segunda-feira, 31 de agosto de 2015

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Bernardo Ferrão
Por Bernardo Ferrão
Editor
 
31 de Agosto de 2015
 


Quem dá mais? O Novo Banco vai para… 



Anbang ou Apollo?

Hoje é dia de tira teimas. A proposta chinesa da Anbang para a compra do Novo Banco caduca à meia-noite e se as negociações não chegarem a bom porto, o Banco de Portugal, tal como o Expresso noticiou, deverá avançar de imediato para os americanos da Apollo, o candidato seguinte. O Governo – temendo os efeitos na campanha eleitoral – nem quer ouvir falar de um adiamento da venda. Questionado este sábado sobre o processo, Passos Coelho não podia ser mais claro: o resultado da negociação será "o melhor que o Banco de Portugal conseguir alcançar". Uma declaração com duas mensagens claras: Este é um processo da exclusiva responsabilidade de Carlos Costa. E nem pensar em não “concluir essa operação.” A verdade é que as negociações com os chineses (abalados com a crise nas bolsas asiáticas) têm estado num impasse. E já se fala de um prejuízo que pode chegar aos dois mil milhões de euros. Quem o assumirá? O assunto é escaldante e pode (com grande probabilidade) incendiar os palcos da campanha. Logo se verá.

Para já, o que mexe na frente político-partidária são as declarações do eurodeputado Paulo Rangel - "Alguém acredita que se os socialistas estivessem no poder haveria um primeiro-ministro sob investigação?" – que meteu (outra vez) José Sócrates na campanha, ofuscando (outra vez) o discurso que António Costa fazia no acampamento da JS em Santa Cruz (que Marcelo considerou a melhor intervenção da semana). Reagindo ao ataque, o PS falou em “tentativa clara de partidarização da Justiça” e perguntou: Passos concorda com Rangel? Resposta do presidente do PSD: "Creio que o Dr. Paulo Rangel se estava a referir, no essencial, ao clima que se vive e que tem permitido que os cidadãos avaliem o funcionamento da Justiça de uma forma mais positiva do que no passado". Ou seja, o líder do PSD (tal como António Costa que também não falou) não se mete na política de casos, mas nada diz sobre os que o fazem (por ele?). No entanto, Passos haveria de dizer no domingo, no que foi entendido como uma referência a Sócrates, que os “bancos e os Governos não existem para trazer amigos”. Na análise, Marcelo Rebelo de Sousa e Marques Mendes consideram que há perigos em trazer Sócrates para a campanha: esse risco também existe para o PSD se for “inábil” com o assunto, explicou o professor.

Na verdade, Passos Coelho parece mais apostado em usar a Grécia contra o PS de António Costa. Foi o que fez no Pontal e o que voltou a fazer ontem em Castelo de Vide, no encerramento da Universidade de Verão: "Para crescer precisamos de ter financiamento e para ter financiamento temos de pôr as nossas contas em ordem, o resto, como se recordam é uma história para crianças", afirmou, recuperando a expressão que utilizou no início do ano, quando falava sobre o 'irrealismo' das propostas do Syriza de Alexis Tsipras (que ontem pediu maioria absoluta). A Grécia, que vai a eleições a 20 de setembro, tornou-se determinante para a estratégia da direita.

Nota ainda para o habitual apelo ao voto, com atenções concentradas nos indecisos. Passos falou aos do centro-esquerda – que “não são do PSD e CDS” – pondo a tónica nas desigualdades sociais. E António Costa (que defendeu reformas para travar a emigração de jovens qualificados) também rumou ao centro invocando o Papa Francisco e António Guterres.

Last but not least: as Presidenciais. Depois do anúncio de Santana Lopes de que não é candidato, Marcelo Rebelo de Sousa falou da decisão difícil do Provedor. E argumentou que Santana - que ainda tem “à sua frente um futuro político” - defende “um estilo de Presidente que obrigava a uma revisão constitucional.” Ou seja, “ele ia avançar para uma função que não podia exercer como ele queria.” Marcelo reconhece também que os potenciais candidatos do centro-direita "terão exatamente as mesmas dificuldades". Rui Rio continua em silêncio.


OUTRAS NOTÍCIAS
O preço da gasolina desce a partir de hoje cinco cêntimos por litro - a maior descida do ano - enquanto o do gasóleo rondará os três cêntimos.

