quarta-feira, 22 de julho de 2015

a actualidade do dia-a-dia, numa visão pessoal do jornalista...!

Bom dia, já leu o Expresso Curto Bom dia, este é o seu Expresso Curto
Cristina Peres
Por Cristina Peres
Jornalista de Internacional
 
22 de Julho de 2015
 

Obama, o africano?! 


Bom dia!

Barack Obama passará hoje o dia a finalizar a bagagem que o acompanhará finalmente a partir de amanhã na sua primeira visita oficial ao Quénia desde que é Presidente dos Estados Unidos. Atravessará vários fusos horários em direção a leste para tentar apanhar a mão de uma política para África muito mais inexistente do que a dos seus antecessores na Casa Branca Bill Clinton (investimento em acordos comerciais) e George W. Bush (aumentou do volume de ajuda). Logo no início da semana, Obama recebeu em Washington o Presidente da Nigéria, Muhammad Buhari, com quem discutiu estratégias de combate aos extremistas do Boko Haram, Obama fará por desfazer o nó do atraso da visita ao Quénia encontrando-se com o chefe de Estado Uhuru Kenyatta e com o seu vice, William Ruto. Este é acusado pelo Tribunal Penal Internacional por alegado incitamento à violência após as eleições de 2007, o que tem tido peso no adiamento desta visita. De lá, Obama segue para a Etiópia. Apesar do gesto de aproximação ao continente dos seus antepassados paternos, longe vai o tempo em que a Obamania tomou África após a eleição de Barack em 2008…

Enquanto os candidatos às presidenciais norte-americanas de 2016 continuam a surgir - John Kasich acaba de se tornar o 16º candidato republicano - o mayor de Nova Iorque declarou que a cidade não faria mais negócios com o multimilionário Donald Trump. O candidato republicano, que lidera as tendências de voto do momento, viu a cor da fúria de Bill de Blasio depois de ter declarado preferir os militares que não se deixam prender, questionado se o senador John MacCain era de facto um herói de guerra do Vietname. Não satisfeito com isso, Donald Trump resolveu tornar público o número de telemóvel do seu principal rival do GOP, o senador Lindsay Graham…

Vamos ver como se desenrola hoje o dia à seguir à eleição presidencial no Burundi. O terceiro mandato a que Pierre Nkurunziza insiste candidatar-se e que é objeto de protestos internos e da condenação internacional foi votado ao longo do dia de ontem. Houve boicote e duas mortes ainda antes da abertura das urnas. Prevê-se um escrutínio tenso, como tem sido todo o processo desde o início, e não se esperam resultados definitivos saídos das urnas antes de amanhã.

A Apple desiludiu as expectativas dos investidores pela primeira depois de ter sistematicamente ultrapassado as previsões do mercado. Com uma desvalorização em Wall Street significativa, a Apple atingiu o seu ponto mais baixo desde fevereiro apenas um dia depois de ter falhado o seu valor mais alto de sempre por apenas um dólar.

Hoje é dia da votação crucial no Parlamento grego do segundo conjunto das chamadas medidas prioritárias que permitirão aos gregos receber o terceiro resgate. Um simulacro de regresso à normalidade com a reabertura dos bancos e o pagamento de parte da dívida não chegam para ninguém respirar fundo e os protestos dos gregos deverão prosseguir. A renegociação da dívida grega está em cima da mesa dos credores em termos de redução dos juros e alargamento dos prazos de pagamento.


OUTRAS NOTÍCIAS
A comissão política do Partido Socialista reuniu madrugada dentro para aprovar as listas finais de candidatos a deputados. Fações manifestavam-se ainda antes do final da reunião. Seguristas em polvorosa, leia aqui a opinião de Bernardo Ferrão. No final da reunião, perto das 3h da manhã, António Costa conseguiu incluir alguns “ausentes”, como poderá ler aqui.

