quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

exames nacionais, provas de aferição e outras questões... resultado da sondagem...!

Resultados da Sondagem | Concorda com a aplicação das provas de aferição em anos intermédios e fim do exame de 6º ano?

 



Fiquem com os resultados desta semana e o artigo de Paulo Guinote.
Aferição
* sobre a opção "outro", apesar de variada, foi mais significativa a opção de recusa de ambos os modelos (exames e aferição).

Aferição, Avaliação

Paulo GuinotePercebe-se pelos resultados da sondagem que a maioria dos que responderam concordam, de forma total ou parcial, com as medidas anunciadas pelo novo ministro da Educação para a avaliação/aferição externa das aprendizagens do Ensino Básico.
Confesso que, desta forma desarticulada de um olhar mais global sobre tudo o que envolve o desenvolvimento dessas aprendizagens, tenho reservas que acho justificadas sobre uma reforma apressada, que tem uma lógica interna, mas que deixa algumas pontas soltas que seria importante resolver.
Não sou dos que confundem provas finais com exames eliminatórios, próprios de uma escola elitistas, mas também não acho que eles, por si mesmos, resolvem todos os problemas. Como, aliás, aferições intermédias só com prova final no 9º ano irão resolver seja o que for, porque as informações recolhidas no 2~º e 5º ano, por exemplo, não poderão ser comparadas pelos mesmos docentes, no mesmo ciclo de escolaridade. Só entre o 8º e 9º ano isso poderá acontecer.
Se uma estratégia de aferições intermédias, com vista a um acerto de metodologias de trabalho com os alunos, tem a sua lógica, então julgo que seria melhor, num sistema de 12 anos de escolaridade obrigatória, rever os ciclos de escolaridade do Ensino Básico, aproveitando para articular isso com a reforma da avaliação externa. Nesse sentido, é meu entendimento que o 1º ciclo deveria ser de cinco anos, fazendo-se uma aferição das aprendizagens no 3º ano e uma prova final (com peso na avaliação) no 5º ano, seguindo-se um 2º ciclo com quatro anos, com aferição intermédia no 7º ano e prova final no 9º. Não faz, para mim, especial sentido ter uma prova no 2º ano, quando os conteúdos a avaliar são ainda muito incipientes e depois passar todo o resto do ciclo sem verificar se as coisas melhoraram (ou não). Do mesmo modo, acho que realizar provas de aferição depois do final das aulas, sem elas terem peso na avaliação ou qualquer efeito, é um convite a encará-las como facultativas, o que distorcerá quaisquer conclusões que se queiram extrair dos seus resultados.
Que este tipo de reforma mais alargada e complexa implicaria mexidas mais profundas no sistema de ensino? Claro que sim, mas de enxertos e reformas apressadas para a fotografia e para servir calendários acertados com as eleições já deveríamos estar fartos. Mas parece que não, desde que quem chega faça ao contrário do que quem foi à superfície, deixando continuar matérias muito mais estruturantes para a qualidade do ensino.
É curioso que quem relativiza e menoriza a importância dos “exames” acabe por achar que basta mexer nessa matéria para tudo ficar bem. Assim como é curioso que quem os defende, alegue que eles se devem manter porque o seu peso é residual no insucesso escolar; sendo assim, não adianta ter provas de final de ciclo. Dos dois lados das barricadas, os argumentos esgrimidos padecem do mal de sobrevalorizarem as tácticas de curto prazo no combate político. Para se apoiarem medidas, não basta que elas sejam “contra” aquelas de que se não gostava ou d@ ministr@ que se detestava. Temos obrigação de ir além desse primarismo na análise.
Se o ministro está assim tão interessado em focar tudo nos alunos, se está preocupado com as “más práticas” que os “exames” trouxeram às escolas e se tem confiança nos professores, o que teria a fazer era tomar medidas para melhorar as condições em que decorrem as aulas e a vida nas escolas.
Ora… isso passa por muitas outras questões que, por agora, vão sendo varridas para baixo da alcatifa do debate espúrio sobre a avaliação externa. Número máximo de alunos por turma, despiste precoce e processos de apoio aos alunos com dificuldades de aprendizagem em vez de lhes inventarem “vocações”, rede escolar definida sem ser por critérios de economias de escala, investimento equilibrado em equipamentos escolares que não criem escolas de 1ª, 2ª e 3ª classe, criação de condições laborais para que as famílias possam apoiar os seus educandos, estabilização do currículo e dos conteúdos programáticos, não indexação dos créditos horários adicionais aos resultados de curto prazo das escolas, são tudo questões que me merecem muito mais preocupação do que a existência (ou não) de provas finais.
Por fim, gostaria muito que os conceitos de “autonomia” e “estabilidade” tivessem alguma substância concreta e não fossem apenas chavões instrumentais destinados a justificar medidas que são a sua antítese.