terça-feira, 16 de junho de 2015

a actualidade do dia-a-dia, numa visão pessoal do jornalista...!

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Bernardo Ferrão
Por Bernardo Ferrão
Editor
 
16 de Junho de 2015
 

Grécia: RED ALERT. RED ALERT. RED ALERT. RED ALERT. RED ALERT. RED ALERT 

As sirenes de alarme voltaram a soar. E bem alto. O fogo de Atenas está a alastrar. A zona euro está em perigo?

Já perdi a conta ao número de vezes que abri o Expresso Curto com o impasse grego. Mas não há volta a dar. As últimas 24 horas foram dramaticamente noticiosas. Depois do falhanço nas negociações de domingo, as posições estão extremadas. Credores de um lado. Gregos do outro. A questão das pensões (mas também o IVA, o excedente primário e as reformas no mercado de trabalho) continua a ser a pedra no sapato. Mas a Grécia responde que não apresentará novas propostas e insiste na restruturação da dívida. Uma opção que não agrada à Comissão Europeia (sobretudo a pensar na Alemanha). É um verdadeiro jogo do empurra como explicámos no Expresso Diário. Alexis Tsipras veio entretanto atirar mais umas achas para a fogueira. Diz que andam há cinco anos a “pilhar a Grécia” e que a insistência em mais austeridade só pode ter “motivações políticas”. Mas antes foi a própria Comissão que quis falar “on-the-record” pela primeira vez sobre as negociações. E porquê? Para contrariar as “versões deturpadas” que a Grécia vai fazendo chegar aos media. A coisa está a ficar feia. Grexit? Os líderes já falam abertamente na hipótese: François Hollande avisou que o tempo está a acabar. E os países da zona Euro (de acordo com o jornal alemão Sueddeutsche Zeitung, citado pelo Observador) estão a preparar medidas de controlo do movimento de capitais na Grécia. O receio é tal que, como escreve a Bloomberg, a expressão “Grexit” está a atingir recordes de busca no Google. Mario Draghi, o homem forte do Banco Central Europeu, admitiu entretanto que é impossível prever as consequências de um eventual incumprimento. E acrescentou que não pode especular sobre os riscos de contágio porque “estaríamos a entrar em águas desconhecidas”. Na frente interna, o jornal grego Kathemirini conta que Tsipras estará esta manhã num encontro com o grupo parlamentar do Syriza e que antes reúne com os líderes do PASOK, do Potami e da Nova Democracia. Nos mercados, o impasse grego também fez soar as campainhas. Os juros dispararam, as bolsas afundaram. E o petróleo e o euro foram pelo mesmo caminho. O Negócios faz o resumo. Quinta-feira há nova reunião do Eurogrupo, mas com as posições tão afastadas as expectativas para o encontro são poucas ou nenhumas. Faltam duas semanas para o fim do resgate. O relógio não para: tic, tac, tic, tac…

No capítulo da análise, e depois do artigo de ontem do editor do Financial Times: “A Grécia não tem nada a perder ao dizer não aos credores”; deixem-me recomendar-vos o exercício de Gideon Rachaman: “Quatro jogos que os gregos podem estar a jogar”. E ainda, no The Guardian, o texto de Anatole Kaletsky: “A Europa não deve recear a Grécia beligerante”.

O assunto é demasiado sério, mas para descontrair deixo um vídeo de Mário Draghi. Na mesma conferência onde ontem respondeu à eurodeputada Elisa Ferreira sobre a Grécia e os perigos de contágio, Draghi (por incrível que pareça) conseguiu pôr a sala a rir. Depois de ter sido metralhado com várias e longas perguntas do eurodeputado do espanhol Podemos, o líder do BCE respondeu (com ironia): “Portanto, qual é a pergunta?” Risada geral. E o representante do Podemos irritado: “Se quiser posso repetir!”. Draghi preferiu não ouvir a mesma lengalenga outra vez. Veja o vídeo aqui.

E claro não podia esquecer a má geografia da Easy Jet. Ao promover um dos seus novos trajetos, a companhia aérea achou que a ilha de Cefalónia fica algures no norte de Portugal. Não acredita? Então veja aqui. Passos e Portas bem podem insistir que “Portugal não é a Grécia”…


OUTRAS NOTÍCIAS
Boa notícia: O gás natural volta a baixar. 3,5% em julho para os consumidores domésticos. Esta descida soma-se à queda nas tarifas de 3,9% que o regulador já tinha aplicado em maio, em resultado da queda do preço do petróleo.

Má notícia: A Saúde garantida pelo Estado é um “direito ameaçado”. É o título do artigo do Expresso sobre a avaliação do Observatório Português dos Sistemas de Saúde ao funcionamento do setor, em particular do Serviço Nacional de Saúde. O diagnóstico não podia ser pior. Após a saída da troika, o OPSS encontrou "muitas debilidades": Faltam enfermeiros, camas e medicamentos.