A noite fica marcada por novo tiroteio, agora em Leiria, que fez um morto e um ferido em estado grave. No sábado, na Quinta da Conde em Sesimbra, um desentendimento por causa de um cão, levou à morte de um militar da GNR, um agente da PSP e o seu filho.

O incêndio em Coimbra que, este fim de semana, esteve muito perto de habitações e levou ao corte da circulação na A13, está finalmente dominado e em fase de rescaldo.

O Papa disse ontem que o drama dos 71 refugiados na Áustria “ofende toda a Humanidade”. E pediu uma “cooperação eficaz”. Os ministros do Interior da UE decidiram entretanto discutir a 14 de setembro a crise migratória. É isso mesmo: decidiram discutir (!).

No Iémen um ataque aéreo da coligação liderada pelos sauditas matou mais de 36 pessoas.

O Kremlin revelou uma fotogaleria imperdível. As imagens mostram o Presidente russo Vladimir Putin (com a popularidade em queda) e o primeiro-ministro Dmitry Medvedev a treinarem juntos num ginásio, na casa de férias de Putin em Sochi. Depois do exercício nas máquinas, fazem um barbecue e a cena termina à mesa, com um brinde de… chá (e a vodka?).

Da Ucrânia chega-nos este vídeo (daqueles: “Coisas que não se devem fazer”) de um rapaz de 18 anos, vlogger, que decidiu trepar para um comboio em andamento, saltando de carruagem em carruagem e filmando tudo. É claro que já está a ser um sucesso nas redes sociais.

Taylor Swift venceu o vídeo do ano nos prémios da MTV com o 'clip' "Bad Blood". A cerimónia foi este ano apresentada por Miley Cirus.

Wes Craven, lenda do cinema de terror, morreu esta noite, aos 76 anos. Craven, foi director de filmes de terror icónicos como as séries "Scream" ou "Pesadelo em Elm Street".


FRASES
"O PSD e o CDS, os partidos do Governo, vão levar uma banhada, vão sofrer uma derrota pesada nestas eleições", Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP.

“Dizer, depois do que fizeram, PSD e CDS nestes quatro anos e meio, que se candidatam para diminuir as desigualdades, é como dizer que temos um problema na regulação da banca e candidatar Oliveira e Costa ou Ricardo Salgado para o Banco de Portugal.", Catarina Martins, líder do BE.

"A competitividade nunca foi uma grande preocupação em Portugal”, Albert Jaeger, representante do FMI em Portugal ao Económico.


O QUE ANDO A LER
Nos por cá, que tanto falamos de Presidenciais, temos a sorte (digo eu) de estarmos, literalmente, a milhas de distância do que se está a passar nos Estados Unidos, com a corrida às primárias republicanas. É verdade que também temos, de vez em quando, uns iluminados com laivos populistas, mas nada que se compare com o inacreditável Donald Trump. O multimilionário que reciclou para a sua campanha o slogan de 1980 de Ronald Reagan: “Make America Great Again”. E como é que ele quer fazer isso? Bem… ele diz que “como presidente, serei o maior promotor de emprego que Deus alguma vez criou”. Ele diz que todos os mexicanos que tentam passar a fronteira são traficantes assassinos e violadores, ele (também) quer construir um muro na fronteira com o México, ele jura que nunca mais vai comer oreos (porque a empresa quer deslocalizar a produção para o México), ele expulsa jornalistas das conferências de imprensa (porque são latinos e porque estão “combinados” com Hilary Clinton), ele até sugeriu que a moderadora de um debate, que o questionou de forma hostil, só o fez porque estava com a menstruação. Enfim... pelo menos uma vez acertou em cheio: quando escreveu na sua conta do Twitter, “divirtam-se!”. De facto só mesmo para rir.

O mais incrível é que as sondagens mostram Trump (que no final da semana passada deu uma entrevista a Sarah Palin) como o favorito dos 17 candidatos republicanos. E porque? Bem, recomendo-lhe que leia este interessante artigo da “The New Yorker” que explica como ganha forma a coligação nacionalista de Trump. E pode também ouvir este podcast de dois analistas norte-americanos que analisam o fenómeno e acrescentam que o grosso dos apoiantes do republicano se divide em dois grupos: eleitores sem escolaridade e os americanos que sentem ameaçados pela imigração.

Boas leituras.