ocultar as fragilidades do seu país, François Hollande quer criar um Clube do Bolinha onde os 17 países não fundadores do euro terão a entrada vedada”, Helena Garrido, no Jornal de Negócios


O QUE EU ANDO A LER
Já em véspera de ir de férias, tenho na mala pronto a começar o longo mergulho, de quatro volumes condensados num só, em “O Quarteto de Alexandria”, de Lawrence Durrell. Não se trata neste caso do que eu ando a ler, mas mais do que eu vou ler. Mas fica a sugestão para quem ainda procura o que levar para a praia.

E como hoje é quinta-feira, deixo-lhe o tema de capa da revista Visão, que olha para o novo fluxo de regresso de portugueses de Angola. Uma espécie de Retornados II. Se há 40 anos foi por causa da independência angolana, agora são a baixa do preço do petróleo e o arrefecimento da economia angolana que causam o êxodo.

Finalmente, se já ouviu algum filho seu, ou um colega de trabalho, falar em emojis, mas teve vergonha de perguntar o que era isso para não revelar o quão velho você realmente está, o melhor é ler o que a tão séria e respeitável The Economist tem a dizer sobre esta forma de linguagem que está a conquistar o espaço digital. Assim escusa de responder que são uns bonequinhos que substituem as letras e pode dar uma resposta melhorzinha.

Por hoje é tudo.