Na corrida para a subconcessão das empresas de transporte público de Lisboa há quatro grupos estrangeiros e um português (a Barraqueiro que também está na TAP). Os contratos devem ser assinados dentro de um mês. E segundo o Negócios é o preço que vai decidir quem fica com a Carris e o Metro. O Expresso explica-lhe o que está em jogo.

Os bancos vão vigiar as contas e o património de políticos e juízes. A história vem contada no Diário de Notícias que explica que a Comissão Europeia quer que os bancos de todos os Estados membros apertem a vigilância às operações financeiras que envolvam “pessoas politicamente expostas” e que determinem ainda a origem do património dessas mesmas pessoas.

Na Índia, o primeiro-ministro Narendra Modi decidiu abrir guerra às barrigas indianas e aos maus hábitos do “western lifestyle”. Não é novidade que o seu governo tem um ministro do Ioga. Mas agora o chefe de Governo vai participar no dia do Ioga, a 21 de junho, com mais de 35 mil indianos, funcionários públicos e estudantes à mistura. A ideia é conseguir entrar no livro dos recordes do Guinness. E certamente não será difícil… O New York Times conta-lhe toda a história.

A BBC avança que o líder da Al-Qaeda no Iémen, Nasser al-Wuhayshi, foi morto pelas forças norte americanas. A morte já foi confirmada pela organização terrorista.

Os jornais ingleses, como o The Guardian, estão a contar que há três mulheres, irmãs, e nove crianças, os filhos, que saíram do Reino Unido numa viagem de peregrinação à Arábia Saudita mas que entretanto desapareceram. Há suspeitas de que tenham viajado para a Síria através da Turquia.

Marcos Freitas, Tiago Apolónia e João Geraldo, os três mesa-tenistas portugueses, venceram ontem o ouro na primeira edição dos Jogos Europeus, que estão a decorrer em Baku, no Azerbaijão.

Nuno Delgado é o novo treinador nacional de judo. O ex-atleta olímpico e bronze em Sydney2000 na categoria -81 kg, é apresentado hoje às cinco da tarde no Centro Nacional Desportivo do Jamor, Edifício das Piscina, em Oeiras.

Ele está mesmo morto? Ele é Jon Snow, a personagem central de “Game of Thrones” que ontem, no último episódio da quinta temporada, foi esfaqueado. Será? E acaba aqui? O New York Times fez um apanhado das várias questões desta série (maravilhosa, digo eu) que ficaram em aberto. Quem sabe pode vir ai uma 6ª temporada.


FRASES
“O Presidente da República vai sair sem honra nem glória. E, porque sabe que vai ser assim, faz autoelogios e distorce factos históricos, sem cuidar de ver que a realidade é o que é e não o que ele deseja”, Mário Soares no Diário de Notícias sobre o discurso de 10 junho de Cavaco Silva.

“A reputação da Banca está num dos piores momentos de sempre”, Fernando Faria de Oliveira, Presidente da Associação Portuguesa de Bancos em entrevista ao Económico.

“Não prometo títulos, prometo entrega, trabalho, dedicação, dar a vida pelo Benfica. Quero muito ganhar. Quero mais do que nunca ganhar”, Rui Vitória que ontem assumiu o comando técnico dos encarnados. (leia aqui o artigo da Mariana Cabral)

“Respeito a vocês, o vosso trabalho. Estou aqui mas não tenho nada para dizer. Dia 1 de junho começo a trabalhar na academia do Sporting. Ponto final ok?”, Jorge Jesus, treinador do Sporting à chegada ao aeroporto de Lisboa.


O QUE ANDO A LER
No fim de semana, mais precisamente no sábado, 13 de junho, assinalaram-se os dez anos da morte de Álvaro Cunhal, o histórico secretário-geral do PCP. Cunhal tinha 91 anos. No Expresso Diário, assinalámos a data com este interessante artigo do Luís M. Faria que lembrou que no dia da morte de Cunhal também partiu o poeta Eugénio de Andrade e que dois dias antes morrera o primeiro-ministro do Verão Quente, Vasco Gonçalves. Dez anos depois, a data levou-me a reler partes das “Conversas com Álvaro Cunhal e outras lembranças.” O livro de Maria João Avillez, publicado em 2004, reúne uma série de entrevistas feitas pela jornalista entre 1976 e 2000 (Cunhal deixou o cargo de secretário-geral do PCP em 1992 e foi sucedido por Carlos Carvalhas) publicadas aqui no semanário Expresso. São conversas fundamentais para se perceber melhor quem era o homem que liderou os comunistas durante 30 anos. Como não podia deixar de ser há muita política. Mas pouco do lado mais pessoal. A jornalista bem insistiu mas Cunhal não era um entrevistado fácil: A ler, ou reler, sem dúvida.

Por hoje é tudo.