Depois de dois anos de excedentes, Portugal voltou a ter défice externo. Parece que voltámos a viver acima das possibilidades, como escrevem Pedro Santos Guerreiro e Sónia M. Lourenço. As razões encontra-as aqui. E também aqui.

Semana de entrevistas importantes, ontem o vice-primeiro-ministro Paulo Portas na SIC, Rui Rio hoje à noite na RTP e o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho falará amanhã. Portas admitiu a destruição do emprego neste mandato e reconheceu que vai pagar caro a sua “revogação do irrevogável”. Na primeira entrevista desde 2011, Portas diz continuar a defender os mais pobres dentro da pobreza portuguesa.

Hoje registam-se temperaturas acima dos 30 graus em vários locais do país, confirmando que passará um mau bocado quem as preferir amenas. O primeiro semestre deste ano entrou no “hot top” dos últimos 85 anos ao ver a média das temperaturas alcançar os 20,6 graus e a tendência é para continuar, como explica a Carla Tomás.


FRASES
“O Dr. Paulo Portas é um genial inventor de frases, mas de vez em quando a criatura vira-se contra o criador. Foi o caso do ‘revogar do irrevogável’”, António Vitorino, SIC Notícias

“Eu não estou na época pós-Passos”, Paula Teixeira Cruz, Público

“A cooperação não deve ser medida pelo gasto que tem para o contribuinte. Temos de exportar desenvolvimento para importar segurança”, Luís Campos Ferreira, Diário económico

“A Presidente está enfraquecida, mas não há intenções por agora de fazer [Dilma Rousseff] cair.”, Valeriano Ferreira Costa, Diário Económico


O QUE EU ANDO A LER
Boris Johnson é uma força da natureza, já se sabia! Fez manchete há pouco tempo quando foi apanhado em vídeo por um transeunte londrino a injuriar um taxista a partir da sua bicicleta. Foi lançada há pouco a tradução portuguesa (D. Quixote) do último livro do mayor de Londres, “O Fator Churchill - Como um homem fez história”. São 428 páginas de reverência ao estadista que salvou a Europa da escravidão fascista e deu uma chance à democracia. Pode não parecer leitura de verão, mas serve todas as estações. Boris está disposto a ficar na história, ninguém duvida, e os mais críticos veem nesta edição uma candidatura à sucessão de David Cameron na liderança dos Tories. Chegaram a dizer que neste “Fator Churchill” se podia ler “Tudo sobre o grande líder (e um pouco sobre Winston Churchill)”.

Acabei ontem de reler um texto curto muito muito muito recomendável. Há tradução em português e em papel, do que foi originalmente editado em e-book: “Todos devemos ser feministas” (D. Quixote). A escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie (“Americanah”, “Metade de um sol amarelo”…) tem escrita exemplar, pensamento estruturado e sabe como transmitir as suas convicções. Para se inspirar, veja aqui a sua TEDTalk intitulada “The Danger of the Single Story”, onde Chimamanda utiliza argumentos semelhantes ao abordar o racismo.

Se gosta de cinema e está por Lisboa pode aproveitar o desanuviamento trazido pelo acordo nuclear da semana passada e deixar-se seduzir por uma volta de táxi por Teerão. Ainda vai a tempo de apanhar este táxi conduzido pelo próprio realizador na capital do Irão se for hoje ao Cinema Ideal. As últimas sessões do filme iraniano “Taxi”, de Jafar Panahi, são às 15h15, 19h e 20h30.

Antes que este café curto saia um abatanado, sugiro-lhe ainda para esta manhã sete estupendos minutos de música: “A Song for Europe”, um original de 1973 do álbum “Stranded” dos Roxy Music, aqui interpretada ao vivo em Londres em 2001, ano da entrada em vigor do €. Brian Ferry canta lyrics a que estas últimas semanas na EUropa deram relevância acrescentada. Não é difícil imaginar uns certos europeus a pensarem noutros certos europeus ao trautearem com Ferry “Now only sorrow, no tomorrow, nothing is there for us to share but yesterday